Séneca não conta, pois não? Nem Ovídio, imagino... nem Platão... nem os policiais (adoro policiais, confesso. Ando sempre com um atrás. Estou na fase egípcia, acompanhando Amelia Peabody Emerson nas suas aventuras).
Fui ali à sala ver o que está na pilha dos «pego neles mais vezes a ver se acabo algum», porque esta época do calendário escolar não é muito dada a coisas recreativas. A pilha dos «quero mesmo ler, devem ser giros, estão aqui há mais de um mês e ainda não os abri» envergonha-me. Principalmente com o raspanete que Séneca me pregou no início deste postal.
Cá vão, então, os «a ver se acabo, porque até estou a gostar, só que não tenho tempo» (em próximos postais falarei de cada um deles, pois acho que merecem uma explicação):
- Alimentação e Sociedade na Antiguidade Clássica: aspectos simbólicos dos alimentos, de Peter Garnsey. Ed. Replicação, Lisboa, 2002;
- Religions de L'Antiquité, org. por Yves Lehmann, PUF, 1999;
- O longo caminho das mulheres, organizado por Lígia Amâncio et al., Publ. Dom Quixote, 2007;
- Everyday Things in Archaic Greece, de Marjorie e C.H.B. Quennell, Ed. B.T.Batsford, 1931;
- A Natural History of Latin, de Tore Janson, Oxford University Press, 2007 (a minha edição em paperback, que a outra é de 2004).
Agradeço ao Legendas & Etcaetera o pedido, que vou completar com comentários, como referi;
E também eu estou curiosa por saber o que lêem algumas pessoas. O Miguel tem uma lista no blogue, portanto, basta passar por lá para ver.
Ficam aqui cinco provocações:
Carneiro, do Oxiclista
José Bandeira, do Bandeira ao Vento
JS e Gregório Salvaterra, do Contador de Gaivotas
Marta, do Claras em Castelo
Tomás Vasques, do Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
03 julho 2007
Fastidientis stomachi est multa degustare
01 julho 2007
As Mulheres no Parlamento (2)
BLÉFIRO: Mas, que é que ele disse, afinal?
CREMES: Logo para começar, qu és um cretino.
BLÉFIRO: E tu?
CREMES: Guarda essa pergunta para depois. E um ladrão.
BLÉFIRO: Só eu?
CREMES: Mais ainda, poça! E um bufo.
BLÉFIRO: Só eu?
CREMES: Tu, pois, (aponta para o público) e essa cambada toda que aí está!
BLÉFIRO: E quem diz o contrário?
CREMES: Que a mulher - dizia ele - é um modelo de bom-senso, que só traz fortuna. Que não anda por aí a badalar aos quatro ventos os mistérios das Tesmofórias, enquanto tu e eu, quando estamos no conselho, não fazemos outra coisa.
BLÉFIRO: Quanto a isso, verdade seja dita, não mentiu.
CREMES: Depois pôs-se a dizer que elas emprestam umas às outras roupa, jóias, louças, só lá entre elas, sem testemunhas; que devolvem tudo, ninguém fica defraudado como - eram palavras ele - é costume cá entre nós.
BLÉFIRO: Lá isso é, e com testemunhas e tudo!
CREMES: Nem se metem em denúncias, nem em processos, para derrubarem a democracia. Pelo contrário, foi um nunca acabar de elogios às virtudes femininas.
30 junho 2007
As Mulheres no Parlamento (1)
28 junho 2007
«Igualdade e desigualdade da participação dos cidadãos nas magistraturas»
Andando às voltas com a leitura da Política (como se percebe), encontro tanta coisa que gostaria de aqui apresentar, mas ficava com postais enormes de, apenas, citações de Aristóteles.
As suas análises dos diferentes regimes políticos, as suas subdivisões, as vantagens e desvantagens de cada um... enfim, interessante, muito interessante. Fica um cheirinho:
O maior bem é o fim visado pela ciência suprema entre todas, e a mais suprema de todas as ciências é o saber político. E o bem, em política, é a justiça que consiste no interesse comum. A opinião geral é de que a justiça consiste numa certa igualdade (...). Mas uma questão que não pode ser ignorada é saber em que consiste a igualdade e a desigualdade. Isto levanta uma dificuldade e implica uma filosofia política.
