08 março 2011

Mulheres sem nome

No livro de Plutarco, A Coragem das Mulheres, há algumas corajosas mulheres sem nome, como já anteriormente referi.
Esta é uma delas, «a esposa de Pites», que bem podia ser uma heroína das histórias que nos contavam em criança, para que delas tirássemos uma moral. 
(imagem daqui)
Diz-se também que a esposa de Pites, contemporâneo de Xerxes, foi sábia e honrada.
O próprio Pites, segundo parece, encontrou por acaso umas minas de ouro e amou a riqueza que delas provinha, não com moderação, mas de modo insaciável e desmedido. Ele passava o seu tempo à volta das minas e forçava os cidadãos a descer até lá, obrigando-os, a todos por igual, a cavar, a transportar ou a purificar o ouro, sem produzir mais nada e sem levar a cabo qualquer outra actividade.
Como muitos morriam e todos estavam completamente exaustos, as mulheres dirigiram-se, como suplicantes, à porta da esposa de Pites.
Esta ordenou-lhes que partissem e que tivessem coragem.
Ela mesma mandou chamar os artífices do ouro em quem mais confiava e, mantendo-os  encerrados, ordenou-lhes que fabricassem em ouro pães, bem como todo o tipo de bolos e frutos e quantas guloseimas e alimentos sabia que o marido mais apreciava. 
Quando tudo estava preparado, Pites chegou do estrangeiro, pois acontecia que estava ausente da pátria. E quando pediu o jantar, a sua esposa apresentou-lhe uma mesa de ouro, com todos os artefactos em outro, mas sem nada comestível.
Num primeiro momento, Pites ficou contente com as imitações, mas, depois de saciada a vista, pediu comida. No entanto, a mulher apresentava-lhe em ouro tudo o que ele solicitava. Irritado, Pites gritou que tinha fome, ao que ela respondeu: «Mas foste tu que nos proporcionaste abundância destas coisas e de mais nenhuma outra. É que desapareceram todas as actividades profissionais e ninguém cultiva a terra. Deixámos para trás as sementeiras, as plantações e o sustento que vem da terra, e procuramos e escavamos coisas inúteis, e assim nos esgotamos a nós mesmos e ao nosso povo». 
(Não sei por quê, mas esta última parte fez-me lembrar Portugal...)

A mulher de Pites era sensata e inteligente, e, depois do marido abandonar o poder, dirigiu muito bem o governo e propiciou aos cidadãos um alívio dos seus males.

Uma mulher assim dava-nos jeito.

06 março 2011

Não é triste... é tristão!

Não, não é o de Isolda. Até porque este está em minúscula.
Foi uma resposta obtida em exame:
Este é Posídon com o seu tristão.













         (Imagem daqui.)

22 dezembro 2010

Faço minhas as suas palavras

26 novembro 2010

lançamento espacial

Roubado do José Bandeira:

Um livro 5 estrelas



 É já no próximo Sábado, dia 27, impaciente leitor, que vai ter lugar o lançamento de O Fio à Meada, uma colectânea de textos sobre o programa espacial russo (Russki Spasski Progriama), ou talvez de diálogos com personagens famosos, agora assim de repente não me lembro bem. Só sei que os cosmonautas, ou os autores, são dez; e que eu também vou lá dentro, provavelmente para ser sujeito a experiências sobre a capacidade de resistência dos corpos no espaço.

Cada membro da Assistência (reparou na inicial maiúscula?) terá direito a um lançamento contra os contistas presentes, entre os quais se inclui este seu criado. Os volumes que acertarem no alvo serão, naturalmente, assinados. Eu estarei disfarçado de Adriana Nogueira, professora de Estudos Clássicos na Universidade de Faro. A Adriana irá mascarada de marmanjo de barba grisalha e ar de quem não entende muito bem qual o seu lugar no Universo. Poderá desmascarar-me forçando-me a falar: não sei camuflar a minha voz de barítono. O Miguel Neto, editor, servirá guardanapos de papel para os croquetes que poderá adquirir no bar a um preço escandaloso.

