20 abril 2008

algarvismos e não só

Enviaram-me isto por mail. Não resisto a publicar aqui.
Novo Dicionário e Acordo Ortográfico com variante alentejana e algarvia:


Alevantar
O acto de levantar mas com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.

Amandar
O acto de atirar com força:
'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'

Arrelampa
Local com inclinação acentuada.

Ex: 'Moss, bora lá empurrar o barque aqui pla arrelampa'

Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.

Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.

Bassora

Também com a vertente 'vassoira'.
Utensilio de limpeza de lixo.

Normalmente tem a ajuda da 'apá' para a recolha do dito cujo.

Batoneira

Máquina que serve pra fazer betão, cimento.

Ex: 'Moss, liga a batoneira'

Capom
Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!

Catatumbas

Sitio pra onde se pode ir depois de morto.
Ex: 'Ê cá nã quere ir pra uma catatumba quere ir pró chão'

Cromade

Opção que se exerce em vida pra quando se morre.
Ex: 'Ê cande morrer quere ser cromade'


Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.

Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.

Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas..

Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.

Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular.

Ex.: eu falei,

tu falaste,

ele falou,

TU FALASTES..

Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.
Casa que não fractura... não perdura.

Há-des
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular:

'Eu hei-de cá vir um dia;

tu há-des cá vir um dia....'

Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto.

E digo mais:

eu, inclusiver, acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'.

Mô (Moss)
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'.

Ex.: Atão mô, tudo bem? ou 'Moss, deslarga-me da mão'

Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.
Para quê perder tempo, não é?

Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.

Númaro
Também com a vertente 'númbaro'.

Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!

Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.

Perssunal
O contrário de amador.

Muito utilizado por jogadores de futebol.

Ex.: 'Sou perssunal de futebol'.

Dica: deve ser articulada de forma rápida.

Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'(ou alcagoita).

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.

Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais....
Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.

Stander
Local de venda.

A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.
O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...

Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa.

Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo.
É assim... tipo, tás a ver?

Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

Tiosque
Sitio onde se pode comprar jornais, revistas, pitaxios, etc.

19 abril 2008

pouca coisa é de agora/coisa pouca é de agora

Não sei se já está resolvida a compra, por parte do estado, da colecção Jorge de Brito, que a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva se arrisca a perder (ler mais aqui).
Muito foi o tempo que esteve até se decidir a comprar o acervo de fado de Bruce Bastin (ler notícia de 2005 e notícia de 2008).
Já para não falar no apoio que os artistas não têm cá dentro até que lá fora lhe dêem valor.

Isto não é de agora, como sabemos. Não foi por acaso que Mecenas se tornou num substantivo comum (do homem que patrocinou artistas no tempo de Augusto a "aquele que patrocina artistas").
Ontem lia em Mário de Sá Carneiro, Loucura, (p.53 na edição da Ulmeiro) «O governo português, sempre predisposto a inúteis prodigalidades, não teve alma para desembolsar os setenta contos que o seu anterior proprietário exigira por essa maravilha de arte nacional».

Infelizmente, pouca coisa é de agora e coisa pouca também.

18 abril 2008

O Senhor Valéry

Hoje, às 21.30, na Biblioteca Municipal de Albufeira, a minha querida colega e amiga Ana Isabel Soares vai apresentar o livro O Senhor Valéry, integrado no Ciclo de Leituras sobre Gonçalo M. Tavares. Nesta sessão é distribuído o livro a ser apresentado no mês que vem (por mim), Jerusalém, e em Junho teremos a presença do autor.
Apareçam! Eu lá estarei!

Actualização:
o livro de 16 de Maio vai ser Água, Cão, Cavalo, Cabeça, porque a editora não tinha exemplares suficientes para as necessidades da Câmara.

As quatro Graças

(Rubens)

São quatro as Graças, porque às três antigas
se juntou há pouco uma outra, ainda húmida de perfumes:
a feliz Berenice, brilhante entre todas,
sem a qual as próprias Graças não seriam Graças.
Calímaco
305- 240 a.C. (datas aproximadas)
Tradução do grego de Albano Martins. Ver aqui.

17 abril 2008

vencer a doença

Antes de dizer-te como é que me consolava da doença, dir-te-ei apenas isto: o próprio facto de me resignar a estar doente já me servia de remédio. De facto, formas dignas de consolação acabam por tornar-se medicamentos; e tudo quanto nos fortalece a alma transforma-se em benefício para o corpo. Os meus estudos restituíram-me a saúde. É à filosofia que devo a minha convalescença, a minha recuperação (...).
Também contribuíram para eu recuperar a saúde os meus amigos: nos seus conselhos, na sua companhia, na sua conversa encontrei uma grande consolação.

