10 maio 2010

Leda e o cisne e os seus gémeos verdadeiros e falsos

(Leda e o Cisne, de Cesare da Sesto, recuperando Da Vinci. Ver aqui)

O meu amigo Zé Bandeira foi desenganado pela sua augusta Mãe, quando lhe perguntou se ela e o tio poderiam ser gémeos verdadeiros.

Meu querido Zé,
A tua ideia não é assim tão destrambelhada, pois já sei de onde te veio: de Leda e o cisne!
Tu, um amante da antiguidade clássica, sabendo que Helena era gémea de Pólux e que Clitmnestra gémea de Castor (na imagem vêem-se bem os bebés a sair dos ovos), e sendo cada par de gémeos verdadeiros (os primeiros, fruto de um óvulo fecundado por Zeus e os segundos de outro fecundado por Tíndaro) gémeos falsos dos outros, extrapolaste para a tua realidade.

É simples!
Beijinhos

P.S. Há versões em que, apesar de Helena e Pólux serem os filhos de Zeus, foram chocados em ovos separados: as meninas num ovo e os meninos noutro, sendo cada um de fecundação dupla, divina e humana. Mas penso que esta versão não interessa para a tua argumentação...

28 abril 2010

27 abril 2010

Tertúlias Pré-socráticas, em Coimbra

Recebi este pedido de divulgação, a que acedo, com muito gosto.


A sexta sessão do ciclo de Tertúlias Pré-Socráticas, dedicada a Pitágoras & Os Pitagóricos, realizar-se-á no dia 28 de Abril, quarta-feira, às 18:00, no TAGV, e contará com a presença de José Pedro Serra, da Universidade de Lisboa.
Pitágoras é um nome de todos familiar, pelo teorema que lhe é atribuído. Efectivamente, os números desempenham um papel importante em toda a sua filosofia, em que insiste na ordem e proporção do cosmos, realidade que exprimia com o conceito, bem conhecido, de música das esferas. É também um dos principais introdutores no Ocidente da ideia da reencarnação e do vegetarianismo. Contudo, a sua figura permanece envolta em mistério e lendas, à falta de informações fidedignas. O certo é que as suas doutrinas (ou dos seus seguidores) tiveram um impacto formidável no curso da filosofia grega, tendo influenciado de forma decisiva não apenas outros tantos pré-socráticos, como essa figura maior do pensamento ocidental: Platão.

26 abril 2010

sobre a amizade

A Natya pediu-me parte da carta 3 (Cartas a Lucílio, de Séneca. Uso a tradução de J. A. Segurado Campos, da Gulbenkian) e ela aqui vai:

Dizes-me que entregaste a carta a um amigo teu, para me trazer, mas em seguida aconselhas-me a não trocar impressões com ele sobre quanto te diz respeito, pois nem tu próprio o costumas fazer. Quer dizer, na mesma carta deste-lhe e recusaste-lhe o título de "amigo".
Ora bem: se tu usaste esta palavra não no seu verdadeiro sentido mas antes em sentido genérico, e lhe chamaste "amigo" tal como a todos os candidatos nós chamamos "respeitáveis cidadãos", ou como às pessoas que encontramos e cujo nome não nos ocorre, cumprimentamos como "senhor fulano" ainda é aceitável; se consideras, porém, "amigo" alguém em quem não confias tanto como em ti próprio, então cometes um erro grave e mostras não conhecer bem o significado da verdadeira amizade.
Delibera em comum com o teu amigo mas começa por formular sobre ele um juízo correcto: após o início da amizade, há que ter confiança. Antes, sim, é que se deve ajuizar. Confundem as obrigações inerentes a este princípio aqueles que, ao contrário dos ensinamentos de Teofrasto, formulam juízos depois de iniciada a amizade, e não estabelecem relações de amizade depois de formularem juízos. Pensa longamente se alguém é digno de que o incluas no número dos teus amigos; quando decidires incluí-lo, então recebe-o de coração aberto e fala com ele com tanto à vontade como contigo próprio.

23 abril 2010

Na capital

Hoje é por isto, amanhã é por aquilo, e mais um vez este pobre blogue esteve parado umas 3 semanas.
Pois bem, é hoje, no momento mais inoportuno, que o actualizo.
Estou na Universidade Nova de Lisboa, onde está a decorrer o Congresso Internacional Representações da República. No meio de tantas palestras, ainda há espaço para os nossos clássicos e para o meu Tucídides.
Apareçam, que têm muito por onde escolher!

