20 junho 2008

Gonçalo M. Tavares em Albufeira

Hoje, às 21.30, na Biblioteca Municipal de Albufeira, vai realizar-se última sessão do ciclo de leituras dedicado ao escritor Gonçalo M. Tavares, com a presença do próprio.
No mail que a simpática Ana Paula Miguel (Divisão de Assuntos Culturais) me enviou, acrescentou: «Para além disso, está a ser organizada uma pequena animação teatral (surpresa!) relacionado com a obra do escritor a cargo do grupo de teatro “A Gaveta”. Espero que o público goste mesmo…»

Está feito o convite. Vou lá estar também. Até logo!

17 junho 2008

Ausência

Conta os teus dedos, quantos dedos?
Cinco, responde Mylia.
Vês?, diz Witold, tens a mão toda.

Falta a mão, insiste Mylia.

Gonçalo M. Tavares, Jerusalém, p.185

15 junho 2008

Europa

Europa 02
(III)
Podes cumprir as regras com exactidão mas, num determinado momento, eles apresentam um pequeno documento-lei, e então percebes: vais ser morto. O que fazem é aleatório, mas nunca ilegal. Primeiro mostram a lei, o documento que determina a acção. Ninguém resiste. As pessoas aceitam a lei. Se não, seria pior.

Gonçalo M. Tavares, Jerusalém, p.113 (Caminho, 2005)

14 junho 2008

votar no melhor (em itálico)

Como membro do Alto Comissariado para a Selecção do Melhor (reparem neste itálico) Jogador do Euro 2008, convido-vos a visitar o Geração Rasca e a votar.

13 junho 2008

lifelong learning

os velhos são sempre suficientemente jovens para serem ensinados

Ésquilo, Agamémnon, 583-4, em tradução de Manuel de Oliveira Pulquério para as Edições 70

12 junho 2008

O muro de Adriana



Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.

Faze canteiros como os que os outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.

Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...

(Fernando Pessoa)

10 junho 2008

escuteiros

(Maio de 1979)

Fui escuteira durante 11 anos. Foi uma escola muito importante na minha formação de adolescente e jovem adulta. Tive a sorte de haver um padre no Bombarral, o Padre Fernando Guerra (o meu padre, como gosto de lhe chamar), que decidiu que as raparigas também podiam ser escuteiras. E a sorte de a Capitolina, irmã do Padre Guerra, ter sido a nossa chefe. Com ela aprendi tanta coisa de que me lembro ainda hoje. Tudo bons conselhos que me servem no convívio saudável com os outros. Eram pessoas de espírito aberto e moderno.
Depois de aceites as raparigas no agrupamento, a aprendizagem continuou: aprender a ler mapas, aprender a ler o céu, desenvolver a memória, a capacidade de observação, a tolerância, o trabalho de equipa, a criatividade, o espírito de grupo (não perdendo a individualidade), enfim, uma verdadeira escola. Ainda hoje tenho algumas pessoas no coração, como este grande amigo.
Mais tarde, em Aveiro, onde estive um ano, vivi o mesmo espírito.
Porém, tenho noção que tive sorte em ter estado nestes dois agrupamentos, pois sei que não é assim em todo o lado. Também estive em Lisboa.
Não sei como está o C.N.E. hoje em dia, mas esta história não abona nada a seu favor.
Solidária com este outro grande amigo, deixo a história que conta:

Escuteiros...a que gente entregamos os nossos filhos?

A quem entregamos os nossos filhos? Aos Escuteiros?

LS, que tinha sido em tempos do século passado escuteiro e dirigente do CNE, achou por bem levar o seu filho SS para os escuteiros.

Foi para o agrupamento 61, Santa Maria dos Olivais, Lisboa, onde era chefe de Agrupamento JC, antigo colega de LS.

Passado cerca de um ano, JC deixa o cargo, tendo sido eleito GF, começando pouco depois as quezílias com o Pe IB, assistente do agrupamento.

