15 junho 2010

Colóquio Justiça na Antiguidade

Ainda não tive tempo para comentar as duas últimas actividades em que estive envolvida: a Opera in Fieri e a apresentação do livro do António Manuel Venda.

E ainda não é desta, pois amanhã e depois estarei no Colóquio «Justiça na Antiguidade».

Durante dois dias, na sala Multiusos 2 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, um pequeno grupo irá debater este assunto, dias 16 e 17.
A organização é do Centro de História da Cultura, através do grupo de Estudos da Antiguidade.

Do programa constam estas palestras:

José das Candeias Sales (CHUL/Univ. Aberta): O caso Paneb. Entre a frustração e o senso de justiça.

Francisco Caramelo (CHAM/FCSH/UNL): “Conselho a um príncipe”: o poder real e o paradigma da justiça na Mesopotâmia.

Augusto Ramos (CHUL/FLUL): Universos da justiça, no horizonte bíblico.

Armindo Vaz (Universidade Católica): A justiça na Bíblia hebraica.

Delfim Leão (CECHUC/FLUC): Fontes para o estudo do Direito ático.

Adriana Nogueira (CECHUC/Univ. do Algarve): Justiça, Lei e Poder na História da Guerra do Peloponeso.

Leonor Santa Bárbara e Luís Manuel Bernardo (CHC/FCSH/UNL): A justiça na doutrina epicurista.

Maria do Rosário Laureano Santos (CHC/FCSH/UNL): Aspectos culturais da concepção de justiça na Roma antiga.

António Moniz (CHC/FCSH/UNL): A Justiça ciceroniana.

Nuno Simões Rodrigues (CECHUC/CHUL/FLUL): Fabulæ et iustitia. Mitologia e justiça na arena romana.

P.S. - Ah, sim, mudei o aspecto do blogue. O senhor Blogger perguntou-me se eu queria experimentar os novos modelos e eu aceitei, escolhendo este. Sempre se varia...

11 junho 2010

Amanhã: o sorriso enigmático do javali...

Sábado, às 16.30, no Longevity Wellness Resort Monchique, nas Caldas de Monchique, vou apresentar o último livro do António Manuel Venda, O Sorriso Enigmático do Javali.
aqui disse que sou fã deste escritor e aceitei o convite que me faz como uma honra.
Quem estiver disponível, apareça, que o autor dará autógrafos. Quanto à minha apresentação, será bem menos interessante do que os momentos de prazer que a leitura vos trará, mas é sempre agradável ver uma sala cheia.
Até amanhã!

10 junho 2010

Opera in fieri - Universidade de Coimbra

(Imagem de Tucídides, filho de Oloro, tirada daqui)

Hoje vou para Coimbra para amanhã poder participar nesta actividade.

Depois de Tucídides ser acusado de revisionista e da sua imagem ter sido desfeita, revelando «the almost perverse fascination of scholars with fallen idols», como diz M. T. Clark, na sua tese de doutoramento de 1991, o renovado interesse em Tucídides anda à volta de tentar «to comprehend just what it was that Thucydides was doing if he was not writing history - at least history as we know it», afirma o mesmo autor.
Acho que sim.
«História e ficção em Paul Ricoeur e em Tucídides», de Martinho Soares, vai ser, sem dúvida, interessante.

08 junho 2010

A culpa...

(imagem daqui)

Quando um determinado indivíduo, no pentatlo, atingiu involuntariamente com um dardo Epítimo de Farsália e o matou, [Péricles] passou o dia inteiro a discutir com Protágoras se, segundo o juízo mais correcto, se deviam considerar como culpados do funesto acontecimento o dardo, o lançador do dardo ou os organizadores dos jogos.

Plutarco, Péricles, 36 - DK80 A10
Edição de Sofistas, Testemunhos e Fragmentos, INCM, 2005.

05 junho 2010

03 junho 2010

The Master of Petersburg: o que é ser leitor


(imagem daqui)

A ida a S. Petersburgo levou-me a comprar este livro do J.M. Coetzee, para que me acompanhasse na viagem. Deambular pela cidade deu-me um pouco a sensação de conhecer melhor as personagens, já que percorríamos as mesmas ruas.


Há um passo em que Dostoievski discute com Maximov, o responsável pela investigação policial, acerca do seu entendimento do que é ser leitor e o que é a leitura. Como não tenho o livro em português, deixo na versão original:

Diz Dostoievski:


«All the time you were reading my son's story - let me say this - I noticed how you were holding yourself at a distance, erecting a barrier of ridicule, as though the words might leap out from the page and strangle you.»