Quase me esquecia de dizer que o lançamento do Sputn… perdão, do livro será às 17 horas, na FNAC do Vasco da Gama, em Lisboa. A organização deste evento obrigou ao término da Expo 98. Após as 18:30, o local passará a chamar-se “Parque das Nações” (achámos que era um nome com pintarola).

Apareça, vá lá. O que é que eu tenho de fazer? Hã?



25 novembro 2010

Da utilidade da música

Ao ler a minha amiga Marta García Morcillo no Facebook , sobre a música que se ouvia em Roma, lembrei-me de ir buscar à estante o CD de Christodoulos Halaris
do qual deixo um trecho, que descobri no youtube.

Recentemente, saiu em Portugal a tradução do tratado de Plutarco Sobre a Música (pode ser descarregado gratuitamente aqui, no sítio da excelente Classica Digitalia).
Aqui vai um pedacinho: 

40. E o nobre Homero ensinou que o uso da música é conveniente para o homem. Pois para demonstrar que
a música é útil em muitas ocasiões, apresentou Aquiles digerindo sua ira contra Agamémnon através da  música que aprendeu do sapientíssimo Quíron:

e encontraram-no deleitando seu espírito com a
[melodiosa fórminge,
bela obra de arte; em torno, argênteo jugo havia:
escolheu-a dentre os espólios depois de destruir a
[cidade de Eétion.
Com ela alegrava seu coração e cantava glórias de homens
[Ilíada, IX, 186-189]

“Aprende”, Homero está dizendo, “como se deve usar a música: pois era adequada a Aquiles, filho de Peleu, o justíssimo, cantar as glórias dos homens e os feitos dos semideuses.” Mais ainda, Homero, ensinando a ocasião mais apropriada do seu uso a quem está em ócio, mostrou que ela é um exercício útil e prazeroso. Pois Aquiles, apesar de ser guerreiro e homem de acção, por causa da sua ira que surgiu contra Agamémnon, não participava dos perigos da guerra. Homero, então, julgou ser apropriado o herói afiar sua alma com as mais belas melodias, para que ele estivesse preparado para sair para a batalha que ele, em breve, iria enfrentar. E ele fazia isso evidentemente lembrando-se dos antigos feitos. Tal era a música antiga e para isso era útil.
(...) Homero conta que os helenos acabaram com a peste que os assolava através da música, pois ele disse:

eles, o dia todo, apaziguavam o deus com um canto,
entoando um belo peã, os jovens aqueus,
lembrando o arqueiro longicerteiro: e ele, ouvindo, alegrava
seu coração.

esses versos, nobre mestre, uso como conclusão do meu discurso sobre a música. (...)  
43. Sotérico então foi admirado pelas palavras que foram ditas: e, de fato, ele mostrava no rosto e na voz o seu amor pela música. (...)
[Diz Onesícrates, o anfitrião do banquete onde se deu esta conversa]
Se ela é útil em algum lugar, é também acompanhando a bebida, como demonstrou o nobre Homero quando diz:
canto e dança: eis os adornos de um festim.

E que ninguém venha me dizer, por causa dessas palavras, que Homero pensava que a música é útil somente para o prazer, pois há um sentido mais profundo escondido nos seus versos. Para um benefício e uma ajuda as mais importantes em tais ocasiões ele escolheu a música. Refiro-me aos banquetes e às reuniões dos antigos. De facto, a música foi introduzida porque é capaz de repelir e acalmar o poder inflamatório do vinho, como o vosso Aristóxeno também diz em algum lugar. Ele disse que a música foi introduzida porque o vinho, por um lado, tem a natureza de derrubar os corpos e as mentes daqueles que o beberam em excesso, mas a música, por outro lado, com a sua medida, conduz à condição contrária e acalma. Nessa ocasião, portanto, Homero diz que os antigos usavam a música como uma ajuda.
44. Mas também o mais importante para vós, ó companheiros, e que mais ainda resta demonstrar é que a música é nobilíssima. Pois o engendramento dos seres e o movimento dos astros Pitágoras, Arquitas, Platão e outros filósofos antigos afirmavam nem surgir nem constituir-se sem música.

