15 agosto 2009

Lisboa, em 2002

Ao fazer umas arrumações, num saco cheio de partituras musicais (veja-se por aí há quanto tempo não toco!) encontrei um álbum de fotografias enviado por uns amigos franceses, depois de umas férias por cá.
Dedico estas memórias ao meu amigo Zé Karolus!

05 agosto 2009

Emigrar?

Nunca pensei em emigrar.
Viver uns tempos noutro país, sim, pois é uma experiência enriquecedora, mas sair para sempre não.
Tinha na memória uma prancha do Quino, que finalmente encontrei e que aqui deixo digitalizada.

Quino, Condições Humanas, Publicações Dom Quixote, col. Humor com humor se paga, nº 36
(clicar na imagem para aumentar)

03 agosto 2009

Esses caminhos não são meus

(imagem daqui)

ORESTES:
Sou livre, Electra; a liberdade abateu-se sobre mim como um raio.

(...)
Pratiquei o meu acto, Electra, e este acto era bom. Levá-lo-ei aos ombros; como um barqueiro leva os viandantes, fá-lo-ei passar para a outra margem e prestarei contas dele. E quanto mais difícil for de levar, mais contente ficarei, pois é ele a minha liberdade.
Ainda ontem eu andava ao acaso sobre a terra, com milhares de caminhos a fugirem-me sob os passos por pertencerem a outros. Todos eles palmilhei, tanto o dos sirgadores, ao longo dos rios, como o atalho do almocreve e a estrada calcetada dos condutores de carros; nenhum porém me pertencia.
Mas hoje já não há senão um, que é o meu caminho.

(Jean-Paul Sartre, As Moscas, Ed. Presença, 2ª ed, 1965, p. 134-135).

30 julho 2009

VI Curso Livre de História do Algarve


Hoje, às 17.30, irei fazer uma palestra intitulada «O Algarve como recurso estilístico».
Sendo eu de literatura (sou licenciada em LLC - Estudos Clássicos e Portugueses), profissionalmente nunca explorei muito a literatura portuguesa (as minhas preferências e o meu tempo vão mais a grega e a latina), mas preparar esta apresentação deu-me muito prazer. Foi uma espécie de reencontro.

Espero que os presentes sintam um pouco desta alegria!

28 julho 2009

Ouvir o povo...

Não sei porquê, mas nas maiorias absolutas o Poder tem tendência a não ouvir o seu Povo. Essa atitude, mostra o saber dos Antigos, só traz desgraças a todos.

(...)

Hémon – Não é isso que afirma o povo unido de Tebas.

Creonte – E a cidade é que vai prescrever-me o que devo ordenar?

Hémon – Vês, falas como se fosses uma criança.

Creonte – É portanto a outro, e não a mim, que compete governar este país?

Hémon – Não há Estado algum que seja pertença de um só homem.

Creonte – Acaso não se deve entender que o Estado é de quem manda?

Hémon – Mandarias muito bem sozinho numa terra que fosse deserta.

(Sófocles, Antígona, vv. 733-739. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira)

26 julho 2009

De um amigo da Tamino...

(última foto da Tamino, de 25 de Junho)
... amor da sua dona.

IN MEMORIAM DA TAMINO

A Tamino era uma gata amável e terna, não fugindo de ser dura e corajosa quando entendia tal ser necessário. E isso acontecia, por exemplo, sempre que via o seu companheiro Mimi em dificuldades e a precisar de ajuda.

A sua doçura revelava-se, no entanto, quando subia ao colo; momentos esses em que sabia ser extraordinariamente leve e delicada... excepto quando se espreguiçava e as suas unhas se esticavam mais do que seria desejável...

Não se pense que, por ser leve, fosse mole. Nada disso! Na verdade, possuía uma agilidade notável, conseguindo atingir alturas nos seus saltos que deixavam toda a gente admirada. Para ela não havia lugares inatingíveis... nem que tivesse de pular dos ombros de alguém!

