10 fevereiro 2008

Já não me lembrava!


Como referi no 1º post sobre os resumos, estes foram-me enviados (por mail) e, como tal, o texto vai a castanho (penso que já todos perceberam que a castanho escrevo o texto de outros, a verde os textos da antiguidade e a azul os meus próprios textos. E, se cito, coloco aspas ou itálico, mesmo que a azul).

Contudo, a Bomba Inteligente teve a gentileza de me enviar a referência.
Aqui vai:

Os pequenos textos têm como autores Carlos Quevedo e Rui Zink, e foram publicados na Revista Kapa, em inícios da década de 90. Poderá encontrá-los no "Já não me lembrava".

Este livro de Carlos Quevedo pode ser adquirido em qualquer livraria perto de si ou aqui. Se tem textos da Kapa, deve ser muito divertido! Ainda guardo recortes da revista, do meu tempo de Funchal, dos princípios dos anos 90.
Já se está a ver que sou daquelas pessoas que guardam recortes de jornais e revistas, porque nunca se sabem quando podem vir a ser úteis e que um dia, por falta de espaço ou numa mudança, ou porque a gata fez xixi em cima, tem de deitar tudo fora.
O pior é que não aprendo.

08 fevereiro 2008

Novo Testamento - resumo

(versão audio, para quem não tem tempo)

Anónimo colectivo.
Novo Testamento (4 versões).

Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de pescadores. Por causa de um bufo, é preso e morre.

07 fevereiro 2008

Hamlet - resumo

William Shakespeare, Hamlet (qualquer edição).
(não resisto a colocar uma dedicatória neste resumo)

Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira, e morre, assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.

04 fevereiro 2008

Guerra e Paz - resumo



Leão Tolstoi, Guerra e Paz, (1800 páginas).
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscovo. A rapariga casa-se com outro. Fim.

02 fevereiro 2008

Cataloguices

Gosto de visitar livrarias nos diversos sítios por onde passo: mesmo que pertençam a cadeias, como as FNAC, há uma organização diferente e deve haver escolhas de stock diferentes, pois encontro sempre coisas variadas nas lojas. Pode ser apenas impressão, mas isso leva-me a gostar muito de variar de livraria.

Estive na FNAC do Norte-Shopping. A secção de DVD pareceu-me maior e melhor do que qualquer uma de Lisboa ou Algarve. Quando vi a parte catalogada como cinema de autor entusiasmei-me. Há autores de quem gostava de saber o que já está em DVD. Começo a procurar... e a organização parece-me estranha... Em «N» encontro Tarkovsky, com Nostalgia (que já tenho); em «S» volto a encontrá-lo, com Solaris junto a Bergman (o Silêncio, pois). Perguntei a um funcionário o que se passava e ele confirmou o que eu temia: os filmes estavam organizados por títulos! Em «cinema de autor» esperaria encontrar a catalogação por autor. Mas não. Não faz sentido. Cataloguices!

01 fevereiro 2008

Em busca do tempo perdido - resumo

Mandaram-me o resumo de alguns livros. Para quem tem falta de tempo, aqui ficam as linhas gerais...

Marcel Proust. À Ia recherche du temps perdu. Paris, Gallimard.1922 (I.ere edition)

- À procura do tempo perdido. Livros do Brasil, Colecção Dois Mundos. 1965 (agora há a tradução do Pedro Tamen, da Relógio d'água).

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos e pronto.

28 janeiro 2008

Auriga (à descoberta - III)

O pulso fino a concisa mão divina dizem
O pensamento rápido e subtil como Athena
E a vontade sensível e serena:

A ti mesmo te guias como a teus cavalos

26 janeiro 2008

25 janeiro 2008

O Auriga

A nudez dos pés que o escultor modelou com amor e minúcia
Mostra a pura nudez do teu estar na terra.
A longa túnica em seu recto cair diz o austero
Aprumo de prumo da tua juventude
O pulso fino a concisa mão divina dizem
O pensamento rápido e subtil como Athena
E a vontade sensível e serena:
A ti mesmo te guias como a teus cavalos

Os beiços de seiva inchados como fruto
Dizem o teu amor da vida extasiado e grave
E sob as pestanas de bronze nos olhos de esmalte e de ónix
Fita-nos a tua paixão tranquila
O teu projecto
De em ti mesmo celebrares a ordem natural do divino
O número imanente.


