24 março 2008

«tudo o que alguma vez quiseste saber sobre as (mal) chamadas lendas "urbanas", mas nunca ousaste perguntar» - Parte 1

Foi com estas palavras que o meu colega e amigo JJ introduziu o mail em que enviava uma entrevista que dera havia uns tempos a um jornal de Portimão, algo que eu já lhe andava a pedir há uns meses.
Este assunto das
lendas urbanas sempre me interessou, mas nunca o estudei a fundo. Porém, como verão na entrevista que deu ao Algarve 1,2,3 (publicado em três línguas), ele sabe muito disto e explica ainda melhor. Com a devida autorização do jornalista Bruno Filipe Pires, do suplemento Viva Algarve, desse mesmo jornal, aqui transcrevo na íntegra (inclusive partes que não chegaram a ser publicadas) a conversa que este manteve com o meu amigo JJ:

Às vezes, algures numa curva perto de Boliqueime, os noctívagos vindos de uma noite de diversão numa discoteca próxima avistam uma rapariga que pede boleia. Há quem jure que se trata de uma alma penada que desaparece misteriosamente de dentro do carro de quem pára para a levar. Outros juram que há quem acorde sem rins a esvair-se em sangue dentro de uma banheira cheia de gelo, depois de uma simples ida às compras numa cidade algarvia. Mentira? Realidade? O que é facto é que as chamadas lendas urbanas estão bem vivas e andam na boca de toda a gente. Qual a sua origem? Devemos ou não acreditar? O vivalgarve falou com Dias Marques (Lisboa, 1956), professor na Universidade do Algarve e um dos pioneiros em Portugal a estudar as chamadas “lendas urbanas”…

Lendas urbanas – realidade ou ficção?
Na sua opinião, o que é uma lenda urbana?

Isso é muito difícil de explicar. A terminologia de lenda urbana
é uma coisa que herdámos dos estudiosos de língua inglesa. Sobretudo dos estudiosos norte-americanos, que foram os primeiros a estudá-las. Inicialmente, os investigadores achavam que se tratavam de lendas recentes. E que provavelmente só existiam nas cidades. Outros autores chamam-lhes lendas modernas ou contemporâneas. No fundo, é a ideia de que são lendas diferentes das que existiam no passado.


Quando surge essa ideia?
Os primeiros artigos académicos apareceram nos Estados Unidos nos anos 1940. Os primeiros autores insistiam muito em que estas lendas eram coisas modernas. E que mostravam que a literatura oral estava viva. Ao contrário do que se pensava, a tradição oral continuava a nascer e precisava de ser estudada. Contudo, com o andamento dos estudos, determinados investigadores começaram a aperceber-se, que muitas destas lendas não são modernas. São sim a adaptação moderna de coisas muito antigas.

Dê-me um exemplo…
Por exemplo, a lenda da rapariga fantasma que pede boleia na
curva. É uma lenda que ficou conhecida como “The Vanishing Hitchhiker”. Foi uma das primeiras a ser estudadas, salvo erro em 1942. Nunca ninguém se tinha debruçado sobre aquela lenda. Na altura, as diferentes versões que os investigadores estudaram envolviam todas automóveis. Então, concluíram que aquela lenda era muito moderna e que só podia ter surgido depois da invenção do automóvel e da banalização do seu uso. Contudo, mais tarde, nos anos 80, surge um estudo que refere um manuscrito sueco de 1602, no qual está registado um subtipo desta lenda do fantasma que pede boleia. Mas admito que muitas destas lendas sejam de criação moderna…

Qual a diferença entre lendas e contos?
As lendas são narrativas, em prosa tal como os contos. Mas falam de uma coisa que o informante (a pessoa que conta) acredita que é verdade. Ou pelo menos, uma coisa sobre a qual o informante põe o problema da verdade. Por exemplo, quando alguém diz “vou-te contar uma coisa, para que quando passares pela curva da Kadoc não te aconteça nenhum problema. Se passares por lá e te aparecer uma rapariga a pedir boleia, não pares. É um fantasma”, e conta-o como se fosse um facto. Um primeiro grupo de pessoas acha que é uma coisa verdadeira. Um segundo grupo acha que eventualmente pode ser uma coisa verdadeira. E mesmo aqueles que não acreditam que há uma rapariga morta que pede boleia, ao não acreditarem, já colocam a questão da verdade. Nos contos, ninguém coloca a hipótese de o que se conta ser verdade. Por exemplo, ninguém diz “não acredito que tenha havido a Gata Borralheira” (“Cinderella”).