23 novembro 2010

Profissão perdida

Isto de ser classicista é muito bom, muito interessante, mas às vezes apetece fazer coisas diferentes e poder mostrar que ainda há muito a aprender com o mundo antigo.

Um tema que me tem interessado nos últimos anos e ao qual me tenho dedicado um pouco mais tem sido a recepção da antiguidade no mundo contemporâneo, principalmente nas expressões artísticas. Foi por isso que estive em Bristol num congresso chamado Imagines, muito bem organizado por Silke Knippschild, Marta García e Alberto Martí, onde pude assistir a excelentes comunicações sobre a recepção das clássicas principalmente na pintura e no cinema e pude conviver com alguma «bibliografia» que tinha em casa, como foi o caso de Martin Winkler.
Ao ver tantos especialistas em cinema juntos e quando tanto se fala da falta de rigor nas reconstituições históricas nesta arte, já me tinha interrogado se os realizadores não chamariam classicistas para lhes darem conselhos sobre o décor, por exemplo.
Bem, eles lá chamar, chamam.
O simpático e conversador Lloyd Llewellyn-Jones , classicista, especialista em história antiga (Pérsia) e vestuário na antiguidade, foi consultor («consultant for set and costumes») de Oliver Stone no filme Alexandre.
E depois?
Depois, aquilo que era realidade não interessava cinematograficamente ou os actores não gostavam daquela cor ou daquele corte de vestido...
E pronto. Quando Lloyd Llewellyn-Jones perguntou a Oliver Stone o porquê de não terem seguido as suas indicações, a resposta foi: «I'm sorry».
Se ser consultor de realizadores não pegou na América, já vejo que, por aí, não vou ter futuro no cinema em Portugal.

12 outubro 2010

Acabou há quase um mês...

(foto da Ilda, tirada daqui, onde há mais)

Loulé, Alcaidaria do Castelo, 6 a 17 de Setembro de 2010

«Estudos sobre o Mediterrâneo», integrado no projecto charme Loulé, foi o mote para reunir diversos professores da Universidade do Algarve (mais concretamente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais) e seus convidados perante um grupo de pessoas interessadas em aprender e experimentar novos saberes, num contexto não académico, mas com toda seriedade e empenho que caracteriza o ensino superior.

Não era preciso ter nenhum saber prévio e os participantes, oriundos de formações muito distintas, deram o seu parecer positivo (muito positivo) a esta iniciativa.

Ter uma sala cheia, durante duas semanas, ao fim do dia, quando o sol ainda convidava para uma ida à praia, foi uma alegria!

Agora, em jeito de balanço, sinto-me feliz pelo modo como tudo decorreu. Foi um desafio que aceitei e que se revelou muito compensador pela qualidade de todas as pessoas que conheci. Aquelas que, da parte da Câmara Municipal de Loulé, apoiaram a Universidade do Algarve neste projecto foram de uma discrição e eficiência de louvar.

E espero voltar a ver aqueles com quem privei diariamente durante duas semanas, se não antes, pelo menos numa nova edição desta aventura, já para o ano.

Obrigada!

11 setembro 2010

O auriga da Lusitânia

[C(aius) Appu]leius Diocles agitator factionis russatae / [nati]one Hispanus Lusitanus ...


Os participantes da Universidade de Verão que estiveram na sessão de 6ª-feira, entusiasticamente presentada pela minha colega Alexandra Mariano, sobre a língua latina, já quase que sabem traduzir isto:

O lusitano Caio Apuleio Diocles, de nação hispana *, auriga da equipa vermelha ...

(*temos aqui um bom exemplo do ablativo de relação, nesta tradução literal: «hispano no que respeita à nação»)

Pois é. Há muito que se sabia que Diocles tinha sido riquíssimo, mas só agora nos vêm dizer que foi o desportista mais rico de sempre!
Por aqui se vê que, quando o povo precisa de distracção e lhe querem dar apenas panem et circenses, os que contribuem para esse objectivo são muito, muito bem pagos.

