30 novembro 2006

Novembro... mês de aniversários!

Com Dezembro à porta, relembro que Novembro começou bem, com a Ana e a Xana, a 6. Depois o Mário, a 20 (ou 21? Desculpa-me a memória!), depois a Cristina, a 22, o Filipe, a 28, o Carlos, a 29, a Lucília e os «Gabriéis» (J. Gabriel , J. Gabriel e uma Gabriela) a 30. E mais. Eu sei que há mais mas não me consigo lembrar! Os meus amigos irão perdoar-me, não é verdade?
Parabéns a todos!

29 novembro 2006

Características dos que cometem a injustiça

As pessoas cometem injustiça quando pensam que a acção se pode cometer e ser cometida por elas: ou porque entendem que o seu acto não será descoberto ou, se o for, que ficará impune;
(...)
Quem sobretudo pensa que pode cometer injustiça impunemente são os dotados de eloquência, os homens de acção, os que têm grande experiência de processos, se tiverem muitos amigos e forem ricos.

Aristóteles, Retórica, 1372a. Tradução de Manuel Alexandre Júnior et al., para a INCM, 2005, segunda edição revista.

28 novembro 2006

Amor à machadada

Como um ferreiro de novo o Amor me golpeou
com um grande machado e banhou-me na corrente invernosa.

Anacreonte, fr.413 PMG, sempre na tradução de Frederico Lourenço para a Cotovia.
É, mais uma vez, uma resposta ao Miguel...

No teu aniversário, ó amigo dos cavalos, ...

... aqui te deixo uma frase de Séneca (carta 61). Muitos parabéns!

Para que a vida seja suficiente, o que conta não são os anos nem os dias, mas a qualidade da alma.

27 novembro 2006

Em todas as ruas te encontro...

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny de Vasconcelos, no dia do seu funeral.
Foto surripiada da Revista Agulha.

25 novembro 2006

Diz Séneca... (3)

Eu tenho todo o vagar que quero, e, aliás, só não tem vagar quem não quer. Os afazeres não andam atrás de alguém: os homens é que se agarram aos afazeres, entendendo as suas ocupações como sinónimo de felicidade.

Séneca, carta 106

24 novembro 2006

Sobre a vida (diz Séneca...)

Um homem de bem tem de viver, não enquanto lhe apraz, mas enquanto a sua vida for necessária. Só um obstinado egoísta teima me morrer sem admitir que uma esposa ou um amigo lhe merecem o sacrifício de prolongar um pouco mais a existência. Quando o interesse dos familiares o exige, a alma deve impor a si mesma a vida; pode ter decidido o suicídio, pode mesmo ter já iniciado o processo: pois que desista e se ponha à disposição dos que dela precisam. Demonstra um grande coração quem se resigna à vida no interesse dos outros, o que, aliás, muitos grandes homens têm feito.

Séneca, Cartas a Lucílio, 104, sempre, sempre a mesma tradução de Segurado e Campos.

23 novembro 2006

Colóquio de Lexicografia Grega

Vou tentar actualizar diariamente este blogue diariamente.
Não gosto de conduzir com chuva, mas lá terá de ser...

Não me posso esquecer do CD dos festivais da canção!

Diz Séneca...

O principal defeito da vida é ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar.
(...) Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? Há apenas um: que a nossa vida não se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio.
(...) Importa, sim, é a qualidade, não a duração da nossa vida;

Séneca, Cartas a Lucílio, 101, trad. de J.A. Segurado e Campos, para a Gulbenkian.

22 novembro 2006

Sobre a morte... (2)

Que a morte venha ter connosco ou que vamos nós ao seu encontro, não tem a mínima importância.
Há quem diga: «A coisa mais bela é morrer de morte natural!»
Convence-te de que esta frase é um absurdo enunciado de um espírito o mais inepto possível. Ninguém morre senão de morte natural! Em outra coisa ainda deverás meditar: ninguém morre senão no seu próprio dia.

Séneca, Cartas a Lucílio, 69. Sempre na tradução de Segurado e Campos, para a Gulbenkian.

21 novembro 2006

Sobre a morte... (diz Séneca...)

A caríssima Claras em Castelo fala de Eutanásia... ou «suicídio assitido»... tema complicado, este...
Deixo-vos hoje e nos próximos dias algumas reflexões de Séneca ...

