03 dezembro 2006

Sobre ontem...

Já me perguntaram como tinha sido ontem na Fnac e na ópera.
O lançamento da Flô e o Regador de Cristal correu muito bem. Conheci, finalmente, a Berta Rodrigues, a autora, que é uma artista completa: pinta, escreve histórias, poesia e música, é uma excelente comunicadora e uma senhora muito bonita.
O coral Ossónoba cantou duas das músicas que Berta compôs e escreveu para o CD que acompanha o livro. O ambiente este muito bonito!

Quanto à ópera, foi um excelente espectáculo! Gostei das vozes em geral e das de D. Giovanni, Leporello, D. Elvira e Zerlina, em particular. Está bem... D. Elvira:
Ana Ester Neves no seu melhor!
O som da sala é que não estava muito bom... Tive dificuldade em ouvir o primeiro dueto entre D. Giovanni e Leporello, pois a orquestra sobrepunha-se. Ou eles sotopunham-se...
E por falar em orquestra, esteve muito, muito bem a
Orquestra do Algarve, dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira.
A
Ana Cristina deixou um comentário no post anterior, dizendo que não gostou dos figurinos nem da cenografia. Ela é uma especialista e perceberá melhor que eu. Mas eu gostei... Dou-lhe razão na parte do baile, pois acho que não resultou muito bem, mas as cortininhas a cair... até achei que foi uma boa solução. E também gostei da forma como foi resolvida a cena final, em que D. Giovanni é engolido pelo Inferno...
Tenho de admitir que não tenho em casa uma boa gravação do D. Giovanni. Se alguém, me quiser recomendar outra, aceito sugestões. Na Fnac cá da região, já tinham vendido a única (havia apenas highlights, coisa horrenda). Agora só por encomenda... lá terei de me abastecer na próxima vez que for à capital!
(imagem do elenco de D. Giovanni retirada do Observatório do Algarve)

01 dezembro 2006

Flô e o Regador de Cristal

Amanhã vou fazer a apresentação deste belo livro.
Segue o convite

Olá!
Eu sou a FLÔ, uma «pelicana» carinhosa, fofa e divertida.
Qual é a minha missão? Com a ajuda dos meus amiguinhos, Pim e Tam, fazer com que todos os meninos e meninas sejam felizes.
De que meios me sirvo? De livros e de música.
Quem lhes deu forma? A minha criadora, Berta Rodrigues.
No próximo dia 2 de Dezembro, pelas 17.00 horas, apresentar-nos-emos mais uma vez ao público.
O local é o
Fórum FNAC no AlgarveShooping, em Albufeira, e, juntamente com a Vega Editora, que nos publicou, faremos o lançamento do nosso primeiro livro:

FLÔ E O REGADOR DE CRISTAL

Estará presente um coro infantil para cantar as músicas do CD que acompanham
o livro da Flô. Contamos, para fazermos uma grande festa, que também muitas crianças e adultos nos acompanhem!...

«Onde se arranjam todos estes ingredientes?»

... perguntou-me a Marta. Como outros leitores deste blogue poderão estar com o mesmo problema, aqui vão umas sugestões.
A tradutora do livro sugere que se substitua o liquamen (ou o garum) por núoc man, «que se pode encontrar em casas de especialidades orientais». Quanto às ervas, diz «Algumas ervas secas são mais facilmente encontradas em ervanárias». Em relação ao mosto cozido, diz ainda a Inês: «A redução do mosto cozido manteve-se em algumas das nossas aldeias da Beira interior, como Cabanas de Viriato, conforme atesta o arrobe, um xarope concentrado produzido pelo mosto de uva».
Depois... há que reinventar! E digam-me como ficaram as receitas!

Doce caseiro de tâmaras

A Inês actualizou algumas receitas (sei que as experimentou...), mantendo sempre que possível os ingredientes originais, e deixou algumas páginas finais do seu livro para nos abrir o apetite...
24 tâmaras grandes
15 nozes
30 g de pinhões
sal q.b.
mel q.b.
manteiga q.b. (ingrediente não original)
Retire o caroço às tâmaras. Moa as nozes e os pinhões e recheie as tâmaras. Salpique com sal fino. Unte um tabuleiro de barro com manteiga, disponha as tâmaras e regue com mel. Leve a cozer e, forno quente durante cerca de dez minutos.

Um prato de lentilhas

Coza-as. Mal levantem espuma, deite alhos-porros e coentros frescos. Pise grãos de coentros, poejo, raiz de laser, sementes de hortelã e arruda, regue com vinagre, acrescente mel, misture liquamen e vinagre, mosto cozido, deite azeite, mexa. Se for preciso mais alguma coisa, acrescente. Ligue com fécula, deite por cima azeite verde, polvilhe com pimenta e sirva.
Liquamen - molho de peixe: «salmoura de peixe fermentado, nas suas diferentes variedades e graus de qualidade, garum, allex e muria».

