A esfera do Amor (fr. 358)
De novo com a sua esfera purpúrea
o Amor de dourados cabelos me atinge,
e com a rapariga de coloridas sandálias
me convida a brincar.
Mas ela (pois vem lá da bem fundada
Lesbos) os meus cabelos
já brancos censura com desdém,
e olha embasbacada para - outra rapariga.
16 novembro 2006
Provocações anacreônticas...
Provocando o Miguel, aqui vão dois fragmentos de Anacreonte, em tradução de Frederico Lourenço, no seu livro Poesia Grega, editado pela Cotovia em 2006, e já aqui referido.Hino a Dioniso (fr.357)
Soberano, com quem o Amor subjugador
e as ninfas de olhos azuis
e a purpúrea Afrodite
brincam, quando estás
nos altos píncaros das montanhas!
Suplico-te; e tu de espírito compassivo
vem até mim, para ouvires
a minha grata prece.
Sê bom conselheiro de Cleobulo,
para que o meu amor,
Ó Dioniso, ele aceite.
Diógenes e Alexandre (take one)
Diógenes: Que é isso, Alexandre? Também tu morreste como nós todos?Alexandre: Tu vês, ó Diógenes! Não é surpreendente, se, sendo eu um homem, morri.
Diógenes: Então, Ámon mentiu, quando disse que eras filho dele, e tu eras, portanto, filho de Filipe?
Alexandre: De Filipe, está bem de ver, porque eu não teria morrido, se fosse filho de Ámon.
Diógenes: E mentiras semelhantes diziam-se a respeito de Olímpias: que uma serpente tinha relações com ela e era vista na sua cama; que, em consequência, foste tu gerado e Filipe enganado, ao julgar que era teu pai.
Alexandre: Também eu ouvi o mesmo que tu, mas agora vejo que não havia nada de verdade naquilo que minha mãe e os profetas de Ámon diziam.
Diógenes: Mas a mentira deles não te foi sem proveito, ó Alexandre, no que toca às tuas actividade, porque a massa anónima encolhia-se, na convicção de que tu eras um deus. A propósito, diz-me cá: a quem deixaste esse teu enorme império
?Alexandre: Não sei, ó Diógenes, não tive tempo para me preocupar com isso, a não ser que, ao morrer, entreguei o meu anel a Perdicas. Entretanto, porque te ris, ó Diógenes?
Diógenes: Apenas me lembrava de quanto fazia a Hélade, (esses gregos) que, bajulando-te, pouco depois de receberes o poder, não só te escolhiam como protector mas também como general contra os bárbaros, e alguns te juntavam até aos doze deuses e te construíam templos e sacrificavam em tua honra como ao filho da serpente.
Diálogos dos Mortos (2)
15 novembro 2006
A poesia de Gedeão no Solar
Falei ontem do momento tão agradável que o filho do poeta nos proporcionou, mas não falei da sessão de poesia dita por Paulo Moreira (foto ao lado) e Afonso Dias.
Muito bom! Dois excelentes... intérpretes, posso dizer. É a palavra que me vem à cabeça.
Paulo Moreira, com a sua formação teatral, conseguiu, sem os exageros muitas vezes comuns nestas situações (e que a palavra «intérpretes», por mim usada, poderia levar a pensar), passar-nos a força das palavras, o humor, a revolta, dos poemas menos conhecidos de Gedeão. E teve a humildade e a coragem de iniciar o serão passando uma gravação de uma poesia dita pelo próprio Gedeão. E como a dizia bem...
Afonso dias cantou acompanhado da sua guitarra e, claro, terminou com aquela que todos esperávamos e que com ele cantámos, a Pedra Filosofal.

Pelo meio disse vários poemas, pois também ele é um excelente diseur. E brevemente até irá sair um CD precisamente com poemas de Gedeão ditos por si. O Contador de Gaivotas, que estava ao meu lado, confidenciou-me que também ele entrava a dizer um poema... eu já tenho um outro, da mesma série (chama-se Selecta), intitulado Poetas da Lusofonia (deve haver na Fnac, que esteve presente a apoiar este evento) e quero ouvir este!