(...)
entre tocadores de flauta igualmente hábeis na sua arte, não seriam, de preferência os bem nascidos a ser dotados de flautas, pois não é o mais bem nascido que toca melhor; a quem desempenhar melhor o seu trabalho, deve ser dado o melhor instrumento.
(...)
a superioridade de riqueza e o bom nascimento deveriam contribuir para o desempenho dessa função, mas o facto é que não contribuem.
(...)
Sendo esta comensurabilidade impossível [comparar bens, como estatura e virtude, por exemplo], é evidente que, em questões políticas, torna-se razoável que a aspiração às magistraturas não se funde numa desigualdade qualquer. (...) a pretensão de magistraturas deve fundar-se nos elementos que compõem a cidade. É com razão que os bem nascidos, os livres e os ricos disputam as honras. Os que ocupam uma magistratura devem ser necessariamente livres e pagar impostos (uma cidade, com efeito, nunca poderia ser composta apenas por pobres e escravos). Mas se a riqueza e nascimento livre são elementos necessários, é evidente que também o são a justiça e o valor guerreiro sem os quais não é possível o governo da cidade.
Sem os dois primeiros elementos é impossível a existência da cidade, e sem os dois últimos é impossível a boa administração.
27 junho 2007
Tabernices III - Provocações: regimes políticos e sociedade
Gosto muito de ler os Antigos.
Porém, quando transcrevo passos dos clássicos, não está em causa a concordância com o que dizem, mas a minha constante admiração pelas questões que já então colocavam. Gosto das provocações que nos fazem, mas não os podemos encarar como regra nem lei!
Aqui vai uma provocação extraída da Política, de Aristóteles, em edição bilingue, traduzido por António Capelo Amaral e Carlos de Carvalho Gomes , editado pela Vega em 1998, com prefácio e revisão literária de R.M. Rosado Fernandes.
Assim, destina-se a ser governado por um rei o povo que, por natureza, produz uma família que, graças à sua virtude, dirige os assuntos políticos.
Destina-se ao regime aristocrático o povo que produz naturalmente um corpo de cidadãos capazes de serem governados como homens livres por chefes aptos, graças à sua virtude, para dirigir os negócios da cidade.
O povo destinado ao regime constitucional é aquele em que existe um corpo de indivíduos com capacidade militar, e que podem governar e serem governados conforme a lei que reparte as magistraturas entre cidadãos abastados e segundo as suas virtudes.
Aquando da primeira investigação sobre os regimes, sublinhámos que existiam três regimes rectos, a saber: realeza, aristocracia e regime constitucional, e que eram igualmente três os desvios em que podiam incorrer, a saber: a tirania como desvio da realeza, a oligarquia como perversão da aristocracia, e a democracia como perversão do regime constitucional.
26 junho 2007
Amigo
(foto daqui)25 junho 2007
Blogue com Grelos

23 junho 2007
Educação (Platão)
- Que quem é livre não deve aprender ciência alguma como uma escravatura. E que os esforços físicos, praticados à força, não causam mal algum ao corpo, ao passo que na alma não permanece nada que tenha entrado pela violência.
22 junho 2007
«Elas sou eu»
21 junho 2007
ginástica e alma - Séneca
(...) Pensa também que quanto mais volumoso for o corpo mais entravada e menos ágil se torna a alma. Por isso mesmo, limita quanto puderes o volume do teu corpo e dá o máximo espaço à tua alma!
19 junho 2007
ginástica e alma - Platão
- Será, efectivamente.
(República*, 376e. E depois de umas refutações, em 527b)
(...) a geometria é o conhecimento do que existe sempre.
-Portanto, meu caro, serviria para atrair a alma para a verdade e produzir o pensamento filosófico, que leva a começar a voltar o espírito para as alturas e não cá para baixo, como fazemos agora, sem dever.
*tradução de M.H. Rocha Pereira, para a Gulbenkian.
18 junho 2007
Prazer da velhice
Se a soubermos usar, a velhice é uma fonte de prazer.
Os frutos tornam-se mais agradáveis quando estão a ficar passados; é no seu termo que mais brilha a graça da infância; aos bebedores, o último copo é que dá mais prazer, aquele que culmina e dá o último impulso à embriaguez; aquilo que cada prazer tem de mais saboroso é guardado para o fim.
Séneca, Cartas a Lucílio, 12, 4-5.
Porto
Estou de visita rápida, rápida ao Porto. Vim matar saudades. Mas saio sempre daqui ainda mais saudosa...
16 junho 2007
15 junho 2007
Língua amarga...
