24 abril 2009

Confraria do Príapo

(Príapo em Zamora. Foto de stavlokratz, daqui.)

Hoje, no Público, disseram-me que na pág.20 do Local (Lisboa) vem uma notícia sobre a criação da Confraria do Príapo, na qual sou referida. Não vi ainda o jornal, mas estou à espera de o arranjar para pôr aqui a nota.
A notícia foi escrita por Carlos Cipriano, que também fez uma peça para a Gazeta das Caldas para a qual me pediu uma pequena informação sobre Príapo. Escrevi assim (tenho a notícia em pdf, mas não sei pôr aqui no blogue):

Jove é senhor do raio, Neptuno do tridente;

Marte é dono da espada, a lança é tua, Minerva;

Líber trava combate com tirso e tiras de erva;

a mão de Apolo setas envia bravamente;

de Hércules a direita segura o cruel bastão,

e a mim me faz terrível a piça com tesão.

Estes versos, traduzidos do Corpus Priapeorum pelo Professor Carlos Mora, da Universidade de Aveiro, descrevem as características de muitos deuses conhecidos, como Júpiter, Neptuno ou Marte, pondo, no final, na boca do próprio Príapo as palavras que melhor o descrevem.

Dono de um pénis em erecção descomunal, Príapo é normalmente apresentado como filho de Afrodite, deusa do amor, e de Dioniso, deus do vinho.

Vergílio (70-19 a.C.), nas suas Geórgicas (IV, 111), invoca-o como deus protector das plantas. De facto, os jardins e as hortas eram o seu local de eleição e de culto por parte dos lavradores. Talvez por isso a palavra hortus em latim tenha também o sentido de ânus, quando num contexto sexual.

Príapo, a personificação do phallus (falo), tem também uma função apotropaica, isto é, a de afastar o mau olhado, principalmente dos invejosos que poderiam prejudicar as colheitas. Os romanos usavam o falo como amuleto, algumas vezes representado como um pénis alado, do qual pendiam sininhos que tilintavam com a aragem, de forma a afastar os maus espíritos, produzindo o efeito semelhante aos ainda hoje conhecidos «espanta-espíritos».

Tal como o dedo em figa que balança nos espelhos dos carros, ou o manguito que o Zé Povinho nos faz, ou um «das Caldas», o falo estava representado tanto em casa como nos espaços públicos.

A figura do velho com um pénis desmesurado e em erecção pode ter surgido para dar forma a um culto que inicialmente se centrava em apenas uma parte do corpo.

A medicina apropriou-se desta característica física da personagem (apresentada no mito como deformidade vergonhosa, tendo o deus sido escondido para não embaraçar os pais) para descrever uma doença em que o falo erecto não volta ao estado normal, podendo provocar impotência sexual.


23 abril 2009

Susan Boyle

Já não me lembro como se publicam filmes do YouTube no blogue...
Mas não faz mal: sigam o link e terão uma surpresa, como eu tive (e muitos outros tiveram).
Que espanto! Aquela voz não parece sair daquele corpo!
Vi Les Miserables em Londres, há muitos anos, mas não era a Elaine Paige que cantava. Pena tenho que não tivesse sido já a Susan Boyle!
(Agradeço ao BlogOperatório a descoberta)

Depois de escrever este post, fui ouvir mais umas duas ou três vezes o vídeo.
Será que esta mulher não tem noção da voz que tem?
Em 1999 já tinha gravado cry me a river num CD de caridade...

Depois de escrever estas 3 linhas e de a ouvir mais uma vez a cantar, fui ler na wikipedia o que se dizia sobre ela.
A «Susan Simple» é, de facto, uma pessoa espectacular.
Se conseguiu resistir 47 anos a um tratamento de quase desprezo, tenho esperança de que não mude a sua simplicidade devido à fama.
Haverá oportunistas a rondá-la, é claro, mas pode ser que seja precisamente a sua simplicidade que a venha a proteger.
Assim queiram os deuses e as musas!

22 abril 2009

O Pai e a Joana


A menina fofinha, no meio dos primos, chama-se Joana e faz hoje 26 anos. Quando ela nasceu o meu pai (seu avô) fazia 70.

