19 abril 2009
ΚΑΛΟ ΠΑΣΧΑ
18 abril 2009
17 abril 2009
Classic Nouveaux
Se os actuais políticos se preocupassem em formar pessoas com um nível cultural e intelectual mais elevado, fariam um bom serviço às suas pátrias. Mas, assim, formando manadas de jovens estúpidos e analfabetos, farão um bom serviço a um certo poder social, político e económico que só tem a ganhar com isso.»
(roubado do Ponteiros Parados, título e tudo)
16 abril 2009
Uma Noite com o Fogo
Uma Noite com o Fogo é livro e tem blogue.
Quem perdeu a apresentação de Loulé, pode ir ouvi-lo no Pátio de Letras, no dia 24 de Abril, às 21.30. Não, a apresentação não é minha, é de José C. Vilhena Mesquita. Não vou perder.
15 abril 2009
Dores d'alma...
O que me vale é que, apesar de tudo, as respostas dos alunos que resultam em postais neste blogue são poucas, o que me descansa um pouco em relação ao meu (in)sucesso como professora.
14 abril 2009
«Tacones lejanos»
Fui hoje disfarçada de cliente da EDP à Loja do Cidadão de Faro. Para ser mais credível, fiz um contrato e tudo. Entretanto, com a minha máquina fotográfica oculta na mala ,tirei uma fotografia a uns sapatos brancos. De salto alto. Com aquela cor de calçado, suponho que a lingerie fosse condizente, e não preta, ou outra cor escura.
Senti aromas no ar, de perfumes intensos. Quase todas as meninas estavam com lencinhos ao pescoço, decorosas.
No entanto, uma que estava a cumprir as regras todas, era bem desinibida, com uma t-shirt rosa a pedir que lhe telefonasse. «Liga-me», pedia-me descaradamente, em letras gordas sobre o espaço que deveria ser usado para um decote. Claro que não o fiz, mas vim logo para aqui escrever este post.
13 abril 2009
Que planta é esta?
Há um mês e meio fui convidada a ir à EBI 2-3 Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, em Boliqueime, pela Drª Carla Lopes, para falar dos meus Hércules e da cultura clássica, na semana da leitura. No final, recebi um belíssimo ramo de rosas e orquídeas envoltos em diversas ramagens. Uma delas era esta, que na altura (no dia 2 de Março) não passava de um tronco. Como o achei muito bonito e, numa semana, nasceram umas raízes vermelhas na jarra onde coloquei o ramo, resolvi mantê-lo dentro de água.
Mantenho na água?
Que planta é esta?
Sei que a Gi (uma boa razão para vires cá a casa, para além do Saylor), o Paulo e o JB (regressado da pérfida Albion) percebem de flores.
Será que eles (ou alguém mais) me podem ajudar?
Fico-vos muito agradecida. E a plantinha também.
12 abril 2009
Bicentenário das Invasões Francesas
11 abril 2009
Neste santo sábado santo, em Faro, no Pátio de Letras...
10 abril 2009
Ícaro
31 março 2009
Que fazer na quinta-feira?
Um dos aspectos que me parece mais interessante é o facto da reconstrução da imagem da mulher ter sido conseguida pelo discurso forense, tendo a autora baseado o seu estudo em mais de 100 textos de oradores áticos (li isto no Correio do Minho, de 22 de Março).
O livro vai ser presentado pelo Nuno Simões Rodrigues, também meu colega no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, professor na Universidad de Lisboa, que também escreve bastante sobe o tema da mulher na antiguidade.
Se estiver mais cá por baixo, por estes reinos dos Algarves, vá até Loulé, à Biblioteca Municipal, às 21.30, nesse mesmo dia 2, para participar na apresentação que vou fazer do último livro do António Manuel Venda (de quem sou fã confessa desde 1996), Uma Noite com o Fogo (que até tem blogue e tudo).
Não tem o livro? Passe pelo Pátio de Letras antes de ir para Loulé.
27 março 2009
... do Teatro
bem como peças de teatro, exemplificando o género com uma tragédia grega
uma comédia grega
e uma tragédia latina:
Plauto, cujo Anfitrião foi tão glosado no teatro português. Veja-se, por exemplo, Camões e o seu Auto dos Anfitriões, António José da Silva (conhecido como O Judeu) e Anfitrião ou Júpiter e Alcmena ou o Anfitrião Outra Vez de Augusto Abelaira.24 março 2009
Na quarta-feira, em Albufeira...
