13 abril 2008

(no prazo)

Esta foi a prenda do meu iogurte (que, surpreendentemente para quem me conhece, está dentro do prazo de validade. É que estou em casa da mãe...)

09 abril 2008

Resta a Esperança

(imagem daqui)
Antes de facto habitava sobre a terra a raça dos homens,
a resguardo de males, sem a penosa fadiga

e sem dolorosas doenças que aos homens trazem a morte.

Mas a mulher, levantando com a mão a grande tampa da jarra,

dispersou-os e ocasionou aos mortais penosas fadigas.

E ali só a Esperança permaneceu em morada indestrutível

dentro das bordas, sem passar a boca nem para fora
sair, porque antes já ela colocara a tampa na jarra,
por vontade do deus da égide, Zeus que amontoa as nuvens.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 90-99. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

07 abril 2008

Não aceites dons de Zeus!

Em seguida, concluído o engano difícil e sem remédio,
até Epimeteu envia o Pai dos numes o ilustre Argeifonte,
arauto veloz dos deuses, a levar a dádiva; e Epimeteu

não se recordou de que Prometeu lhe dissera para
nunca
aceitar qualquer dom vindo de Zeus Olímpico,
mas lho mandasse
de volta, para que não viesse qualquer mal aos homens:
só depois de o ter recebido, quando já tinha o mal, se deu conta.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 83-89. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

03 abril 2008

A Sombra do Tempo

Tapete Mágico

As ondas vão e vêm, mas o mar é o mesmo. É o que acontece com um clube de teatro escolar. Os alunos vêm, criam laços e depois partem. Tem sido assim ao longo de 12 anos de trabalho sistemático, sem interrupções. Às vezes, mais do que uma produção por ano. Uns anos são 20, outros apenas 3. Mas o Teatro faz-se com a emoção e o saber do momento, independentemente do número. Obrigada aos que por cá passaram. As viagens continuam para quem fica.


No dia 3 o espectáculo terá início às 21h30 e os bilhetes terão o preço de 5€, com desconto para estudantes e maiores de 65 anos.
No dia 4, o espectáculo é destinado ao público escolar, pelo que o bilhete terá o preço único de 2€ (com entrada gratuita para os professores acompanhantes).
O grupo gostaria muito de contar com a vossa presença nesta etapa, que para alguns dos participantes, será a despedida depois de um cíclo de 3 anos.

Ana Cristina Oliveira


A Ana Cristina é a alma deste grupo de teatro escolar e uma mulher que nunca se cansa de fazer coisas!

Faz anos hoje, o meu sobrinho

Foi assim... pequenino...
Parabéns, J.F.

Pandora, de seu nome

De imediato modelou com terra o ilustre Argeifonte
uma imagem de virgem casta, como vontade do Crónida.

Cinge-lhe a cintura e embeleza-a a deusa Atena de olhos garços.

As divinas Graças e a veneranda Persuasão

envolveram-lhe o colo com colares de ouro e em sua volta

as Horas de formosa cabeleira coroaram-na de flores primaveris.

Todo o tipo de adornos a seu corpo ajustou Palas Atena.

E em seu peito incutiu o mensageiro Argeifonte

mentiras, palavras sedutoras e carácter volúvel,

por vontade de Zeus tonitruante. Insuflou-lhe voz

o arauto dos deuses e deu a esta mulher o nome

de Pandora, porque todos os habitantes das mansões do Olimpo

doaram a dádiva, ruína para os homens comedores de pão.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 70-82. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

02 abril 2008

who dares to take the chance of no return

(imagem minha)
Where have you been?
Where are you going to?

I want to know what is new
I want to go with you

What have you seen?

What do you know that is new?

Where are you going to?

Because I want to go with you

01 abril 2008

cachorrinhos bebés


A cadelinha que encontrei a morrer de fome, há quase um ano (a Natacha), e que adoptei, teve 7 cachorrinhos.
Daqui a um mês estes bebés (com horas de vida na foto) já poderão ser, por sua vez, adoptados (nasceram anteontem).
Alguém se propõe a ficar com algum deles? Não sei ainda o sexo, mas sei que são lindos!