Something has began to take fire within him while he has been speaking, and he welcomes it. He leans forward, gripping the arms of the chair.

«What is it that frightens you, Councillor Maximov? When you read about Karamazin or Karamazov or whatever his name is, when Karamazin's skull is cracked open like an egg, what is the truth: do you suffer with him, or do you secretly exult behind the arm that swings the axe? You don't answer?
Let me tell you then: reading is being the arm and being the axe and being the skull; reading is giving yourself up, not holding yourself at a distance and jeering.»


(desta edição, pp. 46-47)

01 junho 2010

KAL. IVN.

Sendo hoje 1 de Junho e celebrando-se nas Calendas de Junho o Dia Internacional da Criança, aqui fica um mosaico romano comemorativo deste mês, do séc. III d.C.
Agradeço a quem me quiser traduzir a placa do Ermitage:

27 maio 2010

AVE CAESAR... OU LÁ QUEM SEJAS!

Esta fotografia foi tirada para a Gi:

Com texto a acompanhar: no séc. XVI alguém copia os romanos e na restauração do séc. XVII dá-se uma «plástica» completa!


25 maio 2010

No Ermitage

Na viagem que fiz à Rússia (a São Petersburgo, mais precisamente), aproveitei para ver os clássicos representados na arte (e para ver muita outra arte, claro, que não a dos clássicos, mas essa teria de ficar para outro blogue que eu não tenho).

Começo com uma breve divagação sobre o nome do museu.
No livro oficial lá do sítio, na indicada como «nova» versão em português (de 2008), o nome é assim justificado:


O nome francês do nosso museu "Ermitage" significa "lugar de recolhimento, eremitério". Os tempos quando ele era um museu privado e servia de retiro à Corte já ficaram no longínquo passado.

Portanto, parece-me que Ermitage deverá ser o nome na nossa língua, visto que é, assumidamente, um nome francês e não tem nenhuma letra aspirada no seu início (Эрмитаж).
No entanto, vejo frequentemente escrito Hermitage. O DN refere-o como Ermitage e o Diário Digital, sobre o mesmo assunto, escreve Hermitage.
Tenho de investigar se há alguma opinião oficial sobre o assunto. Até indicação em contrário, escreverei sem «H».

Deixo aqui umas notas e um exercício sobre Antonio Canova e as suas estátuas de Eros (ou Cupido) a beijar Psique.
No Ermitage está esta estátua (foto que tirei com toda a legalidade: paguei 200 rublos para poder usar a máquina no museu):



E no Louvre está esta:

(Infelizmente a foto não é minha. É daqui)

É curioso como nalguns sites vejo uma a ser indicada como a outra. No entanto, as diferenças não são difíceis de detectar.
Deixo-vos esse prazer.

14 maio 2010

Se não fosse a Rússia...

... e o facto de eu estar lá, amanhã, dia 15, não faltaria à sessão de autógrafos de Uma Noite com o Fogo e da nova, novinha, novíssima, obra de António Manuel Venda (de cujos livros sou fã), na Feira do Livro de Lisboa, entre as 16.30h e as 18h, no stand da Quetzal.
O novo livro, esse, sai hoje, e espero que mo ofereçam pelos anos!

10 maio 2010

Leda e o cisne e os seus gémeos verdadeiros e falsos

(Leda e o Cisne, de Cesare da Sesto, recuperando Da Vinci. Ver aqui)

O meu amigo Zé Bandeira foi desenganado pela sua augusta Mãe, quando lhe perguntou se ela e o tio poderiam ser gémeos verdadeiros.

Meu querido Zé,
A tua ideia não é assim tão destrambelhada, pois já sei de onde te veio: de Leda e o cisne!
Tu, um amante da antiguidade clássica, sabendo que Helena era gémea de Pólux e que Clitmnestra gémea de Castor (na imagem vêem-se bem os bebés a sair dos ovos), e sendo cada par de gémeos verdadeiros (os primeiros, fruto de um óvulo fecundado por Zeus e os segundos de outro fecundado por Tíndaro) gémeos falsos dos outros, extrapolaste para a tua realidade.

É simples!
Beijinhos

P.S. Há versões em que, apesar de Helena e Pólux serem os filhos de Zeus, foram chocados em ovos separados: as meninas num ovo e os meninos noutro, sendo cada um de fecundação dupla, divina e humana. Mas penso que esta versão não interessa para a tua argumentação...

28 abril 2010

27 abril 2010

Tertúlias Pré-socráticas, em Coimbra

Recebi este pedido de divulgação, a que acedo, com muito gosto.


