25 novembro 2009

Muita actividade na Universidade do Algarve nos próximos dias:

- Amanhã, às 15h, seminário Provedores dos Media como factores de literacia dos Media.
Depois do que tenho ouvido do provedor da RDP, não posso faltar. Vou e aproveito para representar também o Helder G.:

Paquete de Oliveira, Provedor do Telespectador na RTP, Adelino Gomes, Provedor do Ouvinte na RDP e Joaquim Vieira, Provedor dos Leitores no jornal Público, vão estar na UAlg, no próximo dia 26 de Novembro, para participarem num seminário subordinado ao tema Os Provedores dos Media como factores de literacia dos Media.

O seminário, promovido no âmbito da disciplina Literacia dos Media, do 3.º Ano do Curso de Ciências da Comunicação, tem início marcado para as 15h00, no Anfiteatro 1.5 do Complexo Pedagógico, no Campus da Penha, e é aberto a toda a comunidade.

- Na sexta, de manhã, dia 27, em Gambelas, na sala 2.35 do Ed.1, exibe-se o documentário de Sofia Trincão (com a presença da própria): Praia da Lota & Praia de Montegordo. Levarei os meus alunos.

- Na mesma sexta-feira, na mesma sala da actividade anterior, mas às 14.30, teremos uma palestra (esta fui eu que organizei) sobre Direitos de Autor, com Margarida Almeida Rocha, do Gabinete para os Meios de Comunicação Social.
Vai ser excelente, tenho a certeza.
(Amanhã volto a relembrar e publico aqui os temas que irão ser abordados.)

Assim é bom ensinar e aprender.

Limpar Portugal - grupo de Olhão


Somos só 24.

Até parece que Olhão não precisa de ser limpa.
É verdade que a Câmara tem muitas pessoas a varrer a cidade, mas esta tem grandes problemas com os caixotes do lixo que não se podem tapar e com o cheiro nauseabundo que se espalha por algumas zonas.
Muitos dos problemas têm a ver com a educação das pessoas:
- não se devia deitar os sacos de lixo nos contentores aos sábados, pois apenas domingo à noite passa o carro para os recolher. No verão podem imaginar o odor...
- nas ruas por onde passa o carro do lixo para recolher os sacos, estes só deveriam ser colocados na rua depois das 21.30. Há quem os deixe à porta de casa logo de manhã. A consequência é clara: quando os cães não destroem o plástico à procura de restos, é o cheiro que se liberta , às vezes, por dois dias...
- os donos dos cães que não apanham os dejectos dos animais que levam a passear são responsáveis por muita porcaria...
- e há mais, e há mais.

23 novembro 2009

Em Altura, Hércules e os pequeninos


Fui sexta-feira à escola EB1 de Altura falar dos meus Hércules. Nunca tinha estado com meninos tão pequeninos (1º ciclo) e foi uma grande surpresa ver como já sabem tanto!
Fizeram-me muitas perguntas e parece que gostaram das respostas.
Eu gostei muito da sua curiosidade, da sua alegria, da sua participação.
Sei que a sessão foi preparada pelos professores antecipadamente e isso fez a diferença.

Muito obrigada a todos e até um dia destes!

22 novembro 2009

remédios mágicos e curas milagrosas

Excerto de O Mentiroso (ou O Incrédulo), de Luciano (séc. II d. C.), em tradução de Custódio Magueijo, Colibri, 1995.

(6.) Êucrates parecia estar melhor, e a doença agora era a do costume. De facto, o fluxo dos humores havia descido para os pés. (...)

(7.) As visitas já antes tinham falado sobre a doença, e ainda estavam a dissertar, cada um a sugerir o seu tratamento.
Diz Cleodemo: Portanto, se apanharmos do chão, com a mão esquerda, um dente de doninha morta conforme antes disse, se depois o envolvermos numa pele de leão acabado de esfolar e atarmos à volta das pernas do doente, a dor cessa imediatamente.

