20 abril 2008

algarvismos e não só

Enviaram-me isto por mail. Não resisto a publicar aqui.
Novo Dicionário e Acordo Ortográfico com variante alentejana e algarvia:


Alevantar
O acto de levantar mas com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.

Amandar
O acto de atirar com força:
'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'

Arrelampa
Local com inclinação acentuada.

Ex: 'Moss, bora lá empurrar o barque aqui pla arrelampa'

Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.

Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.

Bassora

Também com a vertente 'vassoira'.
Utensilio de limpeza de lixo.

Normalmente tem a ajuda da 'apá' para a recolha do dito cujo.

Batoneira

Máquina que serve pra fazer betão, cimento.

Ex: 'Moss, liga a batoneira'

Capom
Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!

Catatumbas

Sitio pra onde se pode ir depois de morto.
Ex: 'Ê cá nã quere ir pra uma catatumba quere ir pró chão'

Cromade

Opção que se exerce em vida pra quando se morre.
Ex: 'Ê cande morrer quere ser cromade'


Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.

Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.

Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas..

Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.

Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular.

Ex.: eu falei,

tu falaste,

ele falou,

TU FALASTES..

Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.
Casa que não fractura... não perdura.

Há-des
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular:

'Eu hei-de cá vir um dia;

tu há-des cá vir um dia....'

Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto.

E digo mais:

eu, inclusiver, acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'.

Mô (Moss)
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'.

Ex.: Atão mô, tudo bem? ou 'Moss, deslarga-me da mão'

Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.
Para quê perder tempo, não é?

Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.

Númaro
Também com a vertente 'númbaro'.

Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!

Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.

Perssunal
O contrário de amador.

Muito utilizado por jogadores de futebol.

Ex.: 'Sou perssunal de futebol'.

Dica: deve ser articulada de forma rápida.

Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'(ou alcagoita).

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.

Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais....
Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.

Stander
Local de venda.

A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.
O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...

Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa.

Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo.
É assim... tipo, tás a ver?

Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

Tiosque
Sitio onde se pode comprar jornais, revistas, pitaxios, etc.

19 abril 2008

pouca coisa é de agora/coisa pouca é de agora

Não sei se já está resolvida a compra, por parte do estado, da colecção Jorge de Brito, que a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva se arrisca a perder (ler mais aqui).
Muito foi o tempo que esteve até se decidir a comprar o acervo de fado de Bruce Bastin (ler notícia de 2005 e notícia de 2008).
Já para não falar no apoio que os artistas não têm cá dentro até que lá fora lhe dêem valor.

Isto não é de agora, como sabemos. Não foi por acaso que Mecenas se tornou num substantivo comum (do homem que patrocinou artistas no tempo de Augusto a "aquele que patrocina artistas").
Ontem lia em Mário de Sá Carneiro, Loucura, (p.53 na edição da Ulmeiro) «O governo português, sempre predisposto a inúteis prodigalidades, não teve alma para desembolsar os setenta contos que o seu anterior proprietário exigira por essa maravilha de arte nacional».

Infelizmente, pouca coisa é de agora e coisa pouca também.

18 abril 2008

O Senhor Valéry

Hoje, às 21.30, na Biblioteca Municipal de Albufeira, a minha querida colega e amiga Ana Isabel Soares vai apresentar o livro O Senhor Valéry, integrado no Ciclo de Leituras sobre Gonçalo M. Tavares. Nesta sessão é distribuído o livro a ser apresentado no mês que vem (por mim), Jerusalém, e em Junho teremos a presença do autor.
Apareçam! Eu lá estarei!

Actualização:
o livro de 16 de Maio vai ser Água, Cão, Cavalo, Cabeça, porque a editora não tinha exemplares suficientes para as necessidades da Câmara.

As quatro Graças

(Rubens)

São quatro as Graças, porque às três antigas
se juntou há pouco uma outra, ainda húmida de perfumes:
a feliz Berenice, brilhante entre todas,
sem a qual as próprias Graças não seriam Graças.
Calímaco
305- 240 a.C. (datas aproximadas)
Tradução do grego de Albano Martins. Ver aqui.

17 abril 2008

vencer a doença

Antes de dizer-te como é que me consolava da doença, dir-te-ei apenas isto: o próprio facto de me resignar a estar doente já me servia de remédio. De facto, formas dignas de consolação acabam por tornar-se medicamentos; e tudo quanto nos fortalece a alma transforma-se em benefício para o corpo. Os meus estudos restituíram-me a saúde. É à filosofia que devo a minha convalescença, a minha recuperação (...).
Também contribuíram para eu recuperar a saúde os meus amigos: nos seus conselhos, na sua companhia, na sua conversa encontrei uma grande consolação.

Séneca, Cartas a Lucílio, 78, 3-4. Tradução de J.A. Segurado Campos para a FCG.

16 abril 2008

Ele é um corpo em presença de outros corpos

Carolina Rito (que eu conheci pequenina e agora já faz estas coisas!) é a curadora desta exposição que inaugura dia 19, às 16h, no jardim Botânico, e que permanece até 18 de Maio.
Artistas representados: Cláudio Sousa; Luís Simões e Rita Manuel; Nelson Melo; Spada Corp; Tiago Neto.

