13 fevereiro 2010
12 fevereiro 2010
Bancos e banqueiros na Grécia Antiga
(imagem daqui)Dizem Michel Austin e Pierre Vidal-Naquet, no livro Economia e Sociedade na Grécia Antiga (tradução portuguesa nas Edições 70, em 1986, do original francês de 1972), p.67:
A que corresponde então a invenção da moeda? Têm-se feito intervir diversas considerações (além do fenómeno geral de normalização da vida social): desenvolvimento do papel fiscal do Estado (multas, impostos), financiamento de exércitos de mercenários (…). Na história das cidades gregas, a moeda será antes de mais um emblema cívico. Cunhar moedas com as armas da cidade é proclamar orgulhosamente a sua independência.
E os banqueiros? O Oxford Companion to Classical Civilization (do maravilhoso Simon Hornblower e de Antony Spawforth), publicado pela Oxford University Press (a minha edição é de 1998) dá muita informação. Foi lá que colhi estes dados. Na entrada «banks», explica que os templos serviam alguns dos propósitos que hoje os bancos servem: guardavam o dinheiro das pessoas e emprestavam a quem precisava, com a diferença de não tocarem no que estava à sua guarda e o que disponibilizavam provinha do seu próprio tesouro (como o templo de Apolo, em Delos). Havia ainda particulares que emprestavam, sem ou com juros (por vezes, usurariamente, grandes juros sobre pequenas somas). E também eram necessários cambistas, visto que cada cidade tinha a sua moeda e era necessário trocar. Ainda hoje «banco» em grego diz-se τράπεζα e «trápeza» queria (e quer) dizer «mesa».
Para termos uma ideia da actividade, conhecem-se cerca de vinte nomes de banqueiros na Atenas do séc. IV a.C.
Alguns destes homens não eram atenienses, tal como muita da sua clientela, composta principalmente por comerciantes, visitantes, ou cidadãos que poderiam estar a precisar urgentemente de muito dinheiro. Serviam, frequentemente, de testemunhas e de fiadores.
Ah, claro, e não há dúvida de que eram muito, muito ricos…
(imagem daqui)
08 fevereiro 2010
Na Ágora, há 10 anos...

Ágora. Estudos Clássicos em Debate, a revista de Estudos Clássicos da Universidade de Aveiro, está disponível online e aqui pode ser lida uma recensão, de 2000 (já tem 10 anos! Credo!), sobre o meu primeiro Hércules.
07 fevereiro 2010
Uma questão de pronúncia...
(imagem daqui)«Jesus Menino entre os homens da lei»
Resposta do Aluno Y (colega do lado):
«Jesus a falar com os homens de lá.»
02 fevereiro 2010
30 janeiro 2010
Políticos profissionais
Talvez porque hoje seja sábado.
(...) dificuldades económicas e (...) conflitos sociais; tanto no campo como na zona urbana, passa a existir uma população miserável mais interessada na procura do sustento quotidiano do que nos destinos da democracia.
Daí que o século IV se caracterize por demissão política do demos que perde interesse em participar na condução dos negócios da pólis - desinteresse que já começa a aparecer no decorrer da Guerra do Peloponeso. As sessões da Assembleia têm cada vez menos elementos e há dificuldade em perfazer o quórum. Ainda se tenta incentivar, como vimos, a participação com a distribuição de um salário aos presentes na Ecclesia - o misthos ecclesiasticos -, mas em grande resultado.
Se na primeira metade do século IV o demos ainda manifesta empenho, quando se tratava de decidir sobre uma guerra que a seus olhos possa ser frutuosa, na segunda metade já nem isso desperta o seu interesse. Essa apatia está bem visível na luta contra Filipe da Macedónia e nos apelos angustiados de Demóstenes.
A pólis grega caminhava para o fim.
Como resultado da demissão do demos, aparece com uma insistência cada vez maior a profissionalização e a especialização de funções.