23 março 2009
Verdades repostas
A Teresa acertou em todas, claro. Ou não fôssemos amigas há quase 25 anos...
O Dário achou que era inverosímil que a sua professora fizesse uma daquelas coisas, quanto mais 6.
Excepto o Carlos, todos os outros acharam que eu não sabia nadar.
A Sara nunca erraria a 3 e a 4, pois esses campeões eram amigos comuns, mas distraiu-se na 5 (não deu atenção à decoração) e acreditou nas minhas boas intenções, no Verão passado, em não faltar à esgrima... eheheh...
A Redonda, o Nandokas e todos os outros não acreditaram na mentira da 9.
Seguem-se as respostas:
22 março 2009
Página 161, 5ª frase

A Bomba Inteligente passou-me uma corrente que já tinha passado por aqui há mais de um ano. Neste momento, em que ando a ler as Medeias que encontro (e dado que a de Mário Cláudio não tem tantas páginas), aqui vai a Medeia, Vozes, de Christa Wolf:
21 março 2009
20 março 2009
Pôr as correntes em dia
- não gosto de café;
- gosto de fazer planos (mesmo que não os cumpra...);
- estou sempre a fazer muitas (mesmo muitas) coisas ao mesmo tempo;
- sou optimista: dão-me a bosta e fico toda contente a pensar que só me falta receber o cavalo;
- gosto de acordar cedo e de me deitar tarde;
- tenho cada vez menos paciência para certas coisas para as quais nem paciência para falar delas tenho.
Mais uma vez, nao me atrevo a passar, mas continue quem quiser.
18 março 2009
(De)Valoración Docente

Por vezes tenho dificuldade em reagir com tranquilidade perante factos que me impressionam.
O que se está a passar em Portugal em diversas áreas da função pública assusta-me.
http://www.educarex.es/documentos/anuncio/anuncio.html
16 março 2009
Verdades (6) ou mentiras (3)?
Não vou passar a outros blogues, como era suposto, pois tenho andando arredada destes espaços e arriscava-me a nomear quem já respondeu. Assim, deixo ao critério de cada um.
Ah, e quem me meteu nisto foi o Nandokas .
1) O meu desporto favorito é a natação. Pratico desde pequena e moro no Algarve para poder estar mais tempo por ano perto do mar e poder nadar.
2) Pratiquei basquetebol em jovenzinha e até fui federada. O ser baixinha não foi impedimento.
3) Pratiquei judo na juventude, mas não passei de verde por causa dos combates.
4) Conheci e privei com campeões de judo, incluindo um nosso representante nuns Jogos Olímpicos.
5) Fiz ballet e andei em pontas.
6) Já tive a vida em perigo numa gruta, a fazer espeleologia.
7) Já estive presa num elevador com mais 4 pessoas durante 2 horas.
8) Sofro de claustrofobia.
9) Raramente falto a uma aula de esgrima e, apesar da idade, o meu mestre pensa levar-me aos próximos campeonatos nacionais.
11 março 2009
Um título possível: vergonha na cara. Outro título: obras públicas. Outro título: extenuada. Enfim, não sei o que hei-de chamar a isto.
Deixo-vos com Plutarco, que conta melhor a história que eu:
Acontecia que, por aquela altura, Aristodemo abria um fosso à volta do seu território - uma obra que não era útil nem necessária - simplesmente porque desejava esgotar e extenuar os cidadãos com trabalhos e dificuldades. Com efeito, tinha sido ordenado a cada um que retirasse um determinado número de medidas de terra.
Uma certa mulher, ao ver que Aristodemo se aproximava, desviou-se do caminho e cobriu o rosto com a túnica. Quando o tirano se foi embora, os jovens riram-se dela e perguntaram-lhe, no gozo, por que razão o seu pudor a fizera evitar apenas Aristodemo, já que não tinha tal sentimento em relação aos outros homens. Mas ela respondeu com muita seriedade e disse: «Porque Aristodemo é o único homem entre todos os de Cumas».
Esta frase, dita deste modo, tocou-os a todos, e aos nobres de espírito, por vergonha, incitou-os mesmo a lutar pela liberdade.
(tradução de Maria do Céu Fialho, Paula Barata Dias e Cláudia Cravo, todas da Universidade de Coimbra e editada pela Minerva, em 2001)
24 fevereiro 2009
Emo... séc. XIX
19 fevereiro 2009
18 fevereiro 2009

Em profundo silêncio, seguem por vereda íngreme, escarpada,
escura, envolta em espessa neblina. Não estavam longe
do rebordo superior da terra. Cheio de amor, com medo
de que Eurídice desfaleça e ansioso por vê-la, Orfeu volta
o olhar. Logo ela cai de novo. De braços estendidos,
lutando por que a agarrem e por ela se agarrar, a infeliz
apenas agarra a inconsistência do ar.
