27 maio 2010
AVE CAESAR... OU LÁ QUEM SEJAS!
25 maio 2010
No Ermitage
Começo com uma breve divagação sobre o nome do museu.
No livro oficial lá do sítio, na indicada como «nova» versão em português (de 2008), o nome é assim justificado:
Tenho de investigar se há alguma opinião oficial sobre o assunto. Até indicação em contrário, escreverei sem «H».
Deixo aqui umas notas e um exercício sobre Antonio Canova e as suas estátuas de Eros (ou Cupido) a beijar Psique.
No Ermitage está esta estátua (foto que tirei com toda a legalidade: paguei 200 rublos para poder usar a máquina no museu):
E no Louvre está esta:
Deixo-vos esse prazer.
14 maio 2010
Se não fosse a Rússia...
O novo livro, esse, sai hoje, e espero que mo ofereçam pelos anos!
10 maio 2010
Leda e o cisne e os seus gémeos verdadeiros e falsos
O meu amigo Zé Bandeira foi desenganado pela sua augusta Mãe, quando lhe perguntou se ela e o tio poderiam ser gémeos verdadeiros.
Meu querido Zé,
Tu, um amante da antiguidade clássica, sabendo que Helena era gémea de Pólux e que Clitmnestra gémea de Castor (na imagem vêem-se bem os bebés a sair dos ovos), e sendo cada par de gémeos verdadeiros (os primeiros, fruto de um óvulo fecundado por Zeus e os segundos de outro fecundado por Tíndaro) gémeos falsos dos outros, extrapolaste para a tua realidade.
É simples!
Beijinhos
P.S. Há versões em que, apesar de Helena e Pólux serem os filhos de Zeus, foram chocados em ovos separados: as meninas num ovo e os meninos noutro, sendo cada um de fecundação dupla, divina e humana. Mas penso que esta versão não interessa para a tua argumentação...
28 abril 2010
Hoje, Faro: Pepetela - Doutor honoris causa
Hoje, às 16h, no Grande Auditório do Campus de Gambelas (UAlg), realiza-se a cerimónia de atribuição do grau de doutor honoris causa a Pepetela.
A entrada é livre.
27 abril 2010
Tertúlias Pré-socráticas, em Coimbra
A sexta sessão do ciclo de Tertúlias Pré-Socráticas, dedicada a Pitágoras & Os Pitagóricos, realizar-se-á no dia 28 de Abril, quarta-feira, às 18:00, no TAGV, e contará com a presença de José Pedro Serra, da Universidade de Lisboa.
26 abril 2010
sobre a amizade
Ora bem: se tu usaste esta palavra não no seu verdadeiro sentido mas antes em sentido genérico, e lhe chamaste "amigo" tal como a todos os candidatos nós chamamos "respeitáveis cidadãos", ou como às pessoas que encontramos e cujo nome não nos ocorre, cumprimentamos como "senhor fulano" ainda é aceitável; se consideras, porém, "amigo" alguém em quem não confias tanto como em ti próprio, então cometes um erro grave e mostras não conhecer bem o significado da verdadeira amizade.
Delibera em comum com o teu amigo mas começa por formular sobre ele um juízo correcto: após o início da amizade, há que ter confiança. Antes, sim, é que se deve ajuizar. Confundem as obrigações inerentes a este princípio aqueles que, ao contrário dos ensinamentos de Teofrasto, formulam juízos depois de iniciada a amizade, e não estabelecem relações de amizade depois de formularem juízos. Pensa longamente se alguém é digno de que o incluas no número dos teus amigos; quando decidires incluí-lo, então recebe-o de coração aberto e fala com ele com tanto à vontade como contigo próprio.
23 abril 2010
Na capital
Pois bem, é hoje, no momento mais inoportuno, que o actualizo.
Estou na Universidade Nova de Lisboa, onde está a decorrer o Congresso Internacional Representações da República. No meio de tantas palestras, ainda há espaço para os nossos clássicos e para o meu Tucídides.