Diz Dinómaco:

Numa pele de leão, não, segundo ouvi dizer, mas sim numa pele de corça virgem e que ainda não teve cio. Desta maneira a coisa é mais verosímil. De facto, a corça é um animal muito veloz, que tem a sua força principal nas patas. O leão é forte, sim senhor, e a sua gordura, bem como a pata direita e os pelos eriçados da crina, poderão prestar grandes serviços, desde que saibamos utilizar cada uma dessas partes acompanhada da fórmula mágica apropriada. No entanto, serve de muito pouco na cura dos pés (...)
(8.) Aí eu disse: E vós acreditais que esses males cessam por meio de fórmulas mágicas ou aplicações externas à doença que se desenvolve no interior?

Puseram-se todos a rir das minhas palavras, sendo manifesto que me acusavam de grande ignorância, por não saber coisas tão óbvias e que ninguém de bom senso ousaria contradizer, dizendo que não é assim. (...) Vai daí, diz Cleodemo, sorrindo:

Que dizes a isto, Tiquíades? Parece-te inacreditável que se tire benefício deste tipo de remédios para as doenças?

Parece, pois - respondi - ... a menos que eu esteja tão apanhado por uma gripe ruim, que acredite que estes remédios externos, sem comunicação alguma com as causas das doenças, actuem quando acompanhados de palavras ou, como vós dizeis, de certas fórmulas encantatórias, e que esses remédios, quando em contacto com a zona doente, induzem a cura. Tal não seria possível, mesmo que atásseis dezasseis doninhas inteiras à pele do leão de Nemeia. Eu mesmo já vi muitas vezes o próprio leão coxear com dores, mesmo completamente envolvido na sua própria pele.

(9.) És muito ignorante - comentou Dinómaco -(...). Também não me parece que admitas estes factos evidentíssimos, como a expulsão das febres periódicas, o encantamento de serpentes, a cura de tumores inguinais e todas as demais maravilhas que as velhas ainda hoje operam.

Ó Dinomaco - retorqui - (...) Realmente, não está provado que essas curas que tu referes aconteçam por obra de tais poderes. Portanto, se antes, por um processo de indução racional, não me convenceres de que esses factos ocorrem segundo a ordem natural (isto é, que a febre e o edema têm medo quer dum nome divino, quer duma palavra bárbara, e que é devido a isso que o tumor inguinal abandona o corpo), considero as vossas palavras como fábulas de velhas.

(10.) Tenho a impressão - disse Dinómaco - de que, ao falares desse modo, não crês na existência dos deuses, já que não acreditas em curas operadas por palavras santas.

Não digas isso - respondi eu. Realmente, nada impede que os deuses existam, mas que esses milagres sejam falsos. Por mim, respeito os deuses e reconheço as curas que eles operam, tal como o bem que eles fazem aos doentes, restabelecendo-os por acção de medicamentos e da medicina. De facto, o próprio Esculápio e os seus filhos curavam doentes aplicando-lhes remédios suaves, e não ligando-lhes à volta do corpo coisas de leões ou doninhas.

20 novembro 2009

Sempre a aprender!

A Josefa Paias, do Restolhando, presenteou-me com este selo, há quase um mês.
O prémio diz que este blogue é VIP e perfeito para aprender qualquer coisa todos dos dias. No entanto, como ando a publicar tão pouco, não me pareceu bem colocar selos de prémios, tão imerecidos.
Ontem o Carlos também me disse que aprendia com este blogue.
Deixei, então, a modéstia de parte e aqui agradeço a todos a simpatia com que sempre me presenteiam.


(Peço desculpa, mas sou incapaz de destacar os blogues com que aprendo: são todos os que visito - por isso lá vou!)

