07 fevereiro 2009
momento S.J.
Garanto que é o que está lá escrito... pronto... admito... Jesuítas estava sem acento.
05 fevereiro 2009
Tradução de Édipo: precisa-se...
Outras dores d'alma edipianas aqui e aqui.
02 fevereiro 2009
Tio de Sócrates?
Estou feita!
31 janeiro 2009
Como disse?
Eu - Umas espinhas?
Ela - Sim, «umachpinhas». Não gostas?
Eu - De espinhas?
Ela - LOL. Não. Sopinhas!
Eu - Ahhhh!
Ele - Tens aí «umapinha»?
Eu - Uma pinha?
Ele - Sim. «Umapinha».
Eu - E para que queres tu uma pinha?
Ele - Para ver qual o melhor caminho para chegarmos lá.
Eu - Ahhhh! Um mapinha!
Ele - E não foi o que eu disse?
Isto vem de longe, muito longe.
23 janeiro 2009
O meu Padre
A mim, marcou também a minha carreira profissional. Quando tinha de escrever algum conceito relativo à antiguidade clássica, usava caracteres gregos, o que me deliciava. Como eu gostava muito de história daquela época, a aprendizagem das línguas antigas foi a consequência natural.
18 janeiro 2009
Afinal não era literatura oral...
O meu pai contava-me histórias de terror, mas eu não tinha medo nenhum!
Devia ser porque ele era muito expressivo e eu ria-me.
Ouvi esta tantas vezes que a aprendi de cor.
Um dia, em conversa com o meu digníssimo colega Dias Marques ( JJ para os amigos), o homem da literatura oral (e agora das lendas urbanas - ops! lendas vivas é que é!), contei-lhe e ele conseguiu identificar o autor (tenho de lhe voltar a pedir a informação, pois não me lembro de quem era, apenas que era do séc. XIX).
Para mim era literatura oral. Cá vai:
Vem cá, meu Paulo, escuta: és amigo de tua mãe?
- Oh, minha mãe, que pergunta!
- Basta, meu Paulo, pois bem. Faz 20 anos – e dizendo, tira do seio um punhal - que teu pai morreu a golpe deste ferro, para meu mal, e eu, para vingá-lo, fiz uma jura fatal...
- Uma jura? Mãe santíssima! Oh, minha mãe, o que jurou?
- Jurei por este sangue, que em ferrugem se tornou, que tu matarias aquele que teu pai matou. Matas?
- Mato.
- Matas, seja quem for?
- Mato.
- Ainda que a vingança te tire ao seio o amor?
– Mato.
- Toma este ferro, é Ricardo o matador.
- Ricardo, o pai de Maria? Oh, minha mãe, perdoai...
- Pela amante o pai esqueces, filho ingrato? Parte, vai! Cumpre a jura ou sê maldito se não vingas teu pai.
Nessa noite, tinto em sangue e com os cabelos no ar, o assassino de Ricardo vai aos pés da mãe lançar o punhal com que jurara a morte do pai vingar.
Ri-se a velha de contente e abraça o vingador, mas eis senão quando aparece na porta uma estátua de dor:
- Paulo, meu Paulo, perdi meu pai, não vês? As lágrimas que aqui derramo assistiram ao seu fim. Quis falar-me e já não pode, com os olhos fixos em mim. Tu vingas-me, meu Paulo, sim?
- Vingo, Maria, sossega, eu sei quem teu pai matou, vai morrer com o mesmo ferro que ainda há pouco o transpassou.
E pegando no punahl no próprio peito o cravou...
Foge a triste espavorida, deixa Albano sem parar, chega a Roma ao outro dia, por toda parte a gritar:
- "Quem me mata por piedade, quem me acaba de matar?"
E assim vagueou três dias e ao quarto enlouqueceu.
Por isso o viajante, quando passa ao Coliseu, ouve a triste às gargalhadas, vingança pedindo ao céu!
14 janeiro 2009
Amor sem idade
de toda a juventude. E eu prefiro ter nas mãos
os teus pomos de pontas caídas
que o seio direito duma jovem na força da idade.
O teu fim de Outono é superior à primavera de qualquer outra
e o teu inverno mais quente que o seu estio.
