18 maio 2009

quando a arte é a desmedida

(foto daqui, da exposição na galeria dos meus amigos Christoph Maisenbacher e Paula de Lemos-Maisenbacher)

Tenho um anãozinho destes, de Ottmar Hörl.

Tenho uma flor de plástico e pano numa jarra lindíssima de design contemporâneo.
Tenho um casaco espampanante, com bordados coloridos (azul turquesa, laranja, rosa, amarelo, vermelho)...
Sempre gostei de kitsch, dizia eu.

Na sexta e no sábado, a questão do kitsch levantou-se em dois momentos diferentes e eu expliquei, a quem me perguntou, que achava que o kitsch era uma opção estética, uma intencionalidade de um uso de um elemento que, entre iguais, seria piroso ou foleiro, mas que descontextualizado e com essa intencionalidade era kitsch.

No domingo, a arrumar papéis, encontrei, por mero acaso, um artigo da minha colega (de quem não sei há tanto tempo e com quem gostava tanto de conversar) Idalina Sardinha, da Universidade da Madeira, intitulado «"kitsch" e "artesanato" na Madeira» (in Espaço-Arte, Funchal, ISAPM, nº 7, s.d., pp. 30-37)
. Muito interessante. Citando Moles, explica que o kitsch é a medida do homem quando a arte é a desmedida. Gostei. E continua Moles a dizer que o kitsch dilui a originalidade a um nível de mediania para que esta seja aceite por todos (tradução de tradução: minha do francês que está no artigo, sendo que o original é alemão).

Decidi então procurar mais informações sobre o kitsch e aqui aprendi que afinal não gosto verdadeiramente de kitsch, pois aquilo a que chamo kitsch é resultado de um uso metacomunicativo e elitista da palavra. Ufa!

16 maio 2009

obra de arte


-Eu acredito que há um sopro divino em cada criação.

- Tenho uma ideia diferente. Para mim uma obra de arte é o trabalho árduo que o artista constrói à volta de um momento de maior sensibilidade. Não acredito nessas coisas de inspirações divinas, de sopros ao ouvido.

Luís Costa Pires, Ao Teu Lado, Lisboa, Vega, 2008, p.49

Sentada na minha sala, a ver este céu de Olhão, azul, mais azul ainda por estar em contraste com o branco dos muros, penso que me vai saber bem ir a Faro na hora do chá, pelas 17.30, tomar uma chávena no Pátio@bar, enquanto converso com o escritor na apresentação do livro, no espaço da linda livraria Pátio de Letras.

12 maio 2009

Fim da semana em cheio, no Algarve

Alguns dizem-me que me disperso em actividades que não contam para o currículo académico e que me devia concentrar apenas nos cássicos greco-latinos.
Pois. Se calhar devia.
Mas eu sou assim e sou entusiasta de muitos outros saberes (foi assim que me defini neste blogue).
Sendo a minha área de formação inicial os estudos clássicos e portugueses e gostando eu de escrever, estas actividades não me dispersam e contam, efectivamente, para me darem alegrias, bons momentos, e isso é fundamental para o meu pequeno percurso de vida, que é isso mesmo que signifia curriculum vitae.

Esta semana, vou ter várias actividades: na quinta, na sexta e no sábado.
Quem estiver pela zona, apareça!

Na quinta-feira, no âmbito do clube de leitura de Loulé (que tenho a honra e o prazer de moderar), vou apresentar o livro de Luís Costa Pires, Ao teu Lado (que já aqui referi e ainda aqui voltarei a ele). Será às 21.30, na Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner.

Na sexta-feira, dia 15, vou apresentar em Faro, na Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, o projecto «A minha primeira leitura», que um grupo de alunas da escola secundária João de Deus desenvolveu, no âmbito da disciplina Área de Projecto. Será às 18.30 e far-se-á a apresentação do livro que elas escreveram e produziram.

Na mesma sexta-feira, mas às 21.30 e em Albufeira, na Biblioteca Municipal, irei falar do livro de Inês Pedrosa Fazes-me Falta, no âmbito de um ciclo de leituras sobre a escritora.

E no sábado, dia 16, às 17.30, na Livraria Pátio de Letras, aproveitando a presença do autor, irei apresentar, de novo, o livro de Luís Costa Pires, Ao teu Lado.

09 maio 2009

livros de hetero-ajuda: os antigos dos antigos


Que tendência é esta, Lucílio, que nos desvia do rumo pretendido, que nos empurra para o ponto donde pretendemos sair? Que debate se desenrola na nossa alma e nos impede de manter uma vontade firme? Andamos à deriva entre resoluções contrárias; não conseguimos ser fiéis a uma vontade livre, absoluta, constante. Dirás tu que é prova de insensatez não ter um propósito, um interesse permanente. Mas dessa insensatez como e quando nos conseguimos libertar? Por si só, ninguém conseguirá sair do remoinho; é necessário alguém que estenda a mão e ajude a pisar terra firme.
(...)
Não se deve menosprezar alguém que se salva graça à ajuda dos outros, pois querer ser salvo não é questão de somenos importância.
(...)
Eu considero mais afortunado o homem que não teve problemas com o seu carácter, mas acho mais digno de apreço o que teve de vencer os seus defeitos naturais para alcançar a sabedoria, ou melhor, para se elevar até ela à força de pulso.
(...)

