(imagem daqui)25 setembro 2008
Hoje, em Loulé...
(imagem daqui)23 setembro 2008
Não, não estou a falar dos dilemas das nossas elites e da classe política
Por outro lado, os que têm valor e capacidade e, devido à sensatez que lhes é própria, ficam calados sem se precipitarem para os cargos políticos - será no meio desses que parecerei ridículo e louco, por não preferir a calma de passar despercebido numa cidade carregada de culpa.
Chegado a um cargo honorífico, sentir-me-ei ainda mais posto à distância pelos votos da elite que se apropriou da cidade.
Pois é assim, pai, que as coisas se passam. Os que controlam as cidades e os cargos honoríficos são os mais agressivos em relação aos rivais.
Eurípides, Íon, vv.595-606. Tradução de Frederico Lourenço publicada na Colibri em 1994
20 setembro 2008
tia babada
Também acho.
As saudades que eu já tinha da minha alegre casinha, tão limpinha quanto eu… - por Rita Faria
Etiquetas: Rita Faria
19 setembro 2008
o que torna o homem livre
(...)
A divisão das sílabas, a observação dos significados, o conhecimento dos temas mitológicos, as leis e variações de versos - em que é que isto contribui para nos livrar do medo, nos libertar do desejo, nos refrear as paixões? Passemos à geometria e à música: nelas nada encontrarás que nos impeça de sentir receios ou desejos. E quem não adquirir estes conhecimentos essenciais não ganha nada em adquirir outros!
Séneca, Cartas a Lucílio, 88, 3-4. Tradução de J. A. Segurado Campos. Há mais por este blogue.
17 setembro 2008
Complexo de Electra
ORESTES
ELECTRA
Ésquilo, Coéforas, vv. 232-245. Tradução de Manuel de Oliveira Pulquério, incluído na Oresteia publicado por Edições 70.
15 setembro 2008
fragmentos...

não uma mas duas noites inteiras
Se ninguém impediu Safo, de Lesbos, de dirigir uma prece à noite para que, para si, durasse duas vezes, também a mim seja possível fazer um pedido semelhante.
14 setembro 2008
Las islas del mediodía/ As ilhas do meio-dia
Aquí hallarás resguardo en la tormenta,
fruto en sus vaguadas y alivio a tu dolor.
Sin embargo échate al mar
apenas la calma lo permita.
Aléjate.
Que la tierra que una vez te cobijó
no vuelva al cabo su brazo contra ti.
___________________________
Aqui acharás abrigo na tormenta,
frutos no fundo dos vales e alívio para a tua dor.
No entanto retorna ao mar
logo que a calma o permita.
Distancia-te.
Que a terra que uma vez te cobiçou
não volte mais tarde o seu braço contra ti.
Manuel Moya
Tradução de Rui Costa
Edição bilingue
Livrododia Editores, Torres Vedras, 2008
13 setembro 2008
Hoje, à noite, em Faro...
... vou à livraria Pátio de letras. Gostei do livro de poesia do Pedro Afonso. Nunca li nada de Manuel Moya, mas conheço o Fernando Cabrita e é sempre um prazer ouvir o que tem para dizer.
11 setembro 2008
2 anos
À nossa!
A Senhora Sócrates faz hoje dois anos.
Alguns dos meus visitantes já me conheciam pessoalmente, outros vim a encontrar por causa deste blogue. É a vida a acontecer, porque virtual não significa irreal.
Obrigada a todos!
08 setembro 2008
«Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto»

Querida Tia (A Tia):
É a primeira prenda que te ofereço em dezanove anos, de modo que a responsabilidade que fulmina os meus frágeis ombros é demasiada!
De qualquer modo, momentos solenes (e felizes) nunca se desperdiçam, por isso vou dar o meu melhor na minha (também) primeira dedicatória que te escrevo.