Paulo Silenciário (Antologia Palatina, 258)
em tradução de Albano Martins, Do Mundo Grego Outro Sol, Lisboa, Asa, 2002.
Mais sobre amor em idade madura aqui.
10 janeiro 2009
Confissões de uma «juke-box» ambulante salva por uma correnteza
É hoje. Não é tarde nem é cedo.
O que vale é que, na maior parte dos casos não verbalizo (ou seja, poupo o interlocutor ao meu canto) e isto passa despercebido.
Um exemplo:
Alguém: Bem, então adeus. Vou-me embora.
Eu (em pensamento, surge o Sérgio Godinho): «E agora eu vou-me embora, e embora a dor não queira ir já embora, agora eu vou-me embora e parto sem dor. E parto dentro de momentos, apesar de haver momentos em que a dor não parte sem dor.»
Pois é. Eu sei. Não é preciso dizer nada.
- És homem ou mulher? Girl
- Descreve-te. Free as a bird
- O que as pessoas acham de ti? "She's a Woman" e "To Know Her is to Love Her"
- Como descreves o teu último relacionamento? "The End"
- Descreve o estado actual da tua relação. "Real Love"
- Onde querias estar agora? "Memphis, Tennessee"
- O que pensas a respeito do amor? "I Want to Tell You"
- Como é a tua vida? "It's Only Love"
- O que pedirias se pudesses ter só um desejo? "Every Little Thing"
- Escreve uma frase sábia. "Think for Yourself"
19 dezembro 2008
Chamava-me Melusina

Não parecia, é verdade, pois em casa cumpria o papel que lhe havia sido reservado pelas matriarcas: o de pai. E o que era um pai? Alguém que estava fora o dia todo a trabalhar, vinha a casa às refeições, impunha respeito, fazia cumprir as regras e aplicava os castigos a pedido: «Nogueira, o menino bateu na menina» e o Nogueira lá ia e aplicava a sanção esperada ao menino amedrontado.
Na maior parte dos casos bastava que abrisse os seus grandes olhos para que todos nos encolhêssemos.
Um dia fiz-lhe frente (é assim com os mais novos) e disse-lhe que os olhos dele não me faziam medo (talvez porque os meus eram parecidos, grandes e redondos quando muito abertos). O verde acastanhou e vi tristeza. Mas só me apercebi disso mais tarde, pois na altura cantei a glória de o ver ficar calado com a minha ousadia, que apenas lhe fizera soltar um suspiro.
O meu pai contava-me histórias que me arrepiavam e outras de encantar. Uma delas começava assim:
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras pelos arvoredos,
Outras, à beira-mar...
(...)
Eu sei o nome de algumas:
Viviana ama as espumas
Das ondas, nos areais,
Vive junto ao mar, sozinha,
Mas costuma ser madrinha
Nos baptizados reais.
Morgana é muito enganosa;
Às vezes, moça e formosa,
E outras, velha, a rir, a rir...
Ora festiva, ora grave,
E voa como uma ave,
Se a gente lhe quer bulir.
Que direi de Melusina?
De Titânia, a pequenina,
Que dorme sobre um jasmim?
De cem outras cuja glória
Enche as páginas da história
Dos reinos de el-rei de Merlin?»
E continuava, continuava...
E às vezes chamava-me Melusina...
Já comprei outros para oferecer, pois sei de quem vai gostar.
Afinal, ele não era só meu pai...
18 dezembro 2008
Quem o viu...
17 dezembro 2008
E os mitos gregos...
(Orestes a matar Clitemnestra. Imagem daqui)- os pais que expõem o filho num monte para que venha a morrer, para evitar que um oráculo se cumpra, mas ele é salvo e vem a provocar a desgraça dos progenitores, como previsto pelo destino. Recordo-me de Laio e Jocasta que expõem o filho, Édipo, mas este mata o pai e casa com a mãe, como predito; ou de Príamo e Hécuba que expõem o filho Páris, mas este cumpre o oráculo que dizia que ele viria a ser a ruína de Tróia, ao raptar Helena de Esparta, dando início à Guerra de Tróia narrada na Ilíada.