19 novembro 2009

PROSPECÇÃO DE MERCADO - Linguística Portuguesa e Ensino de Português-Língua Estrangeira

A minha Faculdade está a fazer uma prospecção de mercado na área indicada no título deste post. O texto, que pode ser lido aqui, diz o seguinte:

AVISO – Prospecção de Mercado
(M/F)

Aceitam-se candidaturas, para uma eventual vaga em docência, de Mestres/Doutores em Linguística Portuguesa e Ensino de Português-Língua Estrangeira (PLE) Os interessados deverão enviar, até ao dia 31 de Dezembro de 2009, Curriculum Vitae e Cópia de Certificado de Habilitações para:
Secretariado de Departamentos (ao cuidado de D. Ana Paula Santos) da
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais
Universidade do Algarve
Campus de Gambelas
8005-139 Faro

Informações adicionais: dlcafchs@ualg.pt ou apsantos@ualg.pt
Telefone – 289800015 – Fax – 289800067


Ainda vamos ser colegas!

18 novembro 2009

O homem do disco


O discóbolo de Míron... é este?


(imagem daqui)

Ou este?

(imagem daqui)

Depois de descobrir as diferenças, leia Luciano, que responde. No seu livro O Mentiroso (ou O Incrédulo), 18 (tradução de Custódio Magueijo, nas edições Colibri, em 1995), há o seguinte diálogo:

Não tens visto - disse Êucrates - , ao entrares no pátio, uma estátua magnífica dum homem de pé, obra do estatuário Demétrio?

Referes-te porventura - perguntei - ao homem do disco, curvado na atitude de quem vai executar o lançamento, com a cara virada para o lado da mão que tem o disco, e que, flectindo levemente os joelhos para o lado contrário, parece mesmo erguer-se após o lançamento?

Não - respondeu Êucrates - , não é essa. Essa, o discóbolo a que te referes, é uma das obras de Míron.

08 novembro 2009

Discurso (pouco) secreto na montanha...

... de Hermes Trimegisto ao seu filho Tat , onde enuncia os 12 tormentos que existem em nós e nos castigam:

Tat - Também tenho esses tormentos em mim, pai?
Hermes - E não são poucos, meu filho, mas muitos e temíveis.
Tat - Não os conheço, meu pai.
Hermes - Esse é um, meu filho, o desconhecimento é um tormento. O segundo é o sofrimento, o terceiro a imoderação, o quarto a luxúria, o quinto a injustiça, o sexto é a ganância, o sétimo o engano, o oitavo a inveja, o nono a fraude, o décimo a ira, o décimo primeiro a impetuosidade e o décimo segundo a maldade. São doze, pois, os tormentos. Mas por baixo destes, meu filho, há muitos outros (...)
Corpus Hermeticum, XIII, 7 (tradução minha)

02 novembro 2009

Dicas para boa vizinhança...

... é o título de uma rubrica da revista Dinheiro e Direitos (nº de Novembro/Dezembro 2009, p.37) que explica o que fazer
(...) «quando a árvore do terreno vizinho estende os braços para o seu lado. Primeiro, peça ao proprietário para cortá-los. Se recusar, envie uma carta registada com aviso de recepção. Passados três dias sem nada feito, pode eliminar as raízes ou ramos invasores. Devolva-os ao proprietário, junto com a despesa.»

Antes de haver cartas registadas e avisos de recepção, foi assim que Sólon determinou,

«com grande esperiência, os intervalos a deixar entre as plantações, ditando que quem plantasse alguma árvore no campo teria de guardar a distância de cinco pés em relação ao terreno do vizinho; sendo uma figueira ou oliveira, deixaria nove pés. Na verdade, estas árvores estendem mais longe as raízes e a sua vizinhança não é inócua a todas as plantas, pois roubam-lhes o alimento e lançam emanações que são prejudiciais a algumas delas.»
(Plutarco, Vida de Sólon, em tradução de Delfim Leão, para a Relógio d'Água, há 10 anos.)

Os antigos sabiam (quase) tudo.

25 outubro 2009

O órgão de governo da Coisa Pública


Portanto, res publica 'Coisa Pública' é a res populi 'Coisa do Povo'.
O povo não é um qualquer ajuntamento de homens congregado de qualquer maneira, mas o ajuntamento de uma multidão associada por um consenso jurídico e por uma comunidade de interesses.
E a primeira razão para se juntarem não é tanto a fraqueza quanto uma como que tendência natural dos homens para se congregarem. É que esta espécie não vive isolada e solitária (...).

