12 dezembro 2006

«Dos Antigos»... escreveram outros (2)

Mais um surripianço, desta à Bomba Inteligente. Espero que a Carla Hilário Quevedo não leve a mal...

Dos Antigos: o trágico, na medida em que não depende da culpa, mas do momento em que o destino se cumpre, afasta-se da moral. Dificilmente podemos falar de moral quando há situações que não controlamos. Mas não deixam de ser trágicas, uma vez que são também irreversíveis, desequilibradas e injustas. A propósito de como acordei hoje.

Obrigada!

10 dezembro 2006

«Preservativos»... escreveram outros (1)

Ando em maré de surripianços, devido aos exemplos das (boas) companhias... Até já começo a numerá-los...
Aqui vai um, do Bagaço Amarelo, de 7.12.2006

«No Diário de Notícias soube-se que o Vaticano continua a não aceitar o uso do preservativo, Nada de estranho, acho eu, numa instituição que demorou quatrocentos anos a pedir desculpa a Galileu e mais de cem anos a fazer o mesmo a Darwin. Pode ser que daqui a uns séculos peça perdão a todas as vítimas de doenças sexualmente transmissíveis dos nossos dias. O que eu estranho mesmo nesta notícia do DN é os gajos terem estado dois dias numa conferência sobre “aspectos pastorais do cuidado das doenças infecciosas”. Eu não faço a mínima ideia do que é um aspecto pastoral do cuidado das doenças infecciosas, admito, mas... dois dias em conferência para não decidirem nada?!»
Leia tudo aqui. Obrigada, Ivar.

«E sem Latim?»

Surripiado, foto inclusive, com a autorização do meu amigo André, no Cultura Clássica:

«Transcrevo a crónica de Jorge Silva Melo que saiu hoje no suplemento Mil Folhas do jornal Público (página 5).


"E sem latim?
Ainda naquela Rua Anchieta que, ao sábado, se ornamenta de preciosos livros, abro o belo volume negro dos "4 Poètes Portugais", edição (1970) da Gulbenkian e das Presses Universitaires de França, que acabo de encontrar.

Os meus amigos estrangeiros pararam, estávamos na esquina da Bertrand. Ávido, eu procurava, em Cesário, para lhes ler em voz alta e no local certo, o que ele diz da jovem actriz que sobe o Chiado revendo o seu texto ao ir para um teatro, que eram, todos, ali por perto. Mas, ao abrir, encontrei foi "O Sentimento de um Ocidental", não resisti, e li, em francês, os versos das "Ave-Marias". Há décadas que o faço, mal encontro um exemplar desses que nunca tenho, sempre ofereci (com selecção, tradução e prefácio de Sophia).

Lembro-me, há já quase trinta anos, da dificuldade que tive, nesta mesma esquina, em explicar a René Allio e a Christine Laurent o significado de "taciturnité", a rara maneira que o tradutor teve para verter a sorumbática "soturnidade" do poema de Cesário.

Mas, hoje, vejo o olhar parado de um dos meus interlocutores, homem que seria, há anos, de meia-idade, e, agora, ainda será jovem, entre os 30 e os 40 anos. "E porque é que se chama 'Angelus' esse poema?", acaba por me perguntar. Explico-lhe que é a tradução de "ave-marias", explico-lhe o que são, maneira de as igrejas anunciarem o cair da noite, o regresso a casa, o fim do trabalho. Ele, que até é homem culto, só se lembra de Millet, dois camponeses dobrados sobre o campo lavrado. "Mas porque é que um poema tão urbano como esse recorre à imagem do campo?" Já não tive tempo para o esclarecer que a noite cai no campo e também na cidade e que a igreja, onde está, onde chegou, o assinala, convidando ao recolhimento, tentando superar (naquela mesma hora em que, para os laicos, desperta) o "absurdo desejo de sofrer": os sinos da Igreja dos Mártires desataram a repicar, enchendo a agitada rua de uma canção que parecia não mais ter fim.

O meu interlocutor não tivera educação religiosa, para ele um sino é qualquer sino, não lhes entende a língua. E, mesmo no centro do Chiado, ignora para que tocam os carrilhões dividindo o dia nas suas tarefas e loas.

E ponho-me a pensar se haverá muitos portugueses (dos poucos que abrem livros) que, ao abrirem o Cesário, ainda sabem o que são estas "ave-marias" e porque assim se chama esta primeira parte do mais belo dos poemas. Já quase ninguém o sabe, aposto. Em próximas edições, haverá também para isso nota de rodapé, essa tremenda lápide que, em memória do sentido perdido, assinala as palavras mortas. Sim, que as palavras morrem e os livros vão-se enchendo de explicações que atestam o bom comportamento do defunto, os seus bons serviços.