Amava a liberdade sem concessões e dificilmente a trocava por qualquer chamamento, mesmo que acompanhado por súplicas. A sua única fraqueza (e não são fraquezas inofensivas como esta que nos tornam mais humanos?) eram as latinhas de comida que a sua dona usava, batendo com um garfo, para a atrair. Mas, mesmo aí, quando suspeitava de ter sido enganada (só suspeita porque, naturalmente, a dona dava-lhe sempre a comida desejada), não perdia nem a sua imensa dignidade, nem a sua compostura plena de nobreza.

É que, para concluir, a Tamino sabia, com supremas inteligência e sensibilidade, ser gata e ser gatinha em toda e qualquer situação.

A sua partida é lamentada.

Não será esquecida.

25 julho 2009

Transmissão directa do Reboliço

(Obrigada, Ana!)

Do céu dos gatos (transmissão directa para a Xantipa)

- Olá. És a Carolina?
- Sou, sim. E tu és quem?
- Sou a Tamino. Cheguei há uns dias e não conheço ninguém. Lá em baixo disseram-me que talvez te encontrasse aqui. Posso ficar contigo?
- Acho que podes. Nunca tenho grande companhia.
- O que é que fazes para passar o tempo? Há ratos para perseguir?
- Não...
- Então este céu não é só para gatos?
- Não, Tamino: aqui é tudo igual a lá em baixo. Gente e bichos tudo misturado. E já assim às vezes é um tédio - imagina se não houvesse alguns seres diferentes de nós!
- Hum... então e o sol para nos estendermos a ele?
- Nada. Nem sol nem lua. É o infinito absoluto. Lembras-te quando lá em baixo ouvias as pessoas dizerem para não se pensar em nada?
- Lembro-me; fazia-me uma confusão...
- Olha, o nada é isto.
- Mas, e as latinhas de comida, quem é que as traz? E as bogas cozidas com as espinhas todas?
- Nada, Tamino. Daqui a algum tempo já nem te lembrarás disso. Agora ouço-te a dizer essas palavras e tenho uma ideia muito vaga de que já houve algum lugar onde faziam sentido.
- É muito estranho. E não dá medo?
- Estás a sentir medo?
- Não. Estou descansada. E desapareceram-me as dores.
- Ora bem; deixa-te estar. Podes ficar aqui ao meu lado. E, se quiseres, depois iremos saltar nuvens. Isso é que é!...

23 julho 2009

Requiescat In Pace





O Mimi vai sentir a falta dela.
E eu também.
Estou contente por não ter mudado a foto do blogue. A minha amiga Ângela disse-me que eu ficava assim muito bem, com a Tamino colo.
Mas meu cabelo já não é aquele, está curto e sem pintura, e a Tamino já não está entre nós.
Este é mesmo um espaço virtual.

22 julho 2009

A gata Tamino...


... tem este nome porque eu pensava que era um gato. Como a Flauta Mágica era a minha ópera preferida, escolhi o nome do príncipe para o meu primeiro animal de estimação. Nunca tinha tido um gato, e, naquele Novembro de 1998, fiquei muito atrapalhada quando vi a Tamino sem movimento durante horas. A minha amiga Susana sossegou-me, dizendo que ela estava apenas a... dormir!
A Tamino está muito doente. Contrariamente ao Mimi, que teve uma lipidose hepática grave, algo curável, ela tem uma insuficiência renal crónica. Os níveis de ureia que, para a idade dela, deveriam estar entre 16 e 36, estão acima de 130, que a máquina não lia mais... A creatinina, que devia estar entre 0,8 e 2,4 está a 5,7...
Estou muito, muito triste.

Só vim aqui dizer isto.

17 julho 2009

«Os tiranos não são loucos: enlouquecem»


Alçada Baptista em Tia Suzana, Meu Amor, sobre Kleist:


«Mas a tia Suzana achava que o poeta era louco:

- A gente tem de viver dentro de certas regras não só para poder estar com os outros mas, sobretudo, para manter o nosso tino. Quando cada um se julga capaz de fazer as suas próprias leis, enlouquece. Por isso é que é muito mau dar a um homem o poder de ditar todas as leis. Os tiranos não são loucos: enlouquecem.»