No Algarve, conta-se muito essa história da rapariga fantasma que pede boleia. É sempre associada a uma curva perto de uma discoteca em Boliqueime. Porquê?
Bem, as lendas são vistas pelos informadores como coisas
verdadeiras. Uma das estratégias para mostrar que são verdadeiras é ligá-las a um determinado lugar conhecido. Ao contrário dos contos, que se passam num lugar e num tempo indeterminado, as lendas associam-se a lugares, situações e contextos próximos das pessoas para criar verosimilhança. Esta lenda da curva da discoteca Kadoc conta-se em vários lugares de Portugal. Conta-se por exemplo, sobre um cemitério do Cairo. Conta-se, por exemplo, sobre uma localidade da Mongólia. Conta-se sobre vários cemitérios do Brasil…

Fale-me dessas versões.
Há versões que dizem que há um rapaz
que conhece uma rapariga num baile. No final, ele acompanha-a a casa. Está frio e ele empresta-lhe um casaco. No dia seguinte, o rapaz regressa à casa da rapariga onde a acompanhou para recuperar o casaco. Os familiares abrem-lhe a porta e dizem que ela morreu há muitos anos. O rapaz não acredita, e a família, para lhe provar, leva-o ao cemitério onde ela está enterrada. Em cima da campa, está o casaco. Este subtipo de “The Vanishing Hitchhiker” parece uma coisa muito diferente. Mas, no fundo, o fulcro é sempre o mesmo – existe um outro mundo. E existe comunicação desse outro mundo com este nosso. E daí, o encontro de um ser vivo com um ser morto, que é julgado pelo ser vivo como estando vivo. É uma ideia comum a ambos os subtipos desta lenda. Há sempre uma prova que o ser vivo esteve a falar com um fantasma: ou a rapariga desaparece de dentro do carro em andamento, ou há o casaco que ele lhe emprestou aparece sobre a campa.


(Estão a gostar? Ainda bem. Continua aqui. Os links no texto são da minha responsabilidade)

22 março 2008

Se eu fosse...

A sem-se-ver, que me crava a torto e a direito, mas é uma querida, levou-me a aceitar este desafio. Não passo a ninguém, porque dá uma trabalheira! Se alguém o quiser fazer, não deixa de ser um exercício giro. A maior parte dos «porque» que aqui apresento são desnecessários, pois Freud explicaria muito melhor que eu.

Se eu fosse um mês, seria… Maio. Por puro narcisismo, provavelmente, porque é o mês em que nasci.

Se eu fosse um dia da semana, seria... quarta-feira, porque gosto do equilíbrio que o meio da semana me traz.

Se eu fosse um número, seria… dois, aliás, vinte e dois. Parece pateta, eu sei, mas gosto dos dois patinhos... ah, claro, e por puro narcisismo, pois claro. Junte-se a Maio.

Se eu fosse uma flor, seria… um jarro. Porque é bonito, forte, cresce vertical e é resistente.

Se eu fosse uma direcção, seria… sempre em frente. Não há que enganar. What you see is what you get. Sempre em frente, não tem nada que enganar.

Se eu fosse um móvel, seria… um psiché. Porque me faz lembrar alma (psychê, em grego). Porque me lembro de ver a minha mãe reflectida no espelho enquanto me penteava em frente ao psiché do seu quarto.

Se eu fosse um líquido, seria… vinho tinto. Encorpado. Aveludado. Macio. Bom para acompanhar queijos fortes.

Se eu fosse um pecado, seria… a gula. Para mal dos meus pecados.

Se eu fosse uma pedra, seria… bruta, pronta para ser trabalhada.

Se eu fosse um metal, seria… titânio. Porque sim. Porque não percebo nada destas coisas e nos filmes é sempre um metal muito importante e potencialmente perigoso. E porque resiste à corrosão (entre as gentes, seria uma espécie de resistência à corrupção), mas não deixa de ser dúctil e fácil de trabalhar (uma espécie de bom feitio e conciliador).