Comer em Roma

Gosto de cozinhar no Inverno. Deve ser porque o calor que sai do fogão (principalmente se acendo o forno) aquece a cozinha e deixa-a aconchegada. E gosto de experimentar receitas novas. Variar, sempre variar!
Trago aqui hoje um livro a que acho muita graça, sobre a alimentação em Roma.
O povo romano era essencialmente vegetariano. Frutos e legumos eram a base da alimentação. A proteína retiravam-na dos ovos e queijo. E, em vez de pão, comiam um bolo de farinha que parecia uma papa.
Com a conquista das cidades gregas do Magna Grécia, no Sul da Itália, no séc. III a.C., e a colonização da própria Grécia, no séc. II a.C., a sofisticação e o requinte chegam à mesa dos romanos. Padarias com pães e bolinhos, peixe fresco (viveiros) ou salgado, carne... e variadas técnicas de conservação dos alimentos.
Mais informações e receitas do que as que aqui apresentarei (e que provêm do De Re Coquinaria) podem ser recolhidas em O Livro de Cozinha de Apício - Um breviário do gosto imperial romano, publicado pela Colares Editora, em 1997, com introdução, tradução e notas de Inês de Ornellas e Castro.
Algumas receitas podem chocar nosso paladar, mas outras parecem bastante deliciosas.
Experimentem!

30 novembro 2006

Novembro... mês de aniversários!

Com Dezembro à porta, relembro que Novembro começou bem, com a Ana e a Xana, a 6. Depois o Mário, a 20 (ou 21? Desculpa-me a memória!), depois a Cristina, a 22, o Filipe, a 28, o Carlos, a 29, a Lucília e os «Gabriéis» (J. Gabriel , J. Gabriel e uma Gabriela) a 30. E mais. Eu sei que há mais mas não me consigo lembrar! Os meus amigos irão perdoar-me, não é verdade?
Parabéns a todos!

29 novembro 2006

Características dos que cometem a injustiça

As pessoas cometem injustiça quando pensam que a acção se pode cometer e ser cometida por elas: ou porque entendem que o seu acto não será descoberto ou, se o for, que ficará impune;
(...)
Quem sobretudo pensa que pode cometer injustiça impunemente são os dotados de eloquência, os homens de acção, os que têm grande experiência de processos, se tiverem muitos amigos e forem ricos.

Aristóteles, Retórica, 1372a. Tradução de Manuel Alexandre Júnior et al., para a INCM, 2005, segunda edição revista.

28 novembro 2006

Amor à machadada

Como um ferreiro de novo o Amor me golpeou
com um grande machado e banhou-me na corrente invernosa.

Anacreonte, fr.413 PMG, sempre na tradução de Frederico Lourenço para a Cotovia.
É, mais uma vez, uma resposta ao Miguel...

No teu aniversário, ó amigo dos cavalos, ...

... aqui te deixo uma frase de Séneca (carta 61). Muitos parabéns!

Para que a vida seja suficiente, o que conta não são os anos nem os dias, mas a qualidade da alma.

27 novembro 2006

Em todas as ruas te encontro...

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny de Vasconcelos, no dia do seu funeral.
Foto surripiada da Revista Agulha.

25 novembro 2006

Diz Séneca... (3)

Eu tenho todo o vagar que quero, e, aliás, só não tem vagar quem não quer. Os afazeres não andam atrás de alguém: os homens é que se agarram aos afazeres, entendendo as suas ocupações como sinónimo de felicidade.

Séneca, carta 106

24 novembro 2006

Sobre a vida (diz Séneca...)

Um homem de bem tem de viver, não enquanto lhe apraz, mas enquanto a sua vida for necessária. Só um obstinado egoísta teima me morrer sem admitir que uma esposa ou um amigo lhe merecem o sacrifício de prolongar um pouco mais a existência. Quando o interesse dos familiares o exige, a alma deve impor a si mesma a vida; pode ter decidido o suicídio, pode mesmo ter já iniciado o processo: pois que desista e se ponha à disposição dos que dela precisam. Demonstra um grande coração quem se resigna à vida no interesse dos outros, o que, aliás, muitos grandes homens têm feito.

Séneca, Cartas a Lucílio, 104, sempre, sempre a mesma tradução de Segurado e Campos.

23 novembro 2006

Colóquio de Lexicografia Grega

Vou tentar actualizar diariamente este blogue diariamente.
Não gosto de conduzir com chuva, mas lá terá de ser...

Não me posso esquecer do CD dos festivais da canção!

Diz Séneca...

O principal defeito da vida é ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar.
(...) Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? Há apenas um: que a nossa vida não se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio.
(...) Importa, sim, é a qualidade, não a duração da nossa vida;

Séneca, Cartas a Lucílio, 101, trad. de J.A. Segurado e Campos, para a Gulbenkian.

