10 maio 2007

Regras gramaticais...


Na terça-feira, dia 8, ouvi Ivo de Castro no canal 2, num programa da Universidade Aberta. A propósito das regras gramaticais, este Professor Catedrático de Linguística referiu o largo espectro que medeia entre o erro e a forma mais elevada de expressão na Língua Portuguesa, referindo que essa forma é a usada pelos escritores. Mas logo, matreiro, contou uma anedota que nos põe a pensar...

Encontrando um dia o já clássico Augusto Abelaira, este confessou-lhe ter produzido um texto que, depois, ao ser relido, lhe levantou dúvidas quanto a uma determinada construção. Para sanar a questão, Abelaira fora consultar a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Sintra. Procurara e encontrara: a construção que estava a usar e da qual duvidara estava atestada na gramática, tendo como base o uso literário de um autor consagrado. Era esse autor... Augusto Abelaira!
Ivo de Castro relatou esta conversa a Celso Cunha que terá dito: «Se eu soubesse, não o tinha usado para aquele exemplo».
Quem faz as normas? As regras? As excepções?
Vou ter muito em que pensar nos próximos tempos...

09 maio 2007

Valor próprio

Se quiseres saber quanto vales não atendas aos teus rendimentos, à tua casa ou à tua posição social, olha sim para dentro de ti, em vez de, como agora, acreditares no valor que os outros te atribuem!

Séneca, Cartas a Lucílio, 80, 10.

08 maio 2007

(foi hoje)

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


(Eugénio de Andrade)

Na Taberna...

Hoje é dia de fazer um postal na Taberna dos Inconformados.
Convido-vos para um leite-creme!

07 maio 2007

Fecho da «Biblioteca Apostolica Vaticana» por três anos

(imagem do site da Vaticana)
Esta notícia que corre entre os classicistas (através de uma mailing list de paleógrafos) pode interessar àqueles que pensavam consultar, em breve, alguma obra nesta biblioteca:

«A brief email in order to spread the announcement put up at the Biblioteca Apostolica Vaticana last Friday.
In June 2007, the Biblioteca will close its doors for a period of three years.
However, this closing does not concern the Archivio Segreto Vaticano.
Please pass this announcement on to the persons who could be affected.»

Fui ao site da Vaticana, mas o botão «Information» da barra de ferramentas não funcionou, não podendo assim confirmar a notícia.
Passo, à confiança.

06 maio 2007

Ute Lemper: um espectáculo!


(imagem daqui)
Ontem fui ver Ute Lemper.
Ver... que verbo mais apropriado!
Quando vamos «ouvir» um músico ao vivo, costumamos dizer «fui ver». É verdade que vemos, mas em muitos casos isso acontece apenas porque estamos ali de olhos aberto, pois se os fechássemos pouco ou nada perderíamos.
Ontem não.
A Ute Lemper é um espectáculo!
Tinha-a visto num Festival de Edimburgo há muitos anos atrás, quando o seu repertório era mais... «clássico», digamos assim: mais Kurt Weil, menos Jazz.
Ontem adorei vê-la e ouvi-la! O modo como transita entre canções, o modo como muda a língua em que canta (ora francês, ora inglês, ora alemão... e até iídiche!), o modo como nos envolve na sua viagem, como ela define o espectáculo!
Durante hora e meia estive de olhos pregados naqueles músicos, a mexer-me na cadeira, balançando o corpo ao som dos ritmos que se produziam no palco, encolhendo-me nos momentos mais íntimos, rindo nas alturas de humor, assobiando «Die Moritar Von Mackin Messer», e batendo palmas desalmadamente!
Ela falava em viagem... será que é a isto que se chama uma «trip»?

04 maio 2007

Filosofia de iogurte

(surripiei a imagem daqui)
Li recentemente na tampa de um iogurte pendurada num frigorífico (não, não era colada nem tinha íman. Era mesmo pendurada! Com molas e tudo! E um dia destes ainda falo, precisamente, da filosofia de frigorífico...) uma frase assim parecida:
«É feliz aquele que se julga feliz»
Grande verdade. Ouve-se: «Não me amas. Apenas julgas que me amas». E eu pergunto: «Qual é a diferença?»
Em relação a muitas coisas, aquilo que achamos, a nossa opinião, não equivale à realidade: se eu achar que estou macérrima e o meu peso, segundo as tabelas da organização mundial de saúde, indicar que estou obesa, aquilo que eu acho não é a realidade. Mas, em muitos casos, principalmente no que respeita a sentimentos, a opinião equivale ao ser.
Deste modo, se acho que amo, então amo.
Faz-me lembrar Protágoras, quando diz que «cada coisa é para mim do modo que a mim me parece; por outro lado, é para ti do modo que a ti te parece»*.

É assim a filosofia do iogurte.

*(Platão, Teeteto, 152a, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005. Tradução minha)

03 maio 2007

Relendo Heródoto...

Adimanto, filho de Ócito, o comandante de Corinto, exclamou:
«Temístocles, nos concursos, os que partem antes do sinal ser dado são penalizados».
Ao que, em sua defesa, lhe respondeu o general ateniense:
«Mas os que ficam para trás não recebem a coroa da vitória».