Caminhamos através de obstáculos. Lutemos, portanto, sem temer pedir o auxílio alheio. Perguntarás: «Mas a quem, a quem hei-de pedir auxílio?»
Se queres um conselho, dirige-te aos antigos, que estão disponíveis: para nos auxiliar tanto podemos recorrer aos vivos como aos mortos.

Séneca, Cartas a Lucílio, 52. Tradução de J. A. Segurado Campos e profusamente citada neste blogue.

08 maio 2009

Escola trilingue

Se divulgo aqui actividades das pessoas que não conheço, com mais prazer o faço relativamente às que conheço.
A minha amiga Eglantina Monteiro (que também foi minha colega na Universidade do Algarve) está à frente de um projecto a que chamou Escola Internacional de Castro Marim e procura educador(a) de infância e professor(a) do 1º ciclo do ensino básico para leccionar.
O Público e outros jornais noticiaram e o Jornal Regional foi mais longe, fazendo-lhe uma grande entrevista.
Quem estiver interessado (num pdf com a divulgação ou no emprego) pode mandar-lhe um mail para eicastromarim@gmail.com
É bom saber que há pessoas dinâmicas e com qualidade, como ela.

07 maio 2009

A minha amiga Ana desafiou-me a dizer quais foram as séries que deram consistência à minha vida. A consistência que deram, não sei dizer, mas com alguma coisa devem ter contribuído, já que eu ficava sentadinha a vê-las.
A que tenho na memória como mais antiga, ninguém com quem falei se lembra dela. Nem na net encontrei, pois não sei qual o título original. Chamava-se Os meus sobrinhos e só sei que gostava muito de a ver.
Outra de que ninguém se lembra mas que está na net, é o Randall e Hopkirk . O problema era que eu só me lembrava de ser Randal e algo como «Opecaique» e foi um caso sério para a descobrir. Gostava daquele detective fantasma que entrava em todo o lado e que ninguém via e era atropelado no início de casa episódio (eu era pequenina e não sabia que se chamava genérico).
Do Casei com uma Feiticeira só me lembro daquele nariz que me fascinava! Mais tarde vi alguns episódios, mas não foi a mesma coisa.
Depois, mais crescidita, gostava de ver o Espaço 1999 - admirava a Barbara Bain e o Martin Landau, nomes que decorei desde essa altura.
O gosto pela ficção científica foi alimentado por O Caminho das Estrelas. O nome do actor que fixei foi o de Leonard Nimoy, o Mr. Spock. Vi nos EUA, em 2000, um documentário intitulado Trekies e percebi que o fenómeno dos fãs da série era impressionante e que eu não passava de uma mera apreciadora ocasional.
Recordo-me de gostar de O Sinal do Dragão, com David Carradine, da qual me ficou na memória o genérico em que se via o rapaz em criança e, mais tarde, como ficara tatuado no braço o sinal do dragão. Lembro-me ainda do professor cego que lhe dava lições de moral, em forma de adágios.
Uma casa na pradaria - A família boazinha e os detestáveis meninos mimados da loja lá do sítio. Vinha muito a propósito do espírito com que eu voltava da catequese.
Os pequenos vagabundos - ainda hoje me lembro da música, apesar de não me lembrar de mais nada. Bem, agora já não é bem assim, pois quando fui procurar no google e encontrei um episódio, vi que me lembrava de muito mais do que pensara.
Gente do amanhã (desta série sabia o nome em inglês: The Tomorrow People) - lembro-me de que eram jovens e que faziam viagens no tempo (assunto que ainda hoje me fascina).
Sandokan - Gostava muito de ver as aventuras do Tigre da Malásia. No ciclo preparatório, todas adorávamos os olhos do Kabir Bedi...
MacGyver - sempre me fascinou o modo como conseguia usar coisas simples para sair de situações complicadas e fazia-me sempre pensar que devia ter aprendido coisas daquelas nas aulas de físico-química. A personagem era um pouco irritante, porque era sempre muito bonzinho e nunca tinha namoradas.
Balada de Hill Street - Não perdia um episódio. Eram todos fantásticos!
Black Adder - Delirante! Custava-me sempre o episódio em que ele morria e irritava-me ao ver como era uma pessoa horrível... mas era irrestível. Ainda hoje digo uma frase que tantas vezes ouvi do Baldrick: I have a cunning plan... (o actor, Tony Robinson, era amigo de um amigo meu inglês, infelizmente já falecido). E foi lá que conheci o Hugh Laurie. Sim, sou das que gosta do Dr. House.
Colombo - confessar que já comprei todas as séries que saíram em DVD diz qualquer coisa... A personagem era tão forte, que foi estranho ver o Peter Falk no filme de Wim Wenders, As Asas do Desejo.

Passo a quem quiser!

04 maio 2009

oximorices

Os leitores deste blogue sabem que o meu Pai me contava muitas histórias e historietas e que me recitava poemas. Também sabia muitas adivinhas, ditos engraçados e lengalengas, bem como trava-línguas e outros divertimentos linguísticos.
Aqui vai mais um, cheio de oxímoros:

Era noite e o sol brilhava por entre as trevas de um claro dia.
Um jovem ancião, sentado de pé, num banco de pau de cantaria, calado, assim dizia:
Era não era no tempo da hera, tinha o meu pai morto e minha mãe por nascer. Disseram-me que não podia ser. Pus as pernas às costas e abalei a correr.
Subi por uma escada abaixo e desci por ela acima. Lá em cima estava um pessegueiro carregado de maçãs. Colhi avelãs. Veio o dono dos marmelos e disse: «Ai, ladrão, deixa os meus figos que o meu pai tinha guardado para dar aos meus amigos!»