14 abril 2008

«estudar» ao piano e outros divertimentos

A minha mãe contou-me umas das suas histórias de infância. Falávamos do nosso piano. Ela nunca soube cantar nem tocar. Sempre o disse e todos sempre o soubemos. Por isso me surpreendi quando me começou a dizer:
- Eu às vezes também me sentava ao piano a estudar.
- A estudar ao piano? A Mãe?
- Sim, sentava-me a estudar. A avó tinha um cavalo grande, em cima do piano e eu ficava ali a estudar o modo de o tirar de lá e de o montar. Teria aí uns cinco anos. Estudei, estudei e lá descobri como subir para o piano, tirar de lá o cavalo e montá-lo.
- E depois?
- Montei-o e ele partiu-se todo. E depois apanhei.
- Os cacos?
- Apanhei da minha mãe. Ela gostava muito daquele cavalo. Mas as crianças são assim. Sempre a estudar maneiras para se distrairem. Eu passava os dias sozinha com a criada, tinha de arranjar alguma coisa para não me aborrecer. Às vezes passava tardes a penteá-la. Ela sentava-se eu penteava-a, penteava-a. Vocês agora têm uma vida melhor, mas a nossa teria, talvez, mais peripécias. Já te contei aquela do tio João e do médico? Parece mesmo uma anedota.
E o serão continuou.

(* Estas histórias que aqui conto da minha mãe são publicadas com o seu consentimento.)

13 abril 2008

(no prazo)

Esta foi a prenda do meu iogurte (que, surpreendentemente para quem me conhece, está dentro do prazo de validade. É que estou em casa da mãe...)

09 abril 2008

Resta a Esperança

(imagem daqui)
Antes de facto habitava sobre a terra a raça dos homens,
a resguardo de males, sem a penosa fadiga

e sem dolorosas doenças que aos homens trazem a morte.

Mas a mulher, levantando com a mão a grande tampa da jarra,

dispersou-os e ocasionou aos mortais penosas fadigas.

E ali só a Esperança permaneceu em morada indestrutível

dentro das bordas, sem passar a boca nem para fora
sair, porque antes já ela colocara a tampa na jarra,
por vontade do deus da égide, Zeus que amontoa as nuvens.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 90-99. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

07 abril 2008

Não aceites dons de Zeus!

Em seguida, concluído o engano difícil e sem remédio,
até Epimeteu envia o Pai dos numes o ilustre Argeifonte,
arauto veloz dos deuses, a levar a dádiva; e Epimeteu

não se recordou de que Prometeu lhe dissera para
nunca
aceitar qualquer dom vindo de Zeus Olímpico,
mas lho mandasse
de volta, para que não viesse qualquer mal aos homens:
só depois de o ter recebido, quando já tinha o mal, se deu conta.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 83-89. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

03 abril 2008

A Sombra do Tempo

Tapete Mágico

As ondas vão e vêm, mas o mar é o mesmo. É o que acontece com um clube de teatro escolar. Os alunos vêm, criam laços e depois partem. Tem sido assim ao longo de 12 anos de trabalho sistemático, sem interrupções. Às vezes, mais do que uma produção por ano. Uns anos são 20, outros apenas 3. Mas o Teatro faz-se com a emoção e o saber do momento, independentemente do número. Obrigada aos que por cá passaram. As viagens continuam para quem fica.


No dia 3 o espectáculo terá início às 21h30 e os bilhetes terão o preço de 5€, com desconto para estudantes e maiores de 65 anos.
No dia 4, o espectáculo é destinado ao público escolar, pelo que o bilhete terá o preço único de 2€ (com entrada gratuita para os professores acompanhantes).
O grupo gostaria muito de contar com a vossa presença nesta etapa, que para alguns dos participantes, será a despedida depois de um cíclo de 3 anos.

Ana Cristina Oliveira


A Ana Cristina é a alma deste grupo de teatro escolar e uma mulher que nunca se cansa de fazer coisas!

Faz anos hoje, o meu sobrinho

Foi assim... pequenino...
Parabéns, J.F.

Pandora, de seu nome

De imediato modelou com terra o ilustre Argeifonte
uma imagem de virgem casta, como vontade do Crónida.

Cinge-lhe a cintura e embeleza-a a deusa Atena de olhos garços.

As divinas Graças e a veneranda Persuasão

envolveram-lhe o colo com colares de ouro e em sua volta

as Horas de formosa cabeleira coroaram-na de flores primaveris.

Todo o tipo de adornos a seu corpo ajustou Palas Atena.

E em seu peito incutiu o mensageiro Argeifonte

mentiras, palavras sedutoras e carácter volúvel,

por vontade de Zeus tonitruante. Insuflou-lhe voz

o arauto dos deuses e deu a esta mulher o nome

de Pandora, porque todos os habitantes das mansões do Olimpo

doaram a dádiva, ruína para os homens comedores de pão.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 70-82. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

02 abril 2008

who dares to take the chance of no return

(imagem minha)
Where have you been?
Where are you going to?

I want to know what is new
I want to go with you

What have you seen?

What do you know that is new?

Where are you going to?

Because I want to go with you

01 abril 2008

cachorrinhos bebés


A cadelinha que encontrei a morrer de fome, há quase um ano (a Natacha), e que adoptei, teve 7 cachorrinhos.
Daqui a um mês estes bebés (com horas de vida na foto) já poderão ser, por sua vez, adoptados (nasceram anteontem).
Alguém se propõe a ficar com algum deles? Não sei ainda o sexo, mas sei que são lindos!

