16 julho 2007
Estar vivo é o contrário de estar morto
13 julho 2007
Nota personalíssima
11 julho 2007
Nota pessoal
10 julho 2007
Dafne e Apolo
Febo está apaixonado. Ao ver Dafne, quer unir-se a ela. (…)
ela afasta-se, mais célere do que a leve brisa,
E não se detém às palavras do deus, que a chama : «Ninfa, rogo-te,
filha de Peneu, espera! Não te sigo como inimigo, espera, ninfa! (…)»
Febo vai falando, enquanto a filha de Peneu, assustada,
prossegue a sua corrida e o deixa a falar sozinho.
E ainda então lhe parecia bela. O vento desnudava-lhe o corpo (…)
Uma leve brisa repuxava-lhe os cabelos para as costas. (…)
O perseguidor, levado pelas asas do amor, é mais rápido, recusa o cansaço,
está já sobre a fugitiva, aspira-lhe o cabelo caído pelas costas.
Consumidas as forças, ela empalidece. Vencida pela canseira
de tão veloz fuga, olhando as águas do Peneu, grita: «Pai! Socorro!
Se é que vós, os rios, tendes algum poder divino, destrói
e transforma esta aparência pela qual agradei tanto.»
Mal havia acabado a prece, invade-lhe os membros pesado torpor,
seu elegante seio é envolvido numa fina casca, cresce-lhe a ramagem
no lugar dos cabelos e ramos no lugar dos braços. (…)
E Febo ainda a ama. Pousando-lhe no tronco a mão,
sente ainda o palpitar do coração sob a nova casca. (…)
Diz-lhe o deus: «Já que não podes ser minha mulher,
serás certamente a minha árvore. Estarás sempre, loureiro,
na minha cabeleira, na minha cítara e na minha aljava.
Acompanharás os generais do Lácio, quando alegres vozes entoarem
cantos de triunfo e o Capitólio vir à sua frente os longos cortejos (…).
Como a minha cabeça, de cabelos intonsos, mantém a juventude,
mantém tu também a glória de uma folhagem permanente.»
Ovídio, Metamorfoses, Livro I, 491-565. Tradução de Domingos Lucas Dias para a Vega, em 2006.
03 julho 2007
Fastidientis stomachi est multa degustare
Séneca não conta, pois não? Nem Ovídio, imagino... nem Platão... nem os policiais (adoro policiais, confesso. Ando sempre com um atrás. Estou na fase egípcia, acompanhando Amelia Peabody Emerson nas suas aventuras).
Fui ali à sala ver o que está na pilha dos «pego neles mais vezes a ver se acabo algum», porque esta época do calendário escolar não é muito dada a coisas recreativas. A pilha dos «quero mesmo ler, devem ser giros, estão aqui há mais de um mês e ainda não os abri» envergonha-me. Principalmente com o raspanete que Séneca me pregou no início deste postal.
Cá vão, então, os «a ver se acabo, porque até estou a gostar, só que não tenho tempo» (em próximos postais falarei de cada um deles, pois acho que merecem uma explicação):
- Alimentação e Sociedade na Antiguidade Clássica: aspectos simbólicos dos alimentos, de Peter Garnsey. Ed. Replicação, Lisboa, 2002;
- Religions de L'Antiquité, org. por Yves Lehmann, PUF, 1999;
- O longo caminho das mulheres, organizado por Lígia Amâncio et al., Publ. Dom Quixote, 2007;
- Everyday Things in Archaic Greece, de Marjorie e C.H.B. Quennell, Ed. B.T.Batsford, 1931;
- A Natural History of Latin, de Tore Janson, Oxford University Press, 2007 (a minha edição em paperback, que a outra é de 2004).
Agradeço ao Legendas & Etcaetera o pedido, que vou completar com comentários, como referi;
E também eu estou curiosa por saber o que lêem algumas pessoas. O Miguel tem uma lista no blogue, portanto, basta passar por lá para ver.
Ficam aqui cinco provocações:
Carneiro, do Oxiclista
José Bandeira, do Bandeira ao Vento
JS e Gregório Salvaterra, do Contador de Gaivotas
Marta, do Claras em Castelo
Tomás Vasques, do Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
01 julho 2007
As Mulheres no Parlamento (2)
BLÉFIRO: Mas, que é que ele disse, afinal?