03 maio 2009

Chorei, pronto!

Palavra puxa palavra, canção puxa canção, começámos a ver vídeos do festival da canção de 70, depois de 69, depois da eurovisão de 72 e, de repente, nas sugestões laterais do youtube aparece o avec le temps, pela Dalida.
A Dalida... há uns tempos largos ouvi um programa do Júlio Isidro na Antena 1 em que ele lhe fazia uma homenagem. Tinha tido uma série de amores infelizes e suicidara-se.
Vamos à wikipédia. Sofreu por um amor não correspondido pelo Luigi Tenco.
Outras memórias. Sicília. Mi sono innamorato di te perché non avevo niente da fare...
Je suis malade cantado por Dalida e Serge Lama.
Não sabia que tinham cantado juntos.
E não tinham.
Já reparaste que faz anos hoje que morreu?

22 anos depois, aqui vos deixo Je suis malade:


02 maio 2009

Não foi desta...

Parece que à quarta não foi de vez e a PT voltou a faltar na segunda-feira passada e a não comparecer aqui em casa, como previamente marcado (sempre unilateralmente. Nunca me perguntam se estou ou não).
Continuo sem uma rede de jeito para ir à internet...
É por estas e por outras que não gosto de monopólios, maiorias absolutas e coisas assim.

30 abril 2009

Efeito Imediato

(imagem daqui)

Fui, na semana passada, com os meus alunos de Teoria do Drama e do Espectáculo, ver a peça Efeito Imediato, que está em cartaz nas datas que indico no fim do postal.
Em inglês chama-se The Boatswain's Mate e é uma ópera que a compositora Ethel Smyth, Dame Ethel Mary Smyth, escreveu em 1916.
É um espectáculo divertido e foi a primeira vez que ouvi ópera naquele teatro tão lindinho que é o Lethes.
Não sei escrever sobre o estes assuntos como a minha amiga Gi, mas sei que gostei muito do que ouvi: um canto limpo, claro, bem interpretado vocal e teatralmente falando.
A peça é acompanhada ao piano e muito bem cantada por Ana Barros, soprano, a heroína, João Cipriano Martins, tenor, o Boatswain que arranja a tramóia toda e dela sai como vítima, e Nuno Dias, barítono, o companheiro do antigo marinheiro e elemento fundamental no embuste. Mário Spencer, baixo, faz um pequeno papel, mas apesar de ter tido formação em música, a sua carreira é de actor e, por isso, a sua voz destoa das outras, bem trabalhadas, dos colegas. Como o papel é pequenino e já estamos todos tão divertidos, não estraga.

No livrinho que a ACTA distribuiu (e em todo o lado onde se fala desta peça), Nuno Dias é apresentado como baixo. Se bem que essa possa ser a sua voz (a biografia apresentada diz que tem interpretado papéis como o de Sarastro, Leporello), aqui canta com uma excelente voz de barítono. Deve ser um baixo-barítono (já fez um Fígaro ou um Escamillo, exemplos típicos de baixos-barítonos).
A peça é cantada em português, alemão e inglês, não sendo as partes nestas duas línguas impeditivas da compreensão da acção.
Tive pena de ver a sala tão vazia. Estes cantores mereciam os aplausos de uma sala cheia.
Deixo aqui as datas das próximas apresentações. Se estiveram por aqui, não se vão arrepender.


Sexta, dia 01 de Maio - 21:30

OLHÃO - Auditório Municipal

Quinta, dia 04 de Junho - 21:30
FARO - Teatro Lethes

Sexta, dia 05 de Junho - 21:30
FARO - Teatro Lethes

Sábado, dia 06 de Junho - 21:30
FARO - Teatro Lethes

Domingo, dia 07 de Junho - 16:00
FARO - Teatro Lethes

29 abril 2009

Que delícia!

Saboreiem estas receitas, elaboradas por alunos do 9º ano, da Escola Secundária Emídio Navarro, em Almada:

Receituário à portuguesa

Como nascem as línguas? Há umas que sejam mais difíceis que outras, línguas mais caras e línguas mais em conta? Quanto tempo demora a saborear o português ou o castelhano ou o finlandês ou... Há línguas para todos os sabores ou há línguas com sabores especiais? A nossa, certamente, que os tem, pelo menos para nós, esses especiais gostos com que nos identificamos desde o nascimento. Mas voltemos à questão inicial, há ou não receitas para as línguas faladas? Há, há, respondem-nos os alunos do 9.ºA e do 9.ºC. E para o provar aqui ficam dois exemplos de trabalhos efectuados na aula de Língua Portuguesa.