31 março 2008

Dor d'alma (outra)

«Esta imagem simboliza uma personagem da mitologia greco-latina, pois eu li que havia uma figura que era constituída por partes de animais diferentes e que pertencia a esta mitologia»

30 março 2008

feita de terra amassada


Ordenou ao ínclito Hefestos que o mais lesto possível
amassasse terra com água, nela infundisse voz humana
e vigor e que, semelhante às deusas imortais no aspecto, modelasse
bela e encantadora figura de donzela. Em seguida, incumbiu Atena
de lhe ensinar as artes e a tecer a tela de muitos ornamentos;
a áurea Afrodite de lhe derramar a graça em torno da cabeça
e o desejo irresistível e os cuidados que devoram os membros.
De nela incutir cínica inteligência e carácter volúvel

encarregou Hermes, o mensageiro Argeifonte.
Assim falou e eles obedeceram a Zeus Crónida e senhor.


Hesíodo, Trabalhos e Dias, 60-69. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

29 março 2008

Parabéns do Carlos para o Fernando

(foto daqui)
Mensagem acabada de receber, no meu telemóvel, da parte do meu irmão, fã confesso de Fernando Tordo:

«A 29 de março de 1948 nasceu no Bairro da Graça em Lisboa, na rua Feio Terenas, um menino com quase 5 quilos de peso ao qual foi dado o nome de Fernando Travassos Tordo. 60 anos depois com muita música e palavras à mistura, aqui estou eu, Carlos Nogueira, para lhe desejar muitos parabéns e que venham mais 60!»

28 março 2008

a pena dos homens futuros...

«Filho de Jápeto, conhecedor dos pensamentos entre todos,
alegras-te por teres roubado o fogo e enganado o meu espírito,
mas para ti em pessoa será grande pena e para os homens futuros.
Em vez do fogo, dar-lhes-ei um mal com que todos
se vão regozijar em seu coração, ao rodear de amor o mal.»
Assim falou, e riu-se o pai dos homens e dos deuses.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 54-58. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

26 março 2008

Heraclito


Hoje estou numa de Heraclito.
Comprei recentemente a tradução de Alexandre Costa para a INCM (uma edição de Novembro de 2005 que me escapara) e tenho andado a fragmentar-me na leitura.

A conhecidíssima ideia heraclitiana de

«Não é possível entrar duas vezes no mesmo rio» (L)

aparece mais gira em

«Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos» (XLIX)

ou ainda aqui:

«O mesmo é vivo e morto, acordado e adormecido, novo e velho: pois estes, modificando-se, são aqueles e, novamente, aqueles, modificando-se, são estes.» (XLII)

25 março 2008

«tudo o que alguma vez quiseste saber sobre as (mal) chamadas lendas "urbanas", mas nunca ousaste perguntar» - Parte 2 e última

Continua a entrevista, completa, de Bruno Pires (que também também é o autor das fotos) a JJ:

Outras das lendas a circular recentemente, dá conta que há raptos de pessoas nas lojas chinesas para lhes tirarem os órgãos...
Sim, aqui há coisa de uns dois anos, correu imenso a lenda de que havia o rapto de pessoas nas lojas chinesas para tráfico de órgãos. Isso é uma lenda viva, são coisas que as pessoas contam muito. Há uma colega aqui da faculdade, uma professora, que ouviu contar a lenda à mãe (que é enfermeira), para ter cuidado com essas lojas de Loulé porque houve uma pessoa que foi raptada aí. Às vezes, há a ideia de que estas lendas são contadas por pessoas novas e muito crédulas, ou então, velhas e de pouco discernimento. Não é verdade. As lendas são contadas por gente de todas as idades e níveis de instrução e são coisas que estão verdadeiramente vivas na nossa sociedade.

Esta lenda é nova?
Parece uma coisa recente, mas não é. Esta ideia de que há um grupo de pessoas, normalmente estrangeiros, que rapta gente para lhes tirar os órgãos em seu
benefício está registada pelo menos desde o século XVIII. Em Lyon, França, houve uma revolta das pessoas mais pobres da cidade que invadiram a faculdade de medicina, porque se dizia que os cirurgiões raptavam crianças para as dissecarem. E, segundo outra versão, dizia-se que lá dentro vivia um príncipe a quem faltava um braço. Então, todas as noites raptavam uma criança na esperança de arranjarem um braço que servisse. Claro, que em ambas, os maus são pessoas de uma classe superior, gente tão estranha que é quase estrangeira, e da qual se pode esperar tudo, exactamente como agora no caso das versões sobre as lojas chinesas. O que é de facto impressionante é que no século XVIII era impossível fazer transplantes, mas as pessoas acreditavam. Esta lenda conta-se, por exemplo, relativamente à América do Sul. Contou-se há anos relativamente a Moçambique.


A Internet também é campo fértil para este mitos...
A transmissão da literatura oral por via escrita não é uma coisa
recente, nem pouco mais ou menos. Os impressores que publicavam as primeiras edições de livros no século XV já publicavam folhetos com textos de origem oral. Portanto, isso é velho como a imprensa.Claro que no passado, antes de uma lenda como esta do roubo de órgãos humanos chegar a outro continente, teria que passar muito tempo. Hoje basta carregar num botão. E há realmente muitas lendas a circular na Internet, enviadas por e-mail, que são apresentadas como um facto.

Porque é que estas lendas surgem?