14 novembro 2006
«A Escolha de Rómulo» - 2
Que belo serão no solar!
Belas histórias, repletas de humor muito, muito subtil.
Não sei se hoje teria sido essa a escolha de Rómulo de Carvalho...
Estava presente a viúva de Rómulo de Carvalho (que Gedeão não morreu) e o filho, Frederico, investigador em física, e que nos contou algumas belas histórias retiradas das memórias que o pai deixou (mais de mil páginas manuscritas) dedicadas aos seus tetranetos.
Falou das raízes algarvias (avós de Tavira) e da casa onde viveu em Faro (ao jardim da Palmeira), da mãe (a Rosinha, do poema...), do pi, dos avós e bisavós.
E contou como Rómulo escolheu ser professor do liceu.Belas histórias, repletas de humor muito, muito subtil.
A organização incluía, na parceria criada para o efeito, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, pois, como o poeta fora professor de Físico-Química, quiseram que os alunos estagiários, também eles aspirantes a professores, pudessem ouvir um testemulho de quem podia ter sido tanta coisa e preferiu o ensino.
Os tempos são outros...Não sei se hoje teria sido essa a escolha de Rómulo de Carvalho...
13 novembro 2006
«A Escolha de Rómulo»
Hoje, às 21.30, na Casa das Figuras (ou Solar do Capitão-Mor), ali ao pé do Teatro Municipal, vou ouvir poesia de António Gedeão dita por Paulo Moreira e cantada por Afonso Dias.
Desta vez tenho garantia de qualidade!
Crítica Literária...
_Creio eu, Sócrates, que para um homem a parte mais importante da educação consiste em ser perito em matéria de poesia, e essa perícia significa poder entender e saber distinguir, na obra dos poetas, o que está feito de modo correcto e o que não está e justificar-se perante qualquer dúvida.
Diz Protágoras, no diálogo de Platão com o mesmo nome, 338e-339a.
Tradução de Ana Elias Pinheiro para a Relógio d'Água, em 1999.
12 novembro 2006
Dominguices...
A inclinação de sua letra mostra que você parece ser uma pessoa equilibrada, educada. Mas é um pouco “fria” com quem acaba de conhecer. A ligação de sua letra revela organização, raciocínio lógico e razoável capacidade de adaptação. A direção de sua letra indica controle, constância e organização, especialmente nas tarefas cotidianas. A pressão que usa ao escrever sinaliza estabilidade e equilíbrio. As áreas valorizadas na sua escrita destacam controle emocional, tolerância, um certo imediatismo e tendência ao comodismo. A forma de sua letra demonstra amabilidade em seus relacionamentos (amorosos ou não) e cooperação.
Consultoria do grafologista José Bosco Tel. (11) 3112-8036 grafotecnica@hotmail.com
Consultoria do grafologista José Bosco Tel. (11) 3112-8036 grafotecnica@hotmail.com
Li no Corta-Fitas e também quis fazer este teste!
11 novembro 2006
Cinco manias...
Chegou um desafio da Damularussa e eu achei que não tinha manias... que eram apenas «hábitos», dizia-me... Bem, uma das manias já aqui a tinha admitido... e aí até admiti que era de manias... (hoje, já ouvi 4 vezes a Turandot ... o trauma de ontem foi grande... vou continuar!)