02 abril 2010

Que lindo, o Latim!

Erri de Luca, um magnífico escritor em italiano, escreveu, no seu romance O dia antes da felicidade (Bertrand, 2009), p.54:

Divertia-me o latim, língua inventada por algum enigmatista. Traduzi-lo era buscar a solução. Não gostava do caso acusativo, tinha um nome feio. O dativo era bonito, o vocativo teatral, essencial o ablativo. O italiano era preguiçoso pois renunciava aos casos.

Hei-de começar por aqui, num próximo curso de Latim, onde acrescentarei:
«o nominativo sabe quem é quando ajudado pelo genitivo».


Depois explico o que tudo isto quer dizer, todos vão compreender e ver como é bonito e vão concordar que o português também é preguiçoso, porque só deixou casos nos pronomes pessoais.

Vá lá... não me acordem!

31 março 2010

Malvado do Aristóteles!

Coitado do Aristóteles.
Diz-se cada coisa sobre ele.

Num exame, comentando este excerto (Poética, 1453b26):

É possível que uma acção seja praticada a modo como a poetaram os antigos, isto é, por personagens que sabem e conhecem o que fazem, como a Medeia de Eurípides, quando mata os próprios filhos, Mas também pode dar-se que algum obre sem conhecimento do que há de malvadez nos seus actos, e só depois se revele o laço de parentesco, como no Édipo de Sófocles.

escreveu-me um aluno:

«Neste texto é bem visível que tanto no princípio como no fim, o grau de malvadez deve estar presente, não fosse um texto de Aristóteles.»

29 março 2010

Não há maiores cegos do que aqueles que não querem ver

Grave, grave, grave.
Grave, grave, grave.

Para lermos com muita atenção, pois não se passa só em Itália.

Texto
(está no blogue e no facebook) de Fernando Mora Ramos, encenador do Teatro da Rainha:


Porque é que não tenho aulas de Português?

Esta pergunta é feita por uma jovem de um curso de teatro de âmbito politécnico. Ela sabe que não conhece a língua e sabe que um licenciado em teatro deveria saber português – um dia, se escapar ao desemprego de longa duração, poderá até vir a dar aulas. Inscreveu-se numa cadeira de Técnicas de Expressão do Português mas eram tantos que nunca conseguiu ouvir a professora no meio da barulheira. Mas valeu a pena saber, através de umas fichas, que cozer e coser tinham significados diferentes. Ela também não sabia que o Teatro de Stanislavski se chamava Teatro de Arte de Moscovo e que a gaivota do pano de boca se referia à peça de Tchecov, A gaivota.

Pego no La Repubblica de oito de Dezembro e vejo um título: “Italiano quase desconhecido: estudantes quase analfabetos”. Trata-se de um trabalho jornalístico de Maurizio Crosetti que realiza um pequeno inquérito ao estado do italiano nas Universidades – Universidades, repito. E à pergunta, como nasce um analfabeto? Quando é que começa a sê-lo? Tullio di Mauro, o pai dos estudos linguísticos italianos diz: “o facilitismo dos docentes provocou danos enormes, promovendo todos e não barrando o caminho a quem não está à altura. Mas o desprezo da língua italiana está também em certos romances de novos autores, cheios de palavrões e abreviaturas, e na linguagem cada vez mais desleixada dos jornais de onde quase desapareceu a riqueza da pontuação”. Para além de um aparente conservadorismo desta posição, e não sei se o será, a questão relevante será a de que, mesmo para transgredir a norma é necessário dominar a norma e não desconhecê-la, fixando a aberração e o desleixo como regra, regra intuitiva de possibilidades de uso da língua em regressão. E a propósito diz, no mesmo artigo de jornal o linguista Gian Luigi Beccaria: “Agora é necessário alfabetizar adultos e jovens, e a culpa é de um inteiro percurso escolar que nem sempre funciona. As lacunas vêm de longe. Além disso, o uso exclusivo do telemóvel e do computador como instrumentos de comunicação não ajuda a nossa língua: o italiano está quase a regredir para dialecto. Deixando perder parte da narrativa contemporânea, onde será possível construir um tesouro de língua adequada? Lendo e relendo autores exemplares pela limpidez do estilo e clareza: penso em Primo Levi, em Calvino, mas também em Pirandello e Pavese”.