Porque interessam às pessoas, têm a ver com as suas ideias, os seus medos. Já no império Romano se contava que os Cristãos raptavam crianças para lhes tirarem o sangue para os seus ritos. Mais tarde, na Idade Média, os Cristãos diziam o mesmo em relação ao Judeus. E isto tem claramente a ver com a lenda do roubo de órgãos. Acho que estas lendas nunca morrem. Estão cá sempre. Nalguns casos é difícil perceber porque é que estas lendas voltam a ser contadas. Noutros casos, como o roubo dos órgãos nas lojas dos chineses, tem a ver com o medo do outro, que é universal - é a reacção ao aparecimento duma vaga de lojas de que as pessoas desconfiam, por serem coisa nova, de estrangeiros, e se dizer que são más para as lojas dos portugueses.

Mas no mundo moderno, informado e globalizado de hoje é difícil acreditar que se dê credibilidade a estas coisas, ou não?
Acho que muitas das coisas que se dizem sobre a globalização são
ditas sem reflexão histórica. Hoje diz-se que as crianças só querem pizzas e hambúrgueres e videojogos americanos, e que ninguém liga às nossas tradições. Bom, já pensou que o cristianismo, algo tão ligado à tradição europeia, é uma religião oriental? Nasceu no Oriente, difundiu-se na Europa através dos Romanos e veio abafar todos os deuses que existiam nos países europeus. Essa substituição foi de tal maneira forte que nós hoje, pouco ou nada sabemos sobre a religião dos nossos antepassados Lusitanos. Sabemos o nome de um ou dois deuses, mais nada. Mais nada. Portanto esta ideia de que a globalização é uma coisa digital, dos dias de hoje, não é verdade.


Mas como é possível que as pessoas acreditem neste tipo de coisas?
Bem, essa questão que me coloca é fruto de teorias filosóficas que,
penso, não são anteriores ao século XVIII e ao Iluminismo. Era a ideia de que a instrução muda as pessoas. Ensinando as ciências, factos, as coisas positivas (que se podem experimentar), as pessoas iriam recusar tudo o que é sobrenatural. No século XVIII, acreditava-se que a Humanidade vivia um estádio intermédio em que os pouco instruídos ainda estavam muito ligados ao sobrenatural, mas que as elites instruídas, sobretudo republicanos e anticlericais, já tinham ultrapassado essa fase. E acreditavam que, no futuro, a religião desapareceria porque não faz sentido e todas as coisas se explicam pela ciência. A verdade é que isto não é assim. Aquilo que os factos provam, é que a esmagadora maioria da população ocidental não chegou a esse estado previsto pelos positivistas. Repare, hoje em dia está na moda o New Age, e tudo aquilo que tem a ver com as antigas filosofias orientais está vivíssimo. E não apenas entre o povo, mas pelo contrário nas classes médias e altas. Repare, na Rússia, ao fim de anos e anos de anti-religião, quando o regime caiu, as igrejas encheram-se de novo.


Então, acha que o sobrenatural há-de acompanhar sempre a espécie humana?
Chamemos-lhe o irracional. Acho que sim. Acho que faz parte de nós. Repare, mesmo uma pessoa que não acredita em nada, se um dia for confrontada por um cancro, e depois de ir a todo o tipo de médicos sem sucesso, é capaz, em desespero de causa de ir a um curandeiro que lhe promete uma cura. A pessoa pode não acreditar positivamente naquilo, mas põe essa possibilidade. Acho que a grande maioria de nós, quando se vê numa situação de grande perigo, ou recorrerá à oração, ou recorrerá, enfim, a este tipo de coisas que o raciocínio e a razão não provam. É quase inevitável pensar na possibilidade de tentar. Em última análise, acho que é o mesmo que se passa com as lendas urbanas. Acho que as pessoas acreditam nelas porque falam daquilo que temem, dos seus medos e anseios.

24 março 2008

«tudo o que alguma vez quiseste saber sobre as (mal) chamadas lendas "urbanas", mas nunca ousaste perguntar» - Parte 1

Foi com estas palavras que o meu colega e amigo JJ introduziu o mail em que enviava uma entrevista que dera havia uns tempos a um jornal de Portimão, algo que eu já lhe andava a pedir há uns meses.
Este assunto das
lendas urbanas sempre me interessou, mas nunca o estudei a fundo. Porém, como verão na entrevista que deu ao Algarve 1,2,3 (publicado em três línguas), ele sabe muito disto e explica ainda melhor. Com a devida autorização do jornalista Bruno Filipe Pires, do suplemento Viva Algarve, desse mesmo jornal, aqui transcrevo na íntegra (inclusive partes que não chegaram a ser publicadas) a conversa que este manteve com o meu amigo JJ:

Às vezes, algures numa curva perto de Boliqueime, os noctívagos vindos de uma noite de diversão numa discoteca próxima avistam uma rapariga que pede boleia. Há quem jure que se trata de uma alma penada que desaparece misteriosamente de dentro do carro de quem pára para a levar. Outros juram que há quem acorde sem rins a esvair-se em sangue dentro de uma banheira cheia de gelo, depois de uma simples ida às compras numa cidade algarvia. Mentira? Realidade? O que é facto é que as chamadas lendas urbanas estão bem vivas e andam na boca de toda a gente. Qual a sua origem? Devemos ou não acreditar? O vivalgarve falou com Dias Marques (Lisboa, 1956), professor na Universidade do Algarve e um dos pioneiros em Portugal a estudar as chamadas “lendas urbanas”…

Lendas urbanas – realidade ou ficção?
Na sua opinião, o que é uma lenda urbana?