Séneca, Cartas a Lucílio, 78, 3-4. Tradução de J.A. Segurado Campos para a FCG.

16 abril 2008

Ele é um corpo em presença de outros corpos

Carolina Rito (que eu conheci pequenina e agora já faz estas coisas!) é a curadora desta exposição que inaugura dia 19, às 16h, no jardim Botânico, e que permanece até 18 de Maio.
Artistas representados: Cláudio Sousa; Luís Simões e Rita Manuel; Nelson Melo; Spada Corp; Tiago Neto.

14 abril 2008

«estudar» ao piano e outros divertimentos

A minha mãe contou-me umas das suas histórias de infância. Falávamos do nosso piano. Ela nunca soube cantar nem tocar. Sempre o disse e todos sempre o soubemos. Por isso me surpreendi quando me começou a dizer:
- Eu às vezes também me sentava ao piano a estudar.
- A estudar ao piano? A Mãe?
- Sim, sentava-me a estudar. A avó tinha um cavalo grande, em cima do piano e eu ficava ali a estudar o modo de o tirar de lá e de o montar. Teria aí uns cinco anos. Estudei, estudei e lá descobri como subir para o piano, tirar de lá o cavalo e montá-lo.
- E depois?
- Montei-o e ele partiu-se todo. E depois apanhei.
- Os cacos?
- Apanhei da minha mãe. Ela gostava muito daquele cavalo. Mas as crianças são assim. Sempre a estudar maneiras para se distrairem. Eu passava os dias sozinha com a criada, tinha de arranjar alguma coisa para não me aborrecer. Às vezes passava tardes a penteá-la. Ela sentava-se eu penteava-a, penteava-a. Vocês agora têm uma vida melhor, mas a nossa teria, talvez, mais peripécias. Já te contei aquela do tio João e do médico? Parece mesmo uma anedota.
E o serão continuou.

(* Estas histórias que aqui conto da minha mãe são publicadas com o seu consentimento.)

13 abril 2008

(no prazo)

Esta foi a prenda do meu iogurte (que, surpreendentemente para quem me conhece, está dentro do prazo de validade. É que estou em casa da mãe...)

09 abril 2008

Resta a Esperança

(imagem daqui)
Antes de facto habitava sobre a terra a raça dos homens,
a resguardo de males, sem a penosa fadiga

e sem dolorosas doenças que aos homens trazem a morte.

Mas a mulher, levantando com a mão a grande tampa da jarra,

dispersou-os e ocasionou aos mortais penosas fadigas.

E ali só a Esperança permaneceu em morada indestrutível

dentro das bordas, sem passar a boca nem para fora
sair, porque antes já ela colocara a tampa na jarra,
por vontade do deus da égide, Zeus que amontoa as nuvens.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 90-99. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

07 abril 2008

Não aceites dons de Zeus!

Em seguida, concluído o engano difícil e sem remédio,
até Epimeteu envia o Pai dos numes o ilustre Argeifonte,
arauto veloz dos deuses, a levar a dádiva; e Epimeteu

não se recordou de que Prometeu lhe dissera para
nunca
aceitar qualquer dom vindo de Zeus Olímpico,
mas lho mandasse
de volta, para que não viesse qualquer mal aos homens:
só depois de o ter recebido, quando já tinha o mal, se deu conta.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 83-89. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

03 abril 2008

A Sombra do Tempo

Tapete Mágico

As ondas vão e vêm, mas o mar é o mesmo. É o que acontece com um clube de teatro escolar. Os alunos vêm, criam laços e depois partem. Tem sido assim ao longo de 12 anos de trabalho sistemático, sem interrupções. Às vezes, mais do que uma produção por ano. Uns anos são 20, outros apenas 3. Mas o Teatro faz-se com a emoção e o saber do momento, independentemente do número. Obrigada aos que por cá passaram. As viagens continuam para quem fica.


No dia 3 o espectáculo terá início às 21h30 e os bilhetes terão o preço de 5€, com desconto para estudantes e maiores de 65 anos.
No dia 4, o espectáculo é destinado ao público escolar, pelo que o bilhete terá o preço único de 2€ (com entrada gratuita para os professores acompanhantes).
O grupo gostaria muito de contar com a vossa presença nesta etapa, que para alguns dos participantes, será a despedida depois de um cíclo de 3 anos.