Este livro é a condensação da desilusão do português suave. Senti o cinzento da melancolia de Lisboa que há tanto tempo esqueceu o que é ser a sede do V Império, a monotonia quer do cidadão comum que sabe que não consegue raiar a mediania, quer do pretenso revolucionário apenas acalentado pelos sonhos da revolta, mas sufocado pela realidade da rotina.
E há ainda a mediocridade arrogante da Elsa Galvão, a personificação de tantos e tantos compatriotas que manipulam subrepticiamente o nosso quotidiano.
Gostei do sarcasmo e da ironia, da auto-crítica despida do barroco que o constatar da decadência acarreta sempre.
Acima de tudo, gostei e espero que gostes.
Despeço-me, finalmente, porque já me alonguei demais. Nem devo ter dito nada do que ensejava, mas pelo menos, se fui eu que escrevi, alguma coisa esta dedicatória há-de ter de mim. Deve ter muito, considerando que a escrevo para ti.
P.S. É sempre bom trocarmos umas ideias sobre todos os assuntos! (Toda a gente se esquece disso!)
P.S.2: Desculpa ter utilizado tantos pontos de exclamação. Cada vez que uso um lembro-me sempre do insuperável Adrian Mole que, ao receber uma carta de amor de uma rapariga que não corresponde aos seus elevados parâmetros intelectuais, afirma peremptoriamente que não seria capaz de casar com alguém que recorresse tão frequentemente e indiscriminadamente às exclamações.
Apesar de tudo, tal afirmação permaneceu na minha memória e, inexplicavelmente, não posso deixar de pensar que ele tem alguma razão! (Ah! Ah!)
06 setembro 2008
Chove
Chove e de vez em quando faz um vento frio...
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.
N'um dia no meu futuro em que chova assim tambem
E eu, á janella, de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu «ah n'esse tempo eu era mais feliz»
Ou pensarei «ah, que tempo triste foi aquele»!
Ah, meu Deus, eu que pensarei d'este dia n'esse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é hoje só presente?...
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E ha uma grande duvida de chumbo no meu coração...
Álvaro de Campos
[57A-74r] Manuscrito de 20/11/1914. Edição crítica de Teresa Rita Lopes, editada pela editorial estampa em 1993 ( a minha edição é de 97, mas deveria chamar-se reimpressão...)
05 setembro 2008
blogues bloqueados em bibliotecas
Fulanizando a situação, a ideia que tenho da directora da Biblioteca de Faro é a de uma pessoa que, se não faz mais pela cultura é porque não pode.
04 setembro 2008
Foi quase como dizer: «Ó Sócrates, desculpa a franqueza, mas és feio»
Muitos homens têm a mania de dizer que não sabem apreciar outros homens. Sabem, pois. Vejam só o que diz Teodoro a Sócrates sobre o jovem Teeteto:
Platão, Teeteto, 143e.
03 setembro 2008
locus memoriae
Gostei do Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal.
(A foto de cima foi tirada no castelo de Abrantes)
02 setembro 2008
¡Mira! ¡Ya estoy navegando!
Até lá, continua verdinho.
01 setembro 2008
prémios literários
- Pagada la cena?
- Hosti, jefe. Claro.
- Menú.
Pero no, no valía la pena pedir el menú de una cena donde se concede un premio literario. En esas circunstancias la gastronomía es lo de menos y sería una grosería que la cena fuera más buena que la obra premiada.
Manuel Vásquez Montalbán, El premio, Planeta 2005, p.63
(Nota: continuo sem net em casa...)
31 agosto 2008
ausência forçada...
Até lá, vou tentando ler e escrever de computadores alheios.
26 agosto 2008
De férias aqui...
24 agosto 2008
certeza
(Anacreonte, Fragmentos elegíacos 1. Tradução minha).