Quando um factor externo faz impender sobre nós a morte, não é possível decidir, de uma forma geral, se a atitude correcta consiste em antecipar ou em aguardar essa morte: muitas são as circunstâncias que podem fazer pender para uma ou outra solução. Se, por exemplo, a alternativa for entre uma morte no meio de torturas e uma morte directa e rápida, como não escolher sem hesitação esta última? Se eu escolho o navio em que vou navegar ou a casa em que vou habitar, também, ao deixar esta vida, posso escolher a forma como morrer. Além disso, se a vida não se torna melhor por ser mais longa, a morte, pelo contrário, quanto mais prolongada for, pior. Mais do que em qualquer outra situação, devemos obedecer, na atitude perante a morte, aos ditames da nossa alma (...)
Não, tu não deves deixar em outras mãos uma decisão sobre a qual é irrelevante a opinião alheia. (...)
De um modo ou de outro, haverá sempre quem pense mal do teu acto. (...)
Porque hei-de eu esperar que sobre mim se abata a crueldade das doenças ou dos homens se posso escapar-me por entre os tormentos e assim iludir a adversidade? Aqui está o único ponto em que não podemos queixar-nos da vida: ela não retém ninguém! A condição humana assenta numa base excelente: ninguém é desgraçado senão por sua própria culpa. A vida agrada-te? Então, vive! Não te agrada? És livre de regressar ao lugar donde vieste!...

Séneca, Cartas a Lucílio, Carta 70. Sempre na tradução de Segurado e Campos, para a Gulbenkian, que já foi citada também aqui e aqui.

20 novembro 2006

Gente útil... Organize a sua biblioteca pessoal!

Pois é... sei de quem me vai ser muito útil...

Já vi uma biblioteca pessoal organizada por ela e está excelente!
Há gente que sabe fazer coisas muito úteis!

E a Joana Rito é uma delas: trata das nossas papeladas, dos livros, dos artigos das revistas (sim, aqueles inencontráveis!), dos CD's...
Pode-se pedir orçamentos pelo Tlm 96 78 69 749.

(imagem de um gabinete de uma pessoa que eu cá sei mas não digo ...)

Cinco filmes... olha! São oito...

Estive a trocar cromos com o Miguel e nesta onda de 5 (foram as manias...) ficámos de dizer 5 filmes de que tivéssemos gostado. Ou 10. Ou 20.
Cinco já lá deixei no seu
blogue .
E disse-lhe que não explicava porquê.
Aqui também não o vou fazer.


Então, cá vão cinco filmes (olha! São oito!) de que gostei:

- Delicatessen, de Caro e Jeunet (este último realizou também o da Amélie Poulain).
-
The Man of the Century, de Adam Abraham, escrito e representado por Gibson Frazier, no papel do delicioso Johnny Twennies.
-
L'Année Dernière à Marienbad, de Alain Resnais (no blogue do Miguel falei no Hiroshima, meu amor, mas destaquei o Smoking, No Smoking...) .
-
Denise Telefona, de Hal Salway. Tão actual...
-
Magnolia, de Paul Thomas Anderson. Vi o filme durante a minha estada nos EUA, em 2000, e li por lá, numa entrevista, uma carta que o realizador escrevera aos sete anos e que me impressionou. Andei agora à procura e encontrei:
«My name is Paul Anderson. I want to be a writer, producer, director, special effects man. I know how to do everything and I know everything. Please hire me

- Citizen Kane, de Orson Welles. Não me canso de ver!
- A Dupla Vida de Verónica, de Kieslowski. Confesso a paixão pela música. Confesso que me impressionam as histórias de outras vidas... arrepiei-me toda com este filme...
- Sexo Mentiras e Vídeo, de Steven Soderbergh. Foi por causa deste filme que passei a andar atrás do que fazia o James Spader ...

A ordem não representa nada, a não ser a minha memória... e foram muitos mais! A escolha não foi intelectual nem pedagógica...
(Uma nota de elogio ao Cineclube de Faro, pois se não fosse ele muitos dos que aqui mencionei não teria podido ver! Um beijinho especial à sua Presidente, Anabela Moutinho)

19 novembro 2006

Para onde olham eles?