Ana Cristina Oliveira


A Ana Cristina é a alma deste grupo de teatro escolar e uma mulher que nunca se cansa de fazer coisas!

Faz anos hoje, o meu sobrinho

Foi assim... pequenino...
Parabéns, J.F.

Pandora, de seu nome

De imediato modelou com terra o ilustre Argeifonte
uma imagem de virgem casta, como vontade do Crónida.

Cinge-lhe a cintura e embeleza-a a deusa Atena de olhos garços.

As divinas Graças e a veneranda Persuasão

envolveram-lhe o colo com colares de ouro e em sua volta

as Horas de formosa cabeleira coroaram-na de flores primaveris.

Todo o tipo de adornos a seu corpo ajustou Palas Atena.

E em seu peito incutiu o mensageiro Argeifonte

mentiras, palavras sedutoras e carácter volúvel,

por vontade de Zeus tonitruante. Insuflou-lhe voz

o arauto dos deuses e deu a esta mulher o nome

de Pandora, porque todos os habitantes das mansões do Olimpo

doaram a dádiva, ruína para os homens comedores de pão.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 70-82. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

02 abril 2008

who dares to take the chance of no return

(imagem minha)
Where have you been?
Where are you going to?

I want to know what is new
I want to go with you

What have you seen?

What do you know that is new?

Where are you going to?

Because I want to go with you

01 abril 2008

cachorrinhos bebés


A cadelinha que encontrei a morrer de fome, há quase um ano (a Natacha), e que adoptei, teve 7 cachorrinhos.
Daqui a um mês estes bebés (com horas de vida na foto) já poderão ser, por sua vez, adoptados (nasceram anteontem).
Alguém se propõe a ficar com algum deles? Não sei ainda o sexo, mas sei que são lindos!

31 março 2008

Dor d'alma (outra)

«Esta imagem simboliza uma personagem da mitologia greco-latina, pois eu li que havia uma figura que era constituída por partes de animais diferentes e que pertencia a esta mitologia»

30 março 2008

feita de terra amassada


Ordenou ao ínclito Hefestos que o mais lesto possível
amassasse terra com água, nela infundisse voz humana
e vigor e que, semelhante às deusas imortais no aspecto, modelasse
bela e encantadora figura de donzela. Em seguida, incumbiu Atena
de lhe ensinar as artes e a tecer a tela de muitos ornamentos;
a áurea Afrodite de lhe derramar a graça em torno da cabeça
e o desejo irresistível e os cuidados que devoram os membros.
De nela incutir cínica inteligência e carácter volúvel

encarregou Hermes, o mensageiro Argeifonte.
Assim falou e eles obedeceram a Zeus Crónida e senhor.


Hesíodo, Trabalhos e Dias, 60-69. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

29 março 2008

Parabéns do Carlos para o Fernando

(foto daqui)
Mensagem acabada de receber, no meu telemóvel, da parte do meu irmão, fã confesso de Fernando Tordo:

«A 29 de março de 1948 nasceu no Bairro da Graça em Lisboa, na rua Feio Terenas, um menino com quase 5 quilos de peso ao qual foi dado o nome de Fernando Travassos Tordo. 60 anos depois com muita música e palavras à mistura, aqui estou eu, Carlos Nogueira, para lhe desejar muitos parabéns e que venham mais 60!»

28 março 2008

a pena dos homens futuros...

«Filho de Jápeto, conhecedor dos pensamentos entre todos,
alegras-te por teres roubado o fogo e enganado o meu espírito,
mas para ti em pessoa será grande pena e para os homens futuros.
Em vez do fogo, dar-lhes-ei um mal com que todos
se vão regozijar em seu coração, ao rodear de amor o mal.»
Assim falou, e riu-se o pai dos homens e dos deuses.

Hesíodo, Trabalhos e Dias, 54-58. Tradução de José Ribeiro Ferreira para a INCM.

26 março 2008

Heraclito


Hoje estou numa de Heraclito.
Comprei recentemente a tradução de Alexandre Costa para a INCM (uma edição de Novembro de 2005 que me escapara) e tenho andado a fragmentar-me na leitura.

A conhecidíssima ideia heraclitiana de

«Não é possível entrar duas vezes no mesmo rio» (L)

aparece mais gira em

«Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos» (XLIX)

ou ainda aqui:

«O mesmo é vivo e morto, acordado e adormecido, novo e velho: pois estes, modificando-se, são aqueles e, novamente, aqueles, modificando-se, são estes.» (XLII)