Isso é muito difícil de explicar. A terminologia de lenda urbana
é uma coisa que herdámos dos estudiosos de língua inglesa. Sobretudo dos estudiosos norte-americanos, que foram os primeiros a estudá-las. Inicialmente, os investigadores achavam que se tratavam de lendas recentes. E que provavelmente só existiam nas cidades. Outros autores chamam-lhes lendas modernas ou contemporâneas. No fundo, é a ideia de que são lendas diferentes das que existiam no passado.


Quando surge essa ideia?
Os primeiros artigos académicos apareceram nos Estados Unidos nos anos 1940. Os primeiros autores insistiam muito em que estas lendas eram coisas modernas. E que mostravam que a literatura oral estava viva. Ao contrário do que se pensava, a tradição oral continuava a nascer e precisava de ser estudada. Contudo, com o andamento dos estudos, determinados investigadores começaram a aperceber-se, que muitas destas lendas não são modernas. São sim a adaptação moderna de coisas muito antigas.

Dê-me um exemplo…
Por exemplo, a lenda da rapariga fantasma que pede boleia na
curva. É uma lenda que ficou conhecida como “The Vanishing Hitchhiker”. Foi uma das primeiras a ser estudadas, salvo erro em 1942. Nunca ninguém se tinha debruçado sobre aquela lenda. Na altura, as diferentes versões que os investigadores estudaram envolviam todas automóveis. Então, concluíram que aquela lenda era muito moderna e que só podia ter surgido depois da invenção do automóvel e da banalização do seu uso. Contudo, mais tarde, nos anos 80, surge um estudo que refere um manuscrito sueco de 1602, no qual está registado um subtipo desta lenda do fantasma que pede boleia. Mas admito que muitas destas lendas sejam de criação moderna…

Qual a diferença entre lendas e contos?
As lendas são narrativas, em prosa tal como os contos. Mas falam de uma coisa que o informante (a pessoa que conta) acredita que é verdade. Ou pelo menos, uma coisa sobre a qual o informante põe o problema da verdade. Por exemplo, quando alguém diz “vou-te contar uma coisa, para que quando passares pela curva da Kadoc não te aconteça nenhum problema. Se passares por lá e te aparecer uma rapariga a pedir boleia, não pares. É um fantasma”, e conta-o como se fosse um facto. Um primeiro grupo de pessoas acha que é uma coisa verdadeira. Um segundo grupo acha que eventualmente pode ser uma coisa verdadeira. E mesmo aqueles que não acreditam que há uma rapariga morta que pede boleia, ao não acreditarem, já colocam a questão da verdade. Nos contos, ninguém coloca a hipótese de o que se conta ser verdade. Por exemplo, ninguém diz “não acredito que tenha havido a Gata Borralheira” (“Cinderella”).

No Algarve, conta-se muito essa história da rapariga fantasma que pede boleia. É sempre associada a uma curva perto de uma discoteca em Boliqueime. Porquê?
Bem, as lendas são vistas pelos informadores como coisas
verdadeiras. Uma das estratégias para mostrar que são verdadeiras é ligá-las a um determinado lugar conhecido. Ao contrário dos contos, que se passam num lugar e num tempo indeterminado, as lendas associam-se a lugares, situações e contextos próximos das pessoas para criar verosimilhança. Esta lenda da curva da discoteca Kadoc conta-se em vários lugares de Portugal. Conta-se por exemplo, sobre um cemitério do Cairo. Conta-se, por exemplo, sobre uma localidade da Mongólia. Conta-se sobre vários cemitérios do Brasil…

Fale-me dessas versões.
Há versões que dizem que há um rapaz
que conhece uma rapariga num baile. No final, ele acompanha-a a casa. Está frio e ele empresta-lhe um casaco. No dia seguinte, o rapaz regressa à casa da rapariga onde a acompanhou para recuperar o casaco. Os familiares abrem-lhe a porta e dizem que ela morreu há muitos anos. O rapaz não acredita, e a família, para lhe provar, leva-o ao cemitério onde ela está enterrada. Em cima da campa, está o casaco. Este subtipo de “The Vanishing Hitchhiker” parece uma coisa muito diferente. Mas, no fundo, o fulcro é sempre o mesmo – existe um outro mundo. E existe comunicação desse outro mundo com este nosso. E daí, o encontro de um ser vivo com um ser morto, que é julgado pelo ser vivo como estando vivo. É uma ideia comum a ambos os subtipos desta lenda. Há sempre uma prova que o ser vivo esteve a falar com um fantasma: ou a rapariga desaparece de dentro do carro em andamento, ou há o casaco que ele lhe emprestou aparece sobre a campa.


(Estão a gostar? Ainda bem. Continua aqui. Os links no texto são da minha responsabilidade)

22 março 2008

Se eu fosse...

A sem-se-ver, que me crava a torto e a direito, mas é uma querida, levou-me a aceitar este desafio. Não passo a ninguém, porque dá uma trabalheira! Se alguém o quiser fazer, não deixa de ser um exercício giro. A maior parte dos «porque» que aqui apresento são desnecessários, pois Freud explicaria muito melhor que eu.

Se eu fosse um mês, seria… Maio. Por puro narcisismo, provavelmente, porque é o mês em que nasci.

Se eu fosse um dia da semana, seria... quarta-feira, porque gosto do equilíbrio que o meio da semana me traz.

Se eu fosse um número, seria… dois, aliás, vinte e dois. Parece pateta, eu sei, mas gosto dos dois patinhos... ah, claro, e por puro narcisismo, pois claro. Junte-se a Maio.