Do jornal Económico de 7 de Setembro:

Desportista mais rico da história era Lusitano

Rui Barroso
07/09/10 13:00

Se o salário de Cristiano Ronaldo parece elevado, é porque ainda não conhece o condutor de quadrigas Gaius Appuleius Diocles.

Os milhões de Cristiano Ronaldo e até do golfista Tiger Woods, o desportista mais rico da actualidade, não se comparam aos prémios conseguidos por um condutor de quadrigas lusitano no tempo do Império Romano.

Segundo uma investigação da Universidade da Pensilvânia, citada pelo Expansión, o desportista mais rico de toda a história foi Gaius Appuleius Diocles, um condutor de quadrigas nascido na Lusitânia no ano de 104.

Segundo os investigadores, Diocles angariou qualquer coisa como 35,863 milhões de sestércios, a que corresponderiam actualmente 11,6 mil milhões de euros. A maquia amealhada pelo desportista luso era o suficiente para abastecer de cereais a capital do Império Romano durante um ano.

Diocles participou em mais de quatro mil corridas da "Fórmula 1" dos romanos, tendo vencido quase 1.500 dos desafios. Por 815 vezes liderou as corridas desde o início, em 67 vezes conseguiu a liderança nas últimas voltas e em 36 ocasiões sagrou-se vencedor mesmo na recta final.

O corredor lusitano tornou-se profissional aos 18 anos e morreu aos 42. Está sepultado em Roma. Na lápide estão inscritas as estatísticas da sua carreira.

Para quem quiser ler ficção sobre Diocles, pode ler este El Auriga de Hispania, de Jesús Maeso de la Torre.


07 setembro 2010

A bela infanta está viva!

Ontem abriu a Universidade de Verão que estou a coordenar.
É uma actividade da Universidade do Algarve, através da FCHS, com o município de Loulé, no âmbito de uma candidatura ao QREN (o esboço do que estamos a fazer está aqui, na página 30).

A primeira sessão foi sobre o romanceiro e tivemos o privilégio de ter como orador o Prof. Pedro Ferré, que, se fosse um concerto de rock, eu diria que tinha electrizado a assistência, pela excelência da sua comunicação.

Isto, porque os romances ainda electrizam!

Deixo aqui três exemplos, partindo do romance «A bela infanta».
O primeiro, do romanceiro de Almeida Garrett:

BELA INFANTA

Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Como o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.
– «Diz-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava?»
– «Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Diz-me tu, ó senhora,
As senhas que ele levava.»
– «Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.»
– «Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morreu morte de valente:
Eu sua morte vingava.»
– «Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!...»
– «Que dirias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «Dera-lhe oiro e prata fina,
Quanta riqueza há por i.»
– «Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três moinhos que tenho,
Todos três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela1 0
Outro mói do gerzeli:1 1
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei pra si»
– «Os teus moinhos não quero
Não nos quero para mi;
Que diria mais senhora,
A quem to trouxera aqui?»
– «As telhas do meu telhado
Que são oiro e marfim.»
– «As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três filhas que eu tenho,
Todas três te daria a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir,
A mais formosa de todas
Para contigo dormir.»
– «As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mi:
Dá-me outra coisa senhora,
Se queres que o traga aqui.
– «Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.»
– «Tudo, não, senhora minha,
Que inda te não deste a ti.»
– «Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si
Por meus vilões arrastado
O farei andar aí
Ao rabo do meu cavalo
À volta do meu jardim
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!»
– «Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!»
– «Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui.

O segundo, de uma banda-rock brasileira (que se supõe electrizante, claro), que adoptou esse nome:




E o terceiro, uma verdadeira gracinha encontrei neste mundo fantástico que é a Internet.

Escrita em 2008 por João Luís, um aluno do 6º ano do Agrupamento de escola Afonso de Paiva, esta versão contemporânea (já sei que me vão corrigir e dizer que a isto não se chama uma versão, mas, enfim, perdoem-me) é muito engraçada... mas não a consigo colar aqui. Tentei, tentei, mas não consegui.
Sigam o link da escola e divirtam-se!

