21 outubro 2007

filósofo... ministro?

«a raça humana não cessará os seus males antes que a raça daquele que ama o saber correctamente e com verdade chegue ao poder governativo ou que aqueles que têm o poder nas cidades, através de uma intervenção divina, se dediquem realmente à filosofia.»

( Platão, Carta VII, 326b. Tradução minha)

18 outubro 2007

bebida e comida não chegam...

Muitos são os companheiros para bebida e comida,
mas para empreendimento sério já são poucos.

Teógnis
(Tradução de Frederico Lourenço no volume Poesia Grega, editado pela Cotovia)

13 outubro 2007

Parabéns, Mãe!

A minha mãe faz anos hoje e vamos reunir a família.
Deste núcleo, já não estamos todos, mas os que faltam estão connosco no coração.
As famílias são assim: crescem, multiplicam-se, uns vão, outros vêm.
Muitos beijinhos, Mãe!

11 outubro 2007

kylix...

A Xantipa, agradada, também não lhe vai dizer...


Beber muito vinho é mau. Mas se bebermos
sabiamente, não é mau, mas bom.


(Tradução de Frederico Lourenço no volume Poesia Grega, editado pela Cotovia)

10 outubro 2007

Mais vale descoser que rasgar...

Há também a infelicidade, muitas vezes inevitável, de ter de renunciar a uma amizade.
(...)
Tais amizades devem, pois, ser diluídas pelo afroixamento da convivência, e, como ouvi a Catão dizer, mais devemos descosê-las do que rasgá-las.
(...)
Há que fazer todo o esforço por evitar que haja discórdia entre amigos; mas, se algum incidente desse tipo surgir, há que mostrar que as amizades mais se extinguiram do que foram violentamente esmagadas.

Cícero, A Amizade, 1993, INIC, Lisboa. Tradução de Sebastião Tavares de Pinho.
(à minha amiga, que muito é vista, mostrando-se muito pouco...)

08 outubro 2007

Não ames com palavras...

Não ames com palavras, tendo noutro lado mente e coração,
se me amas e se fiel é a tua intenção.
Ama-me com mente pura, ou então rejeita-me
e odeia-me e opta pelo conflito aberto.

Teógnis, vv. 87-90. Tradução de Frederico Lourenço no volume Poesia Grega, editado pela Cotovia.

06 outubro 2007

Sobre um sonho que hoje tive...

A ele deu resposta a sensata Penélope:
«Estrangeiro, sabes bem que os sonhos são impossíveis
e confusos; nem sempre tudo se cumpre entre os homens.
São dois os portões dos sonhos destituídos de vigor:
um é feito de chifre; o outro de marfim.
Os sonhos que passam pelos portões de marfim talhado
são nocivos e trazem palavras que nunca se cumprem.
Mas os que saem cá para fora dos portões de chifre polido,
esses trazem coisas verdadeiras, quando um mortal os vê.

Homero, Odisseia XIX, 560-567. Tradução de Frederico Lourenço para a Cotovia.

04 outubro 2007

Dois anos é muito tempo...

Lembro-me muito dele. Quase todos os dias. Falávamos sobre isto, aquilo e aqueloutro. Discutíamos leituras e sentimentos. Tínhamos vidas tão diferentes e tão iguais.
Não é por fazer hoje dois anos que deixo aqui um dos seus poemas. É porque hoje me apetece. Porque hoje ele tem ocupado mais o meu espírito do que ontem. Não sei se também amanhã...

Hinos tardios

A BODY

This is a body disse
Em tom de aviso
E eu pensei que sabia
Da fragilidade da carne
Da força de certos medos
Fiz-me entendedor
De mil injustificados cuidados
Fazendo uso pois
Dos meus mais cuidadosos dedos
E afinal achei-me
perdido
num nunca mais acabar
de casas estreitas
Ah, no bairro do amor...
Tão labiríntico.
Ah, no baile do amor...
Animais mínimos somos sempre
E foi como insectos em nocturno ardor
que em cada botão se viram presos
de perfumes primaveris embriagados
os já ditos dedos. This is a body disse
E eu pensei que sabia
E afinal o aviso era
Só por aquilo que vestia.


