19 novembro 2006

Para onde olham eles?


Escultura inacabada de Michelangelo, «rapaz dobrado», no Museu Hermitage de São Petersburgo.
(Foto tirada por uma maravilhosa fotógrafa desconhecida, em Julho deste ano).

Continuo a ouvir Lhasa...

Small Song

Quem pode julgar acções de guerra?

Li no Retórica um post que comentava as afirmações de um capitão americano que escrevera:
«A minha intenção foi dizer que esta é a realidade da guerra. Isto é o que a guerra faz a jovens normais. Isto é a tragédia da guerra. As pessoas apressam-se a criticar os fuzileiros e a demonizar estes jovens. Eu tenho pena deles. As suas vidas foram arruinadas pelas suas acções, que são julgadas por homens que nunca estiveram nessas situações».
Como não posso deixar lá o meu comentário, faço-o aqui.
Apenas um breve comentário ao seu post onde o amigo realça :«As suas vidas foram arruinadas pelas suas acções, que são julgadas por homens que nunca estiveram nessas situações».
Como concordo com as considerações que tece, atenho-me à frase do americano, que me parece falaciosa.
Se as acções só pudessem ser julgadas por quem já esteve nas mesmas situações, então teríamos de ter juízes «quase» assassinos, «quase» ladrões, «quase» violadores (digo «quase», porque teriam de ter estado quase a fazer, mas teriam «resistido»), para poderem compreender como é o impulso de matar (por raiva, ódio, desespero, etc.), de roubar (por fome, inveja, etc.), de violar (por , desrespeito, traumas, desejo, etc.) ...
Como seres humanos, estamos todos sujeitos a praticar estas acções, numa altura ou outra da nossa vida.
A guerra é um momento muito violento, é verdade. Tucídides conta-nos como, durante a praga que vitimou tantos atenienses na Guerra do Peloponeso, muitos se aproveitaram do facto de saberem que iam morrer para desrespeitarem as leis e cometerem atrocidades.
Durante as guerras que o séc. XX viveu, sabemos como se portaram alguns, que reagiram a deixar-se levar pela «loucura» que a situação lhes proporcionava.
O que quero dizer (para que este comentário não seja pouco breve) é que, apesar da guerra (e aceitando-a como legítima) tem de haver limites e saber-se distinguir uma acção fundamentada de uma acção criminosa.
Se agora me responde que estes jovens não têm formação para saber fazer essa distinção, que são lançados «às feras» sem orientação, que os chefes são os responsáveis pelas ordens que dão e os soldados apenas cumprem, etc, etc, então teremos outra conversa e eu, mais uma vez, concordarei consigo, de certeza.

18 novembro 2006

O que ando a ouvir: Lhasa de Sela




E já andei a pegar o bichinho por aí...

Diógenes e Alexandre (take 2 and last)

(continuação)

Diógenes: Mas diz-me cá, onde é que os Macedónios te sepultaram?
Alexandre: Ainda jazo em Babilónia, há trinta dias, mas Ptolomeu, o meu escudeiro pessoal, promete que, se conseguir o sossego das perturbações que o afligem, me levará para o Egipto e lá me enterrará, para que eu me torne um dos deuses egípcios.
Diógenes: Não queres, então, que eu me ria, ó Alexandre, ao ver que no Hades ainda és insensato e tens esperanças de te tornar Anúbis ou Osíris? Todavia, não tenhas essa esperança, ó diviníssimo! É que não é permitido que volte à superfície nenhum dos que uma vez atravessaram o pântano e chegaram ao lado de dentro da entrada. Éaco, de facto, não é negligente, nem Cérbero desprezível. Mas há uma coisa que eu gostaria de saber de ti, como te sentes quando pensas em quanta felicidade deixaste sobre a terra, ao chegar aqui: os guardas do teu corpo e escudeiros e os sátrapas e tanto ouro e os povos que se prostraram diante de ti e a Babilónia e Bactras e as grandes feras e a honra e a glória e o espectáculo que davas quando saías a cavalo com a cabeça rodeada de uma fira branca, vestido de um manto de púrpura. Não te fazem sofrer estas coisas, quando te vêm à memória? Porque choras, ó palerma? Não foi isto que o sábio Aristóteles te ensinou, a saber, não acreditar que são estáveis as coisas dependentes da sorte?
Alexandre: Um sábio, esse indivíduo, ele que foi o mais safado de todos os aduladores? Deixa que só eu conheça os ensinamentos de Aristóteles, quantas coisas me pedia e quais as que me encomendou, e como ele abusou do meu entusiasmo pela cultura, adulando-me elogiando-me ora a beleza, como se ela fosse uma parte do bem, ora as minhas acções e a minha riqueza. E, de facto, pela sua parte, ele considerava que a riqueza era igualmente um bem, por forma tal que se não envergonhava de também ele a aceitar. Um charlatão, ó Diógenes, e um comediante! Todavia, uma coisa aproveitei da sua filosofia, ao afligir-me, como se se tratasse dos maiores bens, com aquelas coisas que tu enumeravas há pouco.
Diógenes: Mas sabes o que hás-de fazer? Vou dar-te um remédio para a tua tristeza. Visto que o heléboro não cresce aqui, ao menos procura a água do Letes e bebe à boca cheia e volta a beber e faz isso muitas vezes. Assim, cessarás de aborrecer-te com os bens de Aristóteles.
Eis que vejo além Clito e Calístenes e muitos outros que se precipitam contra ti, para te fazerem em pedaços e se vingarem do que lhes fizeste. Por isso, vai pelo caminho oposto e bebe muitas vezes, como eu te disse.