Língua à Portuguesa

Dificuldade: alguma
Tempo: muito
Custo: baixo

Ingredientes:

1 concha de substracto Celta
20 kg de língua de latim vulgar
1 kg de língua de latim literário congelado
1 chávena de superstracto Germânico
1 chávena de superstracto Árabe
1 colher de sopa de palavras provenientes da expansão
1 pitada (q.b.) de estrangeirismos acabados de colher

Modo de preparação:

Revista harmoniosamente o fundo da panela com a porção de substrato Celta e coloque-a no fogão em lume brando. Algumas centenas de anos depois, sobreponha repentinamente o latim vulgar e aumente o lume. Ao longo dos próximos 8 séculos, vá mexendo e trabalhando a língua e após esse intervalo de tempo recheie-a levemente com superstrato Germânico. Passados mais 300 anos acrescente o recheio árabe. Verta, então, o conteúdo da panela para outro recipiente e leve-o a forno médio. O recipiente deverá ser bastante fundo e largo, pois passados 700 anos a língua vai expandir-se. Devido a essa expansão você ver-se-á obrigado a adicionar palavras de outras origens ao seu cozinhado. Retire o recipiente do forno e deixe-o arrefecer um pouco. Descongele então o latim literário e unte a preparação com este ingrediente. A partir desta altura, condimente gradualmente o prato, com uma pitada de estrangeirismos. Coloque novamente o recipiente no fogão em lume médio. No entanto prepare-se, pois esta será a parte mais delicada da preparação. Ao longo desta cozedura você reparará que se formarão na superfície da língua pequenas manchas escuras e já sem gosto, denominados Arcaísmos. Retire-os do cozinhado, pois não fazem falta alguma. Para compensar esta perda, formar-se-ão deliciosos temperos que completarão a sua deliciosa língua (Neologismos). Não obstante, esta receita encontrar-se-á sempre incompleta. Nunca irá desfrutar desta eternamente.

9.ºC

Cataplana de Língua à Portuguesa

Ingredientes: (170 milhões de pessoas).
-800000 postas de substrato Celta, demolhado;
-18 toneladas de latim vulgar;
-70000 ramos de superstrato Germânico;
-17 toneladas de Galaico-Português;
-40000 neologismos a murro;
-Fios de estrangeirismo;
-Superstrato Árabe.

Modo de preparação:

Esfregue o superstrato Germânico com o superstrato Árabe.
Junte o substrato Celta com o Latim vulgar, previamente misturado com o Latim literário.
Regue com as medidas e acrescente com as toneladas de Galaico-Português.
Coloca-se em banho Maria-Manuel, para manter o preparado quente.
Leve ao forno durante 3 séculos, numa temperatura de 150º.
Acompanhe com neologismos a murro.
Se quiser, sirva com fios de estrangeirismo.
E puf !!! Fez-se o Português.....

Tempo de preparação: ???????

Nota: Esta receita está em constante confecção.

9.ºA

27 abril 2009

PT comunicações - à quarta é de vez?

Já me tinham avisado que isto poderia acontecer. Tinham-me dito que, quando contratamos um serviço de internet + telefone fixo, sem ser da PT, que esta atrasa e não cumpre.
É o caso.
Por três vezes tive de ficar em casa à espera que viessem para que a Vodafone pudesse posteriormente fazer a parte dela, mas nada. Até sei que, de uma das vezes (não sei se das três), alegaram ausência da proprietária.
Pode ser que hoje, à quarta, seja de vez...

24 abril 2009

Confraria do Príapo

(Príapo em Zamora. Foto de stavlokratz, daqui.)

Hoje, no Público, disseram-me que na pág.20 do Local (Lisboa) vem uma notícia sobre a criação da Confraria do Príapo, na qual sou referida. Não vi ainda o jornal, mas estou à espera de o arranjar para pôr aqui a nota.
A notícia foi escrita por Carlos Cipriano, que também fez uma peça para a Gazeta das Caldas para a qual me pediu uma pequena informação sobre Príapo. Escrevi assim (tenho a notícia em pdf, mas não sei pôr aqui no blogue):

Jove é senhor do raio, Neptuno do tridente;

Marte é dono da espada, a lança é tua, Minerva;

Líber trava combate com tirso e tiras de erva;

a mão de Apolo setas envia bravamente;

de Hércules a direita segura o cruel bastão,

e a mim me faz terrível a piça com tesão.

Estes versos, traduzidos do Corpus Priapeorum pelo Professor Carlos Mora, da Universidade de Aveiro, descrevem as características de muitos deuses conhecidos, como Júpiter, Neptuno ou Marte, pondo, no final, na boca do próprio Príapo as palavras que melhor o descrevem.

Dono de um pénis em erecção descomunal, Príapo é normalmente apresentado como filho de Afrodite, deusa do amor, e de Dioniso, deus do vinho.

Vergílio (70-19 a.C.), nas suas Geórgicas (IV, 111), invoca-o como deus protector das plantas. De facto, os jardins e as hortas eram o seu local de eleição e de culto por parte dos lavradores. Talvez por isso a palavra hortus em latim tenha também o sentido de ânus, quando num contexto sexual.

Príapo, a personificação do phallus (falo), tem também uma função apotropaica, isto é, a de afastar o mau olhado, principalmente dos invejosos que poderiam prejudicar as colheitas. Os romanos usavam o falo como amuleto, algumas vezes representado como um pénis alado, do qual pendiam sininhos que tilintavam com a aragem, de forma a afastar os maus espíritos, produzindo o efeito semelhante aos ainda hoje conhecidos «espanta-espíritos».

Tal como o dedo em figa que balança nos espelhos dos carros, ou o manguito que o Zé Povinho nos faz, ou um «das Caldas», o falo estava representado tanto em casa como nos espaços públicos.

A figura do velho com um pénis desmesurado e em erecção pode ter surgido para dar forma a um culto que inicialmente se centrava em apenas uma parte do corpo.