Se eu fosse uma flor, seria… um jarro. Porque é bonito, forte, cresce vertical e é resistente.

Se eu fosse uma direcção, seria… sempre em frente. Não há que enganar. What you see is what you get. Sempre em frente, não tem nada que enganar.

Se eu fosse um móvel, seria… um psiché. Porque me faz lembrar alma (psychê, em grego). Porque me lembro de ver a minha mãe reflectida no espelho enquanto me penteava em frente ao psiché do seu quarto.

Se eu fosse um líquido, seria… vinho tinto. Encorpado. Aveludado. Macio. Bom para acompanhar queijos fortes.

Se eu fosse um pecado, seria… a gula. Para mal dos meus pecados.

Se eu fosse uma pedra, seria… bruta, pronta para ser trabalhada.

Se eu fosse um metal, seria… titânio. Porque sim. Porque não percebo nada destas coisas e nos filmes é sempre um metal muito importante e potencialmente perigoso. E porque resiste à corrosão (entre as gentes, seria uma espécie de resistência à corrupção), mas não deixa de ser dúctil e fácil de trabalhar (uma espécie de bom feitio e conciliador).

Se eu fosse uma árvore, seria… um cedro (admitam que achavam que ia dizer nogueira)
. Porque é a árvore da minha infância. Um braço grosso aguentou o baloiço durante gerações. Um braço fino serviu de barra para a ginástica, o troco grosso (só abraçado por 3 pessoas) foi o coito no jogo das escondidas, foi o refúgio da apanhada. Hoje está velho, muito velho. Mas, como é árvore, morrerá de pé.

Se eu fosse uma fruta, seria… maçã. Porque vem desde o início dos tempos, porque comê-la traz conhecimento (é bíblico!), porque há muitas variedades (algumas até se chamam pêros), porque entra em histórias (como a Branca de Neve), mitos (o da Discórdia, no casamento de Tétis e Peleu), enfim, porque cheira bem e é bonita.

Se eu fosse um clima, seria… frio. Porque gosto de neve, porque é romântico (lareira, etc, etc), porque nos obriga a aconchegar a roupa. Ah, claro, e porque vivo no Algarve.

Se eu fosse um instrumento musical, seria... um
violoncelo. Porque devo isso à minha paciente professora, que teima em querer continuar a ensinar-me.

Se eu fosse um elemento, seria… ar.
Porque não se vê, mas sente-se, e não se aguenta mais que uns minutos sem ele.

Se eu fosse uma cor, seria… verde. Porque gosto muito. Porque me sinto bem vestida de verde. Porque faz ton sur ton com os olhos.

Se eu fosse um animal, seria... gato. Porque foi o primeiro animal de estimação que tive (e já tinha 30 anos feitos), porque são inteligentes, elegantes, ágeis, independentes e fofos, fofos, fofos.

Se eu fosse um som, seria… uma gargalhada.

Se eu fosse uma canção, seria… Quand on a que l'amour
, na voz do Brel, que tanto me emociona. Porque tem um verso que sigo como lema: «forcer le destin a chaque carrefour».

Se eu fosse um perfume, seria… Dior. Ou sabão amarelo. Estou na dúvida.

Se eu fosse um sentimento, seria… ternura.


Se eu fosse um livro, seria... uma biblioteca, porque não consigo escolher.

Se eu fosse uma comida, seria… queijo chèvre ligeiramente derretido, em cima de folhas de rúcula e decorado com fios de mel, nozes e tomates cereja.

Se eu fosse um cheiro, seria… café moído. Não gosto de café, mas adoro o cheirinho dos grãos acabados de moer.

Se eu fosse uma palavra, seria... livro.

Se eu fosse um verbo, seria… aprender, porque é o que mais gosto de fazer.

Se eu fosse um objecto, seria... um sofá muito confortável.

Se eu fosse uma peça de roupa, seria… um lenço de pescoço. Ou um cachecol. Tenho a garganta muito sensível. Numa noite do verão passado estive a conversar sem o lenço ao pescoço. Resultado: fiquei afónica durante uma semana.

Se eu fosse uma parte do corpo, seria… olhos. Porquê? Ora, porque é o que dizem que tenho de mais bonito (aliás, é o que dizem às pessoas que não têm mais nada que se possa elogiar, ou pensam que não sei? Eheheh)

Se eu fosse uma expressão, seria… «tenho uma teoria...»

Se eu fosse um desenho (animado ou por animar), seria… uma personagem de qualquer livro de José Carlos Fernandes, para poder dizer aquelas coisas que ele sabe e poder filosofar à vontade.

Se eu fosse um filme, seria… Tous les matins Du Monde, de Alain Corneau, porque foi decisivo na minha decisão estudar violoncelo (eu sei que no filme é viola da gamba, mas faz-se o que se pode).

Se eu fosse uma forma, seria… um círculo.

Se eu fosse uma estação, seria… de comboios. Porque gosto de viajar, de partir e de chegar. E porque gosto de comboios (ainda hesitei e pensei dizer «Primavera» ou «Inverno», mas os comboios levam-me para mais sítios).

Se eu fosse uma frase, seria…«quando é que isto acaba?»

21 março 2008

Pôr a Escrita em Noite


O Davi Reis, do Caderno de Corda vai lançar o seu livro de poesia «Pôr a Escrita em Noite», em Lisboa, no dia 29.
Não vou poder lá estar, mas, quem sabe, não virá ele fazer uma apresentação nos reinos do sul?

20 março 2008

Está quase!

