04 fevereiro 2008

Guerra e Paz - resumo



Leão Tolstoi, Guerra e Paz, (1800 páginas).
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscovo. A rapariga casa-se com outro. Fim.

02 fevereiro 2008

Cataloguices

Gosto de visitar livrarias nos diversos sítios por onde passo: mesmo que pertençam a cadeias, como as FNAC, há uma organização diferente e deve haver escolhas de stock diferentes, pois encontro sempre coisas variadas nas lojas. Pode ser apenas impressão, mas isso leva-me a gostar muito de variar de livraria.

Estive na FNAC do Norte-Shopping. A secção de DVD pareceu-me maior e melhor do que qualquer uma de Lisboa ou Algarve. Quando vi a parte catalogada como cinema de autor entusiasmei-me. Há autores de quem gostava de saber o que já está em DVD. Começo a procurar... e a organização parece-me estranha... Em «N» encontro Tarkovsky, com Nostalgia (que já tenho); em «S» volto a encontrá-lo, com Solaris junto a Bergman (o Silêncio, pois). Perguntei a um funcionário o que se passava e ele confirmou o que eu temia: os filmes estavam organizados por títulos! Em «cinema de autor» esperaria encontrar a catalogação por autor. Mas não. Não faz sentido. Cataloguices!

01 fevereiro 2008

Em busca do tempo perdido - resumo

Mandaram-me o resumo de alguns livros. Para quem tem falta de tempo, aqui ficam as linhas gerais...

Marcel Proust. À Ia recherche du temps perdu. Paris, Gallimard.1922 (I.ere edition)

- À procura do tempo perdido. Livros do Brasil, Colecção Dois Mundos. 1965 (agora há a tradução do Pedro Tamen, da Relógio d'água).

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos e pronto.

28 janeiro 2008

Auriga (à descoberta - III)

O pulso fino a concisa mão divina dizem
O pensamento rápido e subtil como Athena
E a vontade sensível e serena:

A ti mesmo te guias como a teus cavalos

26 janeiro 2008

25 janeiro 2008

O Auriga

A nudez dos pés que o escultor modelou com amor e minúcia
Mostra a pura nudez do teu estar na terra.
A longa túnica em seu recto cair diz o austero
Aprumo de prumo da tua juventude
O pulso fino a concisa mão divina dizem
O pensamento rápido e subtil como Athena
E a vontade sensível e serena:
A ti mesmo te guias como a teus cavalos

Os beiços de seiva inchados como fruto
Dizem o teu amor da vida extasiado e grave
E sob as pestanas de bronze nos olhos de esmalte e de ónix
Fita-nos a tua paixão tranquila
O teu projecto
De em ti mesmo celebrares a ordem natural do divino
O número imanente.


Sophia de Mello Breyner Andresen

17 janeiro 2008

O que os deuses deram aos homens

Primeiro, levantando-nos do chão, fizeram-nos altos e erectos, para que pudéssemos, ao olhar o céu, tomar conhecimento dos deuses.

(www.hellenic-art.com/statues/ephibosantik.jpg)


Os homens não são meros residentes e habitantes da Terra, são sim como que quase os espectadores das regiões de cima e das coisas celestes (...).

(http://www.livius.org/ei-er/emperors/philippus_arabs.jpg)

Os sentidos, interpretes e mensageiros das coisas, foram criados e colocados na cabeça, como se de uma cidadela se tratasse, para assim cumprirem as funções que sejam necessárias.



( http://www.bluffton.edu/~sullivanm/italy/rome/capitolinemuseumone/constantinebronze.html)

Os olhos, na qualidade de observadores, ocupam o lugar mais elevado, para assim poderem ver mais coisas e melhor cumprirem a sua função.


(http://www.bluffton.edu/~sullivanm/italy/rome/capitolinemuseumone/constantinebronze.html)

Os ouvidos, cuja função é captar o som, foram não sem razão colocados na parte mais alta do corpo, pois a natureza leva o som sempre para cima.


O nariz, por seu turno, posto que também o cheiro vem sempre para cima, foi correctamente posto numa parte superior do corpo (...).