22 novembro 2006

Sobre a morte... (2)

Que a morte venha ter connosco ou que vamos nós ao seu encontro, não tem a mínima importância.
Há quem diga: «A coisa mais bela é morrer de morte natural!»
Convence-te de que esta frase é um absurdo enunciado de um espírito o mais inepto possível. Ninguém morre senão de morte natural! Em outra coisa ainda deverás meditar: ninguém morre senão no seu próprio dia.

Séneca, Cartas a Lucílio, 69. Sempre na tradução de Segurado e Campos, para a Gulbenkian.

21 novembro 2006

Sobre a morte... (diz Séneca...)

A caríssima Claras em Castelo fala de Eutanásia... ou «suicídio assitido»... tema complicado, este...
Deixo-vos hoje e nos próximos dias algumas reflexões de Séneca ...

Quando um factor externo faz impender sobre nós a morte, não é possível decidir, de uma forma geral, se a atitude correcta consiste em antecipar ou em aguardar essa morte: muitas são as circunstâncias que podem fazer pender para uma ou outra solução. Se, por exemplo, a alternativa for entre uma morte no meio de torturas e uma morte directa e rápida, como não escolher sem hesitação esta última? Se eu escolho o navio em que vou navegar ou a casa em que vou habitar, também, ao deixar esta vida, posso escolher a forma como morrer. Além disso, se a vida não se torna melhor por ser mais longa, a morte, pelo contrário, quanto mais prolongada for, pior. Mais do que em qualquer outra situação, devemos obedecer, na atitude perante a morte, aos ditames da nossa alma (...)
Não, tu não deves deixar em outras mãos uma decisão sobre a qual é irrelevante a opinião alheia. (...)
De um modo ou de outro, haverá sempre quem pense mal do teu acto. (...)
Porque hei-de eu esperar que sobre mim se abata a crueldade das doenças ou dos homens se posso escapar-me por entre os tormentos e assim iludir a adversidade? Aqui está o único ponto em que não podemos queixar-nos da vida: ela não retém ninguém! A condição humana assenta numa base excelente: ninguém é desgraçado senão por sua própria culpa. A vida agrada-te? Então, vive! Não te agrada? És livre de regressar ao lugar donde vieste!...

Séneca, Cartas a Lucílio, Carta 70. Sempre na tradução de Segurado e Campos, para a Gulbenkian, que já foi citada também aqui e aqui.

20 novembro 2006

Gente útil... Organize a sua biblioteca pessoal!

Pois é... sei de quem me vai ser muito útil...

Já vi uma biblioteca pessoal organizada por ela e está excelente!
Há gente que sabe fazer coisas muito úteis!

E a Joana Rito é uma delas: trata das nossas papeladas, dos livros, dos artigos das revistas (sim, aqueles inencontráveis!), dos CD's...
Pode-se pedir orçamentos pelo Tlm 96 78 69 749.

(imagem de um gabinete de uma pessoa que eu cá sei mas não digo ...)

Cinco filmes... olha! São oito...

Estive a trocar cromos com o Miguel e nesta onda de 5 (foram as manias...) ficámos de dizer 5 filmes de que tivéssemos gostado. Ou 10. Ou 20.
Cinco já lá deixei no seu
blogue .
E disse-lhe que não explicava porquê.
Aqui também não o vou fazer.


Então, cá vão cinco filmes (olha! São oito!) de que gostei:

- Delicatessen, de Caro e Jeunet (este último realizou também o da Amélie Poulain).
-
The Man of the Century, de Adam Abraham, escrito e representado por Gibson Frazier, no papel do delicioso Johnny Twennies.
-
L'Année Dernière à Marienbad, de Alain Resnais (no blogue do Miguel falei no Hiroshima, meu amor, mas destaquei o Smoking, No Smoking...) .
-
Denise Telefona, de Hal Salway. Tão actual...
-
Magnolia, de Paul Thomas Anderson. Vi o filme durante a minha estada nos EUA, em 2000, e li por lá, numa entrevista, uma carta que o realizador escrevera aos sete anos e que me impressionou. Andei agora à procura e encontrei:
«My name is Paul Anderson. I want to be a writer, producer, director, special effects man. I know how to do everything and I know everything. Please hire me

- Citizen Kane, de Orson Welles. Não me canso de ver!
- A Dupla Vida de Verónica, de Kieslowski. Confesso a paixão pela música. Confesso que me impressionam as histórias de outras vidas... arrepiei-me toda com este filme...
- Sexo Mentiras e Vídeo, de Steven Soderbergh. Foi por causa deste filme que passei a andar atrás do que fazia o James Spader ...

A ordem não representa nada, a não ser a minha memória... e foram muitos mais! A escolha não foi intelectual nem pedagógica...
(Uma nota de elogio ao Cineclube de Faro, pois se não fosse ele muitos dos que aqui mencionei não teria podido ver! Um beijinho especial à sua Presidente, Anabela Moutinho)