Alguns destes elementos encontram-se também noutras culturas:
- a virgem que tem um filho (ou mais do que um) de um deus, filho esse cujo desígnio é marcante para a Humanidade. Recordo-me de Reia Sílvia (virgem vestal), na cultura romana, que engravida de um deus (Marte) e o seu filho (Rómulo, depois de matar o irmão) vem a ser o fundador e primeiro rei de Roma; ou, na cultura judaico-cristã, lembro Maria (virgem), que tem um filho (Jesus) do seu deus (Deus/Jeová), vindo este filho a ser o fundador de uma das maiores e mais influentes (se não a maior e a mais influente) religiões do mundo.
Vem-me à memória a criança abandonada num cesto nas águas de um rio: Moisés, no Egipto, e os gémeos Rómulo e Remo, em Roma, os animais que alimentam crianças, como a ursa que amamenta Páris, a loba que amamenta Rómulo e Remo ou a cabra que amamenta Zeus.
Os deveres chamam-me, mas ainda voltarei a este assunto.
16 dezembro 2008
Ao teu lado
Agora, o meu amigo Luís Costa Pires publicou-o com este novo nome, Ao teu lado, na Vega (não me habituo ao nome Nova Vega), tendo feito o lançamento na semana passada (quando estas fotos foram tiradas). Uma boa leitura!
15 dezembro 2008
Em Dezembro, com o ano a acabar
Borda d'Água
Em janeiro, conta os dias que faltam
para o fim do inverno. Em fevereiro,
goza o carnaval. Em março, não te
esqueças da quaresma. Em abril, solta
o sol da primavera. Em maio, as noites
são mais quentes. Em junho, atravessa
o solstício. Em julho, apanha os frutos
do verão. Em agosto, ouve as cigarras.
Em setembro não te importes com o
vento. Em outubro apanha as folhas do
chão. Em novembro não saias à noite.
E em dezembro, quando o ano acabar,
lembra-te que não fizeste nada disto,
e se fizeste terás de tudo recomeçar.
Nuno Júdice
in O Breve Sentimento do Eterno, Edições Nelson de Matos, 2008
10 dezembro 2008
... a minha alegre casinha...
Esta é a bela imagem da minha casa vista pelas traseiras, desenhada pela Barbara, a minha amiga italiana que esteve, com o seu Claudio, de visita à pólis. Alguns amigos mostraram-se preocupados com a minha ausência do blogue e a todos agradeço o facto de terem dado conta disso.
Têm sido muitos os factores, mas nenhum deles agradável. Uma série de acontecimentos ininterruptos levaram a que só hoje eu tivesse tempo de vir aqui deixar este desenho com estas palavras.
Agradeço à minha amiga Reboliço os desejos de melhoras do gato Mimi, que está com uma lipidose hepática.
26 novembro 2008
Diz Aristóteles, na Política
(...)
É evidente que existem necessariamente muitos regimes e em cada um deles, várias formas distintas entre si, uma vez que cada uma das duas partes difere entre si da forma. Um regime é, pois, uma ordenação de magistraturas repartidas por todos conforme o poderio dos que participam no governo, ou a igualdade comum a todos; refiro-me, no primeiro caso, ao poderio dos ricos e dos pobres e, no segundo caso, à igualdade comum a ambos.
(já se está mesmo a ver o que se segue, mas continuo amanhã. A referência é sempre a mesma.)
23 novembro 2008
post descaradamente roubado
Seis meses sem democracia
No entanto, quando havia uma situação excepcionalmente grave, podia-se nomear um ditador que estaria no cargo por seis meses durante os quais tomaria as decisões que entendesse, não sujeitas a veto, e pelas quais não responderia criminalmente após o fim do mandato, ao contrário do funcionamento normal da república.
Andará Manuela Ferreira Leite a estudar história da antiguidade?
20 novembro 2008
dor
se alguém está presente jorram lágrimas de encomenda.
Não sente o luto, Gélia, quem procura ser louvado.
Sente dor verdadeira quem, sem audiência, sente dor.
18 novembro 2008
nesta semana sem tempo...
Tempo
Se corre devagar o tempo, e o tempo
não corre, em que relógio contarei
os segundos que se demoram quando as
horas se precipitam, ou o amanhã
que nunca mais chega neste hoje
que já passou? Mas o tempo só o é
quando o perdemos; e ao ver que
é tarde, não se volta atrás, nem
as voltas que o tempo dá o voltam
a fazer andar. Por isso é que o tempo
nos dá tempo para o ter, se ainda
houver tempo; e se tivermos de o perder,
nenhum tempo contará o tempo que se
gastou para saber o que se perdeu, ou ganhou.