A medicina apropriou-se desta característica física da personagem (apresentada no mito como deformidade vergonhosa, tendo o deus sido escondido para não embaraçar os pais) para descrever uma doença em que o falo erecto não volta ao estado normal, podendo provocar impotência sexual.


23 abril 2009

Susan Boyle

Já não me lembro como se publicam filmes do YouTube no blogue...
Mas não faz mal: sigam o link e terão uma surpresa, como eu tive (e muitos outros tiveram).
Que espanto! Aquela voz não parece sair daquele corpo!
Vi Les Miserables em Londres, há muitos anos, mas não era a Elaine Paige que cantava. Pena tenho que não tivesse sido já a Susan Boyle!
(Agradeço ao BlogOperatório a descoberta)

Depois de escrever este post, fui ouvir mais umas duas ou três vezes o vídeo.
Será que esta mulher não tem noção da voz que tem?
Em 1999 já tinha gravado cry me a river num CD de caridade...

Depois de escrever estas 3 linhas e de a ouvir mais uma vez a cantar, fui ler na wikipedia o que se dizia sobre ela.
A «Susan Simple» é, de facto, uma pessoa espectacular.
Se conseguiu resistir 47 anos a um tratamento de quase desprezo, tenho esperança de que não mude a sua simplicidade devido à fama.
Haverá oportunistas a rondá-la, é claro, mas pode ser que seja precisamente a sua simplicidade que a venha a proteger.
Assim queiram os deuses e as musas!

22 abril 2009

O Pai e a Joana


A menina fofinha, no meio dos primos, chama-se Joana e faz hoje 26 anos. Quando ela nasceu o meu pai (seu avô) fazia 70.

22 de Abril.
O meu pai sempre me disse que nascera no dia da descoberta do Brasil. Talvez por isso eu goste especialmente desta fotografia, tirada na Madeira, em 1995, com o Atlântico como fundo. Tinha 82 anos.

Esta fotografia é de Novembro de 2004, quando fiz a apresentação do meu segundo livro do Hércules no Bombarral. Lá está ele sentado na casa de costura, à janela. Tinha 91 anos e iria ficar connosco só até 11 de Janeiro seguinte.

Aqui era um jovem. Aliás, sempre pareceu jovem e muito mais jovem do que 1913 permitia pensar. Não tinha rugas e os dentes eram todos dele (não dos comprados, mas produto original).
Católico que vivia a Igreja, vicentino e outras coisas mais, um dia soube que foi galã em peças de teatro amador.
Contava-me muitas histórias e era mais divertido do que queria parecer.

21 abril 2009

Menores de 35


Quando eu era oficialmente jovem, esse estado acabava aos 26 anos. Era com essa idade que se deixava de poder fazer o InterRail, que se deixava de poder usufruir do crédito jovem à habitação, que se deixava de poder gozar as vantagens do cartão jovem, etc.
Apesar de ainda haver jovens que pensam (até conheço alguns!), criou-se um prémio para tal actividade e eu recebi-0!

Puro engano do Nuno Faritas Lobo! Pensar, penso, mas já não sou legalmente jovem!

Portanto, sem-se-ver, Gi, José Bandeira, Miguel, Méon, António, Teresa, José Ricardo, Tomás, Mirian, lamento denunciar-vos ... gostava de vos dar este prémio, pois sei que são jovens e que pensam, mas já ultrapassaram a barreira dos 35...

20 abril 2009

O Punicozinho

(clique na imagem para aumentar)

Em Agosto passado referi aqui, a propósito das Bacas, a tradução do Poenulus de Plauto, por José Luís Brandão, professor de clássicas na Universidade de Coimbra.
Pois bem, já vi que a minha sugestão para que escolhesse O Punicozinho como tradução do título não foi aceite...
Mas como não sou de rancores, podem ver O Fulaninho de Cartago (pronto... admito... é melhor solução do que Punicozinho....) no Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico em diversos palcos e em diversas datas. O programa e as sinopses estão em blogue próprio.

19 abril 2009

ΚΑΛΟ ΠΑΣΧΑ

(imagem daqui)

Aos meus amigos gregos (que, por sorte, quase todos sabem português), votos de uma Καλό Πάσχα. Por cá os ovos não são vermelhos (κόκκινα αυγά) nem se come tsoureki, mas sempre vamos tendo uns folares com um ovo cozido, castanhinho, ou sem ele, como se faz aqui em Olhão. A Páscoa ocidental já foi há uma semana e nesse dia o meu menu foi muito pouco tradicional. Ora espreitem:


16 abril 2009

Uma Noite com o Fogo

O António Manuel Venda, cujo livro apresentei na Biblioteca Municipal de Loulé, faz hoje uma semana, foi muito gentil no comentário que fez à sessão. Vamos ver se organizo as notas em forma de texto e consigo mandar-lhe, de forma a que fique memória de algo parecido com que ali foi dito.
O livro é pequenino e aconselho vivamente a sua leitura.
Uma Noite com o Fogo é livro e tem blogue.
Quem perdeu a apresentação de Loulé, pode ir ouvi-lo no Pátio de Letras, no dia 24 de Abril, às 21.30. Não, a apresentação não é minha, é de José C. Vilhena Mesquita. Não vou perder.

15 abril 2009

Dores d'alma...

