24 fevereiro 2009
Emo... séc. XIX
19 fevereiro 2009
18 fevereiro 2009

Em profundo silêncio, seguem por vereda íngreme, escarpada,
escura, envolta em espessa neblina. Não estavam longe
do rebordo superior da terra. Cheio de amor, com medo
de que Eurídice desfaleça e ansioso por vê-la, Orfeu volta
o olhar. Logo ela cai de novo. De braços estendidos,
lutando por que a agarrem e por ela se agarrar, a infeliz
apenas agarra a inconsistência do ar.
Tradução de Domingos Lucas Dias, editado pela Vega.
Prémio de Tradução da União Latina 2008
13 fevereiro 2009
Escreveu mesmo assim...
09 fevereiro 2009
07 fevereiro 2009
momento S.J.
Garanto que é o que está lá escrito... pronto... admito... Jesuítas estava sem acento.
05 fevereiro 2009
Tradução de Édipo: precisa-se...
Outras dores d'alma edipianas aqui e aqui.
02 fevereiro 2009
Tio de Sócrates?
Estou feita!
31 janeiro 2009
Como disse?
Eu - Umas espinhas?
Ela - Sim, «umachpinhas». Não gostas?
Eu - De espinhas?
Ela - LOL. Não. Sopinhas!
Eu - Ahhhh!
Ele - Tens aí «umapinha»?
Eu - Uma pinha?
Ele - Sim. «Umapinha».
Eu - E para que queres tu uma pinha?
Ele - Para ver qual o melhor caminho para chegarmos lá.
Eu - Ahhhh! Um mapinha!
Ele - E não foi o que eu disse?
Isto vem de longe, muito longe.
23 janeiro 2009
O meu Padre
A mim, marcou também a minha carreira profissional. Quando tinha de escrever algum conceito relativo à antiguidade clássica, usava caracteres gregos, o que me deliciava. Como eu gostava muito de história daquela época, a aprendizagem das línguas antigas foi a consequência natural.
18 janeiro 2009
Afinal não era literatura oral...
O meu pai contava-me histórias de terror, mas eu não tinha medo nenhum!
Devia ser porque ele era muito expressivo e eu ria-me.
Ouvi esta tantas vezes que a aprendi de cor.
Um dia, em conversa com o meu digníssimo colega Dias Marques ( JJ para os amigos), o homem da literatura oral (e agora das lendas urbanas - ops! lendas vivas é que é!), contei-lhe e ele conseguiu identificar o autor (tenho de lhe voltar a pedir a informação, pois não me lembro de quem era, apenas que era do séc. XIX).
Para mim era literatura oral. Cá vai:
Vem cá, meu Paulo, escuta: és amigo de tua mãe?
- Oh, minha mãe, que pergunta!
- Basta, meu Paulo, pois bem. Faz 20 anos – e dizendo, tira do seio um punhal - que teu pai morreu a golpe deste ferro, para meu mal, e eu, para vingá-lo, fiz uma jura fatal...
- Uma jura? Mãe santíssima! Oh, minha mãe, o que jurou?
- Jurei por este sangue, que em ferrugem se tornou, que tu matarias aquele que teu pai matou. Matas?
- Mato.
- Matas, seja quem for?
- Mato.
- Ainda que a vingança te tire ao seio o amor?
– Mato.
- Toma este ferro, é Ricardo o matador.
- Ricardo, o pai de Maria? Oh, minha mãe, perdoai...
- Pela amante o pai esqueces, filho ingrato? Parte, vai! Cumpre a jura ou sê maldito se não vingas teu pai.
Nessa noite, tinto em sangue e com os cabelos no ar, o assassino de Ricardo vai aos pés da mãe lançar o punhal com que jurara a morte do pai vingar.
Ri-se a velha de contente e abraça o vingador, mas eis senão quando aparece na porta uma estátua de dor:
- Paulo, meu Paulo, perdi meu pai, não vês? As lágrimas que aqui derramo assistiram ao seu fim. Quis falar-me e já não pode, com os olhos fixos em mim. Tu vingas-me, meu Paulo, sim?