(Greek Statue, Metropolitan Museum of Art, New York City)

Já o paladar, cuja função é sentir aquilo que comemos, está naquela parte da boca onde a natureza abriu um caminho para a comida e bebida.

O tacto, por seu turno, está distribuído uniformemente por todo o corpo.

Cícero, Da Natureza dos Deuses, Vega, 2004. Tradução de Pedro Braga Falcão.

14 janeiro 2008

Hesíodo aconselha:

Não urines de pé, virado de frente para o sol:
desde que se ponha, recorda-o, e até que surja
não deves urinar na via ou ao lado dela, ao caminhar,
nem se estiveres nu. As noites pertencem aos Bem-Aventurados.
Sentado o faz um homem piedoso, que conhece a prudência,
ou enconstado a um muro de um pátio recolhido.
[Foi aqui que eles aprenderam...]
(...)
Nunca urines na foz dos rios que deslizam para o mar,
nem nas fontes deves urinar, mas de todo evitar tal coisa;
nem deves defecar nunca; tal não é vantajoso para ti.
[isto não aprenderam, pelo que se depreende pelas descargas de esgotos...]

Hesíodo, Trabalhos e Dias, INCM, Lisboa, 2005. Tradução de José Ribeiro Ferreira.

10 janeiro 2008

«Floripes ou a morte de um mito»


(imagem daqui)


Fui ao cinema ver o filme de Miguel Gonçalves Mendes, «Floripes ou a morte de um mito».
Que delícia! Misturando o documentário com a ficção, se alguma dúvida houvesse, o filme mostra-nos um Olhão mouro e encantado, em que o entoar dos pescadores (que percebemos mais tarde que é disso que se trata) se confunde com o do muezim (ou almuadem), conclamando-nos para quelas ruelas moçárabes, para orarmos ao Senhor dos Aflitos...
O humor do documentário proporciona umas boas gargalhadas, a ingenuidade da ficção enternurece-nos.
Não percam! No Fórum Algarve, às 18.20 e às 21h. Desconfio que será a última semana em cartaz...

(Veja um pouco do filme aqui)

08 janeiro 2008

Evolução semântica

A evolução semântica de algumas palavras do grego clássico para o moderno é muito interessante.
Vejamos παιδευω, que significava educar, e hoje significa, para além de educar e instruir, atormentar, incomodar, aborrecer.
Porque será?

02 janeiro 2008

O segundo dia do ano

O meu pai tinha coisas tão engraçadas!
Hoje era o dia em que me levava pela mão à estação de comboios para vermos passar o homem que tinha tantos olhos quantos dias tinha o ano...
E eu, de memória curta, lá ia, entusiasmada tentar ver essa proeza.
Mais tarde, acompanhei-o nessa aventura, levando os meu sobrinhos pela mão.
O meu pai tinha coisas tão engraçadas!

(publicado também na Taberna)

31 dezembro 2007

Último postal do ano - a qualidade da alma

Hoje é o dia (a noite, aliás) de fazermos uns desejos ao comer doze passas ao som das badaladas da meia-noite. Eu cá alinho em tudo: como passas, faço desejos, visto não-sei-o-quê azul, dobro uma perna, levanto um cotovelo, dou três pancadinhas na ponta do nariz do vizinho do lado, enfim, todas as maluqueiras que quiserem.
O importante é estar bem com quem se está. E se passasse sozinha também ia estar bem!
Fui passar um pouco da tarde com o meu Séneca e aqui vai mais um bocadinho de uma carta e os meus votos de um excelente 2008 para todos!

Deixemos de desejar aquilo que já algum dia quisemos. Eu, por minha parte, faço o possível por não ter em velho os desejos que tinha em garoto. Os meus dias e as minhas noites, os meus esforços e pensamentos têm como objectivo pôr termo aos meus antigos defeitos. Procedo de modo a que cada dia seja o equivalente de uma vida inteira; mas, Hércules me valha!, não me apresso a gozá-lo como se fosse o último, apenas o encaro como se pudesse ser de facto o meu último dia! (...) Estou preparado para partir, e assim gozo tanto mais a vida quanto menos me preocupa saber quanto tempo o futuro ainda me reserva.
(...)
Para que a vida seja suficiente, o que conta não são os anos nem os dias, mas a qualidade da alma.