A aspereza suscita o ódio e guerras cruéis.
Odiamos o falcão, pois vive sempre metido em guerras,
E os lobos, acostumados a atacar rebanhos amedrontados;
Mas vive livre das armadilhas dos homens, por ser mansa, a andorinha,
E a ave da Caónia* habita livremente as terras onde mora.
Longe daqui as contendas e os combates de uma língua amarga!
É de doces palavras que tem de sustentar-se a brandura do amor
* A pomba.
(Ovídio, Arte de Amar, II, 145-152)
14 junho 2007
Ovídio: exílio e poesia
2007. JUNHO. 21
Sala de sessões: Anfiteatro III / Fac. Letras / Lisboa
Programa:
09.30 - Abertura / Director do CEC - Ovídio: exílio, soledade e criação poética
10.00 - Aldo Luisi - La culpa silenda di Ovidio nel bimillenario dell’esilio.
10.45 - Nuno Júdice - Ovídio em português: exílios sem culpa
11.15 - Pausa / Café
11.45 - Carlos A. André - Ovídio no exílio: o poeta à defesa e a defesa do poeta
12.15 - Eduardo Vera Cruz - A pena de exílio no Direito Romano: a “relegatio”
12.45 - Discussão
13.00 - Almoço
15.30 - Paolo Fedeli - Ovídio leitor de Propércio: Amores
16.15 - Inês de Ornelas e Castro / Vanda Anastácio - Leitura de Ovídio na clausura: a Marquesa de Alorna
16.45 - Pausa / Café
17.15 - Ana Paula Correia - Episódios das Metamorfoses de Ovídio na azulejaria
18.00 - Cristina Santos Pinheiro - O paradigma da “orba mater” nas Metamorfoses
18.30 - Raul Rosado Fernandes - Ovídio, o poder imperial e as suas consequências
19.00 - Discussão
19.15 - Cristina Pimentel - Ovídio, em bimilenário: Síntese da Jornada Ovidiana
13 junho 2007
Da beleza
e as pétalas das rosas com que se entretecem grinaldas murcham,
assim também o brilho que irradia da frescura do rosto
é arrebatado num momento e nenhum dia há que não
leve consigo um despojo do esbelto corpo.
A beleza é vantagem fugaz. Que sábio confia
num bem perecível? Enquanto podes, desfruta-o.
Séneca, Fedra, trad. de Ana Alexandra Alves de Sousa, para as Ed. 70.
12 junho 2007
11 junho 2007
Ir à terra... «indícios da minha velhice»
(a continuar)
Séneca, Cartas a Lucílio, 12, 1-4. Tradução de J.A. Segurado Campos, em edição da Fundação Calouste Gulbenkian.
06 junho 2007
Eros
que amolece os membros, e a todos os deuses e a todos os homens
sujeita no peito o entendimento e a vontade consciente.
Hesíodo, Teogonia, tradução de Ana Elias Pinheiro, na INCM.
05 junho 2007
04 junho 2007
Filosofia Antiga
01 junho 2007
de António Ramos Rosa
Não posso adiar
29 maio 2007
28 maio 2007
Quanto custa um acento agudo numa palavra grave?
É verdade!
E merece, pois então!
Foi neste semana, penso que na quinta-feira, no «Um contra todos», um programa no canal 1 da RTP, em que se pedia para identificar, quanto à acentuação, a palavras «automóvel».
Não me lembro quantos erraram, mas lembro-me que o jogador principal comprou a resposta, pois sentia-se inseguro. Se não o tivesse feito, escolheria «agudo». Como comprou, reduziu em cinquenta por cento o valor que já tinha, que ultrapassava os 10600 euros.
Estes valores são virtuais, portanto não o incomodaram. Nem os incomodou (a ele e ao apresentador) o facto de não saberem o nome dos acentos. Ainda comentaram que era difícil.
Difícil?
Se pedissem para acentuar, ainda vá: há muitas dúvidas sobre onde colocar o acento.
Mas identificar uma palavra já acentuada?
Bem, como não quero parecer presunçosa e como os acentos estão bem cotados no mercado (5300 euros é bom dinheiro por um tracinho), segue-se uma pequena explicação.
O acento de uma palavra não tem de ser gráfico. Todas as palavras têm uma sílaba tónica (aquela sobre a qual recai o tom, aprendíamos nós), mas muitas não precisam de a grafar.