- Vingo, Maria, sossega, eu sei quem teu pai matou, vai morrer com o mesmo ferro que ainda há pouco o transpassou.
E pegando no punahl no próprio peito o cravou...
Foge a triste espavorida, deixa Albano sem parar, chega a Roma ao outro dia, por toda parte a gritar:
- "Quem me mata por piedade, quem me acaba de matar?"
E assim vagueou três dias e ao quarto enlouqueceu.
Por isso o viajante, quando passa ao Coliseu, ouve a triste às gargalhadas, vingança pedindo ao céu!
14 janeiro 2009
Amor sem idade
de toda a juventude. E eu prefiro ter nas mãos
os teus pomos de pontas caídas
que o seio direito duma jovem na força da idade.
O teu fim de Outono é superior à primavera de qualquer outra
e o teu inverno mais quente que o seu estio.
Paulo Silenciário (Antologia Palatina, 258)
em tradução de Albano Martins, Do Mundo Grego Outro Sol, Lisboa, Asa, 2002.
Mais sobre amor em idade madura aqui.
10 janeiro 2009
Confissões de uma «juke-box» ambulante salva por uma correnteza
É hoje. Não é tarde nem é cedo.
O que vale é que, na maior parte dos casos não verbalizo (ou seja, poupo o interlocutor ao meu canto) e isto passa despercebido.
Um exemplo:
Alguém: Bem, então adeus. Vou-me embora.
Eu (em pensamento, surge o Sérgio Godinho): «E agora eu vou-me embora, e embora a dor não queira ir já embora, agora eu vou-me embora e parto sem dor. E parto dentro de momentos, apesar de haver momentos em que a dor não parte sem dor.»
Pois é. Eu sei. Não é preciso dizer nada.
- És homem ou mulher? Girl
- Descreve-te. Free as a bird
- O que as pessoas acham de ti? "She's a Woman" e "To Know Her is to Love Her"
- Como descreves o teu último relacionamento? "The End"
- Descreve o estado actual da tua relação. "Real Love"
- Onde querias estar agora? "Memphis, Tennessee"
- O que pensas a respeito do amor? "I Want to Tell You"
- Como é a tua vida? "It's Only Love"
- O que pedirias se pudesses ter só um desejo? "Every Little Thing"
- Escreve uma frase sábia. "Think for Yourself"
19 dezembro 2008
Chamava-me Melusina

Não parecia, é verdade, pois em casa cumpria o papel que lhe havia sido reservado pelas matriarcas: o de pai. E o que era um pai? Alguém que estava fora o dia todo a trabalhar, vinha a casa às refeições, impunha respeito, fazia cumprir as regras e aplicava os castigos a pedido: «Nogueira, o menino bateu na menina» e o Nogueira lá ia e aplicava a sanção esperada ao menino amedrontado.
Na maior parte dos casos bastava que abrisse os seus grandes olhos para que todos nos encolhêssemos.
Um dia fiz-lhe frente (é assim com os mais novos) e disse-lhe que os olhos dele não me faziam medo (talvez porque os meus eram parecidos, grandes e redondos quando muito abertos). O verde acastanhou e vi tristeza. Mas só me apercebi disso mais tarde, pois na altura cantei a glória de o ver ficar calado com a minha ousadia, que apenas lhe fizera soltar um suspiro.
O meu pai contava-me histórias que me arrepiavam e outras de encantar. Uma delas começava assim:
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras pelos arvoredos,
Outras, à beira-mar...
(...)
Eu sei o nome de algumas:
Viviana ama as espumas
Das ondas, nos areais,
Vive junto ao mar, sozinha,
Mas costuma ser madrinha
Nos baptizados reais.
Morgana é muito enganosa;
Às vezes, moça e formosa,
E outras, velha, a rir, a rir...
Ora festiva, ora grave,
E voa como uma ave,
Se a gente lhe quer bulir.
Que direi de Melusina?
De Titânia, a pequenina,
Que dorme sobre um jasmim?
De cem outras cuja glória
Enche as páginas da história
Dos reinos de el-rei de Merlin?»
E continuava, continuava...
E às vezes chamava-me Melusina...
Já comprei outros para oferecer, pois sei de quem vai gostar.
