
No outro dia, num raro momento em que vi um pouco do telejornal, foi notícia (e ainda não percebi bem porquê, com tantas coisas importantes a acontecerem) o caso de duas alunas de uma escola secundária que se terão inscrito condicionalmente no 12º ano, enquanto não saíam os resultados dos seus exames de 11º.
A aluna que deu a cara disse, chorosa, que não tinha ido consultar o resultado do exame (!!??) e, como se viu nas pautas do 12º, assumiu que tinha passado (não pôs sequer a hipótese de, também ali, estar condicional). Quando a secretaria finalizou os processos, informou-a de que estava no 11º, pois tinha reprovado nos exames.
E a culpa pairava… de quem era?
Não compreendo o que se passa ultimamente com este conceito… pelo que me é dado a perceber, a culpa nunca é nossa… ou é sempre nossa e assumimo-la mesmo quando não é, vitimando-nos («eu sei… a culpa é minha… se eu não tivesse feito… então não teria acontecido…»), perdendo assim o valor, por ser falsa, a assunção das responsabilidades.
Sim, porque o que me parece é que não se assume responsabilidade pelo que se faz.
O conceito do bode expiatório, presente no Antigo Testamento, onde um bode assumia as culpas dos cidadãos e era escorraçado da cidade para os libertar das faltas cometidas, existia na Grécia. Aí havia o costume de, a expensas da cidade, se alimentar um mendigo (ou um prisioneiro, ou um deficiente) durante um ano (por vezes, em caso de uma praga, dada a urgência, era o que estivesse mais à mão…), para que, numa cerimónia, fosse coberto por roupas solenes e percorresse a cidade, de modo a levar consigo todos os problemas: fome, doenças, crimes. No final era lapidado até à morte. Nalgumas cidades era atirado do alto de um precipício. Noutras, era apedrejado, mas podia fugir se sobrevivesse… Posteriormente, escolhia-se um escravo (será que os escolhiam pela largura das costas?) para ser chicoteado e expulso, concedendo-lhe, em consequência, a liberdade Herdámos da cultura grega, herdámos da cultura judaico-cristã. Cristo morreu pelos nossos pecados. No catolicismo, estes são perdoados pela confissão. Desresponsabilizámo-nos. Não há culpa para ninguém. Aliás, há, mas é dos outros!
E o único sítio onde sei que há culpas assumidas é… no cartório.
A aluna que deu a cara disse, chorosa, que não tinha ido consultar o resultado do exame (!!??) e, como se viu nas pautas do 12º, assumiu que tinha passado (não pôs sequer a hipótese de, também ali, estar condicional). Quando a secretaria finalizou os processos, informou-a de que estava no 11º, pois tinha reprovado nos exames.
E a culpa pairava… de quem era?
Não compreendo o que se passa ultimamente com este conceito… pelo que me é dado a perceber, a culpa nunca é nossa… ou é sempre nossa e assumimo-la mesmo quando não é, vitimando-nos («eu sei… a culpa é minha… se eu não tivesse feito… então não teria acontecido…»), perdendo assim o valor, por ser falsa, a assunção das responsabilidades.
Sim, porque o que me parece é que não se assume responsabilidade pelo que se faz.
O conceito do bode expiatório, presente no Antigo Testamento, onde um bode assumia as culpas dos cidadãos e era escorraçado da cidade para os libertar das faltas cometidas, existia na Grécia. Aí havia o costume de, a expensas da cidade, se alimentar um mendigo (ou um prisioneiro, ou um deficiente) durante um ano (por vezes, em caso de uma praga, dada a urgência, era o que estivesse mais à mão…), para que, numa cerimónia, fosse coberto por roupas solenes e percorresse a cidade, de modo a levar consigo todos os problemas: fome, doenças, crimes. No final era lapidado até à morte. Nalgumas cidades era atirado do alto de um precipício. Noutras, era apedrejado, mas podia fugir se sobrevivesse… Posteriormente, escolhia-se um escravo (será que os escolhiam pela largura das costas?) para ser chicoteado e expulso, concedendo-lhe, em consequência, a liberdade Herdámos da cultura grega, herdámos da cultura judaico-cristã. Cristo morreu pelos nossos pecados. No catolicismo, estes são perdoados pela confissão. Desresponsabilizámo-nos. Não há culpa para ninguém. Aliás, há, mas é dos outros!
E o único sítio onde sei que há culpas assumidas é… no cartório.






