Apareçam, que têm muito por onde escolher!
02 abril 2010
Que lindo, o Latim!
«o nominativo sabe quem é quando ajudado pelo genitivo».
Depois explico o que tudo isto quer dizer, todos vão compreender e ver como é bonito e vão concordar que o português também é preguiçoso, porque só deixou casos nos pronomes pessoais.
Vá lá... não me acordem!
31 março 2010
Malvado do Aristóteles!
Diz-se cada coisa sobre ele.
Num exame, comentando este excerto (Poética, 1453b26):
escreveu-me um aluno:
29 março 2010
Não há maiores cegos do que aqueles que não querem ver
Grave, grave, grave.
Para lermos com muita atenção, pois não se passa só em Itália.
Texto (está no blogue e no facebook) de Fernando Mora Ramos, encenador do Teatro da Rainha:
Porque é que não tenho aulas de Português?
27 março 2010
O meu contentamento
O perfil do blogue é um pouco o meu perfil: não gosto de entrar em polémicas (apenas em simpáticas conversas, mais ou menos acaloradas) e muito menos gosto de ofensas. Aliás, quando aparecem (felizmente, raramente) anónimos a deixarem cartas com letras recortadas na minha caixa de correio, não as publico, claro.
Também não sou uma pessoa de ódios. Não há nada a que possa aplicar a palavra «odeio». Há coisas que detesto, mas odiar tem uma carga forte de mais para o meu gosto.
Porém, o meu perfil também é o de alguém que se indigna. E muitas são as coisas que me indignam. Procuro não falar nelas no blogue (às vezes lá sai...), porque já percebi como é fácil as pessoas ofenderem-se e insultarem-se umas às outras neste meio, ou, pelo contrário, manifestarem uma intimidade que, na realidade, não têm.
Enfim, tudo isto para dizer que me preocupou (preocupou-me, porque é de um intelectual) um post que foi publicado a propósito de uma atitude tomada por Manuel Maria Carrilho.
A 24 de Março, diz-se que Carrilho, embaixador na Unesco, «alertou o MNE para o perfil do diplomata indigitado (alguém responsável por prisões arbitrárias, policiamento de feiras do livro e outros atentados à liberdade), tendo sido autorizado a fazer-se substituir na votação pelo n.º 2 da Missão de Portugal».
A 23 de Março, sobre esta votação que (mesmo com o voto favorável de Portugal) não elegeu Farouk Hosny como director-geral da Unesco, estava escrito assim:
«O gesto de Manuel Maria Carrilho fica bem ao cidadão, ao intelectual, ao professor, ao militante do PS e ao antigo ministro da Cultura que ele é. Mas um embaixador é um funcionário. O facto de ser um alto-funcionário não o isenta de deveres. Esgotadas as possibilidades de inverter o sentido de voto, o correcto teria sido faltar à votação, demitindo-se acto contínuo. (Como nem sequer é diplomata de carreira, o risco era zero.) E voltava para as suas aulas em Lisboa, de mãos limpas. A diplomacia não tem estados de alma.»
Para mim é não é irrelevante que Carrilho, afinal, tenha cumprido com aos seus deveres e se tenha abstido de votar. Aliás, teria preferido que tivesse estado presente e votado contra.
As leis são feitas pelos homens (como bem sabiam os Gregos), e, como diz Inês Pedrosa num expressivo texto de 22 de Agosto de 2009, «Os procedimentos são o cimento das corporações e o refúgio dos incompetentes, o paraíso terreno dos sabujos, dos cobardes e dos insensíveis (...) Ninguém, nem uma só alma, ousou ir contra os sagrados procedimentos. Foi assim que o nazismo cresceu, durou e matou: por causa do respeitinho à lei e aos senhores que mandam, um respeitinho feito de medo, egoísmo, subserviência, essa coisa puramente animal que se chama instinto de sobrevivência. Os chefes escrevem a lei, a carneirada cumpre - mé, mé, procedimento a procedimento. Quanto mais defendidos por papelinhos e instruções de cima estivermos, melhor. Se no meio dos procedimentos alguém tiver que sofrer, a culpa não é nossa. Nós não temos o poder. Nós só obedecemos, sem questionar. »
Fico contente por os militares do 25 de Abril não se terem demitido (os de carreira), nem desertado (os outros), nem cumprido ordens.