Afinal, ele não era só meu pai...
18 dezembro 2008
Quem o viu...
17 dezembro 2008
E os mitos gregos...
(Orestes a matar Clitemnestra. Imagem daqui)- os pais que expõem o filho num monte para que venha a morrer, para evitar que um oráculo se cumpra, mas ele é salvo e vem a provocar a desgraça dos progenitores, como previsto pelo destino. Recordo-me de Laio e Jocasta que expõem o filho, Édipo, mas este mata o pai e casa com a mãe, como predito; ou de Príamo e Hécuba que expõem o filho Páris, mas este cumpre o oráculo que dizia que ele viria a ser a ruína de Tróia, ao raptar Helena de Esparta, dando início à Guerra de Tróia narrada na Ilíada.
Alguns destes elementos encontram-se também noutras culturas:
- a virgem que tem um filho (ou mais do que um) de um deus, filho esse cujo desígnio é marcante para a Humanidade. Recordo-me de Reia Sílvia (virgem vestal), na cultura romana, que engravida de um deus (Marte) e o seu filho (Rómulo, depois de matar o irmão) vem a ser o fundador e primeiro rei de Roma; ou, na cultura judaico-cristã, lembro Maria (virgem), que tem um filho (Jesus) do seu deus (Deus/Jeová), vindo este filho a ser o fundador de uma das maiores e mais influentes (se não a maior e a mais influente) religiões do mundo.
Vem-me à memória a criança abandonada num cesto nas águas de um rio: Moisés, no Egipto, e os gémeos Rómulo e Remo, em Roma, os animais que alimentam crianças, como a ursa que amamenta Páris, a loba que amamenta Rómulo e Remo ou a cabra que amamenta Zeus.
Os deveres chamam-me, mas ainda voltarei a este assunto.
16 dezembro 2008
Ao teu lado
Agora, o meu amigo Luís Costa Pires publicou-o com este novo nome, Ao teu lado, na Vega (não me habituo ao nome Nova Vega), tendo feito o lançamento na semana passada (quando estas fotos foram tiradas). Uma boa leitura!
15 dezembro 2008
Em Dezembro, com o ano a acabar
Borda d'Água
Em janeiro, conta os dias que faltam
para o fim do inverno. Em fevereiro,
goza o carnaval. Em março, não te
esqueças da quaresma. Em abril, solta
o sol da primavera. Em maio, as noites
são mais quentes. Em junho, atravessa
o solstício. Em julho, apanha os frutos
do verão. Em agosto, ouve as cigarras.
Em setembro não te importes com o
vento. Em outubro apanha as folhas do
chão. Em novembro não saias à noite.
E em dezembro, quando o ano acabar,
lembra-te que não fizeste nada disto,
e se fizeste terás de tudo recomeçar.
Nuno Júdice
in O Breve Sentimento do Eterno, Edições Nelson de Matos, 2008
10 dezembro 2008
... a minha alegre casinha...
Esta é a bela imagem da minha casa vista pelas traseiras, desenhada pela Barbara, a minha amiga italiana que esteve, com o seu Claudio, de visita à pólis. Alguns amigos mostraram-se preocupados com a minha ausência do blogue e a todos agradeço o facto de terem dado conta disso.
Têm sido muitos os factores, mas nenhum deles agradável. Uma série de acontecimentos ininterruptos levaram a que só hoje eu tivesse tempo de vir aqui deixar este desenho com estas palavras.
Agradeço à minha amiga Reboliço os desejos de melhoras do gato Mimi, que está com uma lipidose hepática.
26 novembro 2008
Diz Aristóteles, na Política
(...)
É evidente que existem necessariamente muitos regimes e em cada um deles, várias formas distintas entre si, uma vez que cada uma das duas partes difere entre si da forma. Um regime é, pois, uma ordenação de magistraturas repartidas por todos conforme o poderio dos que participam no governo, ou a igualdade comum a todos; refiro-me, no primeiro caso, ao poderio dos ricos e dos pobres e, no segundo caso, à igualdade comum a ambos.
(já se está mesmo a ver o que se segue, mas continuo amanhã. A referência é sempre a mesma.)