23 agosto 2008
Da natureza dos homens (bons)
Os Gregos (e os Romanos também - veja-se César, descendente de Vénus) gostavam de apresentar um deus na origem da sua família. Heródoto conta-nos esta lição dada pelos sacerdotes egípcios, sobre a natureza humana dos... homens:
Então, durante esse período de onze mil e trezentos e quarenta anos, dizem os sacerdotes, não houve rei algum que fosse um deus sob forma humana, nem aconteceu isso antes ou depois desse período entre os restantes reis dos egípcios.
O historiador Hecateu esteve antes de mim em Tebas, onde traçou para si mesmo uma genealogia que vinculava sua linhagem a um deus na décima sexta geração de seus antepassados.
Então, quando Hecateu traçou sua genealogia e reivindicou para seu décimo sexto antepassado a condição de deus, os sacerdotes também traçaram uma genealogia de acordo com o seu método de computação, pois não se deixariam convencer da possibilidade de um homem descender de um deus; eles traçam a genealogia ao longo da fileira completa de trezentos e quarenta e cinco estátuas colossais, chamando-as Píromis, filho de Píromis, mas sem associá-las com qualquer antepassado, deus ou herói (píromis em língua helênica significa apenas um homem bom).
Assim eles mostraram que todas aquelas pessoas cujas estátuas se alinhavam lá haviam sido homens bons, mas estavam muito longe de ser deuses»(texto de Herótodo daqui)
22 agosto 2008
Por hoje Nelson Évora ter feito ouvir o hino em Pequim
Há alturas em que para os homens a maior necessidade
são os ventos; outras vezes, são as águas do céu,
chuvosas filhas das nuvens.
Mas se com esforço alguém chega a vencer,
os hinos de som de mel
constituem o início de posteriores discursos
e o fiel garante para êxitos enormes.
Sem inveja alguma este louvor é devido aos vencedores olímpicos.
Píndaro, Ode Olímpica XI, in Poesia Grega, Cotovia, 2006, em tradução de Frederico Lourenço.
20 agosto 2008
As Bacas
Esta peça de Eurípides que a Charlotte seleccionou como leitura para as férias fez-me lembrar a questão da tradução dos títulos. Fala-se muito dos títulos de filmes e livros modernos e contemporâneos mas poucas vezes dos clássicos. Claro que isto tem razão de ser: séculos de tradição de tradução; poucas edições portuguesas de alguns títulos potencialmente mais polémicos; títulos simples atribuídos a posteriori (nomes de pessoas ou lugares, por exemplo).Não sei se será esta a eleita aquando da publicação...
Voltando à tragédia de Eurípides, o nome pelo qual é conhecida é As Bacantes. Já foi várias vezes representada (vi-a há 13 anos - confirmei agora - na Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre, pela Escola de Mulheres) e traduzida em muitas línguas. O nome que lhe damos vem, como quase todos, através do latim, e do radical bacchant- chegamos a bacante.
Ora como o nome grego é, de facto, Βακχαι (Bacchai), o tradutor brasileiro, Jaa Torrano, optou pela forma transliterada e chamou-lhe Bacas.
Sei que não devia, mas não consigo deixar de me rir.
19 agosto 2008
As coisas são como são
18 agosto 2008
Pátio de Letras
É uma loja bonita, com um pátio confortável que separa o espaço onde se vendem os livros de um espaço - uma casa antiga - onde de podem ver exposições (neste momento está um de Sonia Cabañas e uma, que me pareceu particular, de livros de espionagem e policiais). Enquanto o bar não abre, está disponível uma máquina de bebidas e comidas.
17 agosto 2008
má rede
Os que me atendem dizem que outros me irão contactar por causa da minha reclamação, que se baseia no facto de não ter sido avisada que tinha atingido 90% do tecto gratuito e de própria TMN ter confirmado isso mesmo. Se não avisaram é porque não atingi. Ou atingi e tinham de ter avisado (aquilo são alertas automáticos, imagino. Não há-de ser uma pessoa que tem um grande mapa com os milhares de utilizadores da TMN e que diz «Olha! A Adriana atingiu 90%! Vou ter de a avisar!» e que depois se esquece).