Homens saídos da classe endinheirada - banqueiros, industriais, comerciantes - que não precisam dedicar-se a uma actividade manual e recebem consideráveis rendimentos dos seus negócios, tornam-se verdadeiros profissionais da «política». Com meios de fortuna, adquirem junto de «professores» de retórica a arte de falar e de convencer que lhes permite atrair a multidão e manobrar a Assembleia.
28 janeiro 2010
Ecce Homo
... na identificação das imagens das culturas greco-latina e judaico-cristã, por exemplo...
Uma imagem representando um Ecce Homo foi identificada assim:
20 janeiro 2010
Pouco clássico, mas muito divertido
Para os fãs do Dr. House, aqui fica a versão açoriana:
18 janeiro 2010
Hospital Beatriz Ângelo
Carolina Beatriz Ângelo, em 1911, ano em que viria a falecer, votou. Foi a 1ºmulher a fazê-lo no nosso país, antes que os homens (com letra muito pequenina) decidissem mudar a lei, para que mais nenhuma outra se atrevesse a tanto.Percebo.
Há dias em que também estou cansada de tanta hipocrisia política, em que já não aguento as vozes dos que gritam e não assumem as suas responsabilidades.
Mas noutros dias (na maioria deles) estou cheia de energia para mudar o mundo e tento não envergonhar as minhas egrégias avós.
Achei que a minha querida avó haveria de gostar de saber que uma mulher, uma médica, do início do século XX, foi homenageada com a atribuição do seu nome a um hospital.
E isto vai valer a pena, por cada uma e cada um que se interrogar do porquê deste nome: Carolina Beatriz Ângelo.
16 janeiro 2010
15 janeiro 2010
«Temas de História da Arte do Século XX»
Vamos?
13 janeiro 2010
Pinacoteca antiga 2. Ou melhor: Descalço vai para a fonte...
(imagem daqui) 11 janeiro 2010
Pinacoteca antiga
Cheguei a uma pinacoteca impressionante, repleta de todo o tipo de quadros (...). Aqui, uma águia arrebatava para as alturas do céu o pastor do Ida;

Ainda há pouco tempo referi Ganimedes. Pois é ele o pastor do monte Ida de quem aqui se fala. Diz-nos Ovídio (Metamorfoses X, 155-161, na edição do costume):
Um dia, o rei dos deuses inflamou-se de amores pelo frígio
Ganimedes, e foi encontrado aquilo que Júpiter preferiu ser
a ser aquilo que era. Não se dignou, contudo, a tornar-se uma
ave qualquer, senão aquela que pudesse transportar seu raio.
De imediato, batendo o ar com enganadoras asas, arrebata
o neto de Ilo, que agora é também copeiro e serve o néctar
a Júpiter contra a vontade de Juno.
04 janeiro 2010
Llasa de Sela
Fico sempre triste quando alguém parte, principalmente quando a idade é pouca (37 anos), mas, como dizia Séneca, «ter a morte diante dos olhos é coisa que tanto deve fazer um velho como um jovem, já que ela nos não chama por ordem de idades» (Cartas a Lucílio, 12, 6).
Fraco consolo para a sua família e amigos e para todos os que gostavam de a ouvir...
31 dezembro 2009
Alegria na entrada em 2010
É tempo de beber, dizia num outro poema.
(imagem daqui)Serve-nos vinho, rapaz, depressa!
Serve-nos, pela lua nova! Serve-nos, pela meia-noite!
Serve-nos, pelo áugure Murena! Preparem-se
os copos com três ou nove cíatos, ao gosto de cada um.
Quanto ao vosso atordoado poeta,
que as ímpares musas ama, três cíatos vezes três há-de pedir:
de tocar em mais de três
a Graça com suas desnudas irmãs nos proíbe,
por recear as rixas.
Agrada-me ensandecer. Porque cessa o sopro
da tíbia de Berecinto?
Porque penduradas na parede se calam a siringe e a lira?
Odeio mãos avaras!
Espalha as rosas!
(...)
(Tradução de Pedro Braga Falcão, na Cotovia)
23 dezembro 2009
Porque hoje é 23 de Dezembro
Não é falta de respeito pelos meus amigos e convidados desta ágora, mas simplesmente incapacidade de parar para escrever.