Segundo dados do Centro Europeu de Educação oito por cento dos licenciados não consegue na Itália usar a escrita convenientemente – em Portugal qual será a percentagem, será sequer possível vir a saber? Mais grave do que isso, 21 licenciados em 100 não atingem o nível mínimo de decifração de um texto. O mais longe que vão, lendo instruções de uma bula, é intuir as contra-indicações da aspirina. Mas não mais. E acrescenta o estudo: um licenciado em cinco não é capaz de resolver uma ambiguidade lexical e os cem livros que tem em casa serviram-lhe apenas para tirar o diploma.

O império do inglês de uso corrente é também sinalizado como um factor de regressão do próprio italiano. Em reacção a este quadro, diagnosticado como catastrófico – e deveria existir esta categoria para entender que as catástrofes são também culturais, e éticas, para além das naturais – em Itália proliferam agora cursos de recuperação do Italiano para toda a gente.

Que dizer destes dados aplicados ao caso português? Da minha própria experiência, ao pôr em cena uma peça numa escola superior de ensino, verifiquei que cruzes gamadas ninguém sabia o que era. Isto é, todos pensaram que eram mesmo gamadas e ninguém percebeu do que se tratava. Quando descobriram que gamadas e suásticas eram sinónimos, a peça ( de Thomas Bernhard) atraiu-os de modo arrebatador porque tudo se alterava quanto ao sentido. Enfim, é ter a besta diante e não ter os instrumentos da a perceber. Entre nós, a anedota, como uma variante do chico-espertismo nacional – dizem-na humor, nobilitando-a – virou instituição mediática, isto é, poder e verdade nacional. A fuga para frente, ou para o lado, que representa a obsessão da graçola, rasteira, trocadilho, silogismo rasca, e este frenesim que põe tudo aos saltos nos concursos televisivos de cultura geral faz a escola. O rei vai nu e ninguém o vê porque na realidade estão a pensar onde deixou o rei a roupa. Que cegueira será esta? E diz a Maria Parda a propósito da sua fome de vinho não vendo sardinhas à porta das tabernas: “Triste quem não cega em ver / nas Carnecerias Velhas/ muitas sardinhas nas grelhas/mas o demo há de beber.” Existe uma cegueira do excesso, uma incapacidade de pensar sob o impacto da babel de signos em que submergimos e que as políticas aumentam e subscrevem.

27 março 2010

O meu contentamento

«porque hoje é sábado» é uma etiqueta que uso para classificar assuntos que, muitas vezes, não se enquadram no perfil do blogue.
O perfil do blogue é um pouco o meu perfil: não gosto de entrar em polémicas (apenas em simpáticas conversas, mais ou menos acaloradas) e muito menos gosto de ofensas. Aliás, quando aparecem (felizmente, raramente) anónimos a deixarem cartas com letras recortadas na minha caixa de correio, não as publico, claro.
Também não sou uma pessoa de ódios. Não há nada a que possa aplicar a palavra «odeio». Há coisas que detesto, mas odiar tem uma carga forte de mais para o meu gosto.

Porém, o meu perfil também é o de alguém que se indigna.
E muitas são as coisas que me indignam. Procuro não falar nelas no blogue (às vezes lá sai...), porque já percebi como é fácil as pessoas ofenderem-se e insultarem-se umas às outras neste meio, ou, pelo contrário, manifestarem uma intimidade que, na realidade, não têm.
Enfim, tudo isto para dizer que me preocupou (preocupou-me, porque é de um intelectual) um post que foi publicado a propósito de uma atitude tomada por Manuel Maria Carrilho.
A 24 de Março, diz-se que Carrilho, embaixador na Unesco, «alertou o MNE para o perfil do diplomata indigitado (alguém responsável por prisões arbitrárias, policiamento de feiras do livro e outros atentados à liberdade), tendo sido autorizado a fazer-se substituir na votação pelo n.º 2 da Missão de Portugal».