Em resultado disso, os chefes que não se reviam nas atitudes do Pe IB abandonaram o agrupamento, ficando assim o mesmo sem dirigentes.

( Abandonaram CP, GF, LG, CA, SP, PN, e SMN)

Para não perderem a posse da sede que estava protocolada com a CML, IB desencantou AN, chefe do núcleo, e antigo chefe no 61, que veio assumir a chefia e tentar manter o agrupamento aberto, com a ajuda dos caminheiros, que poderiam ser mais tarde chefes. ( Boas vontades não colmatam falhas estruturais!)

Ao recomeçar o ano escutista, numa actividade mal enquadrada, mal planeada e mal vigiada, SS com 10 anos, de olhos vendados, é deixado ao abandono, dá uma queda, de cerca de 4 metros tendo fracturado o fémur, sem que ninguém tivesse dado pela sua falta.

Pasmam-se os pais ao imaginar que os vossos filhos de 10 anos são largados na serra de Sintra, de olhos vendados sem que ninguém esteja a velar por eles ou a precaver os riscos… ou seja o tipo de jogo que pode ser feito num court de ténis vedado, ou num ginásio, foi feito numa serra, com acidentes naturais não delimitados ou balizados e sem monitores suficientes para não perderem de vista todos os participantes.

Esta situação foi denunciada pelos pais de SS ao assistente de Núcleo NA, ao chefes Regional JCO e Nacional LL, ao assistente nacional JN, bem como a um tal conselho jurisdicional e fiscal, que nunca se dignaram a dar resposta a questões pertinentes:

Cumprem os escuteiros os seus próprios regulamentos acerca da formação e qualidade dos chefes e do enquadramento dos miúdos nas actividades ou aquilo anda AD-HOC?

Cumpre os regulamentos a hierarquia católica ao agir com espírito Dominicano, a acusar e nunca a querer conciliar, cega nas suas decisões, mesmo que delas venham a resultar vitimas inocentes, não punindo os maus chefes ( leia-se maus tecnicamente) mas que não fazem ondas…

Terá essa organização seguros capazes de cobrir estes riscos bem como a irresponsabilidade dos monitores, caminheiros dirigentes e outros ou os pais como LS estão abandonados pelo movimento ao qual confiaram os seus filhos?

Ou será que tem pelos mínimos…só para dizer que tem?

Passados 3 anos e tal, com 3 operações, sofrimentos e dores imensuráveis, aulas perdidas, noites perdidas, dificuldades de todo o género, LS comenta que só houve encobrimento, desviar de olhos e fugas por parte quer da hierarquia do Corpo Nacional de Escutas, quer por parte dos responsáveis directos… nem sequer um simples “querer saber como vai passando”…

Que dirigentes e assistentes são esses que não se importam com as perdas que sofre o movimento?

Que “Corpo” é esse que assiste impávido ao amputar dos seus "membros"?

Que “Amigos de todos e irmãos de todos os outros” são esses?

Que "honra" poderão inspirar os escuteiros á comunidade escolar e aos amigos da familia do SS e a todas as pessoas que sabem do sucedido?

Pensem bem com quem vão deixar ir os vossos filhos…

09 junho 2008

«pano luz»? Isto não vai lá com tradução automática

(Estava a pensar na melhor forma de limpar umas malas de pele. Decidi buscar no Google por «limpar pele e couro». Apareceu-me esta tradução (???). Procurei o original e aqui se vê o resultado. Divirtam-se!)

Como sobre Minha Leather Jacket?

While soap and water works fine on some upholstery leathers, it can damage other types beyond repair. Enquanto água e sabão funciona bem em alguns estofos couro, que pode danificar além de outros tipos de reparação. For simple touchups, you can use a light cloth and a light spray cleaner to get the dust off the shell of the jacket. Para touchups simples, você pode utilizar um pano luz e uma luz spray limpa para obter a poeira ao largo da casca da jaqueta. Most of the spray cleaners that are advertised as being fine for leather do not contain a water base, so you will be safe. A maioria dos spray limpadores que são anunciados como sendo multa de couro não conter uma base água, de modo que você será segura. If your leather jacket needs a more robust cleaning, your best bet is to take it to a dry cleaner for a professional cleaning. Se a sua pele precisa de um casaco mais robusto limpeza, a sua melhor aposta é a de levá-la a uma seca mais limpas para uma limpeza profissional.