22 de Abril.
O meu pai sempre me disse que nascera no dia da descoberta do Brasil. Talvez por isso eu goste especialmente desta fotografia, tirada na Madeira, em 1995, com o Atlântico como fundo. Tinha 82 anos.

Esta fotografia é de Novembro de 2004, quando fiz a apresentação do meu segundo livro do Hércules no Bombarral. Lá está ele sentado na casa de costura, à janela. Tinha 91 anos e iria ficar connosco só até 11 de Janeiro seguinte.

Aqui era um jovem. Aliás, sempre pareceu jovem e muito mais jovem do que 1913 permitia pensar. Não tinha rugas e os dentes eram todos dele (não dos comprados, mas produto original).
Católico que vivia a Igreja, vicentino e outras coisas mais, um dia soube que foi galã em peças de teatro amador.
Contava-me muitas histórias e era mais divertido do que queria parecer.

21 abril 2009

Menores de 35


Quando eu era oficialmente jovem, esse estado acabava aos 26 anos. Era com essa idade que se deixava de poder fazer o InterRail, que se deixava de poder usufruir do crédito jovem à habitação, que se deixava de poder gozar as vantagens do cartão jovem, etc.
Apesar de ainda haver jovens que pensam (até conheço alguns!), criou-se um prémio para tal actividade e eu recebi-0!

Puro engano do Nuno Faritas Lobo! Pensar, penso, mas já não sou legalmente jovem!

Portanto, sem-se-ver, Gi, José Bandeira, Miguel, Méon, António, Teresa, José Ricardo, Tomás, Mirian, lamento denunciar-vos ... gostava de vos dar este prémio, pois sei que são jovens e que pensam, mas já ultrapassaram a barreira dos 35...

20 abril 2009

O Punicozinho

(clique na imagem para aumentar)

Em Agosto passado referi aqui, a propósito das Bacas, a tradução do Poenulus de Plauto, por José Luís Brandão, professor de clássicas na Universidade de Coimbra.
Pois bem, já vi que a minha sugestão para que escolhesse O Punicozinho como tradução do título não foi aceite...
Mas como não sou de rancores, podem ver O Fulaninho de Cartago (pronto... admito... é melhor solução do que Punicozinho....) no Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico em diversos palcos e em diversas datas. O programa e as sinopses estão em blogue próprio.

19 abril 2009

ΚΑΛΟ ΠΑΣΧΑ

(imagem daqui)

Aos meus amigos gregos (que, por sorte, quase todos sabem português), votos de uma Καλό Πάσχα. Por cá os ovos não são vermelhos (κόκκινα αυγά) nem se come tsoureki, mas sempre vamos tendo uns folares com um ovo cozido, castanhinho, ou sem ele, como se faz aqui em Olhão. A Páscoa ocidental já foi há uma semana e nesse dia o meu menu foi muito pouco tradicional. Ora espreitem:


16 abril 2009

Uma Noite com o Fogo

O António Manuel Venda, cujo livro apresentei na Biblioteca Municipal de Loulé, faz hoje uma semana, foi muito gentil no comentário que fez à sessão. Vamos ver se organizo as notas em forma de texto e consigo mandar-lhe, de forma a que fique memória de algo parecido com que ali foi dito.
O livro é pequenino e aconselho vivamente a sua leitura.
Uma Noite com o Fogo é livro e tem blogue.
Quem perdeu a apresentação de Loulé, pode ir ouvi-lo no Pátio de Letras, no dia 24 de Abril, às 21.30. Não, a apresentação não é minha, é de José C. Vilhena Mesquita. Não vou perder.

15 abril 2009

Dores d'alma...

Ariadne
de Giorgio de Chirico

«A imagem tem o nome de Ariadne pois está uma mulher deitada sobre uma pedra e era assim que Adriadne costumava estar»

O que me vale é que, apesar de tudo, as respostas dos alunos que resultam em postais neste blogue são poucas, o que me descansa um pouco em relação ao meu (in)sucesso como professora.