Enfim, venho aqui sempre a correr para ver o correio e ler alguns blogues no pouco tempo que tenho até ficar sem rede. Sempre que puder, colocarei qualquer coisinha. Vamos ver quantas horas este postal vai demorar a ser publicado!
12 agosto 2008
outra carta de amor (das muito, muito antigas)
Caio Plínio saúda a sua Calpúrnia
É incrível o desejo que tenho de estar contigo.
10 agosto 2008
amor e prazer no casamento (há uns 2000 anos)
Caio Plínio saúda a sua mulher (Calpúrnia)
08 agosto 2008
Ontem, em Faro
Enfim, salvou-se a noite com a presença de António Manuel Venda, que foi quem me levou lá, e de Pedro Afonso, um antigo aluno meu que estava no grupo como jovem poeta (acabou de sair o seu primeiro livro), que animou bastante quando chegou a sua vez de falar. Levantou-se, explicou que estávamos todos na mesma margem e desenvolveu a velha metáfora do rio como o espaço da escrita de uma forma fresca, como me pareceu ser também a sua poesia.
De António Manuel Venda obtive os autógrafos para os meus/seus livros e dois dedos de conversa, daqueles rápidos de quem tecla, que havia mais quem o quisesse, mas ainda teve tempo para me dizer que deve sair um novo livro em Setembro.
Soube, entretanto, que abriu uma nova livraria em Faro, Pátio de Letras, com bar, horário alargado e happy hour de livros. Hei-de ir lá em breve.
07 agosto 2008
06 agosto 2008
As Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira
Tudo o resto, deixo-te a liberdade de inventar.
Desejo que vivas sempre nesta aldeia.
(Maio 1982)
(dedicatória que me escreveram no livro)
04 agosto 2008
Novo João!
455
03 agosto 2008
Queria morder e, em lugar disso, a minha boca apenas aflora.
Queria esfacelar e, na realidade, acaricio.
Em contrapartida, gostava muito de andar devagar e sou permanentemente obrigado a correr.
Sempé, Alguns Filósofos, Publicações Dom Quixote (na velhinha colecção «Humor com humor se paga»), 1985.
01 agosto 2008
se a tanto me ajudar o engenho e a... dor
(...) és transportado pelas velas do engenho ao mesmo tempo que pela dor; e cada um destes foi a ajuda um do outro. Pois o engenho acrescenta dignidade e magnificência à dor e a dor acrescentou força e amargura ao engenho.
(Carta 20 de Plínio a seu amigo Nóvio Máximo, a propósito de um livro que este escrevera . Tradução minha. Ler outras cartas aqui e aqui.)
31 julho 2008
carpe diem
Mesmo no meio dos males, concedei à vossa alma o prazer possível em cada dia, já que aos mortos de nada serve a riqueza.
Espectro de Dario em Os Persas, v. 840-43, de Ésquilo, em tradução de Manuel de Oliveira Pulquério.
30 julho 2008
Questões de Moral ou Joel Costa
29 julho 2008
Thíasos
26 julho 2008
Arte cicládica
(foto daqui)
A ausência de grandes decorações e as formas minimalistas permitiam-me brincar com alguns amigos e perguntar-lhes de que época pensavam que eram aquelas estátuas. Contemporâneas, era a resposta. Que tinham cinco mil anos, esclarecia eu.
(foto daqui)24 julho 2008
Escolha
Estar presa, em pouco espaço, mas ter quem esteja connosco
ou
livre, com espaço, mas sozinha?
Aceito conselhos de mais sabedores de como tratar um cão.
23 julho 2008
Curiosidade: herança de Pandora?
(Tamsyn BARTON (1994), Ancient Astrology, Routledge)
22 julho 2008
21 julho 2008
chorar um homem
É na escuridão, Gala, que choras o marido que perdeste:
creio que tens é vergonha , Gala, de chorar um homem.
Marcial, IV, 58. Esta tradução.