Ariadne
de Giorgio de Chirico

«A imagem tem o nome de Ariadne pois está uma mulher deitada sobre uma pedra e era assim que Adriadne costumava estar»

O que me vale é que, apesar de tudo, as respostas dos alunos que resultam em postais neste blogue são poucas, o que me descansa um pouco em relação ao meu (in)sucesso como professora.

14 abril 2009

«Tacones lejanos»

(foto desfocada devido à alta perigosidade da situação da fotógrafa, que não queria ser denunciada)

Fui hoje disfarçada de cliente da EDP à Loja do Cidadão de Faro. Para ser mais credível, fiz um contrato e tudo. Entretanto, com a minha máquina fotográfica oculta na mala ,tirei uma fotografia a uns sapatos brancos. De salto alto. Com aquela cor de calçado, suponho que a lingerie fosse condizente, e não preta, ou outra cor escura.

Senti aromas no ar, de perfumes intensos. Quase todas as meninas estavam com lencinhos ao pescoço, decorosas.
No entanto, uma que estava a cumprir as regras todas, era bem desinibida, com uma t-shirt rosa a pedir que lhe telefonasse. «Liga-me», pedia-me descaradamente, em letras gordas sobre o espaço que deveria ser usado para um decote. Claro que não o fiz, mas vim logo para aqui escrever este post.

Ontem, em Faro, no passeio de uma avenida...

... vi dois palhaços. Não resisti, e enquanto esperava que o sinal abrisse, tirei uma fotografia.

13 abril 2009

Que planta é esta?

(pormenor)

(raízes)
(vista de cima)

Há um mês e meio fui convidada a ir à EBI 2-3 Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, em Boliqueime, pela Drª Carla Lopes, para falar dos meus Hércules e da cultura clássica, na semana da leitura. No final, recebi um belíssimo ramo de rosas e orquídeas envoltos em diversas ramagens. Uma delas era esta, que na altura (no dia 2 de Março) não passava de um tronco. Como o achei muito bonito e, numa semana, nasceram umas raízes vermelhas na jarra onde coloquei o ramo, resolvi mantê-lo dentro de água.

Acontece que não percebo absolutamente nada de flores e não sei o que fazer agora.
Planto na terra?
Mantenho na água?
Que planta é esta?
Sei que a Gi (uma boa razão para vires cá a casa, para além do Saylor), o Paulo e o JB (regressado da pérfida Albion) percebem de flores.
Será que eles (ou alguém mais) me podem ajudar?
Fico-vos muito agradecida. E a plantinha também.

12 abril 2009

Bicentenário das Invasões Francesas

O meu amigo do Ao Rodar do Tempo está empenhado na divulgação de actividades no nosso Oeste. Deixo aqui o link para o blogue onde tem escrito sobre as Invasões Francesas na zona.

11 abril 2009

10 abril 2009

Ícaro

(imagem daqui)

Efectivamente, ele representava o castigo da vaidade de Ícaro transposta dos mitos antiquíssimos para as realidades do nosso tempo, sim, representava a expiação da vertigem de luxos, prazeres e devassidões em que vivia uma certa sociedade.

José Cardoso Pires, Alexandra Alpha, p.11 da 3ª edição (Publicações Dom Quixote) de 1992.

(Por motivos de ordem técnica, este blogue tem sido pouco actualizado. Vamos lá ver se melhora.)

31 março 2009

Que fazer na quinta-feira?

Se estiver em Lisboa no dia 2, vá à Buchholz do Chiado, pelas 18.30, e oiça o Nuno Simões Rodrigues apresentar o livro da Ana Lúcia Curado.
A Ana Lúcia Curado é uma distinta colega da Universidade do Minho que publicou um exaustivo trabalho (tem mais de 500 páginas) sobre a mulher em Atenas nos séculos V e IV a.C., intitulado-o singelamente Mulheres em Atenas, na Sá da Costa. Lamentavelmente ainda não o tenho, mas depois de o ler aqui falarei mais sobre ele.
Um dos aspectos que me parece mais interessante é o facto da reconstrução da imagem da mulher ter sido conseguida pelo discurso forense, tendo a autora baseado o seu estudo em mais de 100 textos de oradores áticos (li isto no Correio do Minho, de 22 de Março).
O livro vai ser presentado pelo Nuno Simões Rodrigues, também meu colega no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, professor na Universidad de Lisboa, que também escreve bastante sobe o tema da mulher na antiguidade.

Se estiver mais cá por baixo, por estes reinos dos Algarves, vá até Loulé, à Biblioteca Municipal, às 21.30, nesse mesmo dia 2, para participar na apresentação que vou fazer do último livro do António Manuel Venda (de quem sou fã confessa desde 1996), Uma Noite com o Fogo (que até tem blogue e tudo).
Não tem o livro? Passe pelo Pátio de Letras antes de ir para Loulé.

27 março 2009

... do Teatro

As Edições 70 mandaram-me um mail a relembrar que hoje é o Dia Mundial do Teatro, destacando algumas obras sobre o assunto publicadas por elas, tanto livros sobre o teatro, como


e


bem como peças de teatro, exemplificando o género com uma tragédia grega

As Bacantes, de Eurípides (de que já aqui falei)

uma comédia grega

As Rãs, de Aristófanes

e uma tragédia latina:
Fedra, de Séneca.

Elas não disseram, mas eu faço-lhes a publicidade de graça, deixando aqui a referência a um autor latino de comédias, Plauto, cujo Anfitrião foi tão glosado no teatro português. Veja-se, por exemplo, Camões e o seu Auto dos Anfitriões, António José da Silva (conhecido como O Judeu) e Anfitrião ou Júpiter e Alcmena ou o Anfitrião Outra Vez de Augusto Abelaira.