31 março 2008

Dor d'alma (outra)

«Esta imagem simboliza uma personagem da mitologia greco-latina, pois eu li que havia uma figura que era constituída por partes de animais diferentes e que pertencia a esta mitologia»

30 março 2008

feita de terra amassada


Ordenou ao ínclito Hefestos que o mais lesto possível
amassasse terra com água, nela infundisse voz humana
e vigor e que, semelhante às deusas imortais no aspecto, modelasse
bela e encantadora figura de donzela. Em seguida, incumbiu Atena
de lhe ensinar as artes e a tecer a tela de muitos ornamentos;
a áurea Afrodite de lhe derramar a graça em torno da cabeça
e o desejo irresistível e os cuidados que devoram os membros.
De nela incutir cínica inteligência e carácter volúvel

encarregou Hermes, o mensageiro Argeifonte.
Assim falou e eles obedeceram a Zeus Crónida e senhor.


Hesíodo, Trabalhos e Dias, 60-69. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

29 março 2008

Parabéns do Carlos para o Fernando

(foto daqui)
Mensagem acabada de receber, no meu telemóvel, da parte do meu irmão, fã confesso de Fernando Tordo:

«A 29 de março de 1948 nasceu no Bairro da Graça em Lisboa, na rua Feio Terenas, um menino com quase 5 quilos de peso ao qual foi dado o nome de Fernando Travassos Tordo. 60 anos depois com muita música e palavras à mistura, aqui estou eu, Carlos Nogueira, para lhe desejar muitos parabéns e que venham mais 60!»

28 março 2008

a pena dos homens futuros...

«Filho de Jápeto, conhecedor dos pensamentos entre todos,
alegras-te por teres roubado o fogo e enganado o meu espírito,
mas para ti em pessoa será grande pena e para os homens futuros.
Em vez do fogo, dar-lhes-ei um mal com que todos
se vão regozijar em seu coração, ao rodear de amor o mal.»
Assim falou, e riu-se o pai dos homens e dos deuses.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 54-58. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

26 março 2008

Heraclito


Hoje estou numa de Heraclito.
Comprei recentemente a tradução de Alexandre Costa para a INCM (uma edição de Novembro de 2005 que me escapara) e tenho andado a fragmentar-me na leitura.

A conhecidíssima ideia heraclitiana de

«Não é possível entrar duas vezes no mesmo rio» (L)

aparece mais gira em

«Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos» (XLIX)

ou ainda aqui:

«O mesmo é vivo e morto, acordado e adormecido, novo e velho: pois estes, modificando-se, são aqueles e, novamente, aqueles, modificando-se, são estes.» (XLII)

25 março 2008

«tudo o que alguma vez quiseste saber sobre as (mal) chamadas lendas "urbanas", mas nunca ousaste perguntar» - Parte 2 e última

Continua a entrevista, completa, de Bruno Pires (que também também é o autor das fotos) a JJ:

Outras das lendas a circular recentemente, dá conta que há raptos de pessoas nas lojas chinesas para lhes tirarem os órgãos...
Sim, aqui há coisa de uns dois anos, correu imenso a lenda de que havia o rapto de pessoas nas lojas chinesas para tráfico de órgãos. Isso é uma lenda viva, são coisas que as pessoas contam muito. Há uma colega aqui da faculdade, uma professora, que ouviu contar a lenda à mãe (que é enfermeira), para ter cuidado com essas lojas de Loulé porque houve uma pessoa que foi raptada aí. Às vezes, há a ideia de que estas lendas são contadas por pessoas novas e muito crédulas, ou então, velhas e de pouco discernimento. Não é verdade. As lendas são contadas por gente de todas as idades e níveis de instrução e são coisas que estão verdadeiramente vivas na nossa sociedade.

Esta lenda é nova?
Parece uma coisa recente, mas não é. Esta ideia de que há um grupo de pessoas, normalmente estrangeiros, que rapta gente para lhes tirar os órgãos em seu
benefício está registada pelo menos desde o século XVIII. Em Lyon, França, houve uma revolta das pessoas mais pobres da cidade que invadiram a faculdade de medicina, porque se dizia que os cirurgiões raptavam crianças para as dissecarem. E, segundo outra versão, dizia-se que lá dentro vivia um príncipe a quem faltava um braço. Então, todas as noites raptavam uma criança na esperança de arranjarem um braço que servisse. Claro, que em ambas, os maus são pessoas de uma classe superior, gente tão estranha que é quase estrangeira, e da qual se pode esperar tudo, exactamente como agora no caso das versões sobre as lojas chinesas. O que é de facto impressionante é que no século XVIII era impossível fazer transplantes, mas as pessoas acreditavam. Esta lenda conta-se, por exemplo, relativamente à América do Sul. Contou-se há anos relativamente a Moçambique.