How about My Leather Jacket?

08 junho 2008

just a girl

Ontem, no Notting Hill (filme de 1999), nesta cena vemos Anna Scott (Julia Roberts), uma famosa actriz, pedindo a William Thacker (Hugh Grant), um simples livreiro, para lhe dar uma hipótese de recomeço, dado que a fama é uma ilusão e o que aspira é a uma vida simples:
«Sou só uma mulher, em frente a um homem, pedindo que a ame»
(I' m just a girl, standing in front of a boy, asking him to love her).

[O dia aqui está lindo. Só para fazer inveja: acabei de vir da praia, onde dei um belo passeio, estiquei-me um pouco e entrei na água amena]

07 junho 2008

ser feliz: ambiguidade vocabular

De resto, se estiveres interessado em analisar ambiguidades vocabulares, verifica antes que «homem feliz» não é aquele que o vulgo entende como tal, ou seja, um homem de grandes recursos monetários;
é sim, aquele para quem todo o bem reside na própria alma, é o homem sereno, magnânimo, que pisa aos pés os interesses vulgares, que só admira no homem aquilo que faz a sua qualidade de homem, que segue as lições da natureza, se conforma com as suas leis, e vive segundo o que ela prescreve;

é o homem (...) seguro do seu pensamento, inabalável, intrépido;
é o homem a quem a força pode abalar, mas nunca desviar da sua rota; a quem a fortuna, apontando contra ele as mais duras armas com a maior violência, pode arranhar, mas nunca ferir, e mesmo assim raramente.

Séneca, Cartas a Lucílio, 45. Tradução de J.A. Segurado Campos para a Gulbenkian.

06 junho 2008

Duo VioliNOcordeão

Vi um espectáculo de João Pedro Cunha (violino), meu antigo e paciente professor de formação musical, e Gonçalo Pescada (acordeão), há dois anos, e gostei muito, muito, muito. O som destes dois instrumentos liga-se maravilhosamente. Aconselho vivamente a que os vão ouvir, amanhã, dia 7, às 16.30, no Museu de S. Brás de Alportel.


Na nota de divulgação lê-se:
O Duo ‘violiNOacordeão’ (...) propõe um espectáculo que, mantendo a formalidade dos concertos de música erudita, prima por um ambiente descontraído, criado pela proximidade entre o público e os artistas. Com um repertório ecléctico e variado e uma duração aproximada de 80 minutos a fusão exótica destes dois instrumentos, resulta num espectáculo fascinante tanto para o ouvinte menos preparado como para o mais erudito.
(...) Desde obras originais para esta constituição até arranjos feitos pelos próprios, o seu tipo de programa abarca obras de compositores consagrados incluindo peças de carácter mais acessível ao chamado “Grande Público”. Em projecto está a encomenda de obras originais a vários compositores o que, aliás, já aconteceu: “Adeus”, dedicado por Adriano St. Aubyn ao VioliNOacordeão.
Clique aqui para ler mais informação sobre: João Pedro Cunha | Gonçalo Pescada

Bilhetes para o concerto de dia 7: mediante reserva -14 € (Amigos 10 €); na bilheteira -15 € (Amigos 12 €). Info: 966 329 073 Email: admin@amigos-museu-sbras.org Bar e refrescos disponíveis

Para espectáculos, contactar Inês Morais: inezmorais@mail.telepac.pt

05 junho 2008

A afinidade não cessa pela dissolução do casamento

(Brjullov - Retrato da Condessa Samoilova e da enteada Amazilia. Daqui.)

