Em consequência, todos os homens que resultam do corte de um ser misto (o mesmo que em tempos era chamado andrógino) só gostam de mulheres. É deste género que descende a maior parte dos adúlteros, bem como todas as mulheres que gostam de homens - sem esquecer as adúlteras!
30 dezembro 2006
Heterossexualidade e adultério - Banquete (6)
Em consequência, todos os homens que resultam do corte de um ser misto (o mesmo que em tempos era chamado andrógino) só gostam de mulheres. É deste género que descende a maior parte dos adúlteros, bem como todas as mulheres que gostam de homens - sem esquecer as adúlteras!
«Um cego»...
Esta é de Maria do Céu Fialho, editada em Coimbra, pela Minerva, em 1996.
Deixo, então, o início do Édipo em Colono, de Sófocles:
29 dezembro 2006
O amor entre os homens - Banquete (5)
Compadecendo-se, por fim, Zeus lança mão de outro artifício e muda-lhes para diante os órgãos genitais. (...)
Ao mudar-lhes, pois, os órgãos genitais para diante, Zeus determinou que a geração humana passasse também a efectuar-se de uns para outros, mediante tais órgãos - na fêmea por intermédio do macho. E eis o que tinha em vista: se acaso o acoplamento se desse entre homem e mulher, o resultado seria procriarem e perpetuarem a espécie; se entre dois varões, haveria pelo menos a plenitude da união e, uma vez apaziguado o desejo, poderiam voltar às suas tarefas e interessar-se por outros aspectos da vida.
Dessa época longínqua data, sem dúvida alguma, a implantação do amor entre os homens - o amor que restabelece o nosso estado original e procura fazer de dois um só, curando assim a natureza humana.
28 dezembro 2006
Fica apenas um abraço a todos os que me desejaram boas festas e eu não respondi (inclusive a oferta de umas belas férias) e um obrigada pela compreensão!
No entanto, sempre que possível, o Senhora Sócrates vai sendo actualizado!
27 dezembro 2006
Seta de Fogo
E o teu corpo é um barco
E o que quiseres serei
O alvo, a flecha ou o arco.
§§§§§§§§§§§§
§§§§§§§§§§§§
Amei muito
Mas amei muito
Mal. É triste, é
Mas não é mortal
Pedro Luís Baltazar Vieira (1967-2005)
23 dezembro 2006
O Império das Luzes
(L' Empire des lumières - O império das luzes [The empire of lights] 1954. 146x114cm coleção particular [private collection] cortesia Musée royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelas)O IMPÉRIO DAS LUZES
Saudades
Muitas!
Como gostaríamos de ter sido a metade um do outro!
Fomos quase, quase a metade um do outro...
Um dia escreveu-me:
Poemas do Pedro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Saudades - Banquete (4)
Ora, quando a forma natural se encontrou dividida em duas, cada metade, com saudades da sua própria metade, se lhe reunia; e estendendo as mãos em volta, enlaçadas uma na outra, não mais aspiravam do que a fundir-se num só ser!
22 dezembro 2006
«Oh, metade amputada de mim!» - Banquete (3)
(receando a força e ambição destes seres, Zeus decide)
«Parece-me», anunciou, «que arranjei processo de continuar a haver homens e acabar de vez com a sua arrogância: é enfraquecê-los. Agora mesmo vou dividi-los ao meio um por um; deste modo, não só hão-de ficar mais fracos como também sairemos beneficiados, graças ao aumento de número. Por enquanto, podem caminhar erectos sobre as suas duas pernas; porém se virmos que mesmo assim persistem na arrogância e se recusarem a dar-nos tréguas, então», declarou, «volto a dividi-los ao meio e passam a andar só sobre uma perna… ao pé-coxinho!»
Dito e feito. Pôs-se a cortar os homens às metades, exactamente como se cortam sorvas para as pôr em conserva [ou como se faz aos ovos com um cabelo]. À medida que os ia cortando, encarregava Apolo de lhes virar o rosto e a metade do pescoço para a superfície amputada, na ideia de que os homens se tornariam mais humildes com o espectáculo da sua própria amputação diante dos olhos.
Platão, Banquete, 190c-e. Edições 70, 1991. Tradução, introdução e notas de Teresa Schiappa de Azevedo.