CREMES: Logo para começar, qu és um cretino.
BLÉFIRO: E tu?
CREMES: Guarda essa pergunta para depois. E um ladrão.
BLÉFIRO: Só eu?
CREMES: Mais ainda, poça! E um bufo.
BLÉFIRO: Só eu?
CREMES: Tu, pois, (aponta para o público) e essa cambada toda que aí está!
BLÉFIRO: E quem diz o contrário?
CREMES: Que a mulher - dizia ele - é um modelo de bom-senso, que só traz fortuna. Que não anda por aí a badalar aos quatro ventos os mistérios das Tesmofórias, enquanto tu e eu, quando estamos no conselho, não fazemos outra coisa.
BLÉFIRO: Quanto a isso, verdade seja dita, não mentiu.
CREMES: Depois pôs-se a dizer que elas emprestam umas às outras roupa, jóias, louças, só lá entre elas, sem testemunhas; que devolvem tudo, ninguém fica defraudado como - eram palavras ele - é costume cá entre nós.
BLÉFIRO: Lá isso é, e com testemunhas e tudo!
CREMES: Nem se metem em denúncias, nem em processos, para derrubarem a democracia. Pelo contrário, foi um nunca acabar de elogios às virtudes femininas.
30 junho 2007
As Mulheres no Parlamento (1)
28 junho 2007
«Igualdade e desigualdade da participação dos cidadãos nas magistraturas»
Andando às voltas com a leitura da Política (como se percebe), encontro tanta coisa que gostaria de aqui apresentar, mas ficava com postais enormes de, apenas, citações de Aristóteles.
As suas análises dos diferentes regimes políticos, as suas subdivisões, as vantagens e desvantagens de cada um... enfim, interessante, muito interessante. Fica um cheirinho:
O maior bem é o fim visado pela ciência suprema entre todas, e a mais suprema de todas as ciências é o saber político. E o bem, em política, é a justiça que consiste no interesse comum. A opinião geral é de que a justiça consiste numa certa igualdade (...). Mas uma questão que não pode ser ignorada é saber em que consiste a igualdade e a desigualdade. Isto levanta uma dificuldade e implica uma filosofia política.
(...)
entre tocadores de flauta igualmente hábeis na sua arte, não seriam, de preferência os bem nascidos a ser dotados de flautas, pois não é o mais bem nascido que toca melhor; a quem desempenhar melhor o seu trabalho, deve ser dado o melhor instrumento.
(...)
a superioridade de riqueza e o bom nascimento deveriam contribuir para o desempenho dessa função, mas o facto é que não contribuem.
(...)
Sendo esta comensurabilidade impossível [comparar bens, como estatura e virtude, por exemplo], é evidente que, em questões políticas, torna-se razoável que a aspiração às magistraturas não se funde numa desigualdade qualquer. (...) a pretensão de magistraturas deve fundar-se nos elementos que compõem a cidade. É com razão que os bem nascidos, os livres e os ricos disputam as honras. Os que ocupam uma magistratura devem ser necessariamente livres e pagar impostos (uma cidade, com efeito, nunca poderia ser composta apenas por pobres e escravos). Mas se a riqueza e nascimento livre são elementos necessários, é evidente que também o são a justiça e o valor guerreiro sem os quais não é possível o governo da cidade.
Sem os dois primeiros elementos é impossível a existência da cidade, e sem os dois últimos é impossível a boa administração.
27 junho 2007
Tabernices III - Provocações: regimes políticos e sociedade
Gosto muito de ler os Antigos.
Porém, quando transcrevo passos dos clássicos, não está em causa a concordância com o que dizem, mas a minha constante admiração pelas questões que já então colocavam. Gosto das provocações que nos fazem, mas não os podemos encarar como regra nem lei!
Aqui vai uma provocação extraída da Política, de Aristóteles, em edição bilingue, traduzido por António Capelo Amaral e Carlos de Carvalho Gomes , editado pela Vega em 1998, com prefácio e revisão literária de R.M. Rosado Fernandes.
Assim, destina-se a ser governado por um rei o povo que, por natureza, produz uma família que, graças à sua virtude, dirige os assuntos políticos.
Destina-se ao regime aristocrático o povo que produz naturalmente um corpo de cidadãos capazes de serem governados como homens livres por chefes aptos, graças à sua virtude, para dirigir os negócios da cidade.