Séneca, Cartas a Lucílio, 61 (sempre a mesma edição).

28 dezembro 2007

Quero... não quero...

A Gi desafiou-me a que dissesse uma coisa que eu quisesse receber este Natal e três que não quisesse. Como acho mal esta desigualdade, vou dizer três de cada:

Queria receber:

- a minha casa prontinha a habitar;
- muitos mimos;
- um computador que nunca desse problemas, que não necessitasse de actualizar nada e que se ligasse automaticamente à internet, da mais veloz que houvesse.

Não queria receber:

- CD's do Zé Cabra, da Ágata, do Emanuel, da Ffllorlibbella (nunca sei que consoantes é que o nome dela dobra) ...
- falsos amigos (já me bastam os linguísticos!)
- um mau livro!
E, leitura sugerida pela Calpúrnia, deixo aqui uma queixa de Catulo, a quem estragaram as Saturnais, época que corresponde a estas nossas das festas de Dezembro, precisamente por causa disso:

Ó grandes deuses, que livreco horroroso e execrável,
que tu próprio, evidentemente,
enviaste ao teu amigo Catulo,
nas Saturnais, no melhor dia,
para que ele morresse logo nesse dia.


Catulo, Carmina XIV, vv. 12-14

26 dezembro 2007

Muitos prodígios há; porém nenhum maior do que o homem

O caríssimo Broto ofereceu-me um dia uma prenda linda.
O que aqui lhe deixo não se lhe compara, mas é com boa vontade. Uma proposta, em Português, para o seu último postal.

Muitos prodígios há; porém nenhum maior do que o homem (1).
Este, com o tempestuoso vento do Sul, avança para lá do mar cinzento
e ultrapassa as grossas vagas que rugem à sua volta.
E cansa a infatigável Terra imortal,
a mais poderosa das divindades,
revolvendo-a com a raça dos cavalos,
de um lado para o outro com as charruas, ano após ano.
O homem muito hábil, enlaça a tribo de aves de voo ligeiro,
e leva, em redes bem tecidas a raça de animais selvagens e marinhos;
domina, com invenções engenhosas,
os animais dos campos que andam no mato;
e o cavalo de longas crinas é levado pelo jugo que lhe envolve o pescoço,
tal como o indomável touro montanhês.
Aprendeu a linguagem e o pensamento ágil,
os costumes civilizados,
e, pleno de expedientes,
aprendeu a fugir do gelo
e dos ataques da chuva importuna nos lugares descobertos
e que tornam difícil a permanência ao ar livre.
Não avança no futuro sem recursos.
Apenas ao Hades não poderá fugir;
no entanto, meditou com outros o modo de escapar
a doenças para as quais não havia recurso.
O saber engenhoso da sua habilidade inesperada pende
umas vezes para o mal, outras para o bem;
ocupa um lugar cimeiro na cidade,
confundindo as leis da terra e a justiça dos deuses,
confirmada por um juramento;
é indigno de viver na cidade se o mal se associa a ele,
devido à sua audácia.
Que não se sente no meu lar quem assim for nem seja meu amigo o que pratica tais acções!

Sófocles, Antígona, vv. 332-375

(1) A tradução deste passo é minha, se bem que a versão para Português do primeiro verso pertença a Maria Helena da Rocha Pereira, na sua edição da FCG.

25 dezembro 2007

...paulo maiora canamus.


E, precisamente durante o teu consulado, Polião, chegará
a glória de uma época, e os grandes meses começarão a avançar;
Sob a tua direcção, se permanecem alguns vestígios dos nossos crimes,
anulados, libertarão as terras do terror perpétuo.
Essa criança terá a vida dos deuses e verá
os heróis misturados com as divindades e ele próprio será visto por elas
e irá governar um mundo pacificado com as virtudes do seu pai.


Vergílio, Bucólica IV, vv. 11-15