17 novembro 2008
Bloqueio da TMN
13 novembro 2008
Hoje, em Faro, na Biblioteca Municipal...
12 novembro 2008
Abbey Road
Já falei aqui dela, mas agora que tem um blogue, espero que também a acompanhem. Não sei se vai continuar a escrever em O nascer do Sol, onde tem uma etiqueta só dela, mas serei leitora de tudo o que faz na sua Rua da Abadia.09 novembro 2008
II Festival de Órgão - Faro 2008
Fui ontem assistir ao segundo concerto do II Festival de Órgão, na sé de Faro, com Antoine Sibertin-Blanc, numa organização da Associação Cultural Música XXI. Foram cerca de 50 minutos muito bonitos (passaram tão depressa!) de música muito vívida e tocada com muita perícia. Há muitos anos ouvi ali João Vaz (que espero poder voltar a ouvir para a semana).Para que pudéssemos acompanhar o intérprete, um écran gigante ia transmitindo em directo as imagens de Sibertin-Blanc, a leveza dos seus dedos e a agilidade com que ia mudando os registos. O único problema foram as variações que o realizador (não sei se se chamará assim) resolveu fazer. Em vez de nos deixar acompanhar a música com a visão do intérprete, em momentos-chave, como quando os puxadores mudavam os registos dos tubos, fazia «efeitos especiais», abrindo e fechando a imagem em bolas, em cortina, e outras coisas do género, mostrando os anjos que encimam o órgão, ou os tubos, elementos interessantes, mas cujas imagens serviram apenas para distrair, perturbando o tranquilo acompanhar da interpretação.
Veremos se no próximo sábado (sempre às 21.30) João Vaz terá mais sorte.
05 novembro 2008
Outro prémio
O blogue “Paixões e Desejos”, de Paula e Rui Lima, nomeou o “Senhora Sócrates” com o “Brilhante Weblog”. Agradeço-lhes a simpatia. Aceito sempre os prémios que me entregam, pois comove-me o facto de se lembrarem de mim e desta ágora. Lauro António apresenta...
Ao rodar do tempo
Pisa-papéis
Dona Redonda
André Benjamin
Sem Pénis nem Inveja
02 novembro 2008
Os mortos vão devagar
É-lhes árdua a subida.
Não há pressas p’ra chegar
Foi difícil a partida
Sobem paulatinamente
Descem muito devagar
Fazem tudo lentamente
É dormente o seu andar.
O tempo não acabou
Não há passos de corrida
Em círculos sempre se andou:
A vida não tem saída.
O adeus é um momento
Que temos de partilhar:
Para nós, o sofrimento,
Aos mortos resta o vagar.
Foi difícil a partida
É dormente o seu andar.
A vida não tem saída.
Aos mortos resta o vagar.
01 novembro 2008
Não somos nós
As Janelas
Nestas salas escuras, onde vou passando
dias pesados, para cá e para lá ando
à descoberta das janelas. - Uma janela
quando abrir será uma consolação. -
Mas as janelas não se descobrem, ou não hei-de conseguir
descobri-las. E é melhor talvez não as descobrir.
Talvez a luz seja uma nova subjugação.
Quem sabe que novas coisas nos mostrará ela.
Konstandinos Kavafis, Poemas e Prosas, Relógio de Água, Lisboa, 1994. Tradução de Joaquim Manuel de Magalhães e Nikos Pratsinis.
29 outubro 2008
Não ama verdadeiramente quem não amar sempre
Diz Aristóteles, na Poética, que o episódio «é uma parte completa da tragédia entre corais».
Em muitos destes diálogos estão os momentos de maior tensão, já que vamos assistindo ao evoluir das situações e às perguntas e respostas, muitas vezes entendidas apenas por nós, espectadores, que sabemos bem o que as frases querem dizer, ao contrário das personagens em cena. Recordo como Tirésias diz a Édipo que ele é o assassino que procura e como este não entende as palavras do adivinho, mesmo quando ditas com toda a clareza. São destes episódios que me lembro quando oiço/vejo os diálogos dos filmes com Humphrey Bogart, quando a resposta parece quase ser mais rápida que a pergunta.