Tradução de Domingos Lucas Dias, editado pela Vega.
Prémio de Tradução da União Latina 2008
13 fevereiro 2009
Escreveu mesmo assim...
09 fevereiro 2009
07 fevereiro 2009
momento S.J.
Garanto que é o que está lá escrito... pronto... admito... Jesuítas estava sem acento.
05 fevereiro 2009
Tradução de Édipo: precisa-se...
Outras dores d'alma edipianas aqui e aqui.
02 fevereiro 2009
Tio de Sócrates?
Estou feita!
31 janeiro 2009
Como disse?
Eu - Umas espinhas?
Ela - Sim, «umachpinhas». Não gostas?
Eu - De espinhas?
Ela - LOL. Não. Sopinhas!
Eu - Ahhhh!
Ele - Tens aí «umapinha»?
Eu - Uma pinha?
Ele - Sim. «Umapinha».
Eu - E para que queres tu uma pinha?
Ele - Para ver qual o melhor caminho para chegarmos lá.
Eu - Ahhhh! Um mapinha!
Ele - E não foi o que eu disse?
Isto vem de longe, muito longe.
23 janeiro 2009
O meu Padre
A mim, marcou também a minha carreira profissional. Quando tinha de escrever algum conceito relativo à antiguidade clássica, usava caracteres gregos, o que me deliciava. Como eu gostava muito de história daquela época, a aprendizagem das línguas antigas foi a consequência natural.
18 janeiro 2009
Afinal não era literatura oral...
O meu pai contava-me histórias de terror, mas eu não tinha medo nenhum!
Devia ser porque ele era muito expressivo e eu ria-me.
Ouvi esta tantas vezes que a aprendi de cor.
Um dia, em conversa com o meu digníssimo colega Dias Marques ( JJ para os amigos), o homem da literatura oral (e agora das lendas urbanas - ops! lendas vivas é que é!), contei-lhe e ele conseguiu identificar o autor (tenho de lhe voltar a pedir a informação, pois não me lembro de quem era, apenas que era do séc. XIX).
Para mim era literatura oral. Cá vai:
Vem cá, meu Paulo, escuta: és amigo de tua mãe?
- Oh, minha mãe, que pergunta!
- Basta, meu Paulo, pois bem. Faz 20 anos – e dizendo, tira do seio um punhal - que teu pai morreu a golpe deste ferro, para meu mal, e eu, para vingá-lo, fiz uma jura fatal...
- Uma jura? Mãe santíssima! Oh, minha mãe, o que jurou?
- Jurei por este sangue, que em ferrugem se tornou, que tu matarias aquele que teu pai matou. Matas?
- Mato.
- Matas, seja quem for?
- Mato.
- Ainda que a vingança te tire ao seio o amor?
– Mato.
- Toma este ferro, é Ricardo o matador.
- Ricardo, o pai de Maria? Oh, minha mãe, perdoai...
- Pela amante o pai esqueces, filho ingrato? Parte, vai! Cumpre a jura ou sê maldito se não vingas teu pai.
Nessa noite, tinto em sangue e com os cabelos no ar, o assassino de Ricardo vai aos pés da mãe lançar o punhal com que jurara a morte do pai vingar.
Ri-se a velha de contente e abraça o vingador, mas eis senão quando aparece na porta uma estátua de dor:
- Paulo, meu Paulo, perdi meu pai, não vês? As lágrimas que aqui derramo assistiram ao seu fim. Quis falar-me e já não pode, com os olhos fixos em mim. Tu vingas-me, meu Paulo, sim?
- Vingo, Maria, sossega, eu sei quem teu pai matou, vai morrer com o mesmo ferro que ainda há pouco o transpassou.
E pegando no punahl no próprio peito o cravou...
Foge a triste espavorida, deixa Albano sem parar, chega a Roma ao outro dia, por toda parte a gritar:
- "Quem me mata por piedade, quem me acaba de matar?"
E assim vagueou três dias e ao quarto enlouqueceu.
Por isso o viajante, quando passa ao Coliseu, ouve a triste às gargalhadas, vingança pedindo ao céu!
14 janeiro 2009
Amor sem idade
de toda a juventude. E eu prefiro ter nas mãos
os teus pomos de pontas caídas
que o seio direito duma jovem na força da idade.