1ª Tenho a mania de arrumar a loiça na máquina com ordem: por tamanhos, cores, função (pratos rasos não se intercalam com os de sopa ou os de sobremesa);
2ª Tenho a mania que não gosto de dormir (mesmo quando sou a primeira a adormecer em qualquer lado);
3ª Tenho a mania que estou magra (mesmo quando já um 44 me está apertado);
4ª Tenho a mania que estou gorda (mesmo quando já um 38 me está largo);
5ª Tenho a mania que não conheço ninguém nem ninguém me conhece (mesmo que cumprimente 30 pessoas numa tarde, ao passar na ágora cá da pólis, ou encontre 4 pessoas conhecidas em Olissipo, numa única tarde, em sítios diferentes - se fossem todas na FLL não contaria - depois de não viver lá durante 15 anos);
1ª Tenho a mania de arrumar a loiça na máquina com ordem: por tamanhos, cores, função (pratos rasos não se intercalam com os de sopa ou os de sobremesa);
2ª Tenho a mania que não gosto de dormir (mesmo quando sou a primeira a adormecer em qualquer lado);
3ª Tenho a mania que estou magra (mesmo quando já um 44 me está apertado);
4ª Tenho a mania que estou gorda (mesmo quando já um 38 me está largo);
5ª Tenho a mania que não conheço ninguém nem ninguém me conhece (mesmo que cumprimente 30 pessoas numa tarde, ao passar na ágora cá da pólis, ou encontre 4 pessoas conhecidas em Olissipo, numa única tarde, em sítios diferentes - se fossem todas na FLL não contaria - depois de não viver lá durante 15 anos);
Agora acho que tenho de nomer 5 blogues para continuarem este stiptease maniento ... como não conheço a maioria dos que tenho lincados, aqui vão as vítimas «conhecidas»:
Puro Instinto, A Mulher do Lado, Cartas do Meu Moinho, Não Compreendo as Mulheres, Claras em Castelo.
E que os deuses me perdoem por vos ter metido nisto...
Hoje (não ontem), a Turandot...

Estou a ouvir a minha Turandot!
Ai que dor senti ontem! Tanta tristeza! Senti-me envergonhada pelo que via e ouvia e cheguei a sentir pena...
Os cantores olhavam o tempo todo, ostensivamente, para o maestro... Pong olhava ainda para a sua «cábula» escondida (??) no leque... Numa das cenas canta sentado, com os papéis escondidos (??) em cima de um banquinho... O Imperador também os esconde (??) no leque...
Ai que tristeza! Os atropelos nas entradas... ai que tristeza! O coro... ai que tristeza! Ping e Pang... tristes...
E primeiro que eu percebesse que cantavam mesmo em italiano?
A pobre da Liù... não se ouvia! Turandot, Calef e Timur faziam ouvir-se.
E mais não digo.
Enquanto a casa dorme, oiço (nos auscultadores) a belíssima voz do meu Jussi (Calef) a gritar, zangado:
«Tu nom sai nulla, schiava!»
e a Tabaldi (Liù) a insistir:
«Io so il tuo nome... M' è suprema delizia tenerlo segreto e possoderlo io sola!»
.......
Turandot, grandiosa Nilsson, quer saber:
«Chi pose forza nel tuo cuore?»
Liù:«Principessa, l' amore!»
Turandot: «L' amore?»
10 novembro 2006
Turandot
E agora estou a correr para estar no Conservatório, para ver a Turandot, do Puccini, às 21.30!
Em casa tenho andado a ouvir a versão que por cá tenho, cantada pelas «gigantes» Birgit Nilsson (Turandot) e Renata Tebaldi (Liù)...
Aqui, vou ver uma versão do Teatro Académico de Ópera e Ballet de Jarkov, «uma das mais antigas companhias da Ucrânia, que no inicio do século XX era equiparada ao Teatro de Bolshoi e ao de Kirov em S. Petersburgo», diz no site.
Depois conto...
Em casa tenho andado a ouvir a versão que por cá tenho, cantada pelas «gigantes» Birgit Nilsson (Turandot) e Renata Tebaldi (Liù)...
Aqui, vou ver uma versão do Teatro Académico de Ópera e Ballet de Jarkov, «uma das mais antigas companhias da Ucrânia, que no inicio do século XX era equiparada ao Teatro de Bolshoi e ao de Kirov em S. Petersburgo», diz no site.
Depois conto...
A Lógica da Batata volta à escola
Já estou a correr para não me atrasar: vou fazer a palestra «A Lógica da Batata» à Escola Secundária Poeta António Aleixo, em Portimão, e tenho de lá estar às 10h!
09 novembro 2006
Sempre Filoctetes...
E sempre Neoptólemo...