20 dezembro 2006
Ritornello
O programa Ritornello da Radiodifusão Portuguesa, da autoria de Jorge Rodrigues, é provavelmente o programa de maior audiência de toda a Antena 2. O Ritornello é produzido há mais de 10 anos com uma imaginação, diversidade, inteligência, sentido formativo e informativo tais que se tornou, na prática, uma referência incontornável para todos os amantes da música dita erudita em Portugal.
Mas não só da música. A poesia, o teatro, a literatura, a dança e a cultura portuguesa, em geral, circulam no Ritornello como numa grande coreografia, cruzando-se através da temática de cada programa – criteriosamente escolhida pelo seu autor – e por meio dos convidados que nele têm tido voz. Ao longo dos últimos 10 anos, mais de 2000 individualidades, nacionais e estrangeiras, foram entrevistadas por Jorge Rodrigues, permanecendo o testemunho de muitos gravado na memória dos portugueses.
Recentemente, alegadamente por conduzir entrevistas desinteressantes (!), a direcção da Antena 2 proibiu Jorge Rodrigues de continuar a entrevistar convidados portugueses. Ficam assim excluidos do programa as vozes de José Saramago, de Agustina Bessa Luís, de Paula Rego, de Maria João Pires, etc.,etc... Sob qualquer ângulo que se observe, a medida é insólita e obtusa, fazendo lembrar tempos dos quais Portugal se libertou com dificuldade.
Que serviço público é este que proíbe a voz dos artistas e intelectuais portugueses no programa de maior prestígio de toda a Antena 2 ? Logo aquele que mais dinamicamente tem contribuido para manter os ouvintes, directa ou indirectamente interessados, ao corrente das causas culturais portuguesas! O mérito de Jorge Rodrigues deveria ser premiado por ser do interesse cultural nacional e não obstruido desta forma ridícula.
Se discorda desta proibição e se acha que os artistas e intelectuais portugueses merecem continuar a ser entrevistados no Ritornello, por favor dê o seu apoio a este protesto assinando em http://www.PetitionOnline.com/r1tornel/petition.html e divulgando esta informação.
Muito obrigado,
António Chagas Rosa
Sol, Terra e Lua - Banquete (2)
Platão, Banquete, 189e-190a. Edições 70, 1991. Tradução, introdução e notas de Teresa Schiappa de Azevedo.
19 dezembro 2006
«Espécies do Ecossistema Transportal» - escreveram outros (4)
Já o escrevi anteriormente, e continuarei a escrevê-lo até me apetecer ou os dedos me doerem, que os transportes públicos são para mim uma grande fonte de inspiração e, nas viagens mais longas, quase de expiração.
A quantidade de situações presenciadas dava bem uma série televisiva, que certamente rivalizaria com os Morangos com Açúcar ou com a Floribela, só faltando saber se a série seria do género dramático ou comédia.
Neste contexto, gostaria de publicar um estudo que venho fazendo nos últimos tempos sobre as diferentes espécies que habitam no Ecossistema Transportal, espécies essas tão distintas como as regras que ditam o seu comportamento.
Não foi fácil, passar tanto tempo neste ambiente, tendo muitas vezes de adoptar os seus comportamentos de forma a perturbar ao mínimo os seus hábitos. Houve uma ou outra situação em que a espécie em estudo desconfiou da câmara de vídeo e da rede, mas o que seria duma reportagem sobre o mundo animal sem uma dose de perigo e adrenalina?
Este trabalho nunca estará completo, tal a dinâmica apresentada neste habitat, que todos os dias revela ao mundo novas e espantosas espécies, pelo que se seguem apenas as que já estão totalmente estudadas e catalogadas.
Cavalo de Corrida - Este animal posiciona-se sempre encostado à porta de saída, independentemente do seu destino. Quando esta abre, seja qual for a hora ou o transporte, desata numa correria desenfreada, como se levasse às costas um jockey imaginário. Tentei por diversas vezes acompanhar um, mas foi um esforço inglório. Desconfio que tentam apanhar outros transportes, mas é uma mera suposição. Aguardo os resultados dos colares sinalizadores para ter certezas
Diabo da Tasmânia - Cuidado, este é bastante agressivo! Passa despercebido, como se estivesse num estado de letargia, mas basta vagar um lugar sentado e saiam da frente do bicho! Cotoveladas, rosnadelas, arranhões, mordeduras, beliscões, tudo vale para conseguir chegar primeiro ao seu objectivo.
