14 setembro 2008
Las islas del mediodía/ As ilhas do meio-dia
Aquí hallarás resguardo en la tormenta,
fruto en sus vaguadas y alivio a tu dolor.
Sin embargo échate al mar
apenas la calma lo permita.
Aléjate.
Que la tierra que una vez te cobijó
no vuelva al cabo su brazo contra ti.
___________________________
Aqui acharás abrigo na tormenta,
frutos no fundo dos vales e alívio para a tua dor.
No entanto retorna ao mar
logo que a calma o permita.
Distancia-te.
Que a terra que uma vez te cobiçou
não volte mais tarde o seu braço contra ti.
Manuel Moya
Tradução de Rui Costa
Edição bilingue
Livrododia Editores, Torres Vedras, 2008
13 setembro 2008
Hoje, à noite, em Faro...
... vou à livraria Pátio de letras. Gostei do livro de poesia do Pedro Afonso. Nunca li nada de Manuel Moya, mas conheço o Fernando Cabrita e é sempre um prazer ouvir o que tem para dizer.
11 setembro 2008
2 anos
À nossa!
A Senhora Sócrates faz hoje dois anos.
Alguns dos meus visitantes já me conheciam pessoalmente, outros vim a encontrar por causa deste blogue. É a vida a acontecer, porque virtual não significa irreal.
Obrigada a todos!
08 setembro 2008
«Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto»

Querida Tia (A Tia):
É a primeira prenda que te ofereço em dezanove anos, de modo que a responsabilidade que fulmina os meus frágeis ombros é demasiada!
De qualquer modo, momentos solenes (e felizes) nunca se desperdiçam, por isso vou dar o meu melhor na minha (também) primeira dedicatória que te escrevo.
Este livro é a condensação da desilusão do português suave. Senti o cinzento da melancolia de Lisboa que há tanto tempo esqueceu o que é ser a sede do V Império, a monotonia quer do cidadão comum que sabe que não consegue raiar a mediania, quer do pretenso revolucionário apenas acalentado pelos sonhos da revolta, mas sufocado pela realidade da rotina.
E há ainda a mediocridade arrogante da Elsa Galvão, a personificação de tantos e tantos compatriotas que manipulam subrepticiamente o nosso quotidiano.
Gostei do sarcasmo e da ironia, da auto-crítica despida do barroco que o constatar da decadência acarreta sempre.
Acima de tudo, gostei e espero que gostes.
Despeço-me, finalmente, porque já me alonguei demais. Nem devo ter dito nada do que ensejava, mas pelo menos, se fui eu que escrevi, alguma coisa esta dedicatória há-de ter de mim. Deve ter muito, considerando que a escrevo para ti.
P.S. É sempre bom trocarmos umas ideias sobre todos os assuntos! (Toda a gente se esquece disso!)
P.S.2: Desculpa ter utilizado tantos pontos de exclamação. Cada vez que uso um lembro-me sempre do insuperável Adrian Mole que, ao receber uma carta de amor de uma rapariga que não corresponde aos seus elevados parâmetros intelectuais, afirma peremptoriamente que não seria capaz de casar com alguém que recorresse tão frequentemente e indiscriminadamente às exclamações.
Apesar de tudo, tal afirmação permaneceu na minha memória e, inexplicavelmente, não posso deixar de pensar que ele tem alguma razão! (Ah! Ah!)
06 setembro 2008
Chove
Chove e de vez em quando faz um vento frio...
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.
N'um dia no meu futuro em que chova assim tambem
E eu, á janella, de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu «ah n'esse tempo eu era mais feliz»
Ou pensarei «ah, que tempo triste foi aquele»!
Ah, meu Deus, eu que pensarei d'este dia n'esse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é hoje só presente?...
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E ha uma grande duvida de chumbo no meu coração...
Álvaro de Campos
[57A-74r] Manuscrito de 20/11/1914. Edição crítica de Teresa Rita Lopes, editada pela editorial estampa em 1993 ( a minha edição é de 97, mas deveria chamar-se reimpressão...)
05 setembro 2008
blogues bloqueados em bibliotecas
Fulanizando a situação, a ideia que tenho da directora da Biblioteca de Faro é a de uma pessoa que, se não faz mais pela cultura é porque não pode.
04 setembro 2008
Foi quase como dizer: «Ó Sócrates, desculpa a franqueza, mas és feio»
Muitos homens têm a mania de dizer que não sabem apreciar outros homens. Sabem, pois. Vejam só o que diz Teodoro a Sócrates sobre o jovem Teeteto:
Platão, Teeteto, 143e.
03 setembro 2008
locus memoriae
Gostei do Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal.
(A foto de cima foi tirada no castelo de Abrantes)
02 setembro 2008
¡Mira! ¡Ya estoy navegando!
Até lá, continua verdinho.
01 setembro 2008
prémios literários
- Pagada la cena?
- Hosti, jefe. Claro.
- Menú.
Pero no, no valía la pena pedir el menú de una cena donde se concede un premio literario. En esas circunstancias la gastronomía es lo de menos y sería una grosería que la cena fuera más buena que la obra premiada.