A Internet também é campo fértil para este mitos...
A transmissão da literatura oral por via escrita não é uma coisa
recente, nem pouco mais ou menos. Os impressores que publicavam as primeiras edições de livros no século XV já publicavam folhetos com textos de origem oral. Portanto, isso é velho como a imprensa.Claro que no passado, antes de uma lenda como esta do roubo de órgãos humanos chegar a outro continente, teria que passar muito tempo. Hoje basta carregar num botão. E há realmente muitas lendas a circular na Internet, enviadas por e-mail, que são apresentadas como um facto.

Porque é que estas lendas surgem?

Porque interessam às pessoas, têm a ver com as suas ideias, os seus medos. Já no império Romano se contava que os Cristãos raptavam crianças para lhes tirarem o sangue para os seus ritos. Mais tarde, na Idade Média, os Cristãos diziam o mesmo em relação ao Judeus. E isto tem claramente a ver com a lenda do roubo de órgãos. Acho que estas lendas nunca morrem. Estão cá sempre. Nalguns casos é difícil perceber porque é que estas lendas voltam a ser contadas. Noutros casos, como o roubo dos órgãos nas lojas dos chineses, tem a ver com o medo do outro, que é universal - é a reacção ao aparecimento duma vaga de lojas de que as pessoas desconfiam, por serem coisa nova, de estrangeiros, e se dizer que são más para as lojas dos portugueses.

Mas no mundo moderno, informado e globalizado de hoje é difícil acreditar que se dê credibilidade a estas coisas, ou não?
Acho que muitas das coisas que se dizem sobre a globalização são
ditas sem reflexão histórica. Hoje diz-se que as crianças só querem pizzas e hambúrgueres e videojogos americanos, e que ninguém liga às nossas tradições. Bom, já pensou que o cristianismo, algo tão ligado à tradição europeia, é uma religião oriental? Nasceu no Oriente, difundiu-se na Europa através dos Romanos e veio abafar todos os deuses que existiam nos países europeus. Essa substituição foi de tal maneira forte que nós hoje, pouco ou nada sabemos sobre a religião dos nossos antepassados Lusitanos. Sabemos o nome de um ou dois deuses, mais nada. Mais nada. Portanto esta ideia de que a globalização é uma coisa digital, dos dias de hoje, não é verdade.


Mas como é possível que as pessoas acreditem neste tipo de coisas?
Bem, essa questão que me coloca é fruto de teorias filosóficas que,
penso, não são anteriores ao século XVIII e ao Iluminismo. Era a ideia de que a instrução muda as pessoas. Ensinando as ciências, factos, as coisas positivas (que se podem experimentar), as pessoas iriam recusar tudo o que é sobrenatural. No século XVIII, acreditava-se que a Humanidade vivia um estádio intermédio em que os pouco instruídos ainda estavam muito ligados ao sobrenatural, mas que as elites instruídas, sobretudo republicanos e anticlericais, já tinham ultrapassado essa fase. E acreditavam que, no futuro, a religião desapareceria porque não faz sentido e todas as coisas se explicam pela ciência. A verdade é que isto não é assim. Aquilo que os factos provam, é que a esmagadora maioria da população ocidental não chegou a esse estado previsto pelos positivistas. Repare, hoje em dia está na moda o New Age, e tudo aquilo que tem a ver com as antigas filosofias orientais está vivíssimo. E não apenas entre o povo, mas pelo contrário nas classes médias e altas. Repare, na Rússia, ao fim de anos e anos de anti-religião, quando o regime caiu, as igrejas encheram-se de novo.


Então, acha que o sobrenatural há-de acompanhar sempre a espécie humana?
Chamemos-lhe o irracional. Acho que sim. Acho que faz parte de nós. Repare, mesmo uma pessoa que não acredita em nada, se um dia for confrontada por um cancro, e depois de ir a todo o tipo de médicos sem sucesso, é capaz, em desespero de causa de ir a um curandeiro que lhe promete uma cura. A pessoa pode não acreditar positivamente naquilo, mas põe essa possibilidade. Acho que a grande maioria de nós, quando se vê numa situação de grande perigo, ou recorrerá à oração, ou recorrerá, enfim, a este tipo de coisas que o raciocínio e a razão não provam. É quase inevitável pensar na possibilidade de tentar. Em última análise, acho que é o mesmo que se passa com as lendas urbanas. Acho que as pessoas acreditam nelas porque falam daquilo que temem, dos seus medos e anseios.