E qual é a sílaba tónica? Costumo ensinar que é aquela que prolongamos quando temos de a chamar. Imaginamos que temos de chamar a palavra... palavra: palaaaaaaaaaaavra.
Pronto. Esta é a tónica! E é grave (ou paroxítona), porque é a penúltima (ou a segunda a contar do fim): pa-la-vra.
Não leva acento gráfico, porque os vocábulos portugueses são tendencialmente graves.
Já a palavra que estava em causa no jogo televisivo, «automóvel», sendo também grave , precisa de um acento (agudo - aquele que inclinamos para a direita), pois termina em -l.
Isto porque as palavras que terminam em l, n, r, x, bem como em a, e, o (abertos), i, u (com ou sem s), são naturalmente agudas.
Assim, não precisam de acento palavras como caril, cantar, funil, porque são agudas, mas já é necessário em fácil, éden ou carácter, que são graves.
Fico por aqui. 5300 euros já me dão um jeitão!
26 maio 2007
Meme
Na verdade, acho que costumo deixar aqui muitos, e por isso, é com todo o prazer que acrescento mais um:
Aquele qua nada conhece, nada ama.
Aquele que não é capaz de nada, nada compreende.
Aquele que nada compreende é inútil.
Mas aquele que compreende também ama, repara e vê. (...)
Quanto mais conhecimento existe de uma coisa, maior é o amor...
Quem imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo que os morangos não percebe nada de uvas.
Paracelso
(em epígrafe ao livro de Eric Fromm, de 1956, A Arte de Amar, publicado pela Pergaminho em 2002)
Como é suposto pedir «memes» a mais seis bloguistas, aqui vão uns amigos que sei que têm memes bons para nos dar:
Marta, do Claras em Castelo
Miguel, do Heart of Saturday Night
Sara, do Apenas Eu
Mirian, do A Mulher do Lado
Teresa, do Pedra sobre Pedra
Damularussa (Desculpa, mas não sei o teu nome, amiga!)
«Um "meme" é um "gene ou gene cultural" que envolve um conhecimento que é passado a outros contemporâneos ou aos descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins pela semelhança fonética com o termo "genes”. »
25 maio 2007
Herança Mediterrânica
... mas uma indisposição impediu-me.Se está perto de Cacela, vá até lá e diga que fica com a minha vaga, dado que as inscrições eram limitadas.
24 maio 2007
A virtude
Platão, Ménon, 99e
(Tradução de Ernesto Rodrigues Gomes, para GEC Publicações, em 1986)
22 maio 2007
E ela celebrava o dia dos meus anos
A 22 de Maio de 1952 morria a Adrianinha, minha irmã mais velha, a primeira filha que a minha mãe teve, em Outubro de 1946, um ano após o casamento (pós-guerra, Setembro de 1945).
Durante anos ela ia ao cemitério por flores.
Mais dois filhos. Mais dois mortos, à nascença.
Depois, chegámos «nós, os quatro macacos», como ela dizia a rir (os naturais do Bombarral são macacos, assim como os de Lisboa alfacinhas). O meu irmão João já partiu, vai fazer 5 anos. Restamos três.
Já tinha ela três filhos (seis partos), quando aos 42 anos engravida de novo. Foi o resultado das saudades de uma viagem a Itália com uma tia, opinava eu (para implicar com ela), durante a qual o meu pai e minha avó ficaram a tomar conta das crianças.
O fim do tempo era em Junho.
Maio aproxima-se.
Ela enerva-se: «E se nasce antes do tempo? E se nasce a 22 de Maio?»
22 de Maio era o dia da ida ao cemitério, de limpar e de pôr flores na campa da Adrianinha.
Nervos acumulados, preces «que ela não nasça a 22 de Maio, que ela não nasça a 22 de Maio», mas de nada serviu.
A 22 de Maio, mal o sol despontava, eu nascia!
Igual à outra.
Quanto ao nome, muitas indecisões. Está bem, que fique com o mesmo nome.
A grande diferença foram as idas ao cemitério que nunca mais se fizeram a 22 de Maio.
Nesse dia havia festa, prendinhas, amigos pela casa, muita alegria.
Conseguiu sempre esconder qualquer tristeza que lhe pudesse toldar os olhos, ocupada como estava a fazer os bolos e a assegurar-se de que a festa era sempre um sucesso.
Nesse dia ela celebrava o dia dos meus anos.
Parabéns à minha mãe!