Nos meus desejos para 2008 estava a mudança para a minha casa e era assim que ela estava em Dezembro.
Agora está quase pronta.
Daqui a pouco mais de uma hora faço a escritura de (mais um) empréstimo para a acabar.
Sete anos.
Não dizem que é número cabalístico?
Sete anos de peripécias que impediram a minha mudança.
Mas está para breve.
Estou muito contente e vim aqui partilhar convosco esta alegria.
Até logo!

17 março 2008

Fantástico!


No sábado, dia 8 de Março, a Universidade do Algarve recebeu vários convidados no segundo colóquio de psicanálise organizado pelo Departamento de Psicologia da FCHS e dirigido, tal como o anterior, pela Catarina Rebelo Neves, psicanalista.
Estiveram presentes e proporcionaram interessantes debates os psicanalistas Eduardo Sá, Frederico Pereira, Manuel de Matos e Nuno Torres.
Eduardo Sá, comunicador mediático, proporcionou alguns dos momentos mais hilariantes do encontro. Com muita graça, fez um apanhado da história da psicanálise e contou como, entre as muitas teses de doutoramento do séc. XIX que versaram a masturbação, uma delas enumerava os sintomas que faziam reconhecer essa actividade, nomeadamente as mãos suadas e outros sintomas do mesmo género. Ora esse investigador propunha uma cura: flocos de cereais ao pequeno-almoço. Chamava-se o dito senhor... Kellogs!

14 março 2008

Amor grego e homofobia


Na segunda-feira, dia 3, fui à Escola Secundária de Pinheiro e Rosa fazer uma palestra para os alunos de 12º ano, que organizaram, no âmbito da área projecto, actividades em torno da temática «Stop Homofobia».
«Amor Grego», chamou-se.
O objectivo não era defender nem atacar a prática da homossexualidade, mas apresentar um contexto histórico sobre o assunto.
Foi interessante mostrar que a relação entre eromenos (o amado) e erastes (o amante) nem sempre era de natureza sexual e que este tipo de relacionamento tinha regras específicas, primando pela contenção. Nada de grandes e ricos presentes, para que não se confundisse com pagamentos próprios da prostituição.
Interessante também a referência ao Batalhão Sagrado de Tebas, corpo de militares famoso, pois que era composto por pares de amantes: um sucesso de coragem e camaradagem.
Homofobia? Sempre houve. Como sempre houve outras fobias em relação ao que é difente.

12 março 2008

"netodepressão"

Peço desculpa a todos os amigos e leitores, mas tenho andado "netodeprimida"...
Não me tem apetecido ler o correio, muito menos responder e, por consequência (espero que se perceba a lógica da coisa), actualizar o blogue.
Mas isso já passou.
:)
Obrigada pelos mails de preocupação.
Beijinhos a todos!
Até já!

02 março 2008

parole, parole, parole

A Rosário do Divas e Contrabaixos acorrentou-me com palavras bonitas.

Aqui vão algumas palavras de que gosto:

amora - hummm... deve ser porque gosto de amoras silvestres... e porque é quase, quase amor.
Anfilófia e Genoveva - nomes pelos quais o meu pai me chamava para me fazer rir e que ainda me divertem.

bolota - porque é uma palavra redonda. Gosto de palavras redondas.
flor de murta - nome por que a uma senhora amiga me chamava em criança. Convencida, eu achava que devia ser uma flor muito bonita.



lamparina - é uma palavra divertida. Deve ser do «i».

patusco/patusca - porque é um adjectivo que acho muito... patusco.

plúmbeo - porque é mais escuro que o cinzento e é assim que vejo a cor do céu quando está carregadinho, carregadinho.

28 fevereiro 2008

Hera


«Hera com os seus súbitos»

Dá para fazer um jogo, do tipo «complete a frase»:

Hera com os seus súbitos... ataques de ciúme.
Hera com os seus súbitos... ataques de fúria.
Hera com os seus súbitos... esquemas de vingança.

Se bem que pode ter sido apenas um lapsus manus...

26 fevereiro 2008

Apanhei-te!


Não resisto! No outro dia vi-te no estacionamento do Fórum. Estavas com dois (ou duas?) cheios de correntes, malta da pesada! Nem me ladraste!

24 fevereiro 2008

Crenças...

«Há pessoas que são crentes em Deus (alguns países) e outras são crentes nos Deuses gregos, o que se pode verificar na Grécia e Roma».
(O que faço a isto? Às vezes rio, às vezes choro.)

22 fevereiro 2008

Odisseia - resumo (verdadeiro!)

Odisseia, de Andrei Konchalovsky

«A Odisseia, sendo um filme com grandes efeitos e cenas, foi muito famoso naquela e nesta altura.
Trata da viagem de um guerreiro, Odisseus, que enfrenta várias missões, arriscando a sua morte, sendo estas quase obstáculos que ele tem de ultrapassar para chegar à sua verdadeira casa. O filme engloba os deuses, os heróis e é quase um resumo de tudo o que diz respeito à história da Grécia.»

20 fevereiro 2008

Madame Bovary - resumo

Gustave Flaubert, Madame Bovary, (378 páginas).

Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa. Envenena-se e morre.