Mais poemas aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e mais ligações para outros poemas.

02 outubro 2007

Na adversidade...

(...) ingenium res adversae nudare solent, celare secundae.
(...) as situações adversas costumam desvendar o talento, as propícias costumam escondê-lo.

Horácio, Sátiras, II, 5. 73-74

27 setembro 2007

«Disfarçar os defeitos»

A Arte de Amar, de Ovídio, está dividida em três livros, sendo os dois primeiros «dirigidos aos homens e o terceiro às mulheres. O primeiro visa, genericamente, ensinar o homem a seduzir a mulher; o segundo, a conservar o amor, depois de concluído, com êxito, o processo de sedução; o terceiro engloba o mesmo conjunto de ensinamentos, mas, desta feita, dirigidos à mulher.», diz Carlos André, autor da tradução publicada pela Cotovia.
Segue-se um excerto do livro III:

«Rara é a beleza que está livre de defeito; disfarça os defeitos
e, tanto quanto puderes, esconde as mazelas do teu corpo.
Se és pequena, senta-te, para, de pé, não pareceres sentada,
e estende-te, por pequena que sejas, no teu leito;
mesmo aí, para não poderem tirar-te a medida, quando estendida,
esconde os pés, lançando-lhes por cima o manto;
a que é delgada demais, vista roupa de pano grosso
e faça cair dos ombros um manto largueirão;
a que tem uma cor desmaiada traga no corpo riscados de púrpura;
se és morena em demasia, parte em busca da ajuda de tecidos de Faros;
o pé chato deve ficar sempre resguardado dentro de sapato branco e fino,
e pernas descarnadas não devem andar sem correias;
ficam bem pequenos chumaços em ombros altos;
à volta do peito raso deve sempre passar um corpete.
Deve acompanhar de gestos curtos tudo quanto disser aquela
que possui dedos gordos e unhas sujas;
a que tem mau hálito nunca fale em jejum
e guarde senpre distância do rosto do seu homem;
se tens dentes negros ou grandes ou tortos,
enorme é o teu prejuízo quando te rires.»
(261-280)

26 setembro 2007

Mais e mais!



Como eu confessei que gostava de flores, o meu amigo Oppugnatore enviou-me estas duas.
Obrigada!

25 setembro 2007

24 setembro 2007

Contra-senso (2)

Ao fugir do inimigo, Fânio matou-se a si próprio.
Isto, pergunto eu, não é uma loucura: para não morrer, morrer?

Marcial, Epigramas, Livro II, 80.
Tradução de José Luís Brandão para as Edições 70, em 2000, com introdução e notas de Cristina de Sousa Pimentel.

22 setembro 2007

Conselhos de Ovídio aos homens

Muitas vezes começa, porém, o fingidor a amar de verdade;

muitas vezes, aquilo que, no começo, simulara ser, veio a sê-lo mesmo.

Mais ainda por isso, ó mulheres, tornai-vos fáceis àqueles que fingem!

Há-de transformar-se em amor autêntico o que era, ainda agora, simulação.

É, então, hora de cativar o coração, sorrateiramente, com palavras meigas,

tal como a água corrente galga a ladeira da margem;

Não hesites em louvar-lhe o rosto, os cabelos

e os dedos esguios do pé delicado;

dá deleite, mesmo às mais castas, o pregão da sua beleza;

as donzelas cuidam da figura e ela dá-lhe prazer.

20 setembro 2007

Viciada? Eu?

Para os injustos e incompreensivos acusadores sem razão...
Vejam! Vejam como, afinal, não sou assim tãaaaao viciada!


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(Obrigada, André.)