Nunca pensei ter de explicar a alguém o que são, na divisão do dia, as "ave-marias", nem mesmo o "angelus" a franceses, muito menos pensei que teria de traduzir (como?) "Stabat Mater" (mas tanta gente me pergunta, que surpresa estranha, eis-me de outros tempos eu que me pensava tão de agora) e que, quando digo (e digo tantas vezes) "Ecce homo", o meu interlocutor talvez pense que estou a falar de alguma parada "gay".

Foi-se, com a vida, o latim da igreja, foi-se, das escolas, o latim. Até o de Virgílio, "lacrimae rerum". E como, na Assembleia, faria bem um pouco de Salústio ao falar-se das SCUT.
E nós, que "vivemos dos nomes" (estupenda sentença de Joyce que me recupera Antonio Tarantino), cá vamos falando, filhos de língua incógnita, vivendo ao lado de sinos que tocam sem sabermos porquê, deixando esvaírem-se as melhores das poesias, devolvendo-as aos fariseus que da vida nada sabem, prescindindo de saber.
Vem, agora, o Papa autorizar o regresso do latim ao eco sem nome das basílicas. Eu queria era que fosse nas escolas, onde a língua se molda, onde se deveria era buscar a forma para nomear esta ansiedade de se ser rapaz ou rapariga.

"Não se pode viver sem Rosselini!", berrava nas ruas o cineclubista apaixonado por Bertolucci. E sem latim, podemos?
Podemos ignorar o carrilhão que nos atropela a conversa, passar incólume ao lado dos fundamentos daquilo que pensamos, seguir o nosso caminho sem ver as pedras que os romanos (os escravos dos romanos, claro) transportaram, podemos ignorar tudo o que nos fez viver assim, bastardos, neste eterno presente nascido esta manhã na revista do dia? Podemos viver sem latim?

(E eu que nem bom aluno fui, ai como me arrependo.)"»

Colocado por André Simões, na sexta-feira, 17 de Setembro (a quem deixo um beijinho).

Se eu pudesse ter votado...

No decurso da eleição de melhor blogue 2006, promovido pelo Geração Rasca, que terminou dia 7, não pude votar, pois não me encontrava em condições (este blogue ainda não fez os 3 meses exigíveis para tal).
Agora já posso divulgar que blogues escolheria.

Uns porque me divertem, outros porque me seduzem com a sua inteligência, uns porque me obrigam a ficar incomodada, outros porque tenho pena de não serem meus, uns porque têm tudo isto conjugado, outros porque podiam ser bons mas não querem. Uns e outros só porque sim... De gustibus et coloribus non dispuntantur...
Melhor Blog Individual Feminino
Bomba Inteligente
Cartas do Meu Moinho

Melhor Blog Colectivo
corta-fitas

Melhor Blog
Berra-boi
Combustões
Escrito a Lápis
Misantropo Enjaulado

não compreendo as mulheres

Melhor Blogger

09 dezembro 2006

Poema dos beijos

Gozemos, Lésbia minha, a vida e o amor.
O murmúrio dos anciãos, severos por demais,
tenhamo-lo na conta de um vintém apenas.
Morram os raios do sol e podem nascer,
mas, para nós, quando se apaga a breve luz,
espera-nos o sono de uma noite eterna...
Dá-me mil beijos, em seguida um cento,
depois outros mil, depois outra vez cem,
mais outros mil ainda, ainda mais cem.
Depois... já completados muitos milhares,
misturemos tudo, para lhes perder a conta,
- ou nenhum malvado, possa sentir inveja,
ao saber que tantos foram os beijos entre nós.


Catulo, Odeio e Amo, MinervaCoimbra, 2005. Introdução, selecção e tradução de José Ribeiro Ferreira.

Imagem:www.tidningen-boken.com
Marcus Perennius, Gliptoteca de Copenhaga

08 dezembro 2006

Excessos da paixão

Perguntas-me, Lésbia, quantos beijos teus
me bastam e me parecem excessivos.
Quão grande número de grãos de areia,
na
Líbia, cobre Cirena rica em laser
entre o Oráculo de Júpiter abrasador
e o sagrado sepulcro do velho
Bato;
quantos astros, quando silencia a noite,
observam os amores furtivos dos homens;
tantos são os beijos que deves dar ao delirante
Catulo para ter que lhe baste e o satisfaça.
Tantos que nem os curiosos os possam contar
nem a língua invejosa desejar má sorte.