Se eu fosse uma árvore, seria… um cedro (admitam que achavam que ia dizer nogueira)
. Porque é a árvore da minha infância. Um braço grosso aguentou o baloiço durante gerações. Um braço fino serviu de barra para a ginástica, o troco grosso (só abraçado por 3 pessoas) foi o coito no jogo das escondidas, foi o refúgio da apanhada. Hoje está velho, muito velho. Mas, como é árvore, morrerá de pé.

Se eu fosse uma fruta, seria… maçã. Porque vem desde o início dos tempos, porque comê-la traz conhecimento (é bíblico!), porque há muitas variedades (algumas até se chamam pêros), porque entra em histórias (como a Branca de Neve), mitos (o da Discórdia, no casamento de Tétis e Peleu), enfim, porque cheira bem e é bonita.

Se eu fosse um clima, seria… frio. Porque gosto de neve, porque é romântico (lareira, etc, etc), porque nos obriga a aconchegar a roupa. Ah, claro, e porque vivo no Algarve.

Se eu fosse um instrumento musical, seria... um
violoncelo. Porque devo isso à minha paciente professora, que teima em querer continuar a ensinar-me.

Se eu fosse um elemento, seria… ar.
Porque não se vê, mas sente-se, e não se aguenta mais que uns minutos sem ele.

Se eu fosse uma cor, seria… verde. Porque gosto muito. Porque me sinto bem vestida de verde. Porque faz ton sur ton com os olhos.

Se eu fosse um animal, seria... gato. Porque foi o primeiro animal de estimação que tive (e já tinha 30 anos feitos), porque são inteligentes, elegantes, ágeis, independentes e fofos, fofos, fofos.

Se eu fosse um som, seria… uma gargalhada.

Se eu fosse uma canção, seria… Quand on a que l'amour
, na voz do Brel, que tanto me emociona. Porque tem um verso que sigo como lema: «forcer le destin a chaque carrefour».

Se eu fosse um perfume, seria… Dior. Ou sabão amarelo. Estou na dúvida.

Se eu fosse um sentimento, seria… ternura.


Se eu fosse um livro, seria... uma biblioteca, porque não consigo escolher.

Se eu fosse uma comida, seria… queijo chèvre ligeiramente derretido, em cima de folhas de rúcula e decorado com fios de mel, nozes e tomates cereja.

Se eu fosse um cheiro, seria… café moído. Não gosto de café, mas adoro o cheirinho dos grãos acabados de moer.

Se eu fosse uma palavra, seria... livro.

Se eu fosse um verbo, seria… aprender, porque é o que mais gosto de fazer.

Se eu fosse um objecto, seria... um sofá muito confortável.

Se eu fosse uma peça de roupa, seria… um lenço de pescoço. Ou um cachecol. Tenho a garganta muito sensível. Numa noite do verão passado estive a conversar sem o lenço ao pescoço. Resultado: fiquei afónica durante uma semana.

Se eu fosse uma parte do corpo, seria… olhos. Porquê? Ora, porque é o que dizem que tenho de mais bonito (aliás, é o que dizem às pessoas que não têm mais nada que se possa elogiar, ou pensam que não sei? Eheheh)

Se eu fosse uma expressão, seria… «tenho uma teoria...»

Se eu fosse um desenho (animado ou por animar), seria… uma personagem de qualquer livro de José Carlos Fernandes, para poder dizer aquelas coisas que ele sabe e poder filosofar à vontade.

Se eu fosse um filme, seria… Tous les matins Du Monde, de Alain Corneau, porque foi decisivo na minha decisão estudar violoncelo (eu sei que no filme é viola da gamba, mas faz-se o que se pode).

Se eu fosse uma forma, seria… um círculo.

Se eu fosse uma estação, seria… de comboios. Porque gosto de viajar, de partir e de chegar. E porque gosto de comboios (ainda hesitei e pensei dizer «Primavera» ou «Inverno», mas os comboios levam-me para mais sítios).

Se eu fosse uma frase, seria…«quando é que isto acaba?»

21 março 2008

Pôr a Escrita em Noite


O Davi Reis, do Caderno de Corda vai lançar o seu livro de poesia «Pôr a Escrita em Noite», em Lisboa, no dia 29.
Não vou poder lá estar, mas, quem sabe, não virá ele fazer uma apresentação nos reinos do sul?

20 março 2008

Está quase!