Fico contente porque na Praça do Comércio um alferes miliciano desobedeceu ao seu brigadeiro e não disparou contra Salgueiro Maia.
Fico contente por ter havido quem tenha prestado atenção aos seus estados de alma.
26 março 2010
Na Universidade do Minho, em Braga...
Fui muito bem recebida pelas minha colegas Virgínia Soares Pereira e Ana Lúcia Curado, bem como pelos que assistiram ao evento (na maioria, alunos da licenciatura em Estudos Portugueses e Lusófonos). Espero que tenha sido uma tarde frutuosa para todos.
Falar desta palestra fez-me lembrar um prazer que tenho: gosto de encontrar títulos e de estabelecer relações entre eles e os (eventuais, mas muito frequentes) subtítulos.
Umas vezes o subtítulo acontece porque o título foi enviado numa fase incipiente do artigo e houve necessidade, posteriormente, de o explicitar. Outras, porque o subtítulo joga com o título, enriquecendo-o.
Muitos tradutores de Platão apresentam subtítulos que desvendam o assunto principal do diálogo, como Fedro (ou da Beleza), Fédon (ou Acerca da Alma).
Não sei se influenciada por essa forma comum de referir obras, dei por mim a pensar que tenho esse hábito.
Umas vezes é o título que precisa do subtítulo para dizer exactamente de que estamos a falar:
«"Não tirem a luz nem a vista" - O respeito pelo espaço dos outros» (2008)
ou
«Quem sai aos seus (não) degenera: estructuras sintácticas de la Antigüedad greco-latina en proverbios portugueses» (2007)
Outras vezes é o subtítulo que suaviza título, dando-lhe um toque de humor, não deixando de ser esclarecedor:
«Ambiguidade no Eutidemo de Platão ou As passas do Algarve de um tradutor» (2007)
ou este, que apresentei no Minho, a 18 de Março:
«Gregos Antigos na Literatura e Arte Contemporâneas ou Onde estão as chaves?»
10 março 2010
As modas nas Bibliografias

Encontrei umas linhas de orientação para fazer bibliografias (ver o fim deste post), usando o estilo MLA (Modern Languages Association), em que se diz que apenas não se indica o editor no caso das enciclopédias, revistas e dos jornais (marquei a vermelho a alínea respectiva).
Penso que a editora continua a ser uma referência importante.
Por exemplo, imaginemos que no mesmo ano se editou em Portugal, em duas editoras diferentes de Lisboa (o local mantém-se nas bibliografias) duas traduções do mesmo texto, como identificar uma e outra?
Já nem vou dar exemplos de textos clássicos, para os quais a editora é uma marca fundamental na sua apreciação (mesmo internacionalmente) qualitativa. Seriam inúmeros. Tomemos um livro cujos direitos estão no domínio público, como O Príncipe, de Maquiavel.
Numa busca não muito demorada, encontrei-o em 4 editoras de Lisboa (a vantagem da Europa-América é que é de Mem-Martins e assim nunca nos enganamos), duas delas de 2008. Portanto, se eu indicasse: Maquiavel (2008), O Príncipe. Lisboa, a que edição me referia? À da Presença? Ou à da Temas e Debates? Não consigo ver qual a vantagem de não indicar a editora.
Mais facilmente prescindiria do local de edição.
Definitivamente, não gosto desta moda.