Escultura inacabada de Michelangelo, «rapaz dobrado», no Museu Hermitage de São Petersburgo.
(Foto tirada por uma maravilhosa fotógrafa desconhecida, em Julho deste ano).

Continuo a ouvir Lhasa...

Small Song

Quem pode julgar acções de guerra?

Li no Retórica um post que comentava as afirmações de um capitão americano que escrevera:
«A minha intenção foi dizer que esta é a realidade da guerra. Isto é o que a guerra faz a jovens normais. Isto é a tragédia da guerra. As pessoas apressam-se a criticar os fuzileiros e a demonizar estes jovens. Eu tenho pena deles. As suas vidas foram arruinadas pelas suas acções, que são julgadas por homens que nunca estiveram nessas situações».
Como não posso deixar lá o meu comentário, faço-o aqui.
Apenas um breve comentário ao seu post onde o amigo realça :«As suas vidas foram arruinadas pelas suas acções, que são julgadas por homens que nunca estiveram nessas situações».
Como concordo com as considerações que tece, atenho-me à frase do americano, que me parece falaciosa.
Se as acções só pudessem ser julgadas por quem já esteve nas mesmas situações, então teríamos de ter juízes «quase» assassinos, «quase» ladrões, «quase» violadores (digo «quase», porque teriam de ter estado quase a fazer, mas teriam «resistido»), para poderem compreender como é o impulso de matar (por raiva, ódio, desespero, etc.), de roubar (por fome, inveja, etc.), de violar (por , desrespeito, traumas, desejo, etc.) ...
Como seres humanos, estamos todos sujeitos a praticar estas acções, numa altura ou outra da nossa vida.
A guerra é um momento muito violento, é verdade. Tucídides conta-nos como, durante a praga que vitimou tantos atenienses na Guerra do Peloponeso, muitos se aproveitaram do facto de saberem que iam morrer para desrespeitarem as leis e cometerem atrocidades.
Durante as guerras que o séc. XX viveu, sabemos como se portaram alguns, que reagiram a deixar-se levar pela «loucura» que a situação lhes proporcionava.
O que quero dizer (para que este comentário não seja pouco breve) é que, apesar da guerra (e aceitando-a como legítima) tem de haver limites e saber-se distinguir uma acção fundamentada de uma acção criminosa.
Se agora me responde que estes jovens não têm formação para saber fazer essa distinção, que são lançados «às feras» sem orientação, que os chefes são os responsáveis pelas ordens que dão e os soldados apenas cumprem, etc, etc, então teremos outra conversa e eu, mais uma vez, concordarei consigo, de certeza.

18 novembro 2006

O que ando a ouvir: Lhasa de Sela




E já andei a pegar o bichinho por aí...

Diógenes e Alexandre (take 2 and last)

(continuação)

Diógenes: Mas diz-me cá, onde é que os Macedónios te sepultaram?
Alexandre: Ainda jazo em Babilónia, há trinta dias, mas Ptolomeu, o meu escudeiro pessoal, promete que, se conseguir o sossego das perturbações que o afligem, me levará para o Egipto e lá me enterrará, para que eu me torne um dos deuses egípcios.
Diógenes: Não queres, então, que eu me ria, ó Alexandre, ao ver que no Hades ainda és insensato e tens esperanças de te tornar Anúbis ou Osíris? Todavia, não tenhas essa esperança, ó diviníssimo! É que não é permitido que volte à superfície nenhum dos que uma vez atravessaram o pântano e chegaram ao lado de dentro da entrada. Éaco, de facto, não é negligente, nem Cérbero desprezível. Mas há uma coisa que eu gostaria de saber de ti, como te sentes quando pensas em quanta felicidade deixaste sobre a terra, ao chegar aqui: os guardas do teu corpo e escudeiros e os sátrapas e tanto ouro e os povos que se prostraram diante de ti e a Babilónia e Bactras e as grandes feras e a honra e a glória e o espectáculo que davas quando saías a cavalo com a cabeça rodeada de uma fira branca, vestido de um manto de púrpura. Não te fazem sofrer estas coisas, quando te vêm à memória? Porque choras, ó palerma? Não foi isto que o sábio Aristóteles te ensinou, a saber, não acreditar que são estáveis as coisas dependentes da sorte?
Alexandre: Um sábio, esse indivíduo, ele que foi o mais safado de todos os aduladores? Deixa que só eu conheça os ensinamentos de Aristóteles, quantas coisas me pedia e quais as que me encomendou, e como ele abusou do meu entusiasmo pela cultura, adulando-me elogiando-me ora a beleza, como se ela fosse uma parte do bem, ora as minhas acções e a minha riqueza. E, de facto, pela sua parte, ele considerava que a riqueza era igualmente um bem, por forma tal que se não envergonhava de também ele a aceitar. Um charlatão, ó Diógenes, e um comediante! Todavia, uma coisa aproveitei da sua filosofia, ao afligir-me, como se se tratasse dos maiores bens, com aquelas coisas que tu enumeravas há pouco.
Diógenes: Mas sabes o que hás-de fazer? Vou dar-te um remédio para a tua tristeza. Visto que o heléboro não cresce aqui, ao menos procura a água do Letes e bebe à boca cheia e volta a beber e faz isso muitas vezes. Assim, cessarás de aborrecer-te com os bens de Aristóteles.
Eis que vejo além Clito e Calístenes e muitos outros que se precipitam contra ti, para te fazerem em pedaços e se vingarem do que lhes fizeste. Por isso, vai pelo caminho oposto e bebe muitas vezes, como eu te disse.