Nos meus desejos para 2008 estava a mudança para a minha casa e era assim que ela estava em Dezembro.
Agora está quase pronta.
Daqui a pouco mais de uma hora faço a escritura de (mais um) empréstimo para a acabar.
Sete anos.
Não dizem que é número cabalístico?
Sete anos de peripécias que impediram a minha mudança.
Mas está para breve.
Estou muito contente e vim aqui partilhar convosco esta alegria.
Até logo!

17 março 2008

Fantástico!


No sábado, dia 8 de Março, a Universidade do Algarve recebeu vários convidados no segundo colóquio de psicanálise organizado pelo Departamento de Psicologia da FCHS e dirigido, tal como o anterior, pela Catarina Rebelo Neves, psicanalista.
Estiveram presentes e proporcionaram interessantes debates os psicanalistas Eduardo Sá, Frederico Pereira, Manuel de Matos e Nuno Torres.
Eduardo Sá, comunicador mediático, proporcionou alguns dos momentos mais hilariantes do encontro. Com muita graça, fez um apanhado da história da psicanálise e contou como, entre as muitas teses de doutoramento do séc. XIX que versaram a masturbação, uma delas enumerava os sintomas que faziam reconhecer essa actividade, nomeadamente as mãos suadas e outros sintomas do mesmo género. Ora esse investigador propunha uma cura: flocos de cereais ao pequeno-almoço. Chamava-se o dito senhor... Kellogs!

14 março 2008

Amor grego e homofobia


Na segunda-feira, dia 3, fui à Escola Secundária de Pinheiro e Rosa fazer uma palestra para os alunos de 12º ano, que organizaram, no âmbito da área projecto, actividades em torno da temática «Stop Homofobia».
«Amor Grego», chamou-se.
O objectivo não era defender nem atacar a prática da homossexualidade, mas apresentar um contexto histórico sobre o assunto.
Foi interessante mostrar que a relação entre eromenos (o amado) e erastes (o amante) nem sempre era de natureza sexual e que este tipo de relacionamento tinha regras específicas, primando pela contenção. Nada de grandes e ricos presentes, para que não se confundisse com pagamentos próprios da prostituição.
Interessante também a referência ao Batalhão Sagrado de Tebas, corpo de militares famoso, pois que era composto por pares de amantes: um sucesso de coragem e camaradagem.
Homofobia? Sempre houve. Como sempre houve outras fobias em relação ao que é difente.

12 março 2008

"netodepressão"

Peço desculpa a todos os amigos e leitores, mas tenho andado "netodeprimida"...
Não me tem apetecido ler o correio, muito menos responder e, por consequência (espero que se perceba a lógica da coisa), actualizar o blogue.
Mas isso já passou.
:)
Obrigada pelos mails de preocupação.
Beijinhos a todos!
Até já!

02 março 2008

parole, parole, parole

A Rosário do Divas e Contrabaixos acorrentou-me com palavras bonitas.

Aqui vão algumas palavras de que gosto:

amora - hummm... deve ser porque gosto de amoras silvestres... e porque é quase, quase amor.
Anfilófia e Genoveva - nomes pelos quais o meu pai me chamava para me fazer rir e que ainda me divertem.

bolota - porque é uma palavra redonda. Gosto de palavras redondas.
flor de murta - nome por que a uma senhora amiga me chamava em criança. Convencida, eu achava que devia ser uma flor muito bonita.



lamparina - é uma palavra divertida. Deve ser do «i».

patusco/patusca - porque é um adjectivo que acho muito... patusco.

plúmbeo - porque é mais escuro que o cinzento e é assim que vejo a cor do céu quando está carregadinho, carregadinho.

28 fevereiro 2008

Hera


«Hera com os seus súbitos»

Dá para fazer um jogo, do tipo «complete a frase»:

Hera com os seus súbitos... ataques de ciúme.
Hera com os seus súbitos... ataques de fúria.
Hera com os seus súbitos... esquemas de vingança.

Se bem que pode ter sido apenas um lapsus manus...

26 fevereiro 2008

Apanhei-te!


Não resisto! No outro dia vi-te no estacionamento do Fórum. Estavas com dois (ou duas?) cheios de correntes, malta da pesada! Nem me ladraste!

24 fevereiro 2008

Crenças...

«Há pessoas que são crentes em Deus (alguns países) e outras são crentes nos Deuses gregos, o que se pode verificar na Grécia e Roma».
(O que faço a isto? Às vezes rio, às vezes choro.)

22 fevereiro 2008

Odisseia - resumo (verdadeiro!)