16 julho 2009

Sangue- Estudos de Antígona

(foto enviada pelo meu amigo Rui Viola)

Talvez por ter tido o privilégio de conhecer o grupo e o projecto ainda em embrião, achei que tinham chegado a um excelente resultado.

A verdade é que gosto muito de ver os textos antigos, ou melhor, as ideias dos textos antigos a reviverem através de novas palavras, actualizadas nas novas realidades. A peça tem diversos registos que coexistem, nem sempre pacificamente: um vídeo projecta, constantemente, imagens que nos desafiam a procurar a ligação que têm ao texto que ouvimos na representação dos actores, esse mesmo texto que está legendado a um canto do ecrã. Por vezes, é nesse pano de fundo que surgem as palavras que não são pronunciadas, mas representadas pelos actores. Um espectáculo que se poderia dizer multimédia sem qualquer depreciação.

Os três actores representam todas as personagens. Isto poderá não parecer nada de especial, visto que já Aristóteles nos disse que «Ésquilo foi o primeiro que elevou de um a dois o número de actores (...). Sófocles introduziu três actores»(Poética 1449a18). Se repararmos bem, para além do Coro e do seu Corifeu, em cena nunca temos mais de três actores. Na Antígona, temos cenas com dois actores (Antígona e Ismena ou Creonte e Hémon) e outras com três (Antígona, Ismena e Creonte ou Creonte, Antígona e Guarda).
Então, qual a diferença?
Aqui, Sara Ribeiro faz, ao mesmo tempo, de Antígona e Ismena e João Pedro Santos faz de Creonte e Hémon. A princípio podia-se pensar que as legendas serviriam para ajudar a perceber quem era quem, mas a encenação e a representação estão de tal modo bem feitas que se vê lindamente a mudança de personagem.
A Isa Araújo é uma presença constante: guarda, corifeu, guia de Tirésias... com uma voz bem modulada e articulada, muda de registo nos diferentes papéis, bastante expressiva na sua (e de João Garcia Miguel)
interpretação da ode ao homem.

Faz parte da própria natureza deste tipo de espectáculo, em que um texto antigo é recriado e lido de outra forma, em diferentes suportes, não ser fiel ao texto. Mas nem é disso que se trata.
Alunos de teatro, mas já actores extraordinários!
Gostei muito deste Sangue-Estudos de Antígona, que gostaria de voltar a ver.
Dêem-me a vossa opinião!

15 julho 2009

Férias?

«A senhora sócrates» não está de férias e pede desculpa aos leitores pela ausência.
O trabalho e o cansaço são grandes, deixando-me pouco tempo para vir até aqui.
Agradeço as palavras simpáticas dos amigos que me estimularam a voltar a postar.

04 julho 2009

Maria Helena da Rocha Pereira - Medalha de Ouro da cidade de Coimbra

Fui chamada à atenção para este evento por um gentil leitor deste blogue.
A Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira personificou, durante muito tempo, as letras clássicas portuguesas, sendo acidental o ser de Coimbra. Poucos vultos serão tão conhecidos fora do «nosso mundo dos clássicos» como ela. Antes de ir para a faculdade, ainda no ensino secundário, só ainda tinha ouvido falar de dois nomes: Rebelo Gonçalves (autor do Vocabulário de Língua Portuguesa que ainda hoje consulto) e M.H. Rocha Pereira, de quem li os Estudos de História da Cultura Clássica (de capa castanha e não rosa, como as últimas edições), livros fundamentais para a compreensão do mundo antigo. Estão muito sublinhadinhos (a lápis, a lápis) e anotados, naquele papel que a Gulbenkian usa, grosso e brilhante.
Não fui sua aluna, mas todos os que o foram dizem ter sido uma experiência inesquecível.
Cruzei-me com ela algumas vezes e, quando organizei um colóquio e a convidei, recebi uma carta sua a lamentar não poder estar presente e a desejar que corresse bem (gesto delicado e simpático que não tiveram outros catedráticos que também convidara).
Desbravou caminhos, abriu um espaço para os estudos clássicos, publicou nas mais exigentes e prestigiadas editoras estrangeiras (como a alemã Teubner).
Merecedora, sem dúvida, de muitas medalhas de ouro.