O povo destinado ao regime constitucional é aquele em que existe um corpo de indivíduos com capacidade militar, e que podem governar e serem governados conforme a lei que reparte as magistraturas entre cidadãos abastados e segundo as suas virtudes.
Aquando da primeira investigação sobre os regimes, sublinhámos que existiam três regimes rectos, a saber: realeza, aristocracia e regime constitucional, e que eram igualmente três os desvios em que podiam incorrer, a saber: a tirania como desvio da realeza, a oligarquia como perversão da aristocracia, e a democracia como perversão do regime constitucional.
26 junho 2007
Amigo
(foto daqui)25 junho 2007
Blogue com Grelos

23 junho 2007
Educação (Platão)
- Que quem é livre não deve aprender ciência alguma como uma escravatura. E que os esforços físicos, praticados à força, não causam mal algum ao corpo, ao passo que na alma não permanece nada que tenha entrado pela violência.
22 junho 2007
«Elas sou eu»
21 junho 2007
ginástica e alma - Séneca
(...) Pensa também que quanto mais volumoso for o corpo mais entravada e menos ágil se torna a alma. Por isso mesmo, limita quanto puderes o volume do teu corpo e dá o máximo espaço à tua alma!
19 junho 2007
ginástica e alma - Platão
- Será, efectivamente.
(República*, 376e. E depois de umas refutações, em 527b)
(...) a geometria é o conhecimento do que existe sempre.
-Portanto, meu caro, serviria para atrair a alma para a verdade e produzir o pensamento filosófico, que leva a começar a voltar o espírito para as alturas e não cá para baixo, como fazemos agora, sem dever.
*tradução de M.H. Rocha Pereira, para a Gulbenkian.
18 junho 2007
Prazer da velhice
Se a soubermos usar, a velhice é uma fonte de prazer.
Os frutos tornam-se mais agradáveis quando estão a ficar passados; é no seu termo que mais brilha a graça da infância; aos bebedores, o último copo é que dá mais prazer, aquele que culmina e dá o último impulso à embriaguez; aquilo que cada prazer tem de mais saboroso é guardado para o fim.
Séneca, Cartas a Lucílio, 12, 4-5.
Porto
Estou de visita rápida, rápida ao Porto. Vim matar saudades. Mas saio sempre daqui ainda mais saudosa...
16 junho 2007
15 junho 2007
Língua amarga...
A aspereza suscita o ódio e guerras cruéis.
Odiamos o falcão, pois vive sempre metido em guerras,
E os lobos, acostumados a atacar rebanhos amedrontados;
Mas vive livre das armadilhas dos homens, por ser mansa, a andorinha,
E a ave da Caónia* habita livremente as terras onde mora.
Longe daqui as contendas e os combates de uma língua amarga!
É de doces palavras que tem de sustentar-se a brandura do amor
* A pomba.
(Ovídio, Arte de Amar, II, 145-152)
14 junho 2007
Ovídio: exílio e poesia
2007. JUNHO. 21
Sala de sessões: Anfiteatro III / Fac. Letras / Lisboa
Programa:
09.30 - Abertura / Director do CEC - Ovídio: exílio, soledade e criação poética
10.00 - Aldo Luisi - La culpa silenda di Ovidio nel bimillenario dell’esilio.
10.45 - Nuno Júdice - Ovídio em português: exílios sem culpa
11.15 - Pausa / Café
11.45 - Carlos A. André - Ovídio no exílio: o poeta à defesa e a defesa do poeta
12.15 - Eduardo Vera Cruz - A pena de exílio no Direito Romano: a “relegatio”
12.45 - Discussão
13.00 - Almoço
15.30 - Paolo Fedeli - Ovídio leitor de Propércio: Amores
16.15 - Inês de Ornelas e Castro / Vanda Anastácio - Leitura de Ovídio na clausura: a Marquesa de Alorna
16.45 - Pausa / Café
17.15 - Ana Paula Correia - Episódios das Metamorfoses de Ovídio na azulejaria
18.00 - Cristina Santos Pinheiro - O paradigma da “orba mater” nas Metamorfoses
18.30 - Raul Rosado Fernandes - Ovídio, o poder imperial e as suas consequências
19.00 - Discussão
19.15 - Cristina Pimentel - Ovídio, em bimilenário: Síntese da Jornada Ovidiana