(sim, é verdade, o título é inspirado em A. Campos)
21 maio 2007
Como citar a Bíblia
Nunca pensei um dia ter de ensinar como consultar e citar a Bíblia.Contudo, nas aulas de Matrizes Culturais Europeias, onde a Bíblia não pode deixar de ser um dos livros a ler (ou, pelo menos, a ir lendo) e a saber consultar, verifiquei que alguns alunos nunca tinham sequer aberto uma bíblia (não vou falar das implicações que isto tem no entendimento do mundo actual) nem, naturalmente, a sabiam consultar.
Ora bem, aqui já se disse como citar Platão, como citar poesia grega e latina (numa próxima segue-se «como citar Aristóteles») e agora temos «como citar a Bíblia».
20 maio 2007
Blogue do Cineclube de Faro

O filme foi às 18, o concerto às 21.30 (bem... às 22, pois a nossa querida Anabela Moutinho fez uma emocionada e emocionante introdução) e, no fim, tivemos um «rebuçado»: uma pequena rábula de teatro de fantoches, por um bonecreiro à antiga, que não quer deixar morrer Dom Roberto!
Lindo, lindo!
19 maio 2007
A beleza é um bem frágil...
A beleza é um bem frágil; à medida que vão avançando os anos,
Vai diminuindo e, por força da idade, vai murchando;
Não ficam todo o tempo em flor as violetas nem os lírios de pétalas abertas,
E a roseira, depois de cair a flor, enrijece os espinhos, que é o que lhe resta.
Também a ti, ó jovem esbelto, te hão-de chegar os cabelos brancos,
E logo virão as rugas sulcar-te o corpo.
17 maio 2007
Amizade bretã
Pour toi aussi, Gwen!
«Paul Eluard pour toi ce soir ... »
La Courbe de tes yeux
La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,
Un rond de danse et de douceur,
Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,
Et si je ne sais plus tout ce que j'ai vécu
C'est que tes yeux ne m'ont pas toujours vu.
Feuilles de jour et mousse de rosée,
Roseaux du vent, sourires parfumés,
Ailes couvrant le monde de lumière,
Bateaux chargés du ciel et de la mer,
Chasseurs des bruits et sources des couleurs,
Parfums éclos d'une couvée d'aurores
Qui gît toujours sur la paille des astres,
Comme le jour dépend de l'innocence
Le monde entier dépend de tes yeux purs
Et tout mon sang coule dans leurs regards.
15 maio 2007
Convencido, este Ovídio!
podem ser conquistadas; e vais conquistá-las; basta que estendas as redes.
Só está perdoado porque também escreveu isto...
14 maio 2007
Ícaro

(Sebastião Alba, A Noite Dividida, Lisboa, Assírio & Alvim, 1996)
10 maio 2007
Regras gramaticais...

09 maio 2007
Valor próprio
Séneca, Cartas a Lucílio, 80, 10.
08 maio 2007
(foi hoje)
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
(Eugénio de Andrade)
07 maio 2007
Fecho da «Biblioteca Apostolica Vaticana» por três anos
(imagem do site da Vaticana)06 maio 2007
Ute Lemper: um espectáculo!

Quando vamos «ouvir» um músico ao vivo, costumamos dizer «fui ver». É verdade que vemos, mas em muitos casos isso acontece apenas porque estamos ali de olhos aberto, pois se os fechássemos pouco ou nada perderíamos.
Durante hora e meia estive de olhos pregados naqueles músicos, a mexer-me na cadeira, balançando o corpo ao som dos ritmos que se produziam no palco, encolhendo-me nos momentos mais íntimos, rindo nas alturas de humor, assobiando «Die Moritar Von Mackin Messer», e batendo palmas desalmadamente!
Ela falava em viagem... será que é a isto que se chama uma «trip»?
04 maio 2007
Filosofia de iogurte
(surripiei a imagem daqui)03 maio 2007
Relendo Heródoto...
Adimanto, filho de Ócito, o comandante de Corinto, exclamou:«Temístocles, nos concursos, os que partem antes do sinal ser dado são penalizados».
29 abril 2007
28 abril 2007
Desafio..
Bandeira ao Vento
Combustões
Claras em Castelo
De Rerum Natura
Escrito a lápis
Heart of Saturday Night
Não compreendo as mulheres
Vontade Indómita
E há mais... isto é muito injusto...
*(bem... e eu sabia que havia uma razão para não ter seguido matemática...)