02 julho 2009

Sabedoria de Jaime Bunda... agente secreto

A personagem Jaime Bunda, criada por Pepetela, com uma lógica muito própria, mistura saberes (ou falta deles) e citações. Reparem nesta delícia (p. 25, da 8ª edição, nas Publicações Dom Quixote):

Mas nunca ouviu dizer que dura lex sede lex, quer dizer, a lei dura muito e tem sede de lei? Frase de Aristóteles.

26 junho 2009

Épica Menor...

... é o nome do último livro de poemas de António José Ventura, desta vez editado pela Gente Singular (o site não está actualizado, infelizmente, mas tem lá o mail para onde podem escrever e pedir o envio do livro).
Ainda não tive oportunidade de ir a nenhuma das apresentações, mas comprei o livro no Pátio de Letras. Tem uma ilustração («um pássaro do paraíso») de Costa Pinheiro e um estudo no final, que pode ser lido se seguirem a ligação que está no nome do poeta, acima.

Os poemas estão agrupados em quatro grupos.

Deixo aqui dois, da primeira parte (que se intitula «A casa, o mundo e as estações»).

Um tem título:


«As pétalas de rosa»

A luz é a água da rosa. Branca
numa jarra, desabrocha para a sala
pondo a natureza na casa. E eis
que caem as pétalas uma a uma.
Termina o instante da rosa.


Outro não tem:

Sou um arqueiro de um exército em fuga.
Passei fome e frio nas estantes da biblioteca
ferido pelas palavras refugiei-me no litoral
numa furna onde não me atingem as ondas.
Estou num estado de completo silêncio,
apenas me fazem companhia os mexilhões e as lapas,
alimento-me de moluscos.
Começo a ouvir o movimento da maré
o rumor do mar subindo pela praia.
Em breve terei de abandonar o meu esconderijo
e decerto serei feito prisioneiro pelo exército das vozes.
A natureza não me pode salvar
apenas encontrarei abrigo na cidade
servindo as forças vencedoras.

25 junho 2009

no círculo

Vou estar ali, mesmo no centro do círculo de sophia, no dia 4, às 21. A falar de mitos, pois então.

Diz a newsletter:

Caro amigo(a).

Vamos ter Mitologia no Círculo de Sophia!

A Professora Adriana Nogueira, classicista entusiasta de muitos outros saberes irá apresentar-nos uma agradável Palestra acerca de alguns Mitos que têm acompanhado a Humanidade.

“Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenómenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração.”

Certos, do interesse que este tema suscita, contamos com a vossa presença e participação na tertúlia que terá lugar após a palestra.

Cumprimentos e até sábado

Os amigos do Círculo de Sophia

Isilda e José Carlos

Temática: Mitologia/Filosofia

Programa Mensal

Mês de Julho 2009

04/07/2009
pelas 21:00 horas

Género: Palestra/Tertúlia


Morada:
Largo de S.Francisco
nº49, 2º - 8000 Faro


Tel: 937533031

E-mail: circulosophia@gmail.com

Web: circulosophia.blogspot.com

22 junho 2009

curva algébrica

x = a \cos t \sqrt{2 \cos (2t)}; \qquad y = a \sin t \sqrt{2 \cos (2t)}

(daqui)

Esta é a fórmula que corresponde ao prémio que o Miguel gentilmente me atribuiu e que muito agradeço. Estou sempre a aprender!


(Aproveito para agradecer ao Tomás Vasques a tão simpática referência que me fez)

Fui procurar o blogue criador do selo abaixo apresentado e encontrei a razão da sua existência:
«O selinho foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos leitores»
As sete escolhas seguiram um critério tão inválido e injusto como outro qualquer: conhecer pessoalmente o autor.