Stripper - Esta espécie gosta de se encostar nos postes existentes no meio dos transportes, desde o início das nádegas até à nuca, borrifando-se para o facto de haver outros animais agarrados a esse apoio. Ainda não perdi a esperança de ver alguém meter-lhe uma nota no cinto e ele começar a esfregar-se no poste para cima e para baixo, enquanto lambe o dedo indicador.
Lucky Luke - Talvez o ser mais rápido deste ambiente. Quando o poste não está ocupado pelo Stripper, e estão trinta mãos a agarrar o dito (poste), basta retirar a mão por 2 segundos para coçar o nariz ou ajeitar os óculos e eis que o Lucky Luke ataca não se sabe vindo de onde, ocupando o nosso lugar! Um autêntico filho dum... que ainda por cima nos olha de lado por lhe tocarmos na mão.
O Cerejeiro - Apenas existem machos, caracterizando-se por gostarem de fazer descansar o seu sistema reprodutor, mais concretamente os seus tomates, nos ombros dos bichos que vão sentados, como se fossem umas cerejas enfeitando uma orelha. A melhor solução para nos livrarmos do “ornamento” é com um súbito e repentino levantar, causando normalmente a fuga do cerejeiro, urrando de dor.
Carneiro - Especialmente numeroso nas horas de ponta, limitam-se a ir na corrente, balindo para aqui e para acolá. É uma espécie patética, que aparenta ir para onde os outros vão.
Salmão - Gosta de enfrentar a corrente formada pelo rebanho dos carneiros. Torna-se particularmente agressivo quando nota que o seu transporte está prestes a partir.
Hipopótamo - Movendo-se com a graciosidade muito própria desta espécie, ao chegar a qualquer lado provoca estragos num raio de 7 metros até se sentir totalmente confortável. Atinge um maior potencial de destruição quando a carruagem está apinhada e resolve tirar o sobretudo, o casaco, três camisolas e qualquer coisa de dentro da mala.
Preguiça - Assim que se senta, adormece. Algumas subespécies tendem a babar-se, roncar e inclinar-se perigosamente para o lado onde não têm apoio, especialmente se aí estiver uma fêmea jeitosa. A sua sonolência atinge um ponto de quase não retorno quando se sentam em lugares reservados a grávidas e aparece uma.
Nómada - Espécie irritante que vagueia entre carruagens, buscando não se sabe muito bem o quê. Por muito cheio que esteja o transporte, ei-lo a vaguear por entre os outros animais, procurando assentos, companhia, um jornal abandonado, etc. Este animal é uma besta.
Headphones - São uns chatos do catano. Está um tipo sentadinho, quando se sentam em cada um dos nossos lados os headphones esquerdo e direito. Iniciam então uma conversa frenética que se processa quase integralmente através das nossas orelhas.
Stressado - Este animal julga ter um papel importante no ecossistema, mas é o único a ter esta opinião. Quando por algum motivo o transporte se demora um bocadinho mais na paragem, o stressado imediatamente mete a cabeça de fora, ou mesmo o corpo todo, como se dessa acção dependesse o reiniciar da viagem. Ocasionalmente ainda perturbam mais a partida pelo facto de ficarem entalados na porta ao voltarem para dentro.
Menir - O mais misterioso. Não se sabe muito bem para que servem, nem porque foram colocados em determinado sítio. Estes animais são assim, abancam num ponto (normalmente nas zonas de passagem) e ali ficam, imóveis, tendo toda a circulação de ser feita contornando os mesmos.
Calhau com Olhos - Este animal desenvolveu uma estranha aversão a segurar-se nos apoios. Assim, e sempre que há um solavanco, é vê-lo a ser projectado contra tudo e todos, qual mala frágil num porão de avião!
E pronto, estas são as espécies já estudadas. Outras, como o “Mete Nojo”, o “Gafanhoto”, o “A cabeça já está, falta o resto!”, a “Sardinha”, o “Mãozinhas”, os “Aparadores de Livros”, o “Martim Moniz” ou o “Carente” necessitam de mais dados e serão discutidas noutra ocasião.
Espero ter contribuído para aumentar o vosso conhecimento sobre o Ecossistema Transportal. Aos defensores dos direitos dos animais, posso garantir que quase nenhum foi magoado no decurso da investigação, os próprios dardos tranquilizantes eram muito fraquinhos. Realmente houve um ou outro que gritou quando foi espetado nos expositores e alguns que se recusavam a ir para o frasco com formol mas porra, em prol da ciência acho que são aceitáveis uns sacrificiozinhos!
