08 agosto 2008

Ontem, em Faro

Ontem estive na Feira do Livro de Faro e foi uma tristeza.
Afinal o encontro de autores não foi no pavilhão da Sulscrito, mas no da Câmara Municipal. Os escritores (sete) estavam sentados dentro do pavilhão e os espectadores do lado de fora, em pé. Como seria de esperar, poucos ficaram parados uma hora. Iam circulando pelos pavilhões da feira, foram ao café, e os que paravam (como eu) ficavam com a sensação de estarem a olhar para uma exposição ou para um quadro, juntamente com meia dúzia de pessoas como eles. Nem uma cadeirinha para os interessados em ouvir o que aqueles homens (nenhuma mulher a sul?) tinham para contar. Ainda por cima, três deles eram espanhóis, o que obrigava a maior concentração.
Enfim, salvou-se a noite com a presença de António Manuel Venda, que foi quem me levou lá, e de Pedro Afonso, um antigo aluno meu que estava no grupo como jovem poeta (acabou de sair o seu primeiro livro), que animou bastante quando chegou a sua vez de falar. Levantou-se, explicou que estávamos todos na mesma margem e desenvolveu a velha metáfora do rio como o espaço da escrita de uma forma fresca, como me pareceu ser também a sua poesia.
De António Manuel Venda obtive os autógrafos para os meus/seus livros e dois dedos de conversa, daqueles rápidos de quem tecla, que havia mais quem o quisesse, mas ainda teve tempo para me dizer que deve sair um novo livro em Setembro.
Soube, entretanto, que abriu uma nova livraria em Faro, Pátio de Letras, com bar, horário alargado e happy hour de livros. Hei-de ir lá em breve.

06 agosto 2008

As Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira

Dou-te uma aldeia irreal onde tudo é possível: que as árvores falem com as plantas e os animais chorem mostrando aos homens que não é vergonha chorar.
Tudo o resto, deixo-te a liberdade de inventar.
Desejo que vivas sempre nesta aldeia.
(Maio 1982)

(dedicatória que me escreveram no livro)

04 agosto 2008

Novo João!

Sou tia-avó!
Este meu sobrinho foi pai ontem!
Tivesse eu como, oferecia este berço.
Parabéns ao João e à Mafalda!

455

Este blogue, que tem uma média de 100 visitas diárias, teve 455 no dia 1, na sua maioria vindas pelo Corta-fitas. Já antes Pedro Correia me tinha destacado. Desta vez foi Luís Naves que me colocou como blogue semana. Muito obrigada pelas simpáticas palavras com que descreveu este blogue.
Espero que alguns dos que aqui passaram por curiosidade se venham a tornar visitas da casa. São todos bem-vindos.

03 agosto 2008

Queria dar gritos de raiva e só consigo murmurar.
Queria morder e, em lugar disso, a minha boca apenas aflora.
Queria esfacelar e, na realidade, acaricio.
Em contrapartida, gostava muito de andar devagar e sou permanentemente obrigado a correr.

Sempé, Alguns Filósofos, Publicações Dom Quixote (na velhinha colecção «Humor com humor se paga»), 1985.

01 agosto 2008

se a tanto me ajudar o engenho e a... dor


(...) és transportado pelas velas do engenho ao mesmo tempo que pela dor; e cada um destes foi a ajuda um do outro. Pois o engenho acrescenta dignidade e magnificência à dor e a dor acrescentou força e amargura ao engenho.


(Carta 20 de Plínio a seu amigo Nóvio Máximo, a propósito de um livro que este escrevera . Tradução minha. Ler outras cartas aqui e aqui.)

31 julho 2008

carpe diem


Mesmo no meio dos males, concedei à vossa alma o prazer possível em cada dia, já que aos mortos de nada serve a riqueza.


Espectro de Dario em Os Persas, v. 840-43, de Ésquilo, em tradução de Manuel de Oliveira Pulquério.

30 julho 2008

Questões de Moral ou Joel Costa

Questões de Moral é o programa mais divertido da Antena 2. Há muitos anos que o oiço e tenho de confessar que até me emocionei quando um dia vi, finalmente, o Joel Costa. Foi na televisão, não ao vivo, mas deu para experimentar aquela sensação especial de ver o rosto de uma voz que nos é tão familiar.
Joel Costa pensa sobre muitos assuntos. Por vezes não concordamos, mas em questões de moral duvido que possa haver sempre consenso. Discuto com ele e, como bom ouvinte que é, deixa-me sempre ficar com a última palavra.
A voz de Joel Costa é... molhada. Enquanto ouvia o último programa, fui tentando encontrar formas de descrever aquela voz: é molhada e irónica. Diverte-me muito.
E como gosto do que me diverte, segunda-feira às 13h, às 23h ou na internet, procuro não deixar de o ouvir.
No ano passado descobri o seu último livro, O Assassino de Salazar. Li-o de uma assentada, mas toda a narração tinha aquela voz, aquela inflexão irónica, aquele baixar de tom em algumas palavras que ele costuma fazer, que até parecia que tinha o autor a ler só para mim. Misteriosamente, li o livro com a voz de Joel Costa.