24 março 2009

Na quarta-feira, em Albufeira...

... vou fazer uma palestra na Escola Secundária, integrada numa actividade chamada «Os Dias da Cultura», para a qual foi feito um blogue, com o tema Tradição, Modernidade, Evolução.
Indo à biblioteca mais pormenores.

23 março 2009

Verdades repostas

Faz uma semana que escrevi o Verdades (6) e Mentiras (3).
A Teresa acertou em todas, claro. Ou não fôssemos amigas há quase 25 anos...
O Dário achou que era inverosímil que a sua professora fizesse uma daquelas coisas, quanto mais 6.
Excepto o Carlos, todos os outros acharam que eu não sabia nadar.
A Sara nunca erraria a 3 e a 4, pois esses campeões eram amigos comuns, mas distraiu-se na 5 (não deu atenção à decoração) e acreditou nas minhas boas intenções, no Verão passado, em não faltar à esgrima... eheheh...
A Redonda, o Nandokas e todos os outros não acreditaram na mentira da 9.

Seguem-se as respostas:

1) O meu desporto favorito é a natação. Pratico desde pequena e moro no Algarve para poder estar mais tempo por ano perto do mar e poder nadar.
Mentira. Sei nadar, mas não consigo, o que é diferente de não saber nadar. Acontece que tenho alguma dificuldade em conciliar movimento e respiração...
2) Pratiquei basquetebol em jovenzinha e até fui federada. O ser baixinha não foi impedimento. Verdade, verdadinha.
3) Pratiquei judo na juventude, mas não passei de verde por causa dos combates. Verdade. O meu mestre fazia os exames disfarçadamente, para eu não faltar. Como esses combates eu fazia, cheguei a verde. Depois, de azul em diante, era necessário ir a competições a sério e eu não quis.
4) Conheci e privei com campeões de judo, incluindo um nosso representante nuns Jogos Olímpicos. Verdade. Na fauldade fui colega da Odete, que foi campeã Europeia, e que naquela altura ainda só namorava (depois casou) com o Hugo d'Assunção, nosso judoca em Seul.
5) Fiz ballet e andei em pontas. Verdade. Sei que é difícil acreditar, mas até tenho as minhas sapatilhas de pontas a fazerem de objecto decorativo num quarto de visitas.
6) Já tive a vida em perigo numa gruta, a fazer espeleologia. Verdade. Foi das poucas vezes em que senti mesmo medo e percebi que poderia não sair dali.
7) Já estive presa num elevador com mais 4 pessoas durante 2 horas. Verdade. Foi há muitos, muitos anos, num apartamento de praia, de Inverno, num prédio praticamente sem moradores, num fim-de-semana...
8) Sofro de claustrofobia. Mentira. Se sofresse, a experiência da gruta e do elevador teriam sido mortais!
9) Raramente falto a uma aula de esgrima e, apesar da idade, o meu mestre pensa levar-me aos próximos campeonatos nacionais. Mentira. Era bom, era. Mas este ano tive (e ainda tenho) uma desculpa enorme: uma epicondilite que demorei a resolver tratar e só agora está a começar a deixar-me em paz.

22 março 2009

Página 161, 5ª frase


A Bomba Inteligente passou-me uma corrente que já tinha passado por aqui há mais de um ano. Neste momento, em que ando a ler as Medeias que encontro (e dado que a de Mário Cláudio não tem tantas páginas), aqui vai a Medeia, Vozes, de Christa Wolf:

Agora tudo está certo.

20 março 2009

Pôr as correntes em dia

Aqui vai mais uma corrente/desafio que me enviou o António Manuel Venda, não do seu Floresta ao Sul, mas do Delito de Opinião.
É suposto indicar seis características minhas... manias, talvez?

- não gosto de café;
- gosto de fazer planos (mesmo que não os cumpra...);
- estou sempre a fazer muitas (mesmo muitas) coisas ao mesmo tempo;
- sou optimista: dão-me a bosta e fico toda contente a pensar que só me falta receber o cavalo;
- gosto de acordar cedo e de me deitar tarde;
- tenho cada vez menos paciência para certas coisas para as quais nem paciência para falar delas tenho.

Mais uma vez, nao me atrevo a passar, mas continue quem quiser.

18 março 2009

(De)Valoración Docente


Por vezes tenho dificuldade em reagir com tranquilidade perante factos que me impressionam.
O que se está a passar em Portugal em diversas áreas da função pública assusta-me.
Como sou professora, o que se está a passar com o ensino e com os docentes do ensino básico e secundário (quando será que chega a nós?) é realmente assustador.
Ao ler no De Rerum Natura este «postal», lembrei-me de um vídeo que me enviara, divulgado pela Junta da Extremadura, mesmo aqui ao lado do Algarve, na Espanha. A campanha chama-se Valoración Docente e vale a pena ver.

http://www.educarex.es/documentos/anuncio/anuncio.html

16 março 2009

Verdades (6) ou mentiras (3)?

Corre um desafio pelo blogobairro em que temos de escrever 9 coisas sobre nós, das quais 3 terão de ser mentira e 6 verdade. Os visitantes terão de descobrir quais são as 3 mentiras e num futuro post (ou actualização deste) indicarei as respostas certas.
Não vou passar a outros blogues, como era suposto, pois tenho andando arredada destes espaços e arriscava-me a nomear quem já respondeu. Assim, deixo ao critério de cada um.
Ah, e quem me meteu nisto foi o Nandokas .