Heródoto, 8. 59
(tradução de José Ribeiro Ferreira e Carmen Leal Soares para as edições 70)

27 abril 2007

Agora em Faro...

(tirei a foto daqui)
... podem ver O Amor dos Outros!
No Clube Farense, ali na rua de Santo António, até amanhã. Estejam lá às 21.30 e levem uma bebida para a mesa.
Fui ontem assitir pela segunda vez! Já
tinha visto em Olhão, mas a expectativa (estúpida, é verdade) de ver algo chocante (como me disseram que talvez fosse) não me deixou apreciar devidamente o espectáculo.
Desta vez «curti-o» de fio a pavio e reitero a belíssima interpretação do João Evaristo, na encenação de Paulo Moreira.
Um espectáculo que, de uma forma divertida, aborda sem preconceitos o amor... dos outros!

25 de Abril

Não me esqueci do 25 de Abril, claro! Apenas passei o dia em liberdade!

24 abril 2007

ensino/aprendizagem

Refugia-te em ti próprio quanto puderes; dá-te com aqueles que te possam tornar melhor, convive com aqueles que tu possas tornar melhores.
Há que usar de reciprocidade: enquanto se ensina aprende-se também.
Séneca, p.16

18 abril 2007

Estaremos embriagados?

Os corações mortais são mais rápidos a preferir um
ganho habilidoso do que um acto justo,
mesmo que depois fiquem
sóbrios.

Píndaro, Odes Píticas, Prime Books, Lisboa 2006. Tradução do grego e notas de António de Castro Caeiro.

17 abril 2007

A propósito da (não) lavagem do bule do chá...

Eu tinha-te dito que o bule não se lavava... aliás, eu nem a minha chávena lavo. Explico melhor: claro que lavo, mas sem detergente. Explico ainda melhor: tenho um bule e uma caneca aos quais dou este tratamento. Isto porque tomo sempre o mesmo tipo de chá por lá.
Quando vario, uso outro bule e outras chávenas...
Boa técnica, não é?
No outro dia não acreditaste em mim e, como não tinha argumento de autoridade para te convencer, andei à procura num livro...
Olha, vai ver a Taberna dos Inconformados!

15 abril 2007

Só?? Eles lá me conhecem...



You Are 52% Impulsive



You're quite impulsive, but you never are reckless.

You qualify as a very spontaneous person, but you still know how to honor your commitments.

And while responsibility doesn't come easy to you, having fun does!

13 abril 2007

Ai de quem estragar algum livro meu!

Estou a ler um livro interessante do Lionel Casson (que já conhecia do velho Ships and Seamanship in the Ancient World), de 2001, editado pela Yale University Press, intitulado Libraries in the Ancient World.
Na primeira parte, sobre a Mesopotâmia, Casson explica como estava organizada a biblioteca de Assurbanípal. E deu-me mais umas ideias para pragas a rogar a quem não devolve ou estraga livros emprestados!

Entre várias mais curtinhas e menos amedrontadoras, como
Aquele que receia Anu e Antu cuidará e respeitará estas tabuinhas
encontrei esta grande maldição (que, à falta de conhecimento de assírio, vai em inglês), na qual se percebe algumas técnicas dos ladrões de bibliotecas da época e a vantagem do politeísmo:


He who breaks this tablet or puts it in water or rubs it until you cannot recognize it [and] cannot make it be understood, may Ashur, Sin, Shamash, Adad and Ishtar, Bel, Nergal, Ishtar of Nineveh, Ishtar of Arbela, Ishtar of Bit Kidmurri, the gods of heaven and earth and the gods of Assyria, may all these curse him with a curse which cannot be relieved, terrible and merciless, as long as he lives, may they let his name, his seed, be carried off from the land, may they put his flesh in a dog's mouth!

E, mesmo assim, eles lá roubavam...

12 abril 2007

Tu dizes: voltarei...

Comprei em Nova Iorque um livro de postais intitulado «Poetry in Motion», editados por uma cooperação entre o New York City Transit e a Poetry Society of America, em 1996, numa iniciativa que decorou os autocarros daquela cidade com as palavras dos poetas.
Como cada poema não podia ser enviado para ser lido ao acaso por qualquer pessoa, uns ainda aqui estão, à espera do destinatário, outros já seguiram o seu caminho...

Komo to yu mo
Konu toki aru wo
Koji to yu wo
Komu to wa mataji
Koji to yu mono wo

You Say, "I Will Come"
And you do not come.
Now you say, "I will not come."
So I shall expect you.
Have I learned to understand you?


Lady Otomo No Sakanoe (séc. VIII).
Traduzido do Japonês por Kenneth Rexroth.

11 abril 2007

Finalmente! Um teste que não mente!

Destes testes é que eu gosto! Eh!Eh!Eh! Estou a ficar viciada! Principalmente quando (e porque) os resultados me agradam...



Your Dominant Intelligence is Linguistic Intelligence



You are excellent with words and language. You explain yourself well.
An elegant speaker, you can converse well with anyone on the fly.
You are also good at remembering information and convicing someone of your point of view.
A master of creative phrasing and unique words, you enjoy expanding your vocabulary.

You would make a fantastic poet, journalist, writer, teacher, lawyer, politician, or translator.