Ponteiros Parados (bem... é amigo de amigo... conta, não conta?)
Rua da Abadia (o nepotismo em todo o seu esplendor)
Bandeira ao Vento
(então, pá, e os nossos projectos?)
Chá de Letras (amizades cinéfilas, literárias, profissionais e chazeiras)
A dignidade da diferença (é mais falador no blogue)
Delito de Opinião (lamentavelmente, só conheço um... mas conta, não conta?)
Dário Guerreiro - a prosa (aprendemos muito sobre os alunos com os seus blogues)

21 junho 2009

inconsistência

Como os leitores deste blogue se terão apercebido, normalmente não uso este espaço para dizer mal. Para que queixar, sim (do mau serviço da Divani ou da TMN, por exemplo), mas má-língua, não.
Mas, por vezes, há coisas que me incomodam de tal modo, que penso: «Vou pôr no blogue», como se o blogue fosse o amigo a quem temos que telefonar sempre que nos acontece qualquer coisa. De bom, normalmente. De menos bom, por vezes.

Hesitei em escrever este desabafo, mas cá vai: incomoda-me muito a inconsistência. Pessoas inconsistentes. Ideias inconsistentes. Livros inconsistentes. Personagens inconsistentes.
Por razões que apenas a mim se devem, estou a ler um livro de um jornalista que escreve romances. Aquilo lê-se depressa, mas não sei se consigo continuar. Talvez o faça, para respeitar o meu «princípio da não-desistência», mas está difícil. Tive de parar.

Às vezes penso que gostava de ser daquelas editoras à americana que lêem os manuscritos e fazem os seus comentários, dialogando e discutindo com o autor, de modo a que este possa corrigir, reformular ou manter a sua decisão (que será forçosamente mais consistente, depois de ter tido de a defender). Uma editora que pudesse dizer ao autor:

«Já reparou que a sua personagem não é credível? Desde quando um professor universitário de História, consultor de entidades prestigiadas e selectas como a CIA, não sabe o que é a tundra? Ou, perante a informação de que a uma igreja que vê na praça Vermelha, em Moscovo, não é o Kremlin (ele não é um turista. É doutorado em História.), parece amuar, recusa-se a ver o complexo, recusando também a realidade, dizendo que, para si, aquela igreja seria sempre o Kremlin, «dissessem o que dissessem»? «Dissessem», quem? Os historiadores como ele. A realidade.
Uma atitude tão pouco sensata (para não dizer tão incongruente) não se adequa a um investigador.

Mais: um conhecedor profundo de línguas antigas, que sabe hebraico e grego, que conhece a cabala, que decifra enigmas, perante a necessidade de ler um único nome em russo (o nome de da cidade para a qual se dirige e que se encontra escrito no autocarro que necessita tomar) diz que não sabe cirílico? Impossível. Qualquer pessoa que saiba grego sabe ler a maioria dos caracteres cirílicos. É básico. Pode não reconhecer todas, mas muitas letras são semelhantes. Nunca se sentiria completamente a zero.»

Isto diria eu como editora à americana. Mas nem à portuguesa sou.
Parei aqui e ainda não consegui retomar.
Já não podia mais com as conversas que a personagem mantinha com outras personagens. Como pode alguém, contratado pela Interpol por ser o mais destacado na sua área, comportar-se como um imbecil, a quem é necessário explicar muitas vezes as mesmas coisas?
É bem-feita. Ninguém me mandou meter-me nestas leituras, até porque o livro nem faz parte da minha biblioteca.
Para me redimir, comecei agora mesmo a ler O Homem Lento, do Coetzee, e já me sinto recompensada.

19 junho 2009

Lendas da fundação de Roma - Curso Livre

Querida Gi,

Lembrei-me de ti quando vi o anúncio deste curso que a Ana Alexandra vai dar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Pelo que conheço dela como colega, posso garantir que vai ser muito interessante e muito bem explicado.
Quem morar em Lisboa vai ter mais facilidade do que tu, pois são duas vezes por semana, 2h cada.
Pensa nisso. Se fosse sobre Júlio César em vez de Tito Lívio, irias sem hesitar, não era?
Tenho de perguntar ao se não quer ir. Ele é todo virado para estas coisas das antiguidades e tem um conhecimento de latim (e grego) que não é de desprezar.

Fica bem e até um dia destes!