Outra característica dos episódios são as frases lapidares, daquelas que apetece citar. Algumas tornaram-se mesmo proverbiais. Gosto de abrir uma tragédia qualquer e sublinhar, com o meu lápis-encontrador-de-belezas (roubado ao Gonçalo M. Tavares), uma frase ao acaso, descontextualizada, como hoje, de Eurípides, As Troianas, 1051, na fala de Hécuba (acusa ndo Helena):
27 outubro 2008
Comun(itar)ismo???
Cremes: Vais aonde, se ainda não entregaste o que te pertence?
Homem: Para o jantar.
Cremes: Ah isso é que não vais, se ainda resta a essas mulheres uma migalha de bom senso! Só se tiveres levado primeiro a tua parte.
Homem: Está bem, pronto! Eu levo.
Cremes: Quando?
Homem: Não é por mim que a coisa deixa de se fazer, meu amigo.
Cremes: Ah não?
Homem: Há-de haver outros que ainda vão entregar depois de mim, podes ter a certeza.
Cremes: E vais jantar, mesmo assim?
Homem: O que hei-de eu fazer? É preciso colaborar com o Estado na medida do possível. É o que faz quem tem a cabeça em cima dos ombros.
Cremes: E se elas não permitirem, como é?
Homem: Eu mando-me de cabeça contra elas.
Cremes: E se te dão uma coça, como é?
Homem: Eu processo-as em tribunal.
Cremes: E se se rirem na tua cara, como é?
Homem: Eu ponho-me à porta...
Cremes: E o que fazes, ora diz lá!
Homem: ... e roubo a comida aos criados.
Cremes: Então vai lá, mas eu primeiro. (aos servos) E vocês, Sícon e Parmenão, toca a alombar com esta cangalhada toda.
Homem (prestável): Deixa estar que eu ajudo.
Cremes (que o afasta): Nem pensar! Receio bem que, na frente da chefe, ainda te armes em dono das minhas coisas. (Sai com os escravos carregados)
Homem: Cum raio! Tenho de arranjar uma saída, para conservar o que me pertence, e ao mesmo tempo partilhar com esta gentinha do bolo comum. Tenho uma ideia: basta que eu avance como eles, sem demora. (sai também)
Aristófanes, As Mulheres no Parlamento, JNICT, Coimbra, 1996. Tradução de Maria de Fátima Silva.
24 outubro 2008
Comun(itar)ismo
Bléfiro: Comum a todos... como?
Praxágora: Já a formiga tem catarro!
Bléfiro: Catarro?! Também vamos pô-lo em comum?
Bléfiro: E quem não for proprietário de terras, mas possuir dinheiro e ouro, bens que se não vêem?
Praxágora: Tem de os pôr no monte.
Bléfiro: E se não puser?
Praxágora: Incorre em perjúrio.
Bléfiro: Ora, ora! Já foi assim que eles os ganharam!
Praxágora: Mas seja como for, também não lhes servem para nada.
Bléfiro: Como assim?
Praxágora: Por necessidade, ninguém mais precisa de se mexer. Toda a gente vai ter tudo: pão peixe, bolos, casacos, vinho, coroas, grão-de-bico. Qual a vantagem de se não entregar os bens? Ora diz lá, se fores capaz!
Bléfiro: O certo é que, hoje em dia, são aqueles a quem não falta nada, os que mais roubam.
Cremes: Isso era dantes, meu amigo, quando vivíamos no tempo da outra senhora! Mas com agora - com a tal história do fundo comum - , que é que se ganha em não entregar?
Aristófanes, As Mulheres no Parlamento, JNICT, Coimbra, 1996. Tradução de Maria de Fátima Silva.
22 outubro 2008
que a nossa vida seja um dia
Num paciente trabalho, Silva Bélkior transpôs 35 poemas de Fernando Pessoa para latim, intitulado-o Carmina Pessoana:
Hortorum rosas ego Adonis amo,
volucres istas amo, Lydia, rosas,
quae die in quo nascuntur,
eodem pereunt die.
Lumen est illis aeviternum, nam
orto nascuntur jam eis sole, et finiunt
linquat Apollo antequam
cursum suum visibilem.