Sophia de Mello Breyner Andresen

17 janeiro 2008

O que os deuses deram aos homens

Primeiro, levantando-nos do chão, fizeram-nos altos e erectos, para que pudéssemos, ao olhar o céu, tomar conhecimento dos deuses.

(www.hellenic-art.com/statues/ephibosantik.jpg)


Os homens não são meros residentes e habitantes da Terra, são sim como que quase os espectadores das regiões de cima e das coisas celestes (...).

(http://www.livius.org/ei-er/emperors/philippus_arabs.jpg)

Os sentidos, interpretes e mensageiros das coisas, foram criados e colocados na cabeça, como se de uma cidadela se tratasse, para assim cumprirem as funções que sejam necessárias.



( http://www.bluffton.edu/~sullivanm/italy/rome/capitolinemuseumone/constantinebronze.html)

Os olhos, na qualidade de observadores, ocupam o lugar mais elevado, para assim poderem ver mais coisas e melhor cumprirem a sua função.


(http://www.bluffton.edu/~sullivanm/italy/rome/capitolinemuseumone/constantinebronze.html)

Os ouvidos, cuja função é captar o som, foram não sem razão colocados na parte mais alta do corpo, pois a natureza leva o som sempre para cima.


O nariz, por seu turno, posto que também o cheiro vem sempre para cima, foi correctamente posto numa parte superior do corpo (...).

(Greek Statue, Metropolitan Museum of Art, New York City)

Já o paladar, cuja função é sentir aquilo que comemos, está naquela parte da boca onde a natureza abriu um caminho para a comida e bebida.

O tacto, por seu turno, está distribuído uniformemente por todo o corpo.

Cícero, Da Natureza dos Deuses, Vega, 2004. Tradução de Pedro Braga Falcão.

14 janeiro 2008

Hesíodo aconselha:

Não urines de pé, virado de frente para o sol:
desde que se ponha, recorda-o, e até que surja
não deves urinar na via ou ao lado dela, ao caminhar,
nem se estiveres nu. As noites pertencem aos Bem-Aventurados.
Sentado o faz um homem piedoso, que conhece a prudência,
ou enconstado a um muro de um pátio recolhido.
[Foi aqui que eles aprenderam...]
(...)
Nunca urines na foz dos rios que deslizam para o mar,
nem nas fontes deves urinar, mas de todo evitar tal coisa;
nem deves defecar nunca; tal não é vantajoso para ti.
[isto não aprenderam, pelo que se depreende pelas descargas de esgotos...]

Hesíodo, Trabalhos e Dias, INCM, Lisboa, 2005. Tradução de José Ribeiro Ferreira.

10 janeiro 2008

«Floripes ou a morte de um mito»


(imagem daqui)


Fui ao cinema ver o filme de Miguel Gonçalves Mendes, «Floripes ou a morte de um mito».
Que delícia! Misturando o documentário com a ficção, se alguma dúvida houvesse, o filme mostra-nos um Olhão mouro e encantado, em que o entoar dos pescadores (que percebemos mais tarde que é disso que se trata) se confunde com o do muezim (ou almuadem), conclamando-nos para quelas ruelas moçárabes, para orarmos ao Senhor dos Aflitos...
O humor do documentário proporciona umas boas gargalhadas, a ingenuidade da ficção enternurece-nos.
Não percam! No Fórum Algarve, às 18.20 e às 21h. Desconfio que será a última semana em cartaz...

(Veja um pouco do filme aqui)

08 janeiro 2008

Evolução semântica

A evolução semântica de algumas palavras do grego clássico para o moderno é muito interessante.
Vejamos παιδευω, que significava educar, e hoje significa, para além de educar e instruir, atormentar, incomodar, aborrecer.
Porque será?

02 janeiro 2008

O segundo dia do ano

O meu pai tinha coisas tão engraçadas!
Hoje era o dia em que me levava pela mão à estação de comboios para vermos passar o homem que tinha tantos olhos quantos dias tinha o ano...
E eu, de memória curta, lá ia, entusiasmada tentar ver essa proeza.
Mais tarde, acompanhei-o nessa aventura, levando os meu sobrinhos pela mão.
O meu pai tinha coisas tão engraçadas!

(publicado também na Taberna)