A 23 de Março, sobre esta votação que (
mesmo com o voto favorável de Portugal) não elegeu Farouk Hosny como director-geral da Unesco, estava escrito assim:
«O gesto de Manuel Maria Carrilho fica bem ao cidadão, ao intelectual, ao professor, ao militante do PS e ao antigo ministro da Cultura que ele é. Mas um embaixador é um funcionário. O facto de ser um alto-funcionário não o isenta de deveres. Esgotadas as possibilidades de inverter o sentido de voto, o correcto teria sido faltar à votação, demitindo-se acto contínuo. (Como nem sequer é diplomata de carreira, o risco era zero.) E voltava para as suas aulas em Lisboa, de mãos limpas. A diplomacia não tem estados de alma.»

Para mim é não é irrelevante que Carrilho, afinal, tenha cumprido com aos seus deveres e se tenha abstido de votar. Aliás, teria preferido que tivesse estado presente e votado contra.

As leis são feitas pelos homens (como bem sabiam os Gregos), e, como diz Inês Pedrosa num expressivo texto de 22 de Agosto de 2009, «Os procedimentos são o cimento das corporações e o refúgio dos incompetentes, o paraíso terreno dos sabujos, dos cobardes e dos insensíveis (...) Ninguém, nem uma só alma, ousou ir contra os sagrados procedimentos. Foi assim que o nazismo cresceu, durou e matou: por causa do respeitinho à lei e aos senhores que mandam, um respeitinho feito de medo, egoísmo, subserviência, essa coisa puramente animal que se chama instinto de sobrevivência. Os chefes escrevem a lei, a carneirada cumpre - mé, mé, procedimento a procedimento. Quanto mais defendidos por papelinhos e instruções de cima estivermos, melhor. Se no meio dos procedimentos alguém tiver que sofrer, a culpa não é nossa. Nós não temos o poder. Nós só obedecemos, sem questionar. »

Fico contente por os militares do 25 de Abril não se terem demitido (os de carreira), nem desertado (os outros), nem cumprido ordens.
Fico contente porque na Praça do Comércio um alferes miliciano desobedeceu ao seu brigadeiro e não disparou contra Salgueiro Maia.

Fico contente por ter havido quem tenha prestado atenção aos seus estados de alma.

26 março 2010

Na Universidade do Minho, em Braga...

..., fez ontem uma semana, dei uma conferência sobre literatura e arte.
Fui muito bem recebida pelas minha colegas Virgínia Soares Pereira e Ana Lúcia Curado, bem como pelos que assistiram ao evento (na maioria, alunos da licenciatura em Estudos Portugueses e Lusófonos). Espero que tenha sido uma tarde frutuosa para todos.

Falar desta palestra fez-me lembrar um prazer que tenho: gosto de encontrar títulos e de estabelecer relações entre eles e os (eventuais, mas muito frequentes) subtítulos.
Umas vezes o subtítulo acontece porque o título foi enviado numa fase incipiente do artigo e houve necessidade, posteriormente, de o explicitar. Outras, porque o subtítulo joga com o título,
enriquecendo-o.

Muitos tradutores de Platão apresentam subtítulos que desvendam o assunto principal do diálogo, como Fedro (ou da Beleza), Fédon (ou Acerca da Alma).
Não sei se influenciada por essa forma comum de referir obras, dei por mim a pensar que tenho esse hábito.

Umas vezes é o título que precisa do subtítulo para dizer exactamente de que estamos a falar:

«"Não tirem a luz nem a vista" - O respeito pelo espaço dos outros» (2008)
ou
«Quem sai aos seus (não) degenera: estructuras sintácticas de la Antigüedad greco-latina en proverbios portugueses» (2007)

Outras vezes é o subtítulo que suaviza título, dando-lhe um toque de humor, não deixando de ser esclarecedor:

«Ambiguidade no Eutidemo de Platão ou As passas do Algarve de um tradutor» (2007)

ou este, que apresentei no Minho, a 18 de Março:

«Gregos Antigos na Literatura e Arte Contemporâneas ou Onde estão as chaves?»

10 março 2010

As modas nas Bibliografias


De há uns tempos para cá, as modas nas indicações bibliográficas dizem-nos para não indicarmos o nome da editora. Não compreendendo o porquê, procurei saber o que diziam as modas internacionais, até porque, muitas vezes, o que aqui chega vem de fora.
Encontrei umas linhas de orientação para fazer bibliografias (ver o fim deste post), usando o estilo MLA (Modern Languages Association), em que se diz que apenas não se indica o editor no caso das enciclopédias, revistas e dos jornais (marquei a vermelho a alínea respectiva).

