17 fevereiro 2008
13 fevereiro 2008
Logopoioi - os fazedores de discursos
[1]- o que participa de duas coisas, uma composta de bem e outra de mal, é inferior a uma e superior a outra;
[2]- o que participa de dois bens com fins diferentes é inferior a ambos;
[3]- o que que participa de dois males com fins diferentes, é superior a cada um desses males.
Depois desta generalização Sócrates passa à aplicação ao caso que analisa:
1- se a filosofia e a prática política são bens com fins diferentes, então os logógrafos são inferiores a ambas (cf.supra [2]);
2- se a filosofia e a prática política são um bem e um mal, então estes homens «são superiores a uma e inferiores a outra» (cf. supra [1]);
3- se a filosofia e a prática política são ambas males, então o logógrafo é superior a ambas.
Como esta terceira possibilidade é logo inviabilizada, Sócrates conclui que os construtores de discursos «são inferiores às duas» naquilo em que cada uma se distingue.
11 fevereiro 2008
Os Lusíadas - resumo
10 fevereiro 2008
Já não me lembrava!

09 fevereiro 2008
08 fevereiro 2008
Novo Testamento - resumo
(versão audio, para quem não tem tempo)07 fevereiro 2008
Hamlet - resumo
William Shakespeare, Hamlet (qualquer edição).04 fevereiro 2008
Guerra e Paz - resumo
02 fevereiro 2008
Cataloguices
01 fevereiro 2008
Em busca do tempo perdido - resumo
Mandaram-me o resumo de alguns livros. Para quem tem falta de tempo, aqui ficam as linhas gerais...31 janeiro 2008
Auriga (à descoberta - VI)
(http://www.ancient-greece.org/art/chiarioteer.html)De em ti mesmo celebrares a ordem natural do divino
O número imanente.
30 janeiro 2008
29 janeiro 2008
28 janeiro 2008
Auriga (à descoberta - III)
27 janeiro 2008
26 janeiro 2008
25 janeiro 2008
O Auriga
Mostra a pura nudez do teu estar na terra.
A longa túnica em seu recto cair diz o austero
Aprumo de prumo da tua juventude
O pulso fino a concisa mão divina dizem
O pensamento rápido e subtil como Athena
E a vontade sensível e serena:
A ti mesmo te guias como a teus cavalos
Os beiços de seiva inchados como fruto
Dizem o teu amor da vida extasiado e grave
E sob as pestanas de bronze nos olhos de esmalte e de ónix
Fita-nos a tua paixão tranquila
O teu projecto
De em ti mesmo celebrares a ordem natural do divino
O número imanente.
21 janeiro 2008
17 janeiro 2008
O que os deuses deram aos homens
(www.hellenic-art.com/statues/ephibosantik.jpg)
Os homens não são meros residentes e habitantes da Terra, são sim como que quase os espectadores das regiões de cima e das coisas celestes (...).
(http://www.livius.org/ei-er/emperors/philippus_arabs.jpg)
Os sentidos, interpretes e mensageiros das coisas, foram criados e colocados na cabeça, como se de uma cidadela se tratasse, para assim cumprirem as funções que sejam necessárias.
( http://www.bluffton.edu/~sullivanm/italy/rome/capitolinemuseumone/constantinebronze.html)
Os olhos, na qualidade de observadores, ocupam o lugar mais elevado, para assim poderem ver mais coisas e melhor cumprirem a sua função.
(http://www.bluffton.edu/~sullivanm/italy/rome/capitolinemuseumone/constantinebronze.html)Os ouvidos, cuja função é captar o som, foram não sem razão colocados na parte mais alta do corpo, pois a natureza leva o som sempre para cima.

O nariz, por seu turno, posto que também o cheiro vem sempre para cima, foi correctamente posto numa parte superior do corpo (...).
(Greek Statue, Metropolitan Museum of Art, New York City)
Já o paladar, cuja função é sentir aquilo que comemos, está naquela parte da boca onde a natureza abriu um caminho para a comida e bebida.
O tacto, por seu turno, está distribuído uniformemente por todo o corpo.
Cícero, Da Natureza dos Deuses, Vega, 2004. Tradução de Pedro Braga Falcão.
14 janeiro 2008
Hesíodo aconselha:
desde que se ponha, recorda-o, e até que surja
não deves urinar na via ou ao lado dela, ao caminhar,
nem se estiveres nu. As noites pertencem aos Bem-Aventurados.
Sentado o faz um homem piedoso, que conhece a prudência,
ou enconstado a um muro de um pátio recolhido.
[Foi aqui que eles aprenderam...]
(...)
Nunca urines na foz dos rios que deslizam para o mar,
nem nas fontes deves urinar, mas de todo evitar tal coisa;
nem deves defecar nunca; tal não é vantajoso para ti.
[isto não aprenderam, pelo que se depreende pelas descargas de esgotos...]
10 janeiro 2008
«Floripes ou a morte de um mito»