O teu fim de Outono é superior à primavera de qualquer outra
e o teu inverno mais quente que o seu estio.
Paulo Silenciário (Antologia Palatina, 258)
em tradução de Albano Martins, Do Mundo Grego Outro Sol, Lisboa, Asa, 2002.
Mais sobre amor em idade madura aqui.
10 janeiro 2009
Confissões de uma «juke-box» ambulante salva por uma correnteza
É hoje. Não é tarde nem é cedo.
O que vale é que, na maior parte dos casos não verbalizo (ou seja, poupo o interlocutor ao meu canto) e isto passa despercebido.
Um exemplo:
Alguém: Bem, então adeus. Vou-me embora.
Eu (em pensamento, surge o Sérgio Godinho): «E agora eu vou-me embora, e embora a dor não queira ir já embora, agora eu vou-me embora e parto sem dor. E parto dentro de momentos, apesar de haver momentos em que a dor não parte sem dor.»
Pois é. Eu sei. Não é preciso dizer nada.
- És homem ou mulher? Girl
- Descreve-te. Free as a bird
- O que as pessoas acham de ti? "She's a Woman" e "To Know Her is to Love Her"
- Como descreves o teu último relacionamento? "The End"
- Descreve o estado actual da tua relação. "Real Love"
- Onde querias estar agora? "Memphis, Tennessee"
- O que pensas a respeito do amor? "I Want to Tell You"
- Como é a tua vida? "It's Only Love"
- O que pedirias se pudesses ter só um desejo? "Every Little Thing"
- Escreve uma frase sábia. "Think for Yourself"
19 dezembro 2008
Chamava-me Melusina

Não parecia, é verdade, pois em casa cumpria o papel que lhe havia sido reservado pelas matriarcas: o de pai. E o que era um pai? Alguém que estava fora o dia todo a trabalhar, vinha a casa às refeições, impunha respeito, fazia cumprir as regras e aplicava os castigos a pedido: «Nogueira, o menino bateu na menina» e o Nogueira lá ia e aplicava a sanção esperada ao menino amedrontado.
Na maior parte dos casos bastava que abrisse os seus grandes olhos para que todos nos encolhêssemos.
Um dia fiz-lhe frente (é assim com os mais novos) e disse-lhe que os olhos dele não me faziam medo (talvez porque os meus eram parecidos, grandes e redondos quando muito abertos). O verde acastanhou e vi tristeza. Mas só me apercebi disso mais tarde, pois na altura cantei a glória de o ver ficar calado com a minha ousadia, que apenas lhe fizera soltar um suspiro.
O meu pai contava-me histórias que me arrepiavam e outras de encantar. Uma delas começava assim:
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras pelos arvoredos,
Outras, à beira-mar...
(...)
Eu sei o nome de algumas:
Viviana ama as espumas
Das ondas, nos areais,
Vive junto ao mar, sozinha,
Mas costuma ser madrinha
Nos baptizados reais.
Morgana é muito enganosa;
Às vezes, moça e formosa,
E outras, velha, a rir, a rir...
Ora festiva, ora grave,
E voa como uma ave,
Se a gente lhe quer bulir.
Que direi de Melusina?
De Titânia, a pequenina,
Que dorme sobre um jasmim?
De cem outras cuja glória
Enche as páginas da história
Dos reinos de el-rei de Merlin?»
E continuava, continuava...
E às vezes chamava-me Melusina...
Já comprei outros para oferecer, pois sei de quem vai gostar.
Afinal, ele não era só meu pai...
18 dezembro 2008
Quem o viu...
17 dezembro 2008
E os mitos gregos...
(Orestes a matar Clitemnestra. Imagem daqui)- os pais que expõem o filho num monte para que venha a morrer, para evitar que um oráculo se cumpra, mas ele é salvo e vem a provocar a desgraça dos progenitores, como previsto pelo destino. Recordo-me de Laio e Jocasta que expõem o filho, Édipo, mas este mata o pai e casa com a mãe, como predito; ou de Príamo e Hécuba que expõem o filho Páris, mas este cumpre o oráculo que dizia que ele viria a ser a ruína de Tróia, ao raptar Helena de Esparta, dando início à Guerra de Tróia narrada na Ilíada.