A sexta sessão do ciclo de Tertúlias Pré-Socráticas, dedicada a Pitágoras & Os Pitagóricos, realizar-se-á no dia 28 de Abril, quarta-feira, às 18:00, no TAGV, e contará com a presença de José Pedro Serra, da Universidade de Lisboa.
Pitágoras é um nome de todos familiar, pelo teorema que lhe é atribuído. Efectivamente, os números desempenham um papel importante em toda a sua filosofia, em que insiste na ordem e proporção do cosmos, realidade que exprimia com o conceito, bem conhecido, de música das esferas. É também um dos principais introdutores no Ocidente da ideia da reencarnação e do vegetarianismo. Contudo, a sua figura permanece envolta em mistério e lendas, à falta de informações fidedignas. O certo é que as suas doutrinas (ou dos seus seguidores) tiveram um impacto formidável no curso da filosofia grega, tendo influenciado de forma decisiva não apenas outros tantos pré-socráticos, como essa figura maior do pensamento ocidental: Platão.

26 abril 2010

sobre a amizade

A Natya pediu-me parte da carta 3 (Cartas a Lucílio, de Séneca. Uso a tradução de J. A. Segurado Campos, da Gulbenkian) e ela aqui vai:

Dizes-me que entregaste a carta a um amigo teu, para me trazer, mas em seguida aconselhas-me a não trocar impressões com ele sobre quanto te diz respeito, pois nem tu próprio o costumas fazer. Quer dizer, na mesma carta deste-lhe e recusaste-lhe o título de "amigo".
Ora bem: se tu usaste esta palavra não no seu verdadeiro sentido mas antes em sentido genérico, e lhe chamaste "amigo" tal como a todos os candidatos nós chamamos "respeitáveis cidadãos", ou como às pessoas que encontramos e cujo nome não nos ocorre, cumprimentamos como "senhor fulano" ainda é aceitável; se consideras, porém, "amigo" alguém em quem não confias tanto como em ti próprio, então cometes um erro grave e mostras não conhecer bem o significado da verdadeira amizade.
Delibera em comum com o teu amigo mas começa por formular sobre ele um juízo correcto: após o início da amizade, há que ter confiança. Antes, sim, é que se deve ajuizar. Confundem as obrigações inerentes a este princípio aqueles que, ao contrário dos ensinamentos de Teofrasto, formulam juízos depois de iniciada a amizade, e não estabelecem relações de amizade depois de formularem juízos. Pensa longamente se alguém é digno de que o incluas no número dos teus amigos; quando decidires incluí-lo, então recebe-o de coração aberto e fala com ele com tanto à vontade como contigo próprio.

23 abril 2010

Na capital

Hoje é por isto, amanhã é por aquilo, e mais um vez este pobre blogue esteve parado umas 3 semanas.
Pois bem, é hoje, no momento mais inoportuno, que o actualizo.
Estou na Universidade Nova de Lisboa, onde está a decorrer o Congresso Internacional Representações da República. No meio de tantas palestras, ainda há espaço para os nossos clássicos e para o meu Tucídides.
Apareçam, que têm muito por onde escolher!

02 abril 2010

Que lindo, o Latim!

Erri de Luca, um magnífico escritor em italiano, escreveu, no seu romance O dia antes da felicidade (Bertrand, 2009), p.54:

Divertia-me o latim, língua inventada por algum enigmatista. Traduzi-lo era buscar a solução. Não gostava do caso acusativo, tinha um nome feio. O dativo era bonito, o vocativo teatral, essencial o ablativo. O italiano era preguiçoso pois renunciava aos casos.

Hei-de começar por aqui, num próximo curso de Latim, onde acrescentarei:
«o nominativo sabe quem é quando ajudado pelo genitivo».


Depois explico o que tudo isto quer dizer, todos vão compreender e ver como é bonito e vão concordar que o português também é preguiçoso, porque só deixou casos nos pronomes pessoais.

Vá lá... não me acordem!

31 março 2010

Malvado do Aristóteles!

Coitado do Aristóteles.
Diz-se cada coisa sobre ele.

Num exame, comentando este excerto (Poética, 1453b26):

É possível que uma acção seja praticada a modo como a poetaram os antigos, isto é, por personagens que sabem e conhecem o que fazem, como a Medeia de Eurípides, quando mata os próprios filhos, Mas também pode dar-se que algum obre sem conhecimento do que há de malvadez nos seus actos, e só depois se revele o laço de parentesco, como no Édipo de Sófocles.

escreveu-me um aluno:

«Neste texto é bem visível que tanto no princípio como no fim, o grau de malvadez deve estar presente, não fosse um texto de Aristóteles.»