Catulo, Odeio e Amo, MinervaCoimbra, 2005.
Introdução, selecção e tradução de José Ribeiro Ferreira.

07 dezembro 2006

Culpa? É do bode expiatório...



No outro dia, num raro momento em que vi um pouco do telejornal, foi notícia (e ainda não percebi bem porquê, com tantas coisas importantes a acontecerem) o caso de duas alunas de uma escola secundária que se terão inscrito condicionalmente no 12º ano, enquanto não saíam os resultados dos seus exames de 11º.
A aluna que deu a cara disse, chorosa, que não tinha ido consultar o resultado do exame (!!??) e, como se viu nas pautas do 12º, assumiu que tinha passado (não pôs sequer a hipótese de, também ali, estar condicional). Quando a secretaria finalizou os processos, informou-a de que estava no 11º, pois tinha reprovado nos exames.
E a culpa pairava… de quem era?
Não compreendo o que se passa ultimamente com este conceito… pelo que me é dado a perceber, a culpa nunca é nossa… ou é sempre nossa e assumimo-la mesmo quando não é, vitimando-nos («eu sei… a culpa é minha… se eu não tivesse feito… então não teria acontecido…»), perdendo assim o valor, por ser falsa, a assunção das responsabilidades.
Sim, porque o que me parece é que não se assume responsabilidade pelo que se faz.
O conceito do bode expiatório, presente no Antigo Testamento, onde um bode assumia as culpas dos cidadãos e era escorraçado da cidade para os libertar das faltas cometidas, existia na Grécia. Aí havia o costume de, a expensas da cidade, se alimentar um mendigo (ou um prisioneiro, ou um deficiente) durante um ano (por vezes, em caso de uma praga, dada a urgência, era o que estivesse mais à mão…), para que, numa cerimónia, fosse coberto por roupas solenes e percorresse a cidade, de modo a levar consigo todos os problemas: fome, doenças, crimes. No final era lapidado até à morte. Nalgumas cidades era atirado do alto de um precipício. Noutras, era apedrejado, mas podia fugir se sobrevivesse… Posteriormente, escolhia-se um escravo (será que os escolhiam pela largura das costas?) para ser chicoteado e expulso, concedendo-lhe, em consequência, a liberdade Herdámos da cultura grega, herdámos da cultura judaico-cristã. Cristo morreu pelos nossos pecados. No catolicismo, estes são perdoados pela confissão. Des
responsabilizámo-nos. Não há culpa para ninguém. Aliás, há, mas é dos outros!
E o único sítio onde sei que há culpas assumidas é… no cartório.

06 dezembro 2006

Mimos musicais

O Miguel enche o blogue com mimos musicais para os meus ouvidos.
Aproveito para pôr aqui mais uma faixa do CD
que ando a ouvir. Angelo Manzotti. De novo. Até à exustão. Sempre que termina, o escritório, que antes parecia uma catedral, volta a parecer um escritório... e tenho de voltar a pôr a tocar.

Farnace, opera in 3 acts, RV 711- Sorge.wma

Angelo Manzotti

Um dos meus contratenores preferidos... não me consigo decidir entre ele e o Andreas Scholl...
Aqui vão 5.16 minutos de Vivaldi... Espero que gostes!

Orlando (Orlando furioso II), opera in 3 acts, RV 728- Nel profondo.wma

05 dezembro 2006

Funciona!

(nota:à medida que vou entrando nas «bolinhas», vou actualizando o blogue com esta frase de abertura nas diversas línguas)

Já tenho o tradutor automático do blogue a funcionar!
Sejam bem-vindos ao espaço multilingue da Senhora Sócrates!

Russo (Eh! Eh!)
Уже я имею автоматический переводчика blogue, котор нужно действовать!Mrs. Sócrates радушен к multilingue космоса!

Sueco
Redan har jag den automatiska översättaren av blogue som fungerar!Fru Sócrates är välkommen till utrymmemultilinguen!

Inglês
Already I have the automatic translator of blogue to function!Mrs. Sócrates is welcome to the space multilingue!
(aqui sou também bem-vinda!)

Francês
Déjà j'ai le traducteur automatique de blogue à fonctionner !Ce soient bienvenus à l'espace multilingue de Monsieur Sócrates!
(Isto é muito divertido! Neste não reconheceram que Sócrates tinha também a sua senhora...)

Italiano
Già ho il traduttore automatico di blogue da funzionare!La sig.ra Sócrates è benvenuta al multilingue dello spazio!