Alguns destes elementos encontram-se também noutras culturas:
- a virgem que tem um filho (ou mais do que um) de um deus, filho esse cujo desígnio é marcante para a Humanidade. Recordo-me de Reia Sílvia (virgem vestal), na cultura romana, que engravida de um deus (Marte) e o seu filho (Rómulo, depois de matar o irmão) vem a ser o fundador e primeiro rei de Roma; ou, na cultura judaico-cristã, lembro Maria (virgem), que tem um filho (Jesus) do seu deus (Deus/Jeová), vindo este filho a ser o fundador de uma das maiores e mais influentes (se não a maior e a mais influente) religiões do mundo.
Vem-me à memória a criança abandonada num cesto nas águas de um rio: Moisés, no Egipto, e os gémeos Rómulo e Remo, em Roma, os animais que alimentam crianças, como a ursa que amamenta Páris, a loba que amamenta Rómulo e Remo ou a cabra que amamenta Zeus.
Os deveres chamam-me, mas ainda voltarei a este assunto.
16 dezembro 2008
Ao teu lado
Agora, o meu amigo Luís Costa Pires publicou-o com este novo nome, Ao teu lado, na Vega (não me habituo ao nome Nova Vega), tendo feito o lançamento na semana passada (quando estas fotos foram tiradas). Uma boa leitura!
15 dezembro 2008
Em Dezembro, com o ano a acabar
Borda d'Água
Em janeiro, conta os dias que faltam
para o fim do inverno. Em fevereiro,
goza o carnaval. Em março, não te
esqueças da quaresma. Em abril, solta
o sol da primavera. Em maio, as noites
são mais quentes. Em junho, atravessa
o solstício. Em julho, apanha os frutos
do verão. Em agosto, ouve as cigarras.
Em setembro não te importes com o
vento. Em outubro apanha as folhas do
chão. Em novembro não saias à noite.
E em dezembro, quando o ano acabar,
lembra-te que não fizeste nada disto,
e se fizeste terás de tudo recomeçar.
Nuno Júdice
in O Breve Sentimento do Eterno, Edições Nelson de Matos, 2008
10 dezembro 2008
... a minha alegre casinha...
Esta é a bela imagem da minha casa vista pelas traseiras, desenhada pela Barbara, a minha amiga italiana que esteve, com o seu Claudio, de visita à pólis. Alguns amigos mostraram-se preocupados com a minha ausência do blogue e a todos agradeço o facto de terem dado conta disso.
Têm sido muitos os factores, mas nenhum deles agradável. Uma série de acontecimentos ininterruptos levaram a que só hoje eu tivesse tempo de vir aqui deixar este desenho com estas palavras.
Agradeço à minha amiga Reboliço os desejos de melhoras do gato Mimi, que está com uma lipidose hepática.
26 novembro 2008
Diz Aristóteles, na Política
(...)
É evidente que existem necessariamente muitos regimes e em cada um deles, várias formas distintas entre si, uma vez que cada uma das duas partes difere entre si da forma. Um regime é, pois, uma ordenação de magistraturas repartidas por todos conforme o poderio dos que participam no governo, ou a igualdade comum a todos; refiro-me, no primeiro caso, ao poderio dos ricos e dos pobres e, no segundo caso, à igualdade comum a ambos.
(já se está mesmo a ver o que se segue, mas continuo amanhã. A referência é sempre a mesma.)
23 novembro 2008
post descaradamente roubado
Seis meses sem democracia
No entanto, quando havia uma situação excepcionalmente grave, podia-se nomear um ditador que estaria no cargo por seis meses durante os quais tomaria as decisões que entendesse, não sujeitas a veto, e pelas quais não responderia criminalmente após o fim do mandato, ao contrário do funcionamento normal da república.
Andará Manuela Ferreira Leite a estudar história da antiguidade?
20 novembro 2008
dor
se alguém está presente jorram lágrimas de encomenda.
Não sente o luto, Gélia, quem procura ser louvado.
Sente dor verdadeira quem, sem audiência, sente dor.
18 novembro 2008
nesta semana sem tempo...
Tempo
Se corre devagar o tempo, e o tempo
não corre, em que relógio contarei
os segundos que se demoram quando as
horas se precipitam, ou o amanhã
que nunca mais chega neste hoje
que já passou? Mas o tempo só o é
quando o perdemos; e ao ver que
é tarde, não se volta atrás, nem
as voltas que o tempo dá o voltam
a fazer andar. Por isso é que o tempo
nos dá tempo para o ter, se ainda
houver tempo; e se tivermos de o perder,
nenhum tempo contará o tempo que se
gastou para saber o que se perdeu, ou ganhou.
17 novembro 2008
Bloqueio da TMN
13 novembro 2008
Hoje, em Faro, na Biblioteca Municipal...