O encontro entre Diógenes e Alexandre (em vida, não depois da morte como em Luciano) é mencionado neste artigo «Diógenes, Foucault e a prática da parrhesiae» (e foi daqui que tirei a imagem...)

Notas: Lete era uma fonte dos Infernos, a fonte do esquecimento (de onde vem a palavra portuguesa «letargia».
O heléboro é uma planta venenosa. Diz Houaiss que são «algumas cultivadas por suas flores e folhas vistosas, outras para produção de raticidas e, esp. outrora, para uso em veterinária e como catárticas».

«Colóquio Lexicografia e Semântica Lexical...

... Caminhos a seguir na feitura de um Dicionário de Grego»,
é o nome do Colóquio onde vou estar para a semana.
Leia-se na introdução:
O Projecto Lexicon – Dicionário de Grego-Português está a organizar um colóquio, no âmbito do Centro de Estudos Clássicos, que se realizará nos dias 24 e 25 de Novembro de 2006 (Sexta-feira 9:30-18:30 e Sábado 9:30-12:30), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Pretende-se, com este colóquio, reunir a colaboração de estudiosos com ciência e experiência lexicográfica especializada, reflectir sobre as exigências de um dicionário adequado aos enormes progressos que o estudo da língua e da literatura têm vindo a proporcionar tanto no âmbito dos conhecimentos lexicais e gramaticais como no do seu aprofundamento pela exegese e interpretação de novos testemunhos escritos, novas edições críticas e a descoberta constante de novos dados; estimular também a produção de trabalhos de investigação em áreas do saber que não só concorram para a cabal formação da equipa de investigadores ligados ao projecto, mas também contribuam para o aprofundamento da actividade lexicográfica em curso.

17 novembro 2006

O nosso CSI...

Hoje tive uma «experiência» com os agentes do «CSI» português.
Há uns tempos que alguma correspondência aqui de casa é levada, da caixa do correio, não se sabe por quem. Ontem, para minha fortuna, ao entrar no prédio, deparo-me com o papel que contém o endereço do assinante que acompanha uma das nossas revistas. Pego nele e digo cá para mim: «Como pode estar isto aqui?». Um lanço de escadas depois, vejo o plástico que a envolvia: «Ah! Roubaram-me, mais uma vez, a revista!». Arrependida por ter tocado no papel que trazia na mão, deixei o plástico ali, subi as escadas, fui a casa buscar uma luva de cozinha, desci as escadas e apanhei o invólucro. Senti-me uma verdadeira investigadora.
Liguei para a polícia e informaram-me que só durante o dia podiam tratar das provas. Fui lá esta tarde. E vi.
Vi a nossa polícia técnica a trabalhar. Vi as condições que têm (e que não têm...) e posso afirmar que os nossos homens são uns heróis! O agente que acompanhei conseguiu encontrar impressões digitais e eu fiquei muito orgulhosa por ele!
Pode ser que não se identifique ninguém, mas não será por falta de negligência ou empenho, de certeza! Senti-me reconfortada ao sair da esquadra...

16 novembro 2006

Provocações anacreônticas... (2)

A esfera do Amor (fr. 358)

De novo com a sua esfera purpúrea
o Amor de dourados cabelos me atinge,
e com a rapariga de coloridas sandálias
me convida a brincar.
Mas ela (pois vem lá da bem fundada
Lesbos) os meus cabelos
já brancos censura com desdém,
e olha embasbacada para - outra rapariga.

Provocações anacreônticas...

Provocando o Miguel, aqui vão dois fragmentos de Anacreonte, em tradução de Frederico Lourenço, no seu livro Poesia Grega, editado pela Cotovia em 2006, e já aqui referido.

Hino a Dioniso (fr.357)
Soberano, com quem o Amor subjugador
e as ninfas de olhos azuis
e a purpúrea Afrodite
brincam, quando estás
nos altos píncaros das montanhas!
Suplico-te; e tu de espírito compassivo
vem até mim, para ouvires
a minha grata prece.
Sê bom conselheiro de Cleobulo,
para que o meu amor,
Ó Dioniso, ele aceite.