14 abril 2009

«Tacones lejanos»

(foto desfocada devido à alta perigosidade da situação da fotógrafa, que não queria ser denunciada)

Fui hoje disfarçada de cliente da EDP à Loja do Cidadão de Faro. Para ser mais credível, fiz um contrato e tudo. Entretanto, com a minha máquina fotográfica oculta na mala ,tirei uma fotografia a uns sapatos brancos. De salto alto. Com aquela cor de calçado, suponho que a lingerie fosse condizente, e não preta, ou outra cor escura.

Senti aromas no ar, de perfumes intensos. Quase todas as meninas estavam com lencinhos ao pescoço, decorosas.
No entanto, uma que estava a cumprir as regras todas, era bem desinibida, com uma t-shirt rosa a pedir que lhe telefonasse. «Liga-me», pedia-me descaradamente, em letras gordas sobre o espaço que deveria ser usado para um decote. Claro que não o fiz, mas vim logo para aqui escrever este post.

Ontem, em Faro, no passeio de uma avenida...

... vi dois palhaços. Não resisti, e enquanto esperava que o sinal abrisse, tirei uma fotografia.

13 abril 2009

Que planta é esta?

(pormenor)

(raízes)
(vista de cima)

Há um mês e meio fui convidada a ir à EBI 2-3 Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, em Boliqueime, pela Drª Carla Lopes, para falar dos meus Hércules e da cultura clássica, na semana da leitura. No final, recebi um belíssimo ramo de rosas e orquídeas envoltos em diversas ramagens. Uma delas era esta, que na altura (no dia 2 de Março) não passava de um tronco. Como o achei muito bonito e, numa semana, nasceram umas raízes vermelhas na jarra onde coloquei o ramo, resolvi mantê-lo dentro de água.

Acontece que não percebo absolutamente nada de flores e não sei o que fazer agora.
Planto na terra?
Mantenho na água?
Que planta é esta?
Sei que a Gi (uma boa razão para vires cá a casa, para além do Saylor), o Paulo e o JB (regressado da pérfida Albion) percebem de flores.
Será que eles (ou alguém mais) me podem ajudar?
Fico-vos muito agradecida. E a plantinha também.

12 abril 2009

Bicentenário das Invasões Francesas

O meu amigo do Ao Rodar do Tempo está empenhado na divulgação de actividades no nosso Oeste. Deixo aqui o link para o blogue onde tem escrito sobre as Invasões Francesas na zona.

11 abril 2009

10 abril 2009

Ícaro

(imagem daqui)

Efectivamente, ele representava o castigo da vaidade de Ícaro transposta dos mitos antiquíssimos para as realidades do nosso tempo, sim, representava a expiação da vertigem de luxos, prazeres e devassidões em que vivia uma certa sociedade.

José Cardoso Pires, Alexandra Alpha, p.11 da 3ª edição (Publicações Dom Quixote) de 1992.

(Por motivos de ordem técnica, este blogue tem sido pouco actualizado. Vamos lá ver se melhora.)

31 março 2009

Que fazer na quinta-feira?

Se estiver em Lisboa no dia 2, vá à Buchholz do Chiado, pelas 18.30, e oiça o Nuno Simões Rodrigues apresentar o livro da Ana Lúcia Curado.
A Ana Lúcia Curado é uma distinta colega da Universidade do Minho que publicou um exaustivo trabalho (tem mais de 500 páginas) sobre a mulher em Atenas nos séculos V e IV a.C., intitulado-o singelamente Mulheres em Atenas, na Sá da Costa. Lamentavelmente ainda não o tenho, mas depois de o ler aqui falarei mais sobre ele.
Um dos aspectos que me parece mais interessante é o facto da reconstrução da imagem da mulher ter sido conseguida pelo discurso forense, tendo a autora baseado o seu estudo em mais de 100 textos de oradores áticos (li isto no Correio do Minho, de 22 de Março).
O livro vai ser presentado pelo Nuno Simões Rodrigues, também meu colega no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, professor na Universidad de Lisboa, que também escreve bastante sobe o tema da mulher na antiguidade.

Se estiver mais cá por baixo, por estes reinos dos Algarves, vá até Loulé, à Biblioteca Municipal, às 21.30, nesse mesmo dia 2, para participar na apresentação que vou fazer do último livro do António Manuel Venda (de quem sou fã confessa desde 1996), Uma Noite com o Fogo (que até tem blogue e tudo).
Não tem o livro? Passe pelo Pátio de Letras antes de ir para Loulé.