29 julho 2008

Thíasos

O grupo de teatro clássico Thíasos, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra faz 15 anos e eu sou tão vetusta que até sou do tempo em que não havia Thíasos!
Lembro-me de algumas das primeiras representações dos jovens estudantes Delfim Leão e José Luís Brandão (que me perdoem os outros, mas as actuações destes dois ficaram na memória) que abrilhantaram os serões culturais dos colóquios da antiguidade clássica a que tive a oportunidade de assistir.
Hoje são professores da Universidade de Coimbra e congratulo-me por ver que os espírito galhofeiro e brincalhão que neles se manifestava através das personagens interpretadas em nada ensombrou a seriedade e dignidade com que foram construindo as suas carreiras.
Sinto-me orgulhosa por, de vez em quando, ser iluminada com um pedacinho do brilho que dali vem.
Parabéns a todos!

26 julho 2008

Arte cicládica

(foto daqui)
Olho o meu saco de pano, daqueles que uso para ir ao supermercado para não trazer os de plástico, e leio, em grego e em inglês, «Museum of Cycladic Art - Nicholas P. Goulandris Foundation».
Tenho de ver se encontro, durante as arrumações, a estatueta que comprei na lojinha do museu.
A arte cicládica é uma das formas de arte grega que mais me agrada pela simplicidade, pela austeridade, pela contenção das expressões religiosas, pela singeleza dos votos oferecidos aos deuses.
A ausência de grandes decorações e as formas minimalistas permitiam-me brincar com alguns amigos e perguntar-lhes de que época pensavam que eram aquelas estátuas. Contemporâneas, era a resposta. Que tinham cinco mil anos, esclarecia eu.

(foto daqui)

(foto daqui)

24 julho 2008

Escolha

O que é preferível?

Estar presa, em pouco espaço, mas ter quem esteja connosco

ou
livre, com espaço, mas sozinha?



Não sei o que a minha Natacha preferirá nos próximos 3 dias: que a leve para outro lugar, onde vai estar acorrentada, ou que a deixe aqui no quintal e ter alguém que a venha alimentar, mas que não lhe fará muita companhia.
Aceito conselhos de mais sabedores de como tratar um cão.

23 julho 2008

Curiosidade: herança de Pandora?

(imagem daqui)

Prediction of the time and manner of death was one of the most important activities of the ancient astrologer, though it was illegal.

(Tamsyn BARTON (1994), Ancient Astrology, Routledge)

22 julho 2008

O primeiro jantar...

...deliciosamente improvisado, sob a protecção de um «anjo» da Bairrada, tinto, de 1991...

21 julho 2008

chorar um homem


É na escuridão, Gala, que choras o marido que perdeste:

creio que tens é vergonha , Gala, de chorar um homem.

Marcial, IV, 58. Esta tradução.

19 julho 2008

Beleza madura



Não me agrada casar com uma virgem nem com uma velha.

A uma lastimo-a; à outra respeito-a.
Nem bago verde nem passa de uva. A beleza sazonada
é que está madura para o leito de Cípris.

Onestes, nesta tradução da Antologia Palatina

18 julho 2008

A propósito da minha lombalgia

Tendo prometido a Diodoro que lhe endireitava a corcunda,
Socles colocou três enormes pedras quadradas sobre a saliência da sua espinha dorsal. Diodoro morreu em consequência da pressão, mas ficou mais direito que uma tábua.

Nicarco, nesta tradução da Antologia Palatina.

17 julho 2008

Amizade

a amizade tem de ser mais branda, e mais livre, e mais doce, e mais inclinada a toda a gentileza e afabilidade.

Cícero, A Amizade,18, 66. A mesma referência.

16 julho 2008

Limerick caseiro

Tenho uma amiga em Limerick . Isso fez-me pensar nos limericks que, noutra vida, costuma fazer e de como nos ríamos com as parvoíces que saíam. Não resisti a deixar-me levar e saiu este assim:

There's a house in a place I know
When I first saw it I said wow
I fell in love and bought it
' didn' think much about it
And now to pay it I say wow

15 julho 2008

Que inveja!

O meu dia de hoje pertence-me, ninguém me roubou um bocadinho que fosse: todo ele foi dividido entre o leito e a leitura.

Séneca, Cartas a Lucílio, 83.3. A referência do costume.