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
17 dezembro 2006
Metal na Senhora Sócrates!
15 dezembro 2006
«Tous les Matins du Monde»
14 dezembro 2006
Os três géneros - Banquete (1)
Para começar, a nossa antiga natureza não era tal como hoje e sim diversa. Para começar, os seres humanos encontravam-se repartidos em três géneros e não apenas em dois – macho e fêmea – como agora: além destes, havia um terceiro que partilhava das características de ambos, género hoje desaparecido, mas de que conservamos ainda o nome. Era ele o andrógino, que constituía então um género distinto, embora reunisse, tanto na forma como no nome, as características do macho e da fêmea; hoje, contudo, não passa de um nome lançado ao descrédito…
Em segundo lugar, a forma de cada ser humano era inteira e globular, com as costas e os flancos arredondados. Tinham quatro mãos e igual número de pernas; sobre o pescoço redondo, duas faces, iguaizinhas uma à outra; uma única cabeça onde assentavam as faces, colocadas em sentido oposto; quatro orelhas; órgãos genitais em número de dois; e tudo o mais que a partir daqui possa imaginar-se. Caminhavam erectos, como agora, mas nos dois sentidos em que o desejassem. Porém, quando os assaltava o desejo de correr a toda a brida, faziam-no às cambalhotas, projectando as pernas para o ar, como os equilibristas, até regressarem à posição vertical. E assim, apoiados nos seus membros, que eram oito, se deslocavam velozmente em círculo.
13 dezembro 2006
«Acho-os... uns chatos»... escreveram outros (3):

Postado por Combustões em 2.10.06
12 dezembro 2006
«Dos Antigos»... escreveram outros (2)
Dos Antigos: o trágico, na medida em que não depende da culpa, mas do momento em que o destino se cumpre, afasta-se da moral. Dificilmente podemos falar de moral quando há situações que não controlamos. Mas não deixam de ser trágicas, uma vez que são também irreversíveis, desequilibradas e injustas. A propósito de como acordei hoje.
Obrigada!
10 dezembro 2006
«Preservativos»... escreveram outros (1)
Aqui vai um, do Bagaço Amarelo, de 7.12.2006
«No Diário de Notícias soube-se que o Vaticano continua a não aceitar o uso do preservativo, Nada de estranho, acho eu, numa instituição que demorou quatrocentos anos a pedir desculpa a Galileu e mais de cem anos a fazer o mesmo a Darwin. Pode ser que daqui a uns séculos peça perdão a todas as vítimas de doenças sexualmente transmissíveis dos nossos dias. O que eu estranho mesmo nesta notícia do DN é os gajos terem estado dois dias numa conferência sobre “aspectos pastorais do cuidado das doenças infecciosas”. Eu não faço a mínima ideia do que é um aspecto pastoral do cuidado das doenças infecciosas, admito, mas... dois dias em conferência para não decidirem nada?!»
«E sem Latim?»
«Transcrevo a crónica de Jorge Silva Melo que saiu hoje no suplemento Mil Folhas do jornal Público (página 5).

"E sem latim?
Ainda naquela Rua Anchieta que, ao sábado, se ornamenta de preciosos livros, abro o belo volume negro dos "4 Poètes Portugais", edição (1970) da Gulbenkian e das Presses Universitaires de França, que acabo de encontrar.
Lembro-me, há já quase trinta anos, da dificuldade que tive, nesta mesma esquina, em explicar a René Allio e a Christine Laurent o significado de "taciturnité", a rara maneira que o tradutor teve para verter a sorumbática "soturnidade" do poema de Cesário.
(E eu que nem bom aluno fui, ai como me arrependo.)"»
Colocado por André Simões, na sexta-feira, 17 de Setembro (a quem deixo um beijinho).
Se eu pudesse ter votado...
No decurso da eleição de melhor blogue 2006, promovido pelo Geração Rasca, que terminou dia 7, não pude votar, pois não me encontrava em condições (este blogue ainda não fez os 3 meses exigíveis para tal).Agora já posso divulgar que blogues escolheria.
Bomba Inteligente
Cartas do Meu Moinho
Melhor Blog Individual Masculino
o crepe [suzete]
Os Dedos
Estado Civil
Heart of Saturday Night
O Franco Atirador
French Kissin'
Melhor Blog
Berra-boi
Combustões
Escrito a Lápis
Misantropo Enjaulado
não compreendo as mulheres
Melhor Blogger