Sic unum diem vita faciamus,
inscientes, Lydia, nostra voluntate
noctem esse ante et post
parum quod nos duramus.
(carregue no texto para ler o original em português)
20 outubro 2008
um prémio
Informações sobre o Prémio Dardos
Quem recebe o “Prémio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1 - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogs a que entregar o Prémio Dardos.”
Ao rodar do tempo
As coisas são como são
Assim Mesmo
Cartas do meu moinho
Chá de letras
Combustões
Corta-fitas
Garden of Philodemus
Livro de Estilo
Não compreendo as mulheres
Onde Mudar
Oxiclista
Paixões e Desejos
Ponteiros Parados
Porta do Vento
Sem-se-ver
18 outubro 2008
Tragédia hip hop
(imagem daqui) Foi no meu correio electrónico, numa antiga mensagem de Fevereiro, que encontrei referência a uma versão hip hop californiana da tragédia Os Sete contra Tebas, de Ésquilo. O site da peça resume: Greek tragedy meets hip-hop in this new telling of a cursed family and society unsure of how to free itself from war. e na notícia do NCTimes, começamos por ler:
In ancient Greek tragedy, the Theban king Oedipus unwittingly fulfills an oracle's prophecy by killing his father and marrying his mother, which "kinda grossed everybody out, y'know"? And when Oedipus' two sons, Eteocles and Polynices, banished their father out of shame, he avenged his honor by "puttin' a curse on their ass."
Se estivesse por cá, iria vê-la.
17 outubro 2008
medos
Assim falou; e eu dei-lhe a seguinte resposta:
"Ó Circe, como podes pedir-me para ser agradável contigo?
Tu que no teu palácio transformaste os meus amigos em porcos,
e a mim aqui reténs, ordenando-me que vá
para o tálamo e que suba para a tua cama,
de modo a tirares-me coragem e virilidade quando estiver nu.
Fica sabendo que não subirei para a tua cama,
a não ser que tu, ó deusa, ouses jurar um grande juramento:
que não prepararás para mim qualquer outro sofrimento."
Assim falei; e ela jurou logo, como lhe ordenara.
E depois que jurou e pôs termo ao juramento,
foi então que subi para a cama lindíssima de Circe.
Odisseia, X, 336-347
16 outubro 2008
sem rodeios
Quem és e donde vens? Que cidade é a tua? Quem são os teus pais?
Estou espantada por teres bebido a poção sem estar enfeitiçado.
Nenhum homem jamais resistiu a esta droga depois que a bebesse
e que ela lhe passasse a barreira dos dentes.
Mas a tua mente não pode ser enfeitiçada.
És na verdade o astuto Ulisses, que sempre me disse
aportar aqui um dia o Matador de Argos, da vara dourada,
regressando de Tróia na sua escura nau veloz.
Mas repõe a tua espada, pois iremos agora
para a nossa cama, para que nos unamos em amor
e possamos confiar um no outro.
Fala de Circe, na Odisseia, X 325-335. Tradução de Frederico Lourenço.
15 outubro 2008
vestir o coração

- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, às três já eu começo a ser feliz. À medida que o tempo avançar, mais feliz me sentirei. Às quatro horas já começarei a agitar-me e a inquietar-me; descobrirei o preço da felicidade. Mas se vieres a uma hora qualquer, eu nunca posso saber a que horas hei-de vestir o meu coração... São precisos ritos.
- O que é um rito?
- É também qualquer coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias, uma hora diferente das outras horas.
14 outubro 2008
Fernando Cabrita, poeta
O sol
Nos quartos que o sol visita
a sombra aos poucos
gentil e pressurosa lhe abre as portas
e se retira;
E vem a manhã com ele, fresca, bonita,
pôr-se à janela
de onde a cidade inteira mira.
Poema retirado deste livro:
13 outubro 2008
pelos seus 85 anos
valter hugo mãe, o remorso de baltazar serapião, QuidNovi, 2006
(exemplos de outros postais sobre a minha mãe aqui e aqui )
12 outubro 2008
Por que tem sempre de doer?
Tal foi o desejo de amor, que me cobriu o coração
e cerrada treva derramou sobre meus olhos,
arrebatando do meu peito as débeis forças.