27 março 2009

... do Teatro

As Edições 70 mandaram-me um mail a relembrar que hoje é o Dia Mundial do Teatro, destacando algumas obras sobre o assunto publicadas por elas, tanto livros sobre o teatro, como


e


bem como peças de teatro, exemplificando o género com uma tragédia grega

As Bacantes, de Eurípides (de que já aqui falei)

uma comédia grega

As Rãs, de Aristófanes

e uma tragédia latina:
Fedra, de Séneca.

Elas não disseram, mas eu faço-lhes a publicidade de graça, deixando aqui a referência a um autor latino de comédias, Plauto, cujo Anfitrião foi tão glosado no teatro português. Veja-se, por exemplo, Camões e o seu Auto dos Anfitriões, António José da Silva (conhecido como O Judeu) e Anfitrião ou Júpiter e Alcmena ou o Anfitrião Outra Vez de Augusto Abelaira.

24 março 2009

Na quarta-feira, em Albufeira...

... vou fazer uma palestra na Escola Secundária, integrada numa actividade chamada «Os Dias da Cultura», para a qual foi feito um blogue, com o tema Tradição, Modernidade, Evolução.
Indo à biblioteca mais pormenores.

23 março 2009

Verdades repostas

Faz uma semana que escrevi o Verdades (6) e Mentiras (3).
A Teresa acertou em todas, claro. Ou não fôssemos amigas há quase 25 anos...
O Dário achou que era inverosímil que a sua professora fizesse uma daquelas coisas, quanto mais 6.
Excepto o Carlos, todos os outros acharam que eu não sabia nadar.
A Sara nunca erraria a 3 e a 4, pois esses campeões eram amigos comuns, mas distraiu-se na 5 (não deu atenção à decoração) e acreditou nas minhas boas intenções, no Verão passado, em não faltar à esgrima... eheheh...
A Redonda, o Nandokas e todos os outros não acreditaram na mentira da 9.

Seguem-se as respostas:

1) O meu desporto favorito é a natação. Pratico desde pequena e moro no Algarve para poder estar mais tempo por ano perto do mar e poder nadar.
Mentira. Sei nadar, mas não consigo, o que é diferente de não saber nadar. Acontece que tenho alguma dificuldade em conciliar movimento e respiração...
2) Pratiquei basquetebol em jovenzinha e até fui federada. O ser baixinha não foi impedimento. Verdade, verdadinha.
3) Pratiquei judo na juventude, mas não passei de verde por causa dos combates. Verdade. O meu mestre fazia os exames disfarçadamente, para eu não faltar. Como esses combates eu fazia, cheguei a verde. Depois, de azul em diante, era necessário ir a competições a sério e eu não quis.
4) Conheci e privei com campeões de judo, incluindo um nosso representante nuns Jogos Olímpicos. Verdade. Na fauldade fui colega da Odete, que foi campeã Europeia, e que naquela altura ainda só namorava (depois casou) com o Hugo d'Assunção, nosso judoca em Seul.
5) Fiz ballet e andei em pontas. Verdade. Sei que é difícil acreditar, mas até tenho as minhas sapatilhas de pontas a fazerem de objecto decorativo num quarto de visitas.
6) Já tive a vida em perigo numa gruta, a fazer espeleologia. Verdade. Foi das poucas vezes em que senti mesmo medo e percebi que poderia não sair dali.
7) Já estive presa num elevador com mais 4 pessoas durante 2 horas. Verdade. Foi há muitos, muitos anos, num apartamento de praia, de Inverno, num prédio praticamente sem moradores, num fim-de-semana...
8) Sofro de claustrofobia. Mentira. Se sofresse, a experiência da gruta e do elevador teriam sido mortais!
9) Raramente falto a uma aula de esgrima e, apesar da idade, o meu mestre pensa levar-me aos próximos campeonatos nacionais. Mentira. Era bom, era. Mas este ano tive (e ainda tenho) uma desculpa enorme: uma epicondilite que demorei a resolver tratar e só agora está a começar a deixar-me em paz.