19 julho 2008
Beleza madura
Não me agrada casar com uma virgem nem com uma velha.
A uma lastimo-a; à outra respeito-a.
Nem bago verde nem passa de uva. A beleza sazonada
é que está madura para o leito de Cípris.
Onestes, nesta tradução da Antologia Palatina
18 julho 2008
A propósito da minha lombalgia
Nicarco, nesta tradução da Antologia Palatina.
17 julho 2008
Amizade
Cícero, A Amizade,18, 66. A mesma referência.
16 julho 2008
Limerick caseiro
There's a house in a place I know
When I first saw it I said wow
I fell in love and bought it
' didn' think much about it
And now to pay it I say wow
15 julho 2008
Que inveja!
Séneca, Cartas a Lucílio, 83.3. A referência do costume.
14 julho 2008
«É preciso ter lata!» ou «Os pais não têm de morrer pelos filhos»
ADMETO:
FERES
Não morras por mim, que eu não morrerei por ti. Regozijas-te de ver a luz? E pensas que o teu pai não tem o mesmo direito? Imagino como será longo o tempo debaixo da terra, e a vida é breve, mas agradável.
E agora vens insultar os teus por não quererem fazer isso, quando tu próprio não passas de um cobarde?
Cala-te e pensa que, se tens amor à vida, os outros também têm; e se continuas a dirigir-me palavras desagradáveis, vais ouvir muitas do mesmo género, e merecidas.
13 julho 2008
ser corajoso
Diz o general Nícias no diálogo Laques (197a-b), em tradução de Francisco de Oliveira. A minha edição é no INIC,1987, mas há uma reedição nas Edições 70, de 2007.
11 julho 2008
Características dos Americanos
A. Characteristics of Americans
(...)
09 julho 2008
ser e tornar-se
É óbvio que, em primeiro lugar, aquele que começa por ser médico, e que, em seguida, é um bom médico - esse, com efeito, poderá tornar-se mau - mas nós, os leigos em matéria de medicina, não nos poderíamos tornar nunca, por agir mal, nem médicos, nem carpinteiros, nem nada do género.
Aquele que não puder, agindo mal, tornar-se médico, é óbvio que também não poderá tornar-se um mau médico. Do mesmo modo, um homem de bem poderá, um dia, por causa da doença ou de qualquer outro azar - porque este agir mal não é mais do que ser desprovido de conhecimento - tornar-se mau, mas o homem mau nunca se tornará mau - é-o sempre!; mais, para poder vir a tornar-se mau, é preciso que antes se torne bom.
Diz Protágoras, no diálogo de Platão com o mesmo nome, traduzido por Ana Pinheiro para a Relógio d'Água, em 1999.
08 julho 2008
07 julho 2008
05 julho 2008
fast food romana - à falta da ASAE...

Peter Garnsey, Alimentação e Sociedade na Antiguidade Clássica, Ed. Replicação, Sintra, 2002, pp.123-124
04 julho 2008
A idade do ouro
sem leis e de livre vontade, cultivava a lealdade e a rectidão.
Não havia castigos nem medo, nem palavras de ameaça (...)
e não havia trombeta direita, nem trompa curva de bronze,
nem capacetes, nem espadas. Sem precisão de soldados,
as gentes viviam numa ociosidade doce, livres de cuidados.
A própria terra, isenta de deveres, intocada pela enxada,
ferida por nenhum arado, tudo dava espontaneamente. (...)
E, então, corriam rios de leite, então, rios de néctar,
e loiro mel pingava do cimo da verdejante azinheira.
Ovídio, Metamorfoses, 89-112 (salteado). Tradução de Paulo Farmhouse Alberto para Livros Cotovia, Lisboa, 2007.
02 julho 2008
Cá para mim, a Morte é comunista...
MORTE
APOLO
Está tranquilo: observo a justiça e tenho boas razões.
MORTE
Então que necessidade tens de arcos, se defendes a justiça?