Penso que a editora continua a ser uma referência importante.

Por exemplo, imaginemos que no mesmo ano se editou em Portugal, em duas editoras diferentes de Lisboa (o local mantém-se nas bibliografias) duas traduções do mesmo texto, como identificar uma e outra?

Já nem vou dar exemplos de textos clássicos, para os quais a editora é uma marca fundamental na sua apreciação (mesmo internacionalmente) qualitativa. Seriam inúmeros. Tomemos um livro cujos direitos estão no domínio público, como O Príncipe, de Maquiavel.
Numa busca não muito demorada, encontrei-o em 4 editoras de Lisboa (a vantagem da Europa-América é que é de Mem-Martins e assim nunca nos enganamos), duas delas de 2008.
Portanto, se eu indicasse: Maquiavel (2008), O Príncipe. Lisboa, a que edição me referia? À da Presença? Ou à da Temas e Debates? Não consigo ver qual a vantagem de não indicar a editora.

Mais facilmente prescindiria do local de edição.

Definitivamente, não gosto desta moda.

(Outras editoras de Lisboa com esta obra: Sílabo, 2007 e Coisas de Ler, 2003)

4. PUBLISHER - for Books Only

a) Be sure you write down the Publisher, NOT the Printer.

b) If a book has more than one publisher, not one publisher with multiple places of publication, list the publishers in the order given each with its corresponding year of publication, e.g.:

Conrad, Joseph. Lord Jim. 1920. New York: Doubleday; New York: Signet, 1981.

c) Shorten the Publisher's name, e.g. use Macmillan, not Macmillan Publishing Co., Inc. Omit articles A, An, and The, skip descriptions such as Press, Publishers, etc. See Section 7.5 in the 6th ed. of the MLA Handbook for more details and examples.

d) No need to indicate Publisher for encyclopedias, magazines, journals, and newspapers.

e) If you cannot find the name of the publisher anywhere in the book, use "n.p." to indicate there is no publisher listed.

22 fevereiro 2010

Madeira - Luto Nacional

(imagem tirada do blogue do meu amigo xiclista)

Vivi na Madeira quatro anos e alguns meses, entre 1991 e 1995.
Não foram anos fáceis, mas foram muito intensos e cheios de emoção, marcantes na minha vida.
Fiz lá amigos que mantenho até hoje.
Sinto profundamente este luto nacional.

(Adenda: ver no blogue da Gi informações úteis para actos de solidariedade.)

20 fevereiro 2010

Sábado cheio! Ele é Tavira, ele é Faro, ele é Olhão, ele é Lagoa...

Este sábado há muita actividade pelo sul. Há sempre, aliás.
De manhã, o módulo II do workshop de Temas de História de Arte do século XX, com Delfim Sardo, desta vez em Tavira.
À tarde, é sair a correr daquela actividade para ir ao Pátio de Letras (uma das cinco melhores livrarias portuguesas de 2009, segundo a revista Os Meus Livros), para assistir às comemorações dos 50 anos da morte de Camus.
Depois, é fugir de Olhão, pois estará a começar o jogo Olhanense-Sporting e não vou poder estacionar o carro onde quero.
Se houvesse energia, seguir-se-ia acompanhar as amigas fãs do Fernando e da Sónia e o destino seria Lagoa, onde os Amália Hoje vão actuar.
Ufa!

12 fevereiro 2010

Bancos e banqueiros na Grécia Antiga

(imagem daqui)
O post sobre políticos profissionais valeu-me a seguinte pergunta, por parte de um amigo: «o autor do texto que citaste fala em banqueiros. Pensei que só existisse essa profissão (depósitos, empréstimos) desde a Idade Média. Havia também na Grécia?»

Dizem Michel Austin e Pierre Vidal-Naquet, no livro Economia e Sociedade na Grécia Antiga (tradução portuguesa nas Edições 70, em 1986, do original francês de 1972), p.67:

A que corresponde então a invenção da moeda? Têm-se feito intervir diversas considerações (além do fenómeno geral de normalização da vida social): desenvolvimento do papel fiscal do Estado (multas, impostos), financiamento de exércitos de mercenários (…). Na história das cidades gregas, a moeda será antes de mais um emblema cívico. Cunhar moedas com as armas da cidade é proclamar orgulhosamente a sua independência.

