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13 abril 2007

Ai de quem estragar algum livro meu!

Estou a ler um livro interessante do Lionel Casson (que já conhecia do velho Ships and Seamanship in the Ancient World), de 2001, editado pela Yale University Press, intitulado Libraries in the Ancient World.
Na primeira parte, sobre a Mesopotâmia, Casson explica como estava organizada a biblioteca de Assurbanípal. E deu-me mais umas ideias para pragas a rogar a quem não devolve ou estraga livros emprestados!

Entre várias mais curtinhas e menos amedrontadoras, como
Aquele que receia Anu e Antu cuidará e respeitará estas tabuinhas
encontrei esta grande maldição (que, à falta de conhecimento de assírio, vai em inglês), na qual se percebe algumas técnicas dos ladrões de bibliotecas da época e a vantagem do politeísmo:


He who breaks this tablet or puts it in water or rubs it until you cannot recognize it [and] cannot make it be understood, may Ashur, Sin, Shamash, Adad and Ishtar, Bel, Nergal, Ishtar of Nineveh, Ishtar of Arbela, Ishtar of Bit Kidmurri, the gods of heaven and earth and the gods of Assyria, may all these curse him with a curse which cannot be relieved, terrible and merciless, as long as he lives, may they let his name, his seed, be carried off from the land, may they put his flesh in a dog's mouth!

E, mesmo assim, eles lá roubavam...

27 outubro 2007

Livrarias em Roma

No tempo da República, os livreiros eram uns desgraçados que tinham de arranjar livros para copiar para os clientes, tendo para isso que recorrer a bibliotecas privadas, o que nem sempre era fácil.
No tempo do Império as coisas mudaram: Roma tornou-se uma cidade cosmopolita também do ponto de vista intelectual, sendo a demanda de livros tal que as livrarias passaram a ter aquilo a que podemos chamar o início da ideia do «fundo de catálogo» (já raro hoje em dia).

Existiam nas lojas livros de escritores como Vergílio ou Tito Lívio e sabe-se que um livreiro até tinha vários volumes da Institutio Oratoria, de Quintiliano. E se lhe pedissem um livro que não tinha (o que seria comum), recorria, como antes, às bibliotecas, e mandava fazer uma cópia!

As autores não ganhavam direitos, mas atingiam, assim, um maior número de leitores (em vez de serem eles a fazer ou mandar fazer as cópias dos seus livros), e esse é o objectivo de todo aquele que publica.
Uma boa livraria em Roma? Marcial diz que há já ali uma:

«procura Secundo, liberto do douto Lucense,
por trás do limiar do templo da Paz e do foro de Palas

(Fonte: Lionel Casson. Ver aqui)