Alemão
Bereits habe ich den automatischen übersetzer des blogue, zum zu arbeiten!Mrs Sócrates ist zum Raum multilingue willkommen!
E vejam como fica interessante a tradução da tradução:
Englisch:Bereits habe ich den automatischen übersetzer von blogue, das Sie arbeiten!Mrs. Sócrates ist Willkommen Sie das Raum multilingue!

Espanhol
¡Tengo ya el traductor automático del blogue a funcionar!¡Señora Sócrates es agradable al multilingue del espacio!
(E o Inglês)
Inglés:¡Tengo ya el traductor automático del blogue que usted funciona!Señora. ¡Sócrates es recepción usted el multilingue del espacio!¡(Soy también agradable aquí!)

Neerlandês
Reeds heb ik de automatische vertaler van blogue om te functioneren!Mevr. Sócrates is welkom aan ruimte multilingue!

É só inveja, ciúme, invídia, zelotipia...

Quando vi, quis ter um igual!
Diz Houaiss que inveja é um «desejo irrefreável de possuir ou gozar, em carácter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outrem».
Com a ajuda do Manuel, também eu tenho bolinhas coloridas que traduzem este blogue para aquelas línguas todas!
Nota 1: Isto não está a funcionar... deve ser castigo! Mas espero conseguir ainda hoje ... estou tristinha... queria tanto ler o meu blogue em japonês!
Nota 2: Como se pode ver pelo postal acima, já funciona! E eu contentinha!

04 dezembro 2006

Monty Python - International Philosophy

Tenho de agradecer à Anabela Moutinho esta brilhante «dica»!
Qual Benfica-Sporting!
Viva Sócrates!

Dezembro? ?Natal?? Saturnais??

Diz o tradutor das Cartas a Lucílio (já vos disse que foi meu professor de literatura latina?), em nota à Carta 12, na página 34 :
Por ocasião das Saturnais (Saturnalia), antigas festas do calendário romano celebradas por volta de 17 de Dezembro de cada ano em honra de Saturno, era costume haver troca de presentes entre amigos, e mesmo, como é aqui o caso, entre senhores e escravos.

Na Carta 18, diz Séneca:
Estamos em Dezembro: a cidade está coberta de suor! A ostentação desregrada invadiu toda a vida colectiva. Fazem-se estrepitosamentre enormes preparativos, como se existisse alguma diferença entre o período das Saturnais e os dias úteis. O facto é que não há qualquer diferença, e por isso mesmo acho que tem toda a razão quem afirma que se Dezembro em tempos foi um mês, agora é um ano inteiro.

Digo eu aqui:
Ai pois é! Uma pessoa distrai-se e sai à rua em Dezembro... num fim de semana de Dezembro... é um castigo! E bem feito, que ninguém me mandou sair de casa!
Mas também tenho de confessar uma coisa: gosto das iluminações. Em geral. Em particular, gosto pouco das iluminações...
No outro dia - ainda não era Dezembro - vi umas em Olissipo que me surpreenderam agradavelmente pela simplicidade: uma bolas azuis e outras douradas. Gostei! Ouro sobre azul! Sinónimo popular de bom gosto!

03 dezembro 2006

Sobre ontem...

Já me perguntaram como tinha sido ontem na Fnac e na ópera.
O lançamento da Flô e o Regador de Cristal correu muito bem. Conheci, finalmente, a Berta Rodrigues, a autora, que é uma artista completa: pinta, escreve histórias, poesia e música, é uma excelente comunicadora e uma senhora muito bonita.
O coral Ossónoba cantou duas das músicas que Berta compôs e escreveu para o CD que acompanha o livro. O ambiente este muito bonito!

Quanto à ópera, foi um excelente espectáculo! Gostei das vozes em geral e das de D. Giovanni, Leporello, D. Elvira e Zerlina, em particular. Está bem... D. Elvira:
Ana Ester Neves no seu melhor!
O som da sala é que não estava muito bom... Tive dificuldade em ouvir o primeiro dueto entre D. Giovanni e Leporello, pois a orquestra sobrepunha-se. Ou eles sotopunham-se...
E por falar em orquestra, esteve muito, muito bem a
Orquestra do Algarve, dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira.
A
Ana Cristina deixou um comentário no post anterior, dizendo que não gostou dos figurinos nem da cenografia. Ela é uma especialista e perceberá melhor que eu. Mas eu gostei... Dou-lhe razão na parte do baile, pois acho que não resultou muito bem, mas as cortininhas a cair... até achei que foi uma boa solução. E também gostei da forma como foi resolvida a cena final, em que D. Giovanni é engolido pelo Inferno...
Tenho de admitir que não tenho em casa uma boa gravação do D. Giovanni. Se alguém, me quiser recomendar outra, aceito sugestões. Na Fnac cá da região, já tinham vendido a única (havia apenas highlights, coisa horrenda). Agora só por encomenda... lá terei de me abastecer na próxima vez que for à capital!
(imagem do elenco de D. Giovanni retirada do Observatório do Algarve)