(Veja um pouco do filme aqui)
08 janeiro 2008
Evolução semântica
02 janeiro 2008
O segundo dia do ano
Hoje era o dia em que me levava pela mão à estação de comboios para vermos passar o homem que tinha tantos olhos quantos dias tinha o ano...
E eu, de memória curta, lá ia, entusiasmada tentar ver essa proeza.
Mais tarde, acompanhei-o nessa aventura, levando os meu sobrinhos pela mão.
O meu pai tinha coisas tão engraçadas!
(publicado também na Taberna)
31 dezembro 2007
Último postal do ano - a qualidade da alma
Séneca, Cartas a Lucílio, 61 (sempre a mesma edição).
28 dezembro 2007
Quero... não quero...
Queria receber:
- a minha casa prontinha a habitar;
- muitos mimos;
- um computador que nunca desse problemas, que não necessitasse de actualizar nada e que se ligasse automaticamente à internet, da mais veloz que houvesse.
Não queria receber:
- CD's do Zé Cabra, da Ágata, do Emanuel, da Ffllorlibbella (nunca sei que consoantes é que o nome dela dobra) ...
- falsos amigos (já me bastam os linguísticos!)
- um mau livro!
Ó grandes deuses, que livreco horroroso e execrável,
que tu próprio, evidentemente,
enviaste ao teu amigo Catulo,
nas Saturnais, no melhor dia,
para que ele morresse logo nesse dia.
Catulo, Carmina XIV, vv. 12-14
26 dezembro 2007
Muitos prodígios há; porém nenhum maior do que o homem
O que aqui lhe deixo não se lhe compara, mas é com boa vontade. Uma proposta, em Português, para o seu último postal.
Muitos prodígios há; porém nenhum maior do que o homem (1).
Este, com o tempestuoso vento do Sul, avança para lá do mar cinzento
e ultrapassa as grossas vagas que rugem à sua volta.
E cansa a infatigável Terra imortal,
a mais poderosa das divindades,
revolvendo-a com a raça dos cavalos,
de um lado para o outro com as charruas, ano após ano.
O homem muito hábil, enlaça a tribo de aves de voo ligeiro,
e leva, em redes bem tecidas a raça de animais selvagens e marinhos;
domina, com invenções engenhosas,
os animais dos campos que andam no mato;
e o cavalo de longas crinas é levado pelo jugo que lhe envolve o pescoço,
tal como o indomável touro montanhês.
Aprendeu a linguagem e o pensamento ágil,
os costumes civilizados,
e, pleno de expedientes,
aprendeu a fugir do gelo
e dos ataques da chuva importuna nos lugares descobertos
e que tornam difícil a permanência ao ar livre.
Não avança no futuro sem recursos.
Apenas ao Hades não poderá fugir;
no entanto, meditou com outros o modo de escapar
a doenças para as quais não havia recurso.
O saber engenhoso da sua habilidade inesperada pende
umas vezes para o mal, outras para o bem;
ocupa um lugar cimeiro na cidade,
confundindo as leis da terra e a justiça dos deuses,
confirmada por um juramento;
é indigno de viver na cidade se o mal se associa a ele,
devido à sua audácia.
Que não se sente no meu lar quem assim for nem seja meu amigo o que pratica tais acções!
Sófocles, Antígona, vv. 332-375
(1) A tradução deste passo é minha, se bem que a versão para Português do primeiro verso pertença a Maria Helena da Rocha Pereira, na sua edição da FCG.
25 dezembro 2007
...paulo maiora canamus.
E, precisamente durante o teu consulado, Polião, chegará
a glória de uma época, e os grandes meses começarão a avançar;
Sob a tua direcção, se permanecem alguns vestígios dos nossos crimes,
anulados, libertarão as terras do terror perpétuo.
Essa criança terá a vida dos deuses e verá
os heróis misturados com as divindades e ele próprio será visto por elas
e irá governar um mundo pacificado com as virtudes do seu pai.
Vergílio, Bucólica IV, vv. 11-15
24 dezembro 2007
Sicelides Musae...
Os arvoredos e as pequenas tamargueiras não agradam a todos;
Se cantamos as florestas, que as florestas sejam dignas de um cônsul.Já está a chegar a última era da profecia de Cumas;
a grande ordem dos séculos nasce, de novo.
Já está a regressar a Virgem, regressam os reinos de Saturno,
já uma nova descendência é enviada do alto céu.
Tu, casta Lucina, favorece a criança que está quase a nascer,
Pela qual, primeiro, terminará a geração de ferro,
e surgirá em todo o mundo a era de ouro; o teu Apolo já reina.
Vergílio, Bucólica IV, vv. 1-10
Boas Festas!
Se «isto» se portar bem hoje, ainda publico um postalinho mais logo.
20 dezembro 2007
multa de respeito