E os banqueiros? O Oxford Companion to Classical Civilization (do maravilhoso Simon Hornblower e de Antony Spawforth), publicado pela Oxford University Press (a minha edição é de 1998) dá muita informação. Foi lá que colhi estes dados. Na entrada «banks», explica que os templos serviam alguns dos propósitos que hoje os bancos servem: guardavam o dinheiro das pessoas e emprestavam a quem precisava, com a diferença de não tocarem no que estava à sua guarda e o que disponibilizavam provinha do seu próprio tesouro (como o templo de Apolo, em Delos). Havia ainda particulares que emprestavam, sem ou com juros (por vezes, usurariamente, grandes juros sobre pequenas somas). E também eram necessários cambistas, visto que cada cidade tinha a sua moeda e era necessário trocar. Ainda hoje «banco» em grego diz-se τράπεζα e «trápeza» queria (e quer) dizer «mesa».

Para termos uma ideia da actividade, conhecem-se cerca de vinte nomes de banqueiros na Atenas do séc. IV a.C.

Alguns destes homens não eram atenienses, tal como muita da sua clientela, composta principalmente por comerciantes, visitantes, ou cidadãos que poderiam estar a precisar urgentemente de muito dinheiro. Serviam, frequentemente, de testemunhas e de fiadores.

Ah, claro, e não há dúvida de que eram muito, muito ricos…

(imagem daqui)

08 fevereiro 2010

Na Ágora, há 10 anos...


Ágora. Estudos Clássicos em Debate, a revista de Estudos Clássicos da Universidade de Aveiro, está disponível online e aqui pode ser lida uma recensão, de 2000 (já tem 10 anos! Credo!), sobre o meu primeiro Hércules.

07 fevereiro 2010

Uma questão de pronúncia...

(imagem daqui)

Resposta do Aluno X:
«Jesus Menino entre os homens da lei»
Resposta do Aluno Y (colega do lado):
«Jesus a falar com os homens de lá

30 janeiro 2010

Políticos profissionais

Não sei porque me lembrei deste texto.
Talvez porque hoje seja sábado.

(...) dificuldades económicas e (...) conflitos sociais; tanto no campo como na zona urbana, passa a existir uma população miserável mais interessada na procura do sustento quotidiano do que nos destinos da democracia.


Daí que o século IV se caracterize por demissão política do demos que perde interesse em participar na condução dos negócios da pólis - desinteresse que já começa a aparecer no decorrer da Guerra do Peloponeso. As sessões da Assembleia têm cada vez menos elementos e há dificuldade em perfazer o quórum. Ainda se tenta incentivar, como vimos, a participação com a distribuição de um salário aos presentes na Ecclesia - o misthos ecclesiasticos -, mas em grande resultado.

Se na primeira metade do século IV o demos ainda manifesta empenho, quando se tratava de decidir sobre uma guerra que a seus olhos possa ser frutuosa, na segunda metade já nem isso desperta o seu interesse. Essa apatia está bem visível na luta contra Filipe da Macedónia e nos apelos angustiados de Demóstenes.

A pólis grega caminhava para o fim.

Como resultado da demissão do demos, aparece com uma insistência cada vez maior a profissionalização e a especialização de funções.

Homens saídos da classe endinheirada - banqueiros, industriais, comerciantes - que não precisam dedicar-se a uma actividade manual e recebem consideráveis rendimentos dos seus negócios, tornam-se verdadeiros profissionais da «política». Com meios de fortuna, adquirem junto de «professores» de retórica a arte de falar e de convencer que lhes permite atrair a multidão e manobrar a Assembleia.

José Ribeiro Ferreira, A Democracia na Grécia Antiga, publicado pela Minerva, em Coimbra, em 1990. Pp. 161-162.

28 janeiro 2010

Ecce Homo

Os resultados dos testes da disciplina de Matrizes Culturais Europeias costumam ser menos maus do que os dos exames (que serão para a semana), o que me dá alguma satisfação, pois faz-me pensar que o facto de irem às aulas ainda lhes traz benefícios e faz alguma diferença. Mas a sensação de falhar aparece quando encontro algumas...
... imprecisões...
... na identificação das imagens das culturas greco-latina e judaico-cristã, por exemplo...

(imagem daqui)

Uma imagem representando um Ecce Homo foi identificada assim:


«Paixão de Cristo. Jesus com a coroa de louros e cheio de sangue (ferimentos)»