Diógenes e Alexandre (take one)

Diógenes: Que é isso, Alexandre? Também tu morreste como nós todos?
Alexandre: Tu vês, ó Diógenes! Não é surpreendente, se, sendo eu um homem, morri.
Diógenes: Então, Ámon mentiu, quando disse que eras filho dele, e tu eras, portanto, filho de Filipe?

Alexandre: De Filipe, está bem de ver, porque eu não teria morrido, se fosse filho de Ámon.
Diógenes: E mentiras semelhantes diziam-se a respeito de Olímpias: que uma serpente tinha relações com ela e era vista na sua cama; que, em consequência, foste tu gerado e F
ilipe enganado, ao julgar que era teu pai.
Alexandre: Também eu ouvi o mesmo que tu, mas agora vejo que não havia nada de verdade naquilo que minha mãe e os profetas de Ámon diziam.
Diógenes: Mas a mentira deles não te foi sem proveito, ó Alexandre, no que toca às tuas actividade, porque a massa anónima encolhia-se, na convicção de que tu eras um deus. A propósito, diz-me cá: a quem deixaste esse teu enorme império?
Alexandre: Não sei, ó Diógenes, não tive tempo para me preocupar com isso, a não ser que, ao morrer, entreguei o meu anel a Perdicas. Entretanto, porque te ris, ó Diógenes?
Diógenes: Apenas me lembrava de quanto fazia a Hélade, (esses gregos) que, bajulando-te, pouco depois de receberes o poder, não só te escolhiam como protector mas também como general contra os bárbaros, e alguns te juntavam até aos doze deuses e te construíam templos e sacrificavam em tua honra como ao filho da serpente.

Diálogos dos Mortos (2)


Vou voltar ao Diálogo dos Mortos.

Nos outros posts (neste, neste e neste) Alexandre é escolhido como o mais importante dos mortos que ali estavam.
Neste diálogo encontra Diógenes...

15 novembro 2006

A poesia de Gedeão no Solar

Falei ontem do momento tão agradável que o filho do poeta nos proporcionou, mas não falei da sessão de poesia dita por Paulo Moreira (foto ao lado) e Afonso Dias.

Muito bom! Dois excelentes... intérpretes, posso dizer. É a palavra que me vem à cabeça.

Paulo Moreira, com a sua formação teatral, conseguiu, sem os exageros muitas vezes comuns nestas situações (e que a palavra «intérpretes», por mim usada, poderia levar a pensar), passar-nos a força das palavras, o humor, a revolta, dos poemas menos conhecidos de Gedeão. E teve a humildade e a coragem de iniciar o serão passando uma gravação de uma poesia dita pelo próprio Gedeão. E como a dizia bem...

Afonso dias cantou acompanhado da sua guitarra e, claro, terminou com aquela que todos esperávamos e que com ele cantámos, a Pedra Filosofal.

Pelo meio disse vários poemas, pois também ele é um excelente diseur. E brevemente até irá sair um CD precisamente com poemas de Gedeão ditos por si. O Contador de Gaivotas, que estava ao meu lado, confidenciou-me que também ele entrava a dizer um poema... eu já tenho um outro, da mesma série (chama-se Selecta), intitulado Poetas da Lusofonia (deve haver na Fnac, que esteve presente a apoiar este evento) e quero ouvir este!

14 novembro 2006

«A Escolha de Rómulo» - 2

Que belo serão no solar!
Estava presente a viúva de Rómulo de Carvalho (que Gedeão não morreu) e o filho, Frederico, investigador em física, e que nos contou algumas belas histórias retiradas das memórias que o pai deixou (mais de mil páginas manuscritas) dedicadas aos seus tetranetos.
Falou das raízes algarvias (avós de Tavira) e da casa onde viveu em Faro (ao jardim da Palmeira), da mãe (a Rosinha, do poema...), do pi, dos avós e bisavós.
E contou como Rómulo escolheu ser professor do liceu.
Belas histórias, repletas de humor muito, muito subtil.
A organização incluía, na parceria criada para o efeito, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, pois, como o poeta fora professor de Físico-Química, quiseram que os alunos estagiários, também eles aspirantes a professores, pudessem ouvir um testemulho de quem podia ter sido tanta coisa e preferiu o ensino.
Os tempos são outros...
Não sei se hoje teria sido essa a escolha de Rómulo de Carvalho...

13 novembro 2006

«A Escolha de Rómulo»

Hoje, às 21.30, na Casa das Figuras (ou Solar do Capitão-Mor), ali ao pé do Teatro Municipal, vou ouvir poesia de António Gedeão dita por Paulo Moreira e cantada por Afonso Dias.
Desta vez tenho garantia de qualidade!

Crítica Literária...