Deixo aqui uma foto (do ano passado, que este ainda nem tempo tive para as manifestações de paganismos e religiosidades), com votos de boas festas para todos e promessa (sim, esta é a altura das promessas, pois então) de publicações mais periódicas.
08 dezembro 2009
Que dia é hoje? Dia de aniversário de Quintus Horatius Flaccus
Natus est VI Idus Decembris L. Cotta et L. Torquato consulibus.
Nasceu a 8 de Dezembro de 65 a.C., diríamos nós.
O aniversário de Horácio é um bom pretexto para falar do calendário dos Romanos.
Tal como digo, quando me tento lembrar de alguma coisa: «Ora isso aconteceu-me no ano em que entrei na Faculdade», querendo dizer 1984, ou «Lembro-me perfeitamente! Foi quando Cavaco Silva foi primeiro-ministro», querendo dizer 1985, também eles diziam, como neste exemplo, que Horácio nasceu no ano em que eram cônsules Lúcio Cotta e Lúcio Torquato, isto é, o ano 65 a.C.
As calendas eram o 1º dia do mês, as nonas eram o dia 5 (ou 7, em Março, Maio, Julho e Outubro) e os Idos eram o dia 13 (ou 15, em Março, Maio, Julho e Outubro) de cada mês. Os dias contavam-se em função da data fixa seguinte, incluindo na contagem o dia em que se estava.
Assim, tendo Horácio nascido 6 dias antes dos Idos de Dezembro (e não estando Dezembro na lista dos meses em que calhava a 15, os Idos eram dia 13), contamos 6 números, incluindo o primeiro: 13, 12, 11, 10, 9, 8.
Portanto, à maneira de Roma, estamos hoje:
VI Idibus Decembris Josepho Sousa primo ministro, primo anno, secundo mandato.
06 dezembro 2009
Fama, boatos, rumores...
No centro do Universo, entre a terra, o mar e as regiões
celestes, há um lugar, limite de três mundos, de onde
se vê o que esteja em qualquer parte, ainda que distante
dessas regiões. Toda a voz chega aí a ouvidos ávidos.
Aí mora a Fama, que escolheu para si lugar no ponto
mais alto da cidadela. Dotou a sua morada de inúmeros
acessos, de mil aberturas, e não pôs portas à entrada. Fica
aberta noite e dia. É toda de sonante bronze, toda retumba,
repercute as vozes e repete o que ouve. Não há sossego
em seu interior. Não há silêncio em parte nenhuma.
Também não há gritos, mas murmúrios em sumida voz,
como costuma ser os das ondas do mar, se alguém
as ouvir ao longe, ou como o som que longínquos trovões
produzem, quando Júpiter faz ressoar negras nuvens.
Ocupa os átrios a multidão, populaça instável, vai e vem.
De mistura com a verdade, erram por toda a parte milhares
de invenções e boatos. Fazem-se ouvir confusas palavras.
Uns enchem com rumores ouvidos ávidos; outros contam
a terceiros o que lhes foi referido. Cresce a dimensão do falso.
Ao que ouviu, faz novo autor acrescer qualquer coisa.
De um lado está a Credulidade, do outro está o Erro
impudente, a falsa Alegria, o consternado Temor, a Sedição
repentina, os Sussurros de autoria duvidosa. A Fama
em pessoa vê o que sucede no céu, no mar e na terra,
e procura no Universo inteiro.
Ovídio, Metamorfoses, XII, 39-63. (Tradução de Domingos Lucas Dias, Vega, 2008, com a qual ganhou o prémio de tradução da União Latina daquele ano).
Veja como o barulho da Fama contrasta com o silêncio do Sono.
28 novembro 2009
Cinco revelações

Agradeço-lhe a lembrança e aqui vão elas:
Eu já tive a oportunidade de falar e calei, de calar e falei. Arrependo-me da primeira.
Eu nunca fui tão feliz como agora.
Eu sei, infelizmente, o que é perder amigos.