Portanto, todo o povo, que é o tal ajuntamento de uma multidão, conforme referi, toda a cidade, que é a organização de um povo, toda a Coisa Pública, que, como disse, é a Coisa do Povo, devem ser regidos por um órgão de governo para serem duradouros.
Mas esse órgão de governo deve sempre reportar-se primeiramente àquela causa que originou a cidade
.
De seguida, esse órgão de governo deve ser confiado a um só, ou a um de alguns escolhidos, ou deve ser assumido pela multidão e por todos.
(...)
E qualquer destes tipos, desde que mantenha aquele vínculo que primeiro ligou os homens entre si, na sociedade de um Estado, não é perfeito em si nem, em meu entender, o melhor, mas é tolerável, e qualquer deles pode ser superior a outro.

Cícero, Tratado da República, 1.41-42.

(Tradução de Francisco de Oliveira, publicado pela Temas e Debates/Círculo de Leitores, em 2008.)

20 outubro 2009

O Maravilhosos Mundo de Mark Weinstein

(imagem daqui)

Quando «descubro» um livro ou um autor que não conhecia, encontro sempre alguém que me diz que «há séculos» os lêem e eu... fico feliz por isso.
Fico feliz por saber que aquelas páginas dão prazer a outras pessoas.
Não sei se será o caso de Mark Weinstein, mas ficarei muito contente se o puder apresentar a alguns leitores.
Esta tira pertence a uma série intitulada The Miserable World of Prometheus e está a ser publicada, além de no blogue, no jornal Athens Plus, na Grécia, onde vive o autor.
Numa entrevista, diz que ainda não existe em livro, portanto, muito menos existe tradução, deduzo...
Que pena!
Quanto a mim, fiquei fã!

15 outubro 2009

Parabéns à Universidade de Coimbra

A Universidade de Coimbra (UC) foi considerada, pelo quarto ano consecutivo, a melhor instituição de ensino superior portuguesa no "ranking" do jornal britânico "The Times".
Segundo uma nota divulgada hoje pela UC, a instituição subiu no "ranking" relativo a 2009 e, à semelhança do que se verificou no ano passado, “continua a ser a única portuguesa entre as 400 melhores universidades mundiais”
(...)

“A melhor classificação parcial obtida pela Universidade de Coimbra é, porém, na área de Artes e Humanidades, em que surge no 143.º lugar, bastante acima da única outra instituição nacional referida, a Universidade Nova de Lisboa (268.º lugar)”, adianta.

Os critérios para a elaboração do ranking publicado pelo "The Times Higher Education Supplement", bem como a tipologia das análises recolhidas, são bastante abrangentes, permitindo traçar uma perspectiva global da realidade das instituições de ensino superior no mundo. São tidos em conta a qualidade da investigação, a empregabilidade dos graduados, a internacionalização das instituições e a qualidade pedagógica dos cursos.

A classificação é obtida através da ponderação de cinco critérios: avaliação pelos pares, avaliação por empregadores, artigos científicos citados, rácio docentes/estudantes e internacionalização, adianta a nota da UC.

Ler a notícia toda aqui.

13 outubro 2009

É no que dá a busca da perfeição

(imagem daqui)

Porque desejando um certo pintor representar a beleza suprema, mandou reunir as mulheres bonitas que havia na região e, imitando de cada uma as partes mais belas, de uma os olhos, de outra o nariz, de outra as sobrancelhas e de cada uma um aspecto (pois não era possível que todas fossem bonitas em tudo), conseguiu realizar uma figura perfeita.

Dionísio de Halicarnasso, Tratado da Imitação, Livro Segundo,VIa
Edição e tradução de R.M. Rosado Fernandes.

09 outubro 2009

Vote CBS!

Isto é um apelo ao voto.

Vote em David Mares!


Vote no CBS: Cork Block Shelter!

Veja o abrigo construído em cortiça com o qual o português (de Setúbal) David Mares conseguiu ser seleccionado como um dos 10 finalistas (em 600) do Shelter Competition, concurso internacional de Design promovido pelo Museu Guggenheim de Nova Iorque.

