ORESTES:
Sou livre, Electra; a liberdade abateu-se sobre mim como um raio.
(...)

Não sei porquê, mas nas maiorias absolutas o Poder tem tendência a não ouvir o seu Povo. Essa atitude, mostra o saber dos Antigos, só traz desgraças a todos.
(...)
Hémon – Não é isso que afirma o povo unido de Tebas.
Creonte – E a cidade é que vai prescrever-me o que devo ordenar?
Hémon – Vês, falas como se fosses uma criança.
Creonte – É portanto a outro, e não a mim, que compete governar este país?
Hémon – Não há Estado algum que seja pertença de um só homem.
Creonte – Acaso não se deve entender que o Estado é de quem manda?
Hémon – Mandarias muito bem sozinho numa terra que fosse deserta.
(Sófocles, Antígona, vv. 733-739. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira)
IN MEMORIAM DA TAMINO
A Tamino era uma gata amável e terna, não fugindo de ser dura e corajosa quando entendia tal ser necessário. E isso acontecia, por exemplo, sempre que via o seu companheiro Mimi em dificuldades e a precisar de ajuda.
A sua doçura revelava-se, no entanto, quando subia ao colo; momentos esses em que sabia ser extraordinariamente leve e delicada... excepto quando se espreguiçava e as suas unhas se esticavam mais do que seria desejável...
Não se pense que, por ser leve, fosse mole. Nada disso! Na verdade, possuía uma agilidade notável, conseguindo atingir alturas nos seus saltos que deixavam toda a gente admirada. Para ela não havia lugares inatingíveis... nem que tivesse de pular dos ombros de alguém!
Amava a liberdade sem concessões e dificilmente a trocava por qualquer chamamento, mesmo que acompanhado por súplicas. A sua única fraqueza (e não são fraquezas inofensivas como esta que nos tornam mais humanos?) eram as latinhas de comida que a sua dona usava, batendo com um garfo, para a atrair. Mas, mesmo aí, quando suspeitava de ter sido enganada (só suspeita porque, naturalmente, a dona dava-lhe sempre a comida desejada), não perdia nem a sua imensa dignidade, nem a sua compostura plena de nobreza.
É que, para concluir, a Tamino sabia, com supremas inteligência e sensibilidade, ser gata e ser gatinha em toda e qualquer situação.
A sua partida é lamentada.
Não será esquecida.
Fui chamada à atenção para este evento por um gentil leitor deste blogue.
A personagem Jaime Bunda, criada por Pepetela, com uma lógica muito própria, mistura saberes (ou falta deles) e citações. Reparem nesta delícia (p. 25, da 8ª edição, nas Publicações Dom Quixote):
Vou estar ali, mesmo no centro do círculo de sophia, no dia 4, às 21. A falar de mitos, pois então.Caro amigo(a).
Vamos ter Mitologia no Círculo de Sophia!
A Professora Adriana Nogueira, classicista entusiasta de muitos outros saberes irá apresentar-nos uma agradável Palestra acerca de alguns Mitos que têm acompanhado a Humanidade.
“Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenómenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração.”
Certos, do interesse que este tema suscita, contamos com a vossa presença e participação na tertúlia que terá lugar após a palestra.
Cumprimentos e até sábado
Os amigos do Círculo de Sophia
Isilda e José Carlos
Temática: Mitologia/Filosofia
Programa Mensal
Mês de Julho 2009
04/07/2009
pelas 21:00 horas
Género: Palestra/Tertúlia
Morada:
Largo de S.Francisco
nº49, 2º - 8000 Faro
Tel: 937533031
E-mail: circulosophia@gmail.com
As sete escolhas seguiram um critério tão inválido e injusto como outro qualquer: conhecer pessoalmente o autor.
Querida Gi,