(Frg. 191)
Miserável, jazo atolado no desejo,
inânime, e penosas dores, por vontade dos deuses,
me percorrem os ossos.
(Frg. 193)
Arquíloco, daqui.
11 outubro 2008
10 outubro 2008
Hoje, em Albufeira ...
... João Pedro Cunha (violino) e António Rosado (piano) tocam num espectáculo intitulado «As melhores sonatas de Beethoven.Presente grego
«Receio os Dánaos, mesmo quando trazem presentes»
Os seus peitos erguem-se por entre as ondas e as suas cristas cor de sangue elevam-se acima das vagas; atrás a parte restante corta o mar e encurva o dorso imenso em circunvoluções.
Ouve-se um marulhar nas águas cheias de espuma.Já tinham alcançado os campos, com os olhos faiscantes raiados de sangue e fogo, e lambiam com as línguas vibrantes as bocas que silvavam. À vista disto fugimos cada um para seu lado sem pinta de sangue.
A primeira das duas serpentes, tendo envolvido os pequenos corpos dos seus filhos, enrosca-se em volta de ambos, devora-lhes os desgraçados membros à dentada, depois apanham-no a ele próprio, que acorria a socorrê-los de armas na mão e enleiam-no com as suas enormes espirais. E tendo-lhe envolvido por duas vezes a garganta com os seus dorsos escamosos, ficam ainda com os pescoços sobranceiros. Ele esforça-se por desfazer os nós com as mãos, com as faixas rituais manchadas pela baba e pelo negro veneno, ergue aos astros horrendos clamores, semelhantes ao mugido que solta o touro ferido (...).
Vergílio, Eneida, II, 201-224. Tradução coordenada por Luís Cerqueira e publicada em 2003 pela Bertrand Editora.
07 outubro 2008
se a A está com B e B está com C, A está com C
06 outubro 2008
missões
Tenho uma amiga que para o ano vai dar o seu mês de férias para ir trabalhar numa missão em Nampula, Moçambique, com a Irmã Assunção, da Comunidade das Irmãs de S. João Baptista. Com 70 euros por ano podemos apadrinhar uma criança, pagando com esse dinheiro as despesas escolares e os almoços. Um ano, por 70 euros... Ah, e precisam de alguém da área de informática que vá até lá para ajudar durante um mês. Não consegui pôr aqui o folheto explicativo, mas enviem um mail para lenanunosorio@yahoo.com, que Nuno Osório dará todas as informações.
Um outro amigo pediu-me que divulgasse o blogue dos Padrinhos de Portugal. Por 85 euros trimestrais, o padrinho colabora na consecução dos objectivos deste projecto:
Objectivos:
05 outubro 2008
quando alguém nasce, nasce selvagem, não é de ninguém
*O genitivo é o caso que indica a posse (como o caso possessivo em Inglês).
04 outubro 2008
Teoria e jogo do duende
De gozos e fezes juntos.
S. Teresa d'Ávila
UMA HOMENAGEM
Estava sempre entre os anjos
Quando o vi
E não vi
A luz faz-nos
Saber quando é assim
Negra a aparecer
E desaparecer, aparecer
E desaparecer
Quando dançar
É ensaiar morrer
_______________
O filme escorre: há um pé enfaixado de menina chinesa,
um vento negro, um carro acidentado repetidamente.
Uma vez. Duas vezes. Três vezes... Depois perde-se a conta.
Há vastos lagos de leite fervilhante e uma atmosfera de perigo iminente.
Que dirias tu de viver ali?
(Pedro Luís Baltazar Vieira, 25/01/67- 4/10/2005
Faz 3 anos e estou furiosa
Hoje só me apetece dizer asneiras, palavrões, chamar nomes.
Estou triste e furiosa.
....................................
Estou furiosa porque o Pedro morreu. Porque ele me faz falta. Porque choro ao ler as suas coisas. Porque acho que fiz tudo e se calhar não fiz nada.
Estou furiosa com ele porque ele morreu.
Mexo nas coisas que escreveu e nas que me escreveu.
Só me apetece dizer asneiras!
Maria
Não lhe dei ouvidos.
Fazes-me tanta falta, Manel!