13 fevereiro 2008

Logopoioi - os fazedores de discursos

No programa Câmara Clara do passado domingo, a propósito das eleições nos EUA, foram referidos os speechmakers. Lembro-me de os ver em actuação na série West Wing (Os Homens do Presidente), com Richard Schiff a fazer de Toby Ziegler, o escritor dos discursos do presidente.
Não é coisa de agora, inventada por americanos.
Desde há muito que houve quem escrevesse para outros, pois nem sempre o que tem capacidades oratórias tem a capacidade de construir o discurso necessário para as ocasiões e vice-versa.
No final do Eutidemo, de Platão, há uma referência a essa actividade.
Sócrates analisa a actividade dos logógrafos (aqueles que escrevem discursos) que desdenham a filosofia e afirma que eles pensam que, estando entre o filósofo e o estadista, «participam de ambas as actividades na porção necessária» (305d); mas depois sistematiza o que eles de facto são, a saber, inferiores tanto à filosofia como à prática política, apresentando três possibilidades:
[1]- o que participa de duas coisas, uma composta de bem e outra de mal, é inferior a uma e superior a outra;
[2]- o que participa de dois bens com fins diferentes é inferior a ambos;
[3]- o que que participa de dois males com fins diferentes, é superior a cada um desses males.
Depois desta generalização Sócrates passa à aplicação ao caso que analisa:
1- se a filosofia e a prática política são bens com fins diferentes, então os logógrafos são inferiores a ambas (cf.supra [2]);
2- se a filosofia e a prática política são um bem e um mal, então estes homens «são superiores a uma e inferiores a outra» (cf. supra [1]);
3- se a filosofia e a prática política são ambas males, então o logógrafo é superior a ambas.

Como esta terceira possibilidade é logo inviabilizada, Sócrates conclui que os construtores de discursos «são inferiores às duas» naquilo em que cada uma se distingue.
Hoje em dia talvez não seja assim... afinal, nem estamos a falar de filosofia...

11 fevereiro 2008

Os Lusíadas - resumo



Luís de Camões, Os Lusíadas (várias edições), versão de João de Barros.



Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.

10 fevereiro 2008

Já não me lembrava!


Como referi no 1º post sobre os resumos, estes foram-me enviados (por mail) e, como tal, o texto vai a castanho (penso que já todos perceberam que a castanho escrevo o texto de outros, a verde os textos da antiguidade e a azul os meus próprios textos. E, se cito, coloco aspas ou itálico, mesmo que a azul).

Contudo, a Bomba Inteligente teve a gentileza de me enviar a referência.
Aqui vai:

Os pequenos textos têm como autores Carlos Quevedo e Rui Zink, e foram publicados na Revista Kapa, em inícios da década de 90. Poderá encontrá-los no "Já não me lembrava".

Este livro de Carlos Quevedo pode ser adquirido em qualquer livraria perto de si ou aqui. Se tem textos da Kapa, deve ser muito divertido! Ainda guardo recortes da revista, do meu tempo de Funchal, dos princípios dos anos 90.
Já se está a ver que sou daquelas pessoas que guardam recortes de jornais e revistas, porque nunca se sabem quando podem vir a ser úteis e que um dia, por falta de espaço ou numa mudança, ou porque a gata fez xixi em cima, tem de deitar tudo fora.
O pior é que não aprendo.

08 fevereiro 2008

Novo Testamento - resumo

(versão audio, para quem não tem tempo)

Anónimo colectivo.
Novo Testamento (4 versões).

Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de pescadores. Por causa de um bufo, é preso e morre.

07 fevereiro 2008

Hamlet - resumo

William Shakespeare, Hamlet (qualquer edição).
(não resisto a colocar uma dedicatória neste resumo)

Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira, e morre, assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.

04 fevereiro 2008

Guerra e Paz - resumo



Leão Tolstoi, Guerra e Paz, (1800 páginas).
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscovo. A rapariga casa-se com outro. Fim.

02 fevereiro 2008

Cataloguices

Gosto de visitar livrarias nos diversos sítios por onde passo: mesmo que pertençam a cadeias, como as FNAC, há uma organização diferente e deve haver escolhas de stock diferentes, pois encontro sempre coisas variadas nas lojas. Pode ser apenas impressão, mas isso leva-me a gostar muito de variar de livraria.

Estive na FNAC do Norte-Shopping. A secção de DVD pareceu-me maior e melhor do que qualquer uma de Lisboa ou Algarve. Quando vi a parte catalogada como cinema de autor entusiasmei-me. Há autores de quem gostava de saber o que já está em DVD. Começo a procurar... e a organização parece-me estranha... Em «N» encontro Tarkovsky, com Nostalgia (que já tenho); em «S» volto a encontrá-lo, com Solaris junto a Bergman (o Silêncio, pois). Perguntei a um funcionário o que se passava e ele confirmou o que eu temia: os filmes estavam organizados por títulos! Em «cinema de autor» esperaria encontrar a catalogação por autor. Mas não. Não faz sentido. Cataloguices!

01 fevereiro 2008

Em busca do tempo perdido - resumo

Mandaram-me o resumo de alguns livros. Para quem tem falta de tempo, aqui ficam as linhas gerais...

Marcel Proust. À Ia recherche du temps perdu. Paris, Gallimard.1922 (I.ere edition)

- À procura do tempo perdido. Livros do Brasil, Colecção Dois Mundos. 1965 (agora há a tradução do Pedro Tamen, da Relógio d'água).

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos e pronto.

28 janeiro 2008

Auriga (à descoberta - III)

O pulso fino a concisa mão divina dizem
O pensamento rápido e subtil como Athena
E a vontade sensível e serena:

A ti mesmo te guias como a teus cavalos

26 janeiro 2008