19 dezembro 2007
Abaixo a censura!
16 dezembro 2007
Diana e Minerva
12 dezembro 2007
De libera voluntate
07 dezembro 2007
Kalevala - tradução do original
Depois de dizer muitas vezes "Obrigado, senhor Lönnrot, obrigado!", o Reboliço desabafa: era um grande mal agradecido, esse Lönnrot, é o que era! Quantas vezes os heróis trabalham, labutam, lutam, laboram, conseguem os feitos, só para o romântico médico lhes rematar as falas com um "Louve-se Deus." Nestes versos, o herói maior, Väinämöinen, ferido com um machado no joelho, contorce-se com dores e recebe, finalmente, a ajuda de um velho deitado ao lume:
"O velho expulsou a dor,
o sofrimento empurrou
para o meio de Kipumäki,
para o pico de Kipuvuori,
para dar a dor às pedras,
entregar à rocha a dor."
(Canto IX, vv. 523-528)
Pois não querem lá ver a resposta do herói, depois de o sangue estancar?
"Bendito sejas, ó Deus,
bendito, Criador único,
que a mim tanto ajudaste,
me trouxeste protecção
a mim nestas grandes dores,
do férreo aço a ferir!”
(Canto IX, vv. 571-576)
Assim, não dá!...
(Elias Lönnrot foi o médico que, entre 1833 e 1853, viajou pela Carélia e reuniu cantos, rezas e lengalengas populares, que haveria de publicar como cancioneiros e como a epopeia Kalevala. Nesta, compôs uma história a partir de várias camadas de histórias, passadas oralmente, de geração em geração. Um dos debates literários mais prolixos ainda hoje na Finlândia prende-se com saber em que medida o compilador foi ou não autor dos versos, isto é, terá interferido na construção das narrativas, nomeadamente no que a atitudes religiosas diz respeito. Um dado é certo: há muitos momentos de incongruências narrativas, e os versos acima dão conta de uma apenas.)
05 dezembro 2007
ΜΕΤΑΦΟΡAΣ... ΜΕΤΑΦΟΡΕΣ

04 dezembro 2007
Paciente, passos, paixão...

É seu cognato o nome paixão (passio, passionis - a paixão de Cristo, por exemplo, é a expressão do seu sofrimento) ou passos, na expressão Senhor dos Passos. Não se chama assim à imagem de Cristo que passeia ou que dá passos (pois assim seria do nome latino passus, passus), mas sim ao Cristo que sofre, dado que passus, passa, passum é o particípio passado do mesmo verbo patior.
Petição
Se estiverem de acordo, assinem.
http://www.petitiononline.com/acor1990/petition.html
30 novembro 2007
28 novembro 2007
25 novembro 2007
Aliki Kagialoglou
Aliki Kagialoglou (neste link vão ter de baixar várias vezes até encontrar as três referências a esta artista) está a preparar um CD com fados portugueses e declamação da Ode Marítima de Álvaro de Campos.Mandinia, Mandinia...
Não estava nada a ver o que seria...
«Mandinia, Mandinia... Como se escreve?», perguntei, para dar tempo e disfarçar a minha ignorância.
E ele mostrou-me.
«Ah! Mantineia! Claro!!»
Vou lá agora!
24 novembro 2007
Mitos, medos, brios...
Dizem que sim, que correu bem.E cá a Xantipa já está triste por se aproximar o dia da partida. Também gostou muito de rever a sua velha pólis.
Amanhã vai ao Peloponeso, a Tripoli.


21 novembro 2007
Atenas, 9 anos depois


Numa livraria vejo que a Mariza canta no dia em que parto.
20 novembro 2007
Viagem à Grécia
19 novembro 2007
Roliça e Vimeiro

12 novembro 2007
Do amor
(Foto minha. Rodin - Eros e Psyche - Ermitage - S. Petersburgo)O amor não tem uma natureza simples, bela ou feia em si mesma: é belo, se realizado com beleza, e feio, se realizado com vileza.
Vileza é quando se concede uma afeição indigna a um homem indigno; e nobreza, quando se concede uma feição digna a um homem de bem. E por indigno entendemos justamente esse amante popular, que prefere o amor do corpo ao amor da alma, e não guarda constância porque o objecto a que se prende não é também constante [...].
Pelo contrário, aquele que ama alguém pela beleza do seu carácter, esse permanece fiel pela vida fora, porque se funde com o que é constante.
Discurso de Pausânias no Banquete de Platão. Tradução de Maria Teresa Schiappa de Azevedo para as Edições 70.
08 novembro 2007
Nem tudo o que reluz é ouro...
03 novembro 2007
máscaras...
31 outubro 2007
Amigo (2)
mas quando está longe diz mal de ti,
tal homem não é bom companheiro nem amigo,
ele que diz coisas macias com a língua, mas pensa outras coisas.
Que eu tenha como amigo quem conheça o seu
companheiro e aguente o seu feitio, ainda que difícil,
como um irmão. E tu, ó amigo, põe estas coisas
no coração e um dia no futuro te lembrarás de mim.
28 outubro 2007
Página 161, parágrafo 5º (de novo)
27 outubro 2007
Livrarias em Roma
No tempo da República, os livreiros eram uns desgraçados que tinham de arranjar livros para copiar para os clientes, tendo para isso que recorrer a bibliotecas privadas, o que nem sempre era fácil.«procura Secundo, liberto do douto Lucense,
por trás do limiar do templo da Paz e do foro de Palas.»
(Fonte: Lionel Casson. Ver aqui)

(imagem daqui)












