PLUMAS
Através da terra o amor
torna-nos estranhos à terra
liga-nos a uma divina linhagem
com seu tormento inapagável
suas velocidades enormes
O amor vive na ponta dos cabelos
O amor, ditam os frios de coração, é ruinoso
qualquer momento em chamas denunciará a imprecisa inquietação que nos toma
Os inocentes que se amam dizem
teu corpo está a nevar
tua alma é uma flor
um prado tranquilo sua noite
Os inocentes que se amam
por seu tormento elevam-se
como plumas
num chapéu de passeio
José Tolentino de Mendonça, A Estrada Branca, Assírio & Alvim, 2005
No alto de uma pilha, reconheço algumas capas da Assírio. Pego num dos livros, lombada fina.
José Tolentino de Mendonça.
Não sei se é ser preconceituosa (glup), mas não deixo de me surpreender sempre que penso que este homem, que tão bem canta o amor, é padre!
José Tolentino de Mendonça.
Não sei se é ser preconceituosa (glup), mas não deixo de me surpreender sempre que penso que este homem, que tão bem canta o amor, é padre!
Eu sei, eu sei. O amor de um sacerdote, sim... o amor de Cristo, pois... que até a Bíblia, claro... sim, e o Cântico dos Cânticos (que ele tão bem traduziu para esta mesma editora)...
Mas, que querem? Surpreende-me sempre.
Mas, que querem? Surpreende-me sempre.