(...) assumir que não sou perfeita, mas que inda assim não há tanta coisa má.
Tem a ver com uma confiança que só aprendi com a Adriana, uma confiança que vem de dentro e que o interior pode brilhar.

Ouvir (ler, neste caso) estas palavras emocionou-me. Não têm preço. Já valeu a pena ser madrasta.

04 junho 2008

Ter tempo

Acordei com pressa, a pensar nas muitas coisas que tenho para fazer, na falta de tempo para deixar um postal no blogue. Mas logo me lembrei destas palavras de Séneca, já aqui publicadas há ano e meio:

Eu tenho todo o vagar que quero, e, aliás, só não tem vagar quem não quer. Os afazeres não andam atrás de alguém: os homens é que se agarram aos afazeres, entendendo as suas ocupações como sinónimo de felicidade.


Séneca, Cartas a Lucílio, 106

02 junho 2008

para as almas à deriva

Quero ter a alegria de ver, só por si, o teu aperfeiçoamento.
Progride, sempre com este máximo objectivo: obteres uma perfeita constância. Quando quiseres verificar se fizeste algum progresso, indaga se a tua vontade de hoje é idêntica à de ontem: uma mudança de vontade é indício de que a alma anda à deriva, aparecendo aqui ou ali conforme a levar o vento!

Séneca, Cartas a Lucílio, 35. A referência de sempre.

01 junho 2008

São escolhas

Roubei isto à Marta , que lhe chamou «Solidão». Eu não. São escolhas.

Dois bancos vazios à nossa espera, estando tão longe um do outro, como nós estamos.
Parece perto, bastaria estender a mão e aquietarmo-nos debaixo da sombra acolhedora.
Mas não, cada um de nós se sentou na beira mais longe, nem nos olhamos, por não querermos saber um do outro. Estamos até perto demais…mas continuamos juntos, que 40 anos é tempo imenso, todo das nossas vidas feito.
Há tanto tempo que te devia ter deixado, mas nunca saberei por que não o fiz…talvez ter-te sempre ali à mão, talvez o ter quem me fizesse a cama, me preparasse o jantar, ter companhia, no fundo, nem que fosse a tua, irritante, que não sabes aproveitar a vida, que de tudo dizes mal, que nunca nem por um momento te sentiste feliz.
Talvez o que te menos perdoe é dizeres que gostas das tuas filhas, mas que se não as tivesses tido passavas bem sem elas. Sonhas com uma carreira, com uns estudos que te recusaste a fazer quando amigas tuas recomeçaram a estudar, mas tu não, se calhar para poderes dizer mal de tudo e de todos, como é teu hábito.

Mudo-me para o teu banco, que isto não faz sentido, mas és sempre desagradável…criticas, criticas e voltas a criticar.
Todos os amigos desapareceram por não te conseguirem aturar…rio-me, amigos? Tiveste alguém de quem fosses amiga? Não há nada por mais simples que seja, que não faças dramas.
Ando cansado, mas muito cansado de ti.
É tão triste chegar ao fim da vida e olhar e só ver quem nunca soube amar, minha companheira, que à frente de todos de mim diz mal…cansaço enorme, mas contigo continuo sem saber o porquê.
Agora também já não vale a pena, basta-me estar calado. Qualquer compra que faça tenho de mentir no preço, para não haver discussão, aliás, já nem te conto nada de nada e nem dás por isso, por não conseguires estar calada, mas sempre, sempre a dizer mal e a criticar sem conseguires perceber que passo os dias calado

Deveria estar aqui a gozar esta sombra, esta árvore, este campo, em vez de estar tão amargurado, que nem os vejo.
Estes dois bancos que estavam vazios, são bem o nosso símbolo: Juntos, mas separados, vazios de afectos, vazios de tudo, vazios de nada.
Cansado, tão cansado de esta vida de solidão.
Então penso, que teria sido melhor… deveria ter sido sim, melhor, ter tido coragem para ficar sozinho, talvez não sentisse esta solidão, este vazio.