(Outras editoras de Lisboa com esta obra: Sílabo, 2007 e Coisas de Ler, 2003)
4. PUBLISHER - for Books Only
a) Be sure you write down the Publisher, NOT the Printer.
b) If a book has more than one publisher, not one publisher with multiple places of publication, list the publishers in the order given each with its corresponding year of publication, e.g.:
Conrad, Joseph. Lord Jim. 1920. New York: Doubleday; New York: Signet, 1981.
c) Shorten the Publisher's name, e.g. use Macmillan, not Macmillan Publishing Co., Inc. Omit articles A, An, and The, skip descriptions such as Press, Publishers, etc. See Section 7.5 in the 6th ed. of the MLA Handbook for more details and examples.
d) No need to indicate Publisher for encyclopedias, magazines, journals, and newspapers.
e) If you cannot find the name of the publisher anywhere in the book, use "n.p." to indicate there is no publisher listed.
22 fevereiro 2010
Madeira - Luto Nacional
Não foram anos fáceis, mas foram muito intensos e cheios de emoção, marcantes na minha vida.
Fiz lá amigos que mantenho até hoje.
(Adenda: ver no blogue da Gi informações úteis para actos de solidariedade.)
20 fevereiro 2010
Sábado cheio! Ele é Tavira, ele é Faro, ele é Olhão, ele é Lagoa...
De manhã, o módulo II do workshop de Temas de História de Arte do século XX, com Delfim Sardo, desta vez em Tavira.
À tarde, é sair a correr daquela actividade para ir ao Pátio de Letras (uma das cinco melhores livrarias portuguesas de 2009, segundo a revista Os Meus Livros), para assistir às comemorações dos 50 anos da morte de Camus.
Ufa!
12 fevereiro 2010
Bancos e banqueiros na Grécia Antiga
(imagem daqui)Dizem Michel Austin e Pierre Vidal-Naquet, no livro Economia e Sociedade na Grécia Antiga (tradução portuguesa nas Edições 70, em 1986, do original francês de 1972), p.67:
A que corresponde então a invenção da moeda? Têm-se feito intervir diversas considerações (além do fenómeno geral de normalização da vida social): desenvolvimento do papel fiscal do Estado (multas, impostos), financiamento de exércitos de mercenários (…). Na história das cidades gregas, a moeda será antes de mais um emblema cívico. Cunhar moedas com as armas da cidade é proclamar orgulhosamente a sua independência.
E os banqueiros? O Oxford Companion to Classical Civilization (do maravilhoso Simon Hornblower e de Antony Spawforth), publicado pela Oxford University Press (a minha edição é de 1998) dá muita informação. Foi lá que colhi estes dados. Na entrada «banks», explica que os templos serviam alguns dos propósitos que hoje os bancos servem: guardavam o dinheiro das pessoas e emprestavam a quem precisava, com a diferença de não tocarem no que estava à sua guarda e o que disponibilizavam provinha do seu próprio tesouro (como o templo de Apolo, em Delos). Havia ainda particulares que emprestavam, sem ou com juros (por vezes, usurariamente, grandes juros sobre pequenas somas). E também eram necessários cambistas, visto que cada cidade tinha a sua moeda e era necessário trocar. Ainda hoje «banco» em grego diz-se τράπεζα e «trápeza» queria (e quer) dizer «mesa».
Para termos uma ideia da actividade, conhecem-se cerca de vinte nomes de banqueiros na Atenas do séc. IV a.C.
Alguns destes homens não eram atenienses, tal como muita da sua clientela, composta principalmente por comerciantes, visitantes, ou cidadãos que poderiam estar a precisar urgentemente de muito dinheiro. Serviam, frequentemente, de testemunhas e de fiadores.
Ah, claro, e não há dúvida de que eram muito, muito ricos…
(imagem daqui)
08 fevereiro 2010
Na Ágora, há 10 anos...

Ágora. Estudos Clássicos em Debate, a revista de Estudos Clássicos da Universidade de Aveiro, está disponível online e aqui pode ser lida uma recensão, de 2000 (já tem 10 anos! Credo!), sobre o meu primeiro Hércules.
07 fevereiro 2010
Uma questão de pronúncia...
(imagem daqui)«Jesus Menino entre os homens da lei»
Resposta do Aluno Y (colega do lado):
«Jesus a falar com os homens de lá.»