01 dezembro 2006

Flô e o Regador de Cristal

Amanhã vou fazer a apresentação deste belo livro.
Segue o convite

Olá!
Eu sou a FLÔ, uma «pelicana» carinhosa, fofa e divertida.
Qual é a minha missão? Com a ajuda dos meus amiguinhos, Pim e Tam, fazer com que todos os meninos e meninas sejam felizes.
De que meios me sirvo? De livros e de música.
Quem lhes deu forma? A minha criadora, Berta Rodrigues.
No próximo dia 2 de Dezembro, pelas 17.00 horas, apresentar-nos-emos mais uma vez ao público.
O local é o
Fórum FNAC no AlgarveShooping, em Albufeira, e, juntamente com a Vega Editora, que nos publicou, faremos o lançamento do nosso primeiro livro:

FLÔ E O REGADOR DE CRISTAL

Estará presente um coro infantil para cantar as músicas do CD que acompanham
o livro da Flô. Contamos, para fazermos uma grande festa, que também muitas crianças e adultos nos acompanhem!...

«Onde se arranjam todos estes ingredientes?»

... perguntou-me a Marta. Como outros leitores deste blogue poderão estar com o mesmo problema, aqui vão umas sugestões.
A tradutora do livro sugere que se substitua o liquamen (ou o garum) por núoc man, «que se pode encontrar em casas de especialidades orientais». Quanto às ervas, diz «Algumas ervas secas são mais facilmente encontradas em ervanárias». Em relação ao mosto cozido, diz ainda a Inês: «A redução do mosto cozido manteve-se em algumas das nossas aldeias da Beira interior, como Cabanas de Viriato, conforme atesta o arrobe, um xarope concentrado produzido pelo mosto de uva».
Depois... há que reinventar! E digam-me como ficaram as receitas!

Doce caseiro de tâmaras

A Inês actualizou algumas receitas (sei que as experimentou...), mantendo sempre que possível os ingredientes originais, e deixou algumas páginas finais do seu livro para nos abrir o apetite...
24 tâmaras grandes
15 nozes
30 g de pinhões
sal q.b.
mel q.b.
manteiga q.b. (ingrediente não original)
Retire o caroço às tâmaras. Moa as nozes e os pinhões e recheie as tâmaras. Salpique com sal fino. Unte um tabuleiro de barro com manteiga, disponha as tâmaras e regue com mel. Leve a cozer e, forno quente durante cerca de dez minutos.

Um prato de lentilhas

Coza-as. Mal levantem espuma, deite alhos-porros e coentros frescos. Pise grãos de coentros, poejo, raiz de laser, sementes de hortelã e arruda, regue com vinagre, acrescente mel, misture liquamen e vinagre, mosto cozido, deite azeite, mexa. Se for preciso mais alguma coisa, acrescente. Ligue com fécula, deite por cima azeite verde, polvilhe com pimenta e sirva.
Liquamen - molho de peixe: «salmoura de peixe fermentado, nas suas diferentes variedades e graus de qualidade, garum, allex e muria».

Comer em Roma

Gosto de cozinhar no Inverno. Deve ser porque o calor que sai do fogão (principalmente se acendo o forno) aquece a cozinha e deixa-a aconchegada. E gosto de experimentar receitas novas. Variar, sempre variar!
Trago aqui hoje um livro a que acho muita graça, sobre a alimentação em Roma.
O povo romano era essencialmente vegetariano. Frutos e legumos eram a base da alimentação. A proteína retiravam-na dos ovos e queijo. E, em vez de pão, comiam um bolo de farinha que parecia uma papa.
Com a conquista das cidades gregas do Magna Grécia, no Sul da Itália, no séc. III a.C., e a colonização da própria Grécia, no séc. II a.C., a sofisticação e o requinte chegam à mesa dos romanos. Padarias com pães e bolinhos, peixe fresco (viveiros) ou salgado, carne... e variadas técnicas de conservação dos alimentos.
Mais informações e receitas do que as que aqui apresentarei (e que provêm do De Re Coquinaria) podem ser recolhidas em O Livro de Cozinha de Apício - Um breviário do gosto imperial romano, publicado pela Colares Editora, em 1997, com introdução, tradução e notas de Inês de Ornellas e Castro.
Algumas receitas podem chocar nosso paladar, mas outras parecem bastante deliciosas.
Experimentem!