O encontro entre Diógenes e Alexandre (em vida, não depois da morte como em Luciano) é mencionado neste artigo «Diógenes, Foucault e a prática da parrhesiae» (e foi daqui que tirei a imagem...)

Notas: Lete era uma fonte dos Infernos, a fonte do esquecimento (de onde vem a palavra portuguesa «letargia».
O heléboro é uma planta venenosa. Diz Houaiss que são «algumas cultivadas por suas flores e folhas vistosas, outras para produção de raticidas e, esp. outrora, para uso em veterinária e como catárticas».

«Colóquio Lexicografia e Semântica Lexical...

... Caminhos a seguir na feitura de um Dicionário de Grego»,
é o nome do Colóquio onde vou estar para a semana.
Leia-se na introdução:
O Projecto Lexicon – Dicionário de Grego-Português está a organizar um colóquio, no âmbito do Centro de Estudos Clássicos, que se realizará nos dias 24 e 25 de Novembro de 2006 (Sexta-feira 9:30-18:30 e Sábado 9:30-12:30), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Pretende-se, com este colóquio, reunir a colaboração de estudiosos com ciência e experiência lexicográfica especializada, reflectir sobre as exigências de um dicionário adequado aos enormes progressos que o estudo da língua e da literatura têm vindo a proporcionar tanto no âmbito dos conhecimentos lexicais e gramaticais como no do seu aprofundamento pela exegese e interpretação de novos testemunhos escritos, novas edições críticas e a descoberta constante de novos dados; estimular também a produção de trabalhos de investigação em áreas do saber que não só concorram para a cabal formação da equipa de investigadores ligados ao projecto, mas também contribuam para o aprofundamento da actividade lexicográfica em curso.

17 novembro 2006

O nosso CSI...

Hoje tive uma «experiência» com os agentes do «CSI» português.
Há uns tempos que alguma correspondência aqui de casa é levada, da caixa do correio, não se sabe por quem. Ontem, para minha fortuna, ao entrar no prédio, deparo-me com o papel que contém o endereço do assinante que acompanha uma das nossas revistas. Pego nele e digo cá para mim: «Como pode estar isto aqui?». Um lanço de escadas depois, vejo o plástico que a envolvia: «Ah! Roubaram-me, mais uma vez, a revista!». Arrependida por ter tocado no papel que trazia na mão, deixei o plástico ali, subi as escadas, fui a casa buscar uma luva de cozinha, desci as escadas e apanhei o invólucro. Senti-me uma verdadeira investigadora.
Liguei para a polícia e informaram-me que só durante o dia podiam tratar das provas. Fui lá esta tarde. E vi.
Vi a nossa polícia técnica a trabalhar. Vi as condições que têm (e que não têm...) e posso afirmar que os nossos homens são uns heróis! O agente que acompanhei conseguiu encontrar impressões digitais e eu fiquei muito orgulhosa por ele!
Pode ser que não se identifique ninguém, mas não será por falta de negligência ou empenho, de certeza! Senti-me reconfortada ao sair da esquadra...