Os homens têm de aguentar as desventuras
impostas pelos deuses. Mas as desventuras
que um homem impõe a si próprio,
dessas ninguém deve sentir compaixão.
Os homens têm de aguentar as desventuras
impostas pelos deuses. Mas as desventuras
que um homem impõe a si próprio,
dessas ninguém deve sentir compaixão.
Ainda Filoctetes...
Diz Neoptólemo:
Tudo é repugnante, quando um homem trai a sua verdadeira natureza e faz o que não deve.
Tudo é repugnante, quando um homem trai a sua verdadeira natureza e faz o que não deve.
Filoctetes
Regressada à minha Atenas, reencontro, finalmente, o Tempo! Garanto que os dias aqui são maiores!
Tenho à minha frente a tradução de Filoctetes de Frederico Lourenço, a que ele chamou «recriação poética», «um pouco à semelhança do que fez Sophia de Mello Breyner Andresen na Medeia», adianta, no Posfácio. As diferenças entre o texto de Sófocles e o seu? Responde, no mesmo Posfácio:
Ficámos todos com vontade de mais...
(Sim, Sales, vale a pena!)
Tenho à minha frente a tradução de Filoctetes de Frederico Lourenço, a que ele chamou «recriação poética», «um pouco à semelhança do que fez Sophia de Mello Breyner Andresen na Medeia», adianta, no Posfácio. As diferenças entre o texto de Sófocles e o seu? Responde, no mesmo Posfácio: «Alguns pequenos cortes (sobremaneira oportunos, do meu ponto de vista) talvez lhe causassem perplexidade. A colocação de um verso de Píndaro na boca de Neopólemo também («como os deuses fazem que o incrível se torne crível tantas vezes»). A desconstrução e «pós-moderna» remontagem do prólogo certamente.
Mas na essência, é a sua peça, o Filoctetes sofocliano, que ele reconheceria.»
Mas na essência, é a sua peça, o Filoctetes sofocliano, que ele reconheceria.»
Antes de ir para Olissipo estive a reler a peça e ao ver a actuação reconheci as palavras de Sófocles. Se a preocupação de Frederico Lourenço era tornar o texto representável na nossa língua, conseguiu-o! Éramos 40. Alunos e professores. E gostámos muito!
Luís Miguel Cintra estava irrepreensível. Não se via ali um actor, não se via ali um bom actor. Quem ali estava era Filoctetes, velho, cansado, revoltado, desconfiado, esperançoso, doente...
E que dizer de António Fonseca? Não era António Fonseca, era Ulisses!
O despojamento do cenário, o azul dos marinheiros, o espelho que nos tornava participantes na peça, tudo isso contribuiu para uma entrega total às palavras de Sófocles. E as palavras criaram sentimentos...
Diz Aristóteles, na Poética, 1453b1-7:
Diz Aristóteles, na Poética, 1453b1-7:
O temor e a compaixão podem, realmente, ser despertados pelo espectáculo e também pela própria estruturação os acontecimentos, o que é preferível e próprio de um poeta superior. É necessário que o enredo seja estruturado de tal maneira que quem ouvir a sequência dos acontecimentos, mesmo sem os ver, se arrepie de temor e sinta compaixão pelo que aconteceu;
(tradução de Ana Maria Valente, em edição da Fundação Calouste Gulbenkian)Ficámos todos com vontade de mais...
(Sim, Sales, vale a pena!)
07 novembro 2006
Para logo...
Esse malvado e filho de malvados, Ulisses. Contudo não o culpo tanto a ele como aos que se encontram no poder, pois uma cidade e todo o exército dependem de quem governa. Os mortais que praticam actos injustos, é devido às lições dos mestres que se tornaram perversos.
Diz Filoctetes, entre os versos 383-388, da tradução antes mencionada.
De passagem pela cidade de Ulisses
De visita a esta cidade, perdi a noção do tempo que se vive na minha pólis. O Tempo, aqui, é mesmo outro... perde-se por aí... e não se sabe para onde foi quando dele se precisa...