Manuel Vásquez Montalbán, El premio, Planeta 2005, p.63
(Nota: continuo sem net em casa...)
31 agosto 2008
ausência forçada...
Até lá, vou tentando ler e escrever de computadores alheios.
26 agosto 2008
De férias aqui...
24 agosto 2008
certeza
(Anacreonte, Fragmentos elegíacos 1. Tradução minha).
23 agosto 2008
Da natureza dos homens (bons)
Os Gregos (e os Romanos também - veja-se César, descendente de Vénus) gostavam de apresentar um deus na origem da sua família. Heródoto conta-nos esta lição dada pelos sacerdotes egípcios, sobre a natureza humana dos... homens:
Então, durante esse período de onze mil e trezentos e quarenta anos, dizem os sacerdotes, não houve rei algum que fosse um deus sob forma humana, nem aconteceu isso antes ou depois desse período entre os restantes reis dos egípcios.
O historiador Hecateu esteve antes de mim em Tebas, onde traçou para si mesmo uma genealogia que vinculava sua linhagem a um deus na décima sexta geração de seus antepassados.
Então, quando Hecateu traçou sua genealogia e reivindicou para seu décimo sexto antepassado a condição de deus, os sacerdotes também traçaram uma genealogia de acordo com o seu método de computação, pois não se deixariam convencer da possibilidade de um homem descender de um deus; eles traçam a genealogia ao longo da fileira completa de trezentos e quarenta e cinco estátuas colossais, chamando-as Píromis, filho de Píromis, mas sem associá-las com qualquer antepassado, deus ou herói (píromis em língua helênica significa apenas um homem bom).
Assim eles mostraram que todas aquelas pessoas cujas estátuas se alinhavam lá haviam sido homens bons, mas estavam muito longe de ser deuses»(texto de Herótodo daqui)
22 agosto 2008
Por hoje Nelson Évora ter feito ouvir o hino em Pequim
Há alturas em que para os homens a maior necessidade
são os ventos; outras vezes, são as águas do céu,
chuvosas filhas das nuvens.
Mas se com esforço alguém chega a vencer,
os hinos de som de mel
constituem o início de posteriores discursos
e o fiel garante para êxitos enormes.
Sem inveja alguma este louvor é devido aos vencedores olímpicos.
Píndaro, Ode Olímpica XI, in Poesia Grega, Cotovia, 2006, em tradução de Frederico Lourenço.
20 agosto 2008
As Bacas
Esta peça de Eurípides que a Charlotte seleccionou como leitura para as férias fez-me lembrar a questão da tradução dos títulos. Fala-se muito dos títulos de filmes e livros modernos e contemporâneos mas poucas vezes dos clássicos. Claro que isto tem razão de ser: séculos de tradição de tradução; poucas edições portuguesas de alguns títulos potencialmente mais polémicos; títulos simples atribuídos a posteriori (nomes de pessoas ou lugares, por exemplo).Não sei se será esta a eleita aquando da publicação...
Voltando à tragédia de Eurípides, o nome pelo qual é conhecida é As Bacantes. Já foi várias vezes representada (vi-a há 13 anos - confirmei agora - na Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre, pela Escola de Mulheres) e traduzida em muitas línguas. O nome que lhe damos vem, como quase todos, através do latim, e do radical bacchant- chegamos a bacante.
Ora como o nome grego é, de facto, Βακχαι (Bacchai), o tradutor brasileiro, Jaa Torrano, optou pela forma transliterada e chamou-lhe Bacas.
Sei que não devia, mas não consigo deixar de me rir.
19 agosto 2008
As coisas são como são
18 agosto 2008
Pátio de Letras
É uma loja bonita, com um pátio confortável que separa o espaço onde se vendem os livros de um espaço - uma casa antiga - onde de podem ver exposições (neste momento está um de Sonia Cabañas e uma, que me pareceu particular, de livros de espionagem e policiais). Enquanto o bar não abre, está disponível uma máquina de bebidas e comidas.
17 agosto 2008
má rede
Os que me atendem dizem que outros me irão contactar por causa da minha reclamação, que se baseia no facto de não ter sido avisada que tinha atingido 90% do tecto gratuito e de própria TMN ter confirmado isso mesmo. Se não avisaram é porque não atingi. Ou atingi e tinham de ter avisado (aquilo são alertas automáticos, imagino. Não há-de ser uma pessoa que tem um grande mapa com os milhares de utilizadores da TMN e que diz «Olha! A Adriana atingiu 90%! Vou ter de a avisar!» e que depois se esquece).
Enfim, venho aqui sempre a correr para ver o correio e ler alguns blogues no pouco tempo que tenho até ficar sem rede. Sempre que puder, colocarei qualquer coisinha. Vamos ver quantas horas este postal vai demorar a ser publicado!
12 agosto 2008
outra carta de amor (das muito, muito antigas)
Caio Plínio saúda a sua Calpúrnia
É incrível o desejo que tenho de estar contigo.