1) O meu desporto favorito é a natação. Pratico desde pequena e moro no Algarve para poder estar mais tempo por ano perto do mar e poder nadar.
2) Pratiquei basquetebol em jovenzinha e até fui federada. O ser baixinha não foi impedimento.
3) Pratiquei judo na juventude, mas não passei de verde por causa dos combates.
4) Conheci e privei com campeões de judo, incluindo um nosso representante nuns Jogos Olímpicos.
5) Fiz ballet e andei em pontas.
6) Já tive a vida em perigo numa gruta, a fazer espeleologia.
7) Já estive presa num elevador com mais 4 pessoas durante 2 horas.
8) Sofro de claustrofobia.
9) Raramente falto a uma aula de esgrima e, apesar da idade, o meu mestre pensa levar-me aos próximos campeonatos nacionais.

11 março 2009

Um título possível: vergonha na cara. Outro título: obras públicas. Outro título: extenuada. Enfim, não sei o que hei-de chamar a isto.

O título deste post remete para o que sinto e para o texto que vos trago.

Hoje tomei-me de coragem (gosto deste uso do verbo) e voltei ao blogue. Isto da vergonha é terrível: quanto mais o tempo ia passando maior ela ia sendo e eu sem saber como pedir desculpa a todos os amigos pela falta de notícias neste espaço. A única coisa boa é que a razão da ausência é o muito trabalho. O resto está bem (não contando com as mazelas próprias da idade, claro).

Andava eu à procura de qualquer coisa para escrever dia 8 e peguei em Plutarco, n' A Coragem das Mulheres. Encontrei aí, a propósito de uma outra heroína, a referência a uma mulher discreta e sem nome que, com uma frase inteligente, levou os homens da sua terra a terem vergonha na cara e a fazerem frente a um déspota que, tendo começado por lhe agradar, acabou por humilhar o povo que o tinha eleito.

Deixo-vos com Plutarco, que conta melhor a história que eu:

o tirano Aristodemo [governou em Cumas, na Itália, à volta de 502-492], de quem alguns, devido à sua alcunha de «Brando», pensam que de facto o era, mas desconhecem a verdade. (...) Nesta campanha militar [contra os Etruscos], que durou muito tempo, ele cedeu em tudo para agradar aos cidadãos que faziam parte da expedição e, mais como demagogo do que como general, persuadiu-os a juntarem-se para atacar o Senado e expulsar os melhores e mais poderosos. A partir de então tornou-se tirano, e nas injustiças para com as mulheres e jovens livres superou-se a si mesmo em perversidade. Conta-se que impunha que os jovens usassem cabeleira comprida e ornamentos de outro e que obrigava as raparigas a rapar o cabelo e a vestir trajos masculinos e roupa interior curta. (...)
Acontecia que, por aquela altura, Aristodemo abria um fosso à volta do seu território - uma obra que não era útil nem necessária - simplesmente porque desejava esgotar e extenuar os cidadãos com trabalhos e dificuldades. Com efeito, tinha sido ordenado a cada um que retirasse um determinado número de medidas de terra.
Uma certa mulher, ao ver que Aristodemo se aproximava, desviou-se do caminho e cobriu o rosto com a túnica. Quando o tirano se foi embora, os jovens riram-se dela e perguntaram-lhe, no gozo, por que razão o seu pudor a fizera evitar apenas Aristodemo, já que não tinha tal sentimento em relação aos outros homens. Mas ela respondeu com muita seriedade e disse: «Porque Aristodemo é o único homem entre todos os de Cumas».
Esta frase, dita deste modo, tocou-os a todos, e aos nobres de espírito, por vergonha, incitou-os mesmo a lutar pela liberdade.


(tradução de Maria do Céu Fialho, Paula Barata Dias e Cláudia Cravo, todas da Universidade de Coimbra e editada pela Minerva, em 2001)

24 fevereiro 2009

Emo... séc. XIX

O acaso levou-me um destes dias a contactar com o conceito de emo. Na verdade, não sei bem o que é um emo... e, por estas várias definições (e alguns dos comentários), fiquei com a impressão que nem os próprios sabem bem.
Ao reler o Coração, Cabeça e Estômago, do Camilo, lembrei-me disto tudo com Silvestre da Silva:

entendi que a desordem dos cabelos devia ser a imagem da minha alma. Comecei, pois, por dar à cabeça um ar fatal, que chamasse a atenção e aguçasse a curiosidade dum mundo já gasto em admirar cabeças tão vulgares. A anarquia dos meus cabelos custava-me dinheiro e muito trabalho. Ia, todos os os dias, ao cabeleireiro calamistrar os longos anéis, que me ondeavam nas espáduas; depois desfazia as espirais, riçava-as em caprichosas ondulação, dava à fronte o máximo espaço e sacudia a cabeça para desmanchar a torcida deletriadas da madeixa. Como quer, porém, que a testa fosse menos escampada que o preciso para significar «desordem e génio», comecei a barbear a testa, fazendo recuar o domínio do cabelo, a pouco e pouco, até que me criei uma fronte dilatada, e umas bossas frontais, como a natureza não dera a Shakespeare nem a Goethe.