Gosta?
Vote!

08 outubro 2009

Mimese - Era bom que fosse assim...

Conta-se que um camponês, feio de aspecto, tinha receio de se tornar pai de filhos semelhantes a ele. O mesmo medo, porém, ensinou-lhe a arte de ter filhos bonitos. Juntou imagens belas e habituou a mulher a contemplá-las. Depois, quando a ela se uniu, conseguiu gerar a beleza das imagens.
Da mesma forma, com as imitações dos discursos se gera a similitude, sempre que alguém procura rivalizar com o que parece haver de melhor em cada um dos antigos e, como que reunindo de várias nascentes um só caudal, o canaliza para a sua mente.

Dionísio de Halicarnasso, Tratado da Imitação, Livro Segundo, VI.1.
Edição e tradução de R.M. Rosado Fernandes para o INIC, decorria o ano de 1986.

06 outubro 2009

Falar estrangeiro

No meio das memórias que as arrumações trazem, lembrando os meus professores de Literatura Latina:
«Por que razão o historiador romano Fábio Pictor escrevia em grego?»
Para ser lido pelos gregos, claro.
Fábio Pictor narrava os feitos de Roma, culpava Aníbal pela Segunda Guerra Púnica e tudo isto em grego.
O mundo civilizado era grego.
Horácio bem o disse, mais tarde:

Para quem escreveria um romano em latim, a explicar os porquês das suas invasões e desejos de domínio de tudo quanto era economia florescente e próspera?

Não seria para os outros romanos, que esses não precisavam de ouvir razões (muito menos ler, que era saber de poucos).
A história escrita em grego era uma maneira de dar explicações a quem, apesar de tudo, se respeitava ou, provavelmente, se invejava a grandeza.
Será daí que veio a nossa predisposição para falar «estrangeiro» na nossa terra?

20 setembro 2009

Pelo que diz Sócrates, somos todos sensatos...

Ora o maior dos castigos é ser governado por quem é pior do que nós, se não quisermos governar nós mesmos.
É com receio disto, me parece, que os bons ocupam as magistraturas, quando governam; e então vão para o poder, não como quem vai tomar conta de qualquer benefício, nem para com ele gozar, mas como quem vai para uma necessidade, sem ter pessoas melhores do que eles, nem mesmo iguais, para quem possam relegá-lo.
Efectivamente, arriscar-nos-íamos, se houvesse um Estado de homens de bem, a que houvesse competições para não governar, como agora as há para alcançar o poder, e tornar-se-ia então evidente que o verdadeiro chefe não nasceu para velar pela sua conveniência, mas pela dos seus súbditos. De tal maneira que todo aquele que fosse sensato preferiria receber benefícios de outrem a ter o trabalho de ajudar ele os outros.


Platão, República 347c-d.
Sempre esta tradução.

19 setembro 2009

PIDE/DGS

(imagem daqui)

Há pouco apanhei um susto.
Recebo uma mensagem e vejo DGS. DGS?
PIDE/DGS? Ainda há isso?


Tinha 7 anos no 25 de Abril, mas a parte anti-fascista da minha família encarregou-se de nos (a mim e aos meus irmãos) comprar uns livros (não sei onde isso andará. Talvez pelo sótão da casa dos meus pais) com uns desenhos (não eram bem banda-desenhada, mas andavam lá perto) em que se viam mulheres a ser torturadas com pontas de cigarros que uns homens usavam para lhes queimarem os mamilos.

Era a DGS a tratar-lhes da saúde.

Ora quando hoje a DGS me mandou uma mensagem, quase gelei.

Era sobre a gripe. Para eu redobrar os cuidados de higiene e evitar contagiar outros.
Não vou desobedecer.

Nestas alturas percebemos o quanto certas situações (frases, atitudes) nos marcaram. Nunca mais me tinha lembrado das torturas que vi naqueles desenhos a preto e branco e tão claramente os revejo agora por causa de um sms da Direcção Geral de Saúde.