Como já tinha referido, vou ver o Filoctetes. Vou hoje à noite à Cornucópia, com os alunos de Matrizes Culturais Europeias e um grupo de colegas.Li no Expresso de sábado uma crítica e estou curiosa para ver como será a representação desta noite. O Teatro tem isso de bom: cada noite é única!
05 novembro 2006
Agora é que é: os nomes... Calírroe
Isto dos nomes próprios em Grego… que ideia tivemos!
É muito mais interessante ver os nomes – comuns – em Português e ir «beber» ao Latim e ao Grego.
Como deves imaginar, os nomes próprios, como acontece entre nós, já não tinham, naquela época, a força de significado que lhes é atribuído ainda na mitologia. Não digo que um filho muito desejado não se pudesse chamar Teodoro (theos: deus + doron, dorou: presente, prenda), mas eu hoje conheço ateus que deram ao filho o nome de Teófilo (theos: deus + philos: amigo) …
Por falar em doron, dorou:, lembrei-me da conhecida Pandora (a da caixa, sim), a quem todos (pan, pantos) os deuses dotaram com uma qualidade ( doron, dorou)...
Bem, falo-te então do nome Calírroe, a heroína do romance helenístico de um autor chamado Cáriton de Afrodísias (uma cidade da Cária. Tal como o famoso Leonardo, que ficou conhecido por ser da cidade de Vinci).
Kallirroe provém do adjectivo kallirroos, que significa «de belo curso», «de belas águas»: kallos (belo) + rhoos (corrente, fluxo).
Encontras kalos na palavra portuguesa caligrafia, e encontras rhoos em catarro (kata – preposição que significa «para baixo»). Quando estás com catarro, tens um fluxo, um muco, que escorre…
Este rhoos é da família do verbo rheo (escorrer) e de um outro substantivo que também significa «fluxo, corrente», que é rheuma, rheumatos. Os franceses ficaram com «rhume» e nós com o reumatismo…
E reumatismo é hoje considerado não uma doença, mas o nome genérico de um grupo de doenças articulares, como a artrite, por exemplo.
Pensavam os gregos que a artrite era devido a humores, ou fluxos (rheumata), que escorriam…
É muito mais interessante ver os nomes – comuns – em Português e ir «beber» ao Latim e ao Grego.
Como deves imaginar, os nomes próprios, como acontece entre nós, já não tinham, naquela época, a força de significado que lhes é atribuído ainda na mitologia. Não digo que um filho muito desejado não se pudesse chamar Teodoro (theos: deus + doron, dorou: presente, prenda), mas eu hoje conheço ateus que deram ao filho o nome de Teófilo (theos: deus + philos: amigo) …
Por falar em doron, dorou:, lembrei-me da conhecida Pandora (a da caixa, sim), a quem todos (pan, pantos) os deuses dotaram com uma qualidade ( doron, dorou)...
Bem, falo-te então do nome Calírroe, a heroína do romance helenístico de um autor chamado Cáriton de Afrodísias (uma cidade da Cária. Tal como o famoso Leonardo, que ficou conhecido por ser da cidade de Vinci).
Kallirroe provém do adjectivo kallirroos, que significa «de belo curso», «de belas águas»: kallos (belo) + rhoos (corrente, fluxo).
Encontras kalos na palavra portuguesa caligrafia, e encontras rhoos em catarro (kata – preposição que significa «para baixo»). Quando estás com catarro, tens um fluxo, um muco, que escorre…
Este rhoos é da família do verbo rheo (escorrer) e de um outro substantivo que também significa «fluxo, corrente», que é rheuma, rheumatos. Os franceses ficaram com «rhume» e nós com o reumatismo…
E reumatismo é hoje considerado não uma doença, mas o nome genérico de um grupo de doenças articulares, como a artrite, por exemplo.
Pensavam os gregos que a artrite era devido a humores, ou fluxos (rheumata), que escorriam…
Ai! As palavras são como as cerejas!
Não foi um grande tema para um postal de Domingo, eu sei, mas ficamos com o assunto resolvido, não é verdade?
(nota: tinha umas imagens para pôr, mas não consigo...)
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