_Creio eu, Sócrates, que para um homem a parte mais importante da educação consiste em ser perito em matéria de poesia, e essa perícia significa poder entender e saber distinguir, na obra dos poetas, o que está feito de modo correcto e o que não está e justificar-se perante qualquer dúvida.

Diz Protágoras, no diálogo de Platão com o mesmo nome, 338e-339a.
Tradução de Ana Elias Pinheiro para a Relógio d'Água, em 1999.

12 novembro 2006

Dominguices...

A inclinação de sua letra mostra que você parece ser uma pessoa equilibrada, educada. Mas é um pouco “fria” com quem acaba de conhecer. A ligação de sua letra revela organização, raciocínio lógico e razoável capacidade de adaptação. A direção de sua letra indica controle, constância e organização, especialmente nas tarefas cotidianas. A pressão que usa ao escrever sinaliza estabilidade e equilíbrio. As áreas valorizadas na sua escrita destacam controle emocional, tolerância, um certo imediatismo e tendência ao comodismo. A forma de sua letra demonstra amabilidade em seus relacionamentos (amorosos ou não) e cooperação.

Consultoria do grafologista José Bosco Tel. (11) 3112-8036 grafotecnica@hotmail.com
Li no Corta-Fitas e também quis fazer este teste!

11 novembro 2006

Cinco manias...

Chegou um desafio da Damularussa e eu achei que não tinha manias... que eram apenas «hábitos», dizia-me... Bem, uma das manias já aqui a tinha admitido... e aí até admiti que era de manias... (hoje, já ouvi 4 vezes a Turandot ... o trauma de ontem foi grande... vou continuar!)

Tenho a mania de arrumar a loiça na máquina com ordem: por tamanhos, cores, função (pratos rasos não se intercalam com os de sopa ou os de sobremesa);
Tenho a mania que não gosto de dormir (mesmo quando sou a primeira a adormecer em qualquer lado);
Tenho a mania que estou magra (mesmo quando já um 44 me está apertado);
Tenho a mania que estou gorda (mesmo quando já um 38 me está largo);
Tenho a mania que não conheço ninguém nem ninguém me conhece (mesmo que cumprimente 30 pessoas numa tarde, ao passar na ágora cá da pólis, ou encontre 4 pessoas conhecidas em Olissipo, numa única tarde, em sítios diferentes - se fossem todas na FLL não contaria - depois de não viver lá durante 15 anos);

Agora acho que tenho de nomer 5 blogues para continuarem este stiptease maniento ... como não conheço a maioria dos que tenho lincados, aqui vão as vítimas «conhecidas»:
Puro Instinto, A Mulher do Lado, Cartas do Meu Moinho, Não Compreendo as Mulheres, Claras em Castelo.
E que os deuses me perdoem por vos ter metido nisto...
Eu pronuncio o «t» final de Turandot.
A polémica é infindável, mas os argumentos do «t» convencem-me.

Hoje (não ontem), a Turandot...


Estou a ouvir a minha Turandot!
Ai que dor senti ontem! Tanta tristeza! Senti-me envergonhada pelo que via e ouvia e cheguei a sentir pena...
Os cantores olhavam o tempo todo, ostensivamente, para o maestro... Pong olhava ainda para a sua «cábula» escondida (??) no leque... Numa das cenas canta sentado, com os papéis escondidos (??) em cima de um banquinho... O Imperador também os esconde (??) no leque...
Ai que tristeza! Os atropelos nas entradas... ai que tristeza! O coro... ai que tristeza! Ping e Pang... tristes...
E primeiro que eu percebesse que cantavam mesmo em italiano?
A pobre da Liù... não se ouvia! Turandot, Calef e Timur faziam ouvir-se.
E mais não digo.
Enquanto a casa dorme, oiço (nos auscultadores) a belíssima voz do meu Jussi (Calef) a gritar, zangado:
«Tu nom sai nulla, schiava!»
e a Tabaldi (Liù) a insistir:
«Io so il tuo nome... M' è suprema delizia tenerlo segreto e possoderlo io sola!»
.......
Turandot, grandiosa Nilsson, quer saber:
«Chi pose forza nel tuo cuore?»
Liù:«Principessa, l' amore!»
Turandot: «L' amore?»

10 novembro 2006

Turandot

E agora estou a correr para estar no Conservatório, para ver a Turandot, do Puccini, às 21.30!
Em casa tenho andado a ouvir a versão que por cá tenho, cantada pelas «gigantes» Birgit Nilsson (Turandot) e Renata Tebaldi (Liù)...
Aqui, vou ver uma versão do Teatro Académico de Ópera e Ballet de Jarkov, «uma das mais antigas companhias da Ucrânia, que no inicio do século XX era equiparada ao Teatro de Bolshoi e ao de Kirov em S. Petersburgo», diz no site.
Depois conto...