APOLO
Estou habituado a trazê-lo sempre comigo.
MORTE
E a vires injustamente em auxílio desta casa.
APOLO
Aflijo-me com as desgraças de um homem amigo.
MORTE
Vais despojar-me de um segundo cadáver?
APOLO
Mas o outro não to tirei pela força.
MORTE
Então como está ele sobre a terra e não debaixo dela?
APOLO
Em troca dei-te a esposa que tu agora vens buscar.
MORTE
E que vou levar para os Infernos, para debaixo da terra.
APOLO
Toma-a e vai. Não sei se serei capaz de te persuadir.
MORTE
A matar o que me pertence? É a minha função.
APOLO
Não, mas a conceder um adiamento aos que estão para morrer.
MORTE
Compreendo agora o teu pensamento e o teu desejo.
APOLO
Há então maneira de Alceste chegar à velhice?
MORTE
Não; pensa que também eu me regozijo com as honras.
APOLO
De qualquer modo não vais levar mais do que uma vida.
MORTE
Quando os homens são jovens é maior a honra que eu granjeio.
APOLO
Mas, se morrer velha, será sepultada ricamente.
MORTE
A lei que estás a promulgar, ó Febo, é a favor dos ricos.
APOLO
Como dizes? Serás acaso sofista sem que se saiba?
MORTE
Comprariam a morte na velhice, aqueles que podem.
APOLO
Não estás então decidida a conceder-me este benefício?
MORTE
Certamente que não; já conheces o meu carácter.
APOLO
Sim: odioso aos mortais e detestado pelos deuses.
MORTE
Não poderás ter tudo aquilo que não deves.
Quase no final, Hércules (Héracles, em Grego) diz-nos o que vai fazer para recuperar Alceste e devolvê-la ao marido:
HÉRACLES
Quando a leva, finalmente, à presença de Admeto, não lhe diz que aquela mulher velada é a sua esposa e, indirectamente, conta-nos que foi a primeira hipótese que sucedeu, isto é, que foi mesmo andando à pancada com a Morte que recuperou Alceste:
HÉRACLES
(...) Chegou às minhas mãos à custa de muita fadiga. Encontrei uns homens que organizavam uns jogos públicos, digno objecto do esforço dos atletas, e destes jogos a trouxe, como prémio da vitória. Os vencedores das provas ligeiras ganhavam cavalos e os vencedores das provas mais pesadas, pugilato e luta, rebanhos de bois; para estes últimos havia o prémio suplementar de uma mulher. Ora, como eu me encontrava ali, seria desonra abandonar esta presa gloriosa. Portanto, como te disse, é a ti que confio esta mulher, que não roubei. Trago-ta, depois de a ter ganho com o meu esforço.
01 julho 2008
«o amor vive na ponta dos cabelos»
PLUMAS
Através da terra o amor
torna-nos estranhos à terra
liga-nos a uma divina linhagem
com seu tormento inapagável
suas velocidades enormes
O amor vive na ponta dos cabelos
O amor, ditam os frios de coração, é ruinoso
qualquer momento em chamas denunciará a imprecisa inquietação que nos toma
Os inocentes que se amam dizem
teu corpo está a nevar
tua alma é uma flor
um prado tranquilo sua noite
Os inocentes que se amam
por seu tormento elevam-se
como plumas
num chapéu de passeio
José Tolentino de Mendonça, A Estrada Branca, Assírio & Alvim, 2005
José Tolentino de Mendonça.
Não sei se é ser preconceituosa (glup), mas não deixo de me surpreender sempre que penso que este homem, que tão bem canta o amor, é padre!
Mas, que querem? Surpreende-me sempre.
30 junho 2008
SVBEEV - Vá lá! Manda uma carta!
29 junho 2008
Vidas passadas
Diagnóstico de su vida pasada:
Un breve perfil psicológico de su vida pasada: :
La lección que su vida pasada le ha dado para la encarnación actual :