27 abril 2007
Agora em Faro...
(tirei a foto daqui)No Clube Farense, ali na rua de Santo António, até amanhã. Estejam lá às 21.30 e levem uma bebida para a mesa.
Fui ontem assitir pela segunda vez! Já tinha visto em Olhão, mas a expectativa (estúpida, é verdade) de ver algo chocante (como me disseram que talvez fosse) não me deixou apreciar devidamente o espectáculo.
Desta vez «curti-o» de fio a pavio e reitero a belíssima interpretação do João Evaristo, na encenação de Paulo Moreira.
24 abril 2007
ensino/aprendizagem
18 abril 2007
Estaremos embriagados?
Píndaro, Odes Píticas, Prime Books, Lisboa 2006. Tradução do grego e notas de António de Castro Caeiro.
17 abril 2007
A propósito da (não) lavagem do bule do chá...
Quando vario, uso outro bule e outras chávenas...
Boa técnica, não é?
15 abril 2007
Só?? Eles lá me conhecem...
You Are 52% Impulsive |
![]() You're quite impulsive, but you never are reckless. You qualify as a very spontaneous person, but you still know how to honor your commitments. And while responsibility doesn't come easy to you, having fun does! |
13 abril 2007
Ai de quem estragar algum livro meu!
Estou a ler um livro interessante do Lionel Casson (que já conhecia do velho Ships and Seamanship in the Ancient World), de 2001, editado pela Yale University Press, intitulado Libraries in the Ancient World.Na primeira parte, sobre a Mesopotâmia, Casson explica como estava organizada a biblioteca de Assurbanípal. E deu-me mais umas ideias para pragas a rogar a quem não devolve ou estraga livros emprestados!

E, mesmo assim, eles lá roubavam...
12 abril 2007
Tu dizes: voltarei...
Komo to yu mo
Konu toki aru wo
Koji to yu wo
Komu to wa mataji
Koji to yu mono wo
You Say, "I Will Come"
And you do not come.
Now you say, "I will not come."
So I shall expect you.
Have I learned to understand you?
Lady Otomo No Sakanoe (séc. VIII).
Traduzido do Japonês por Kenneth Rexroth.
11 abril 2007
Finalmente! Um teste que não mente!
|
![]() You are excellent with words and language. You explain yourself well. An elegant speaker, you can converse well with anyone on the fly. You are also good at remembering information and convicing someone of your point of view. A master of creative phrasing and unique words, you enjoy expanding your vocabulary. You would make a fantastic poet, journalist, writer, teacher, lawyer, politician, or translator. |
10 abril 2007
07 abril 2007
Eu bem sabia!
You Are a Realist |
![]() You don't see the glass as half empty or half full. You see what's exactly in the glass. You never try to make a bad situation seem better than it is... But you also never sabotage any good things you have going on. You are brutally honest in your assessments of situations - and this always seems to help you cope. |
04 abril 2007
Amizade...
03 abril 2007
Colecções
01 abril 2007
Perfeccionista?? Eu?
You Are 41% Perfectionist |
![]() No one would call you a perfectionist, but you definitely have a side of you that strives to be perfect. Try to see your mistakes as learning experiences, and don't be so hard on yourself when you screw up! |
29 março 2007
Não sou...
É bom vermos que temos perfil para muitas coisas!
| Your Career Personality: Brainy, Logical, and Efficient |
![]() Your Ideal Careers: Archeologist Astronomer Book editor Business manager Civil engineer Designer Economist Inventor Judge Scientist |
28 março 2007
Liberdade de expressão
Intuitiva, eu?
| You Are 44% Intuitive |
![]() Your intuition is often right, and you use it more than you may realize. Your gut feelings are usually a good guide, but you need more to go on when making a decision. You'll often check to see if the facts back up your feelings. And when your intuition is wrong, you work to improve it for the future. |
27 março 2007
Não tenham medo do particípio passado!
26 março 2007
Felizes os que acreditam...
| Your Personality is Somewhat Rare (ISFP) |
![]() Your personality type is caring, peaceful, artistic, and calm. Only about 7% of all people have your personality, including 8% of all women and 6% of all men You are Introverted, Sensing, Feeling, and Perceiving. |
25 março 2007
A brevidade da vida...
(...)
24 março 2007
Diz Séneca... sobre o tempo
Cartas a Lucílio, 49.2-3.