Odisseia, de Andrei Konchalovsky

«A Odisseia, sendo um filme com grandes efeitos e cenas, foi muito famoso naquela e nesta altura.
Trata da viagem de um guerreiro, Odisseus, que enfrenta várias missões, arriscando a sua morte, sendo estas quase obstáculos que ele tem de ultrapassar para chegar à sua verdadeira casa. O filme engloba os deuses, os heróis e é quase um resumo de tudo o que diz respeito à história da Grécia.»

20 fevereiro 2008

Madame Bovary - resumo

Gustave Flaubert, Madame Bovary, (378 páginas).

Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa. Envenena-se e morre.

13 fevereiro 2008

Logopoioi - os fazedores de discursos

No programa Câmara Clara do passado domingo, a propósito das eleições nos EUA, foram referidos os speechmakers. Lembro-me de os ver em actuação na série West Wing (Os Homens do Presidente), com Richard Schiff a fazer de Toby Ziegler, o escritor dos discursos do presidente.
Não é coisa de agora, inventada por americanos.
Desde há muito que houve quem escrevesse para outros, pois nem sempre o que tem capacidades oratórias tem a capacidade de construir o discurso necessário para as ocasiões e vice-versa.
No final do Eutidemo, de Platão, há uma referência a essa actividade.
Sócrates analisa a actividade dos logógrafos (aqueles que escrevem discursos) que desdenham a filosofia e afirma que eles pensam que, estando entre o filósofo e o estadista, «participam de ambas as actividades na porção necessária» (305d); mas depois sistematiza o que eles de facto são, a saber, inferiores tanto à filosofia como à prática política, apresentando três possibilidades:
[1]- o que participa de duas coisas, uma composta de bem e outra de mal, é inferior a uma e superior a outra;
[2]- o que participa de dois bens com fins diferentes é inferior a ambos;
[3]- o que que participa de dois males com fins diferentes, é superior a cada um desses males.
Depois desta generalização Sócrates passa à aplicação ao caso que analisa:
1- se a filosofia e a prática política são bens com fins diferentes, então os logógrafos são inferiores a ambas (cf.supra [2]);
2- se a filosofia e a prática política são um bem e um mal, então estes homens «são superiores a uma e inferiores a outra» (cf. supra [1]);
3- se a filosofia e a prática política são ambas males, então o logógrafo é superior a ambas.

Como esta terceira possibilidade é logo inviabilizada, Sócrates conclui que os construtores de discursos «são inferiores às duas» naquilo em que cada uma se distingue.
Hoje em dia talvez não seja assim... afinal, nem estamos a falar de filosofia...

11 fevereiro 2008

Os Lusíadas - resumo



Luís de Camões, Os Lusíadas (várias edições), versão de João de Barros.



Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.

10 fevereiro 2008

Já não me lembrava!


Como referi no 1º post sobre os resumos, estes foram-me enviados (por mail) e, como tal, o texto vai a castanho (penso que já todos perceberam que a castanho escrevo o texto de outros, a verde os textos da antiguidade e a azul os meus próprios textos. E, se cito, coloco aspas ou itálico, mesmo que a azul).

Contudo, a Bomba Inteligente teve a gentileza de me enviar a referência.
Aqui vai:

Os pequenos textos têm como autores Carlos Quevedo e Rui Zink, e foram publicados na Revista Kapa, em inícios da década de 90. Poderá encontrá-los no "Já não me lembrava".

Este livro de Carlos Quevedo pode ser adquirido em qualquer livraria perto de si ou aqui. Se tem textos da Kapa, deve ser muito divertido! Ainda guardo recortes da revista, do meu tempo de Funchal, dos princípios dos anos 90.
Já se está a ver que sou daquelas pessoas que guardam recortes de jornais e revistas, porque nunca se sabem quando podem vir a ser úteis e que um dia, por falta de espaço ou numa mudança, ou porque a gata fez xixi em cima, tem de deitar tudo fora.
O pior é que não aprendo.

08 fevereiro 2008

Novo Testamento - resumo

(versão audio, para quem não tem tempo)

Anónimo colectivo.
Novo Testamento (4 versões).

Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de pescadores. Por causa de um bufo, é preso e morre.

07 fevereiro 2008

Hamlet - resumo

William Shakespeare, Hamlet (qualquer edição).
(não resisto a colocar uma dedicatória neste resumo)

Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira, e morre, assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.