12 novembro 2008
Abbey Road
Já falei aqui dela, mas agora que tem um blogue, espero que também a acompanhem. Não sei se vai continuar a escrever em O nascer do Sol, onde tem uma etiqueta só dela, mas serei leitora de tudo o que faz na sua Rua da Abadia.09 novembro 2008
II Festival de Órgão - Faro 2008
Fui ontem assistir ao segundo concerto do II Festival de Órgão, na sé de Faro, com Antoine Sibertin-Blanc, numa organização da Associação Cultural Música XXI. Foram cerca de 50 minutos muito bonitos (passaram tão depressa!) de música muito vívida e tocada com muita perícia. Há muitos anos ouvi ali João Vaz (que espero poder voltar a ouvir para a semana).Para que pudéssemos acompanhar o intérprete, um écran gigante ia transmitindo em directo as imagens de Sibertin-Blanc, a leveza dos seus dedos e a agilidade com que ia mudando os registos. O único problema foram as variações que o realizador (não sei se se chamará assim) resolveu fazer. Em vez de nos deixar acompanhar a música com a visão do intérprete, em momentos-chave, como quando os puxadores mudavam os registos dos tubos, fazia «efeitos especiais», abrindo e fechando a imagem em bolas, em cortina, e outras coisas do género, mostrando os anjos que encimam o órgão, ou os tubos, elementos interessantes, mas cujas imagens serviram apenas para distrair, perturbando o tranquilo acompanhar da interpretação.
Veremos se no próximo sábado (sempre às 21.30) João Vaz terá mais sorte.
05 novembro 2008
Outro prémio
O blogue “Paixões e Desejos”, de Paula e Rui Lima, nomeou o “Senhora Sócrates” com o “Brilhante Weblog”. Agradeço-lhes a simpatia. Aceito sempre os prémios que me entregam, pois comove-me o facto de se lembrarem de mim e desta ágora. Lauro António apresenta...
Ao rodar do tempo
Pisa-papéis
Dona Redonda
André Benjamin
Sem Pénis nem Inveja
02 novembro 2008
Os mortos vão devagar
É-lhes árdua a subida.
Não há pressas p’ra chegar
Foi difícil a partida
Sobem paulatinamente
Descem muito devagar
Fazem tudo lentamente
É dormente o seu andar.
O tempo não acabou
Não há passos de corrida
Em círculos sempre se andou:
A vida não tem saída.
O adeus é um momento
Que temos de partilhar:
Para nós, o sofrimento,
Aos mortos resta o vagar.
Foi difícil a partida
É dormente o seu andar.
A vida não tem saída.
Aos mortos resta o vagar.
01 novembro 2008
Não somos nós
As Janelas
Nestas salas escuras, onde vou passando
dias pesados, para cá e para lá ando
à descoberta das janelas. - Uma janela
quando abrir será uma consolação. -
Mas as janelas não se descobrem, ou não hei-de conseguir
descobri-las. E é melhor talvez não as descobrir.
Talvez a luz seja uma nova subjugação.
Quem sabe que novas coisas nos mostrará ela.
Konstandinos Kavafis, Poemas e Prosas, Relógio de Água, Lisboa, 1994. Tradução de Joaquim Manuel de Magalhães e Nikos Pratsinis.
29 outubro 2008
Não ama verdadeiramente quem não amar sempre
Diz Aristóteles, na Poética, que o episódio «é uma parte completa da tragédia entre corais».
Em muitos destes diálogos estão os momentos de maior tensão, já que vamos assistindo ao evoluir das situações e às perguntas e respostas, muitas vezes entendidas apenas por nós, espectadores, que sabemos bem o que as frases querem dizer, ao contrário das personagens em cena. Recordo como Tirésias diz a Édipo que ele é o assassino que procura e como este não entende as palavras do adivinho, mesmo quando ditas com toda a clareza. São destes episódios que me lembro quando oiço/vejo os diálogos dos filmes com Humphrey Bogart, quando a resposta parece quase ser mais rápida que a pergunta.
Outra característica dos episódios são as frases lapidares, daquelas que apetece citar. Algumas tornaram-se mesmo proverbiais. Gosto de abrir uma tragédia qualquer e sublinhar, com o meu lápis-encontrador-de-belezas (roubado ao Gonçalo M. Tavares), uma frase ao acaso, descontextualizada, como hoje, de Eurípides, As Troianas, 1051, na fala de Hécuba (acusa ndo Helena):