05 setembro 2010

Sobre o casamento

(imagem daqui)

Por exemplo, o sábio Tales, quando foi pressionado pelos rogos da mãe para que casasse, evitou muito bem as suas instâncias e esquivou-se dizendo-lhe no início “ainda não é o momento, mãe”, e mais tarde “já não é o momento, mãe”.

Plutarco, No Banquete, III, 6.3. (tradução de Martinho Soares). Colecção Classica Digitalia (disponível online).

14 julho 2010

interesses filológicos...

(imagem daqui)

Às vezes identifico-me com insuspeitas personagens de romances policiais.
Quantas vezes já passei o mesmo que Walter Emerson, uma personagem secundária da série Amelia Peabody, irmão do irascível Radcliff Emerson («o» Emerson da história):

"I came across a particulary fascinating text (...). It seems to be - "
"Sit down, Walter, and be quiet", said Emerson amiable. "No one wants to hear about your obscure philological interests."

03 julho 2010

«As lendas só são lendas porque acreditamos nelas»

Não assisti ao encontro sobre este assunto, mas fiquei muito orgulhosa por ver os meus colegas Isabel Cardigos e José Joaquim Dias Marques justamente destacados na peça.
Parabéns a ambos!
(clique na etiqueta «lendas urbanas» e poderá ler mais)

01 julho 2010

Cultura.sul

Fizeram-me um novo desafio e, porque era para lidar com livros, aceitei.
Depois* de amanhã sai o meu primeiro texto no suplemento Cultura.Sul (ou .S), do jornal Postal do Algarve.
Este caderno vem com o Público (no Algarve, apenas), na 1ª sexta-feira de cada mês.
Na página das letras escrevo um texto principal e duas pequenas rubricas, «Da minha biblioteca» e «Itinerários».
O mote será sempre o Algarve: ou escritores de cá, ou publicados cá, ou que venham cá, bem como livros com referências explícitas a esta região, etc.

Para sugestões e outras informações, tenho um novo mail: adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

(*Actualização: excepcionalmente, sai este sábado em vez de sexta-feira.)

30 junho 2010

Dão-se alvíssaras

Anfitrião, de Plauto.
Que posso comprar outro?
Posso, mas quero aquele, que me é muito querido.
Recebê-lo-ei, e ao seu portador, com um delicioso bolo de chocolate.

27 junho 2010

25 junho 2010

Contributos para um próximo livro de António Manuel Venda

Aquando da apresentação do seu livro, António Manuel Venda disse que sempre tinha querido escrever um livro com histórias de animais e que este era esse livro.
Caso estejas a pensar escrever outro, António, deixo-te aqui algumas ideias para títulos de contos:

A casa do Gato Pernalta

Legenda: tirei esta fotografia nas Caldas de Monchique, pouco antes da apresentação do livro.


Gata sob telhado de plástico quente

Legenda: gata Diotima à porta da casota da Natacha, abandonada por falta de uso - quem dormiria sob um telhado de plástico se pode ficar confortavelmente no sofá da sala?

23 junho 2010

Dão-se alvíssaras!


Inicio uma nova etiqueta neste blogue: livros emprestados. Pode ser que aqueles a quem emprestei vejam este post, se lembrem que têm o livros e os devolvam.
Ficarei muito agradecida e celebraremos esse acto com chá e bolinhos.
Aqui vai o primeiro:
História da Literatura Grega, de Albin Lesky, numa edição da Gulbenkian.

21 junho 2010

Dia de sorrisos

Fez no sábado uma semana que apresentei em Monchique o último livro de António Manuel Venda.
Nesta fotografia, estamos todos deleitados a ouvir o secretário da Junta de Freguesia a ler a sua introdução, num estilo vendiano.
Ora só o tempo permite que se crie um estilo. E por isso, por muito que insistam em chamar a António Manuel Venda um jovem escritor, ele não o é. É apenas um escritor jovem. E a juventude não se percebe apenas na timidez do olhar ou na inquietude das mãos que se movem com as palavras, quando fala, construindo castelos, casinhas ou outras arquitecturas, mas na escrita. Uma escrita antiga e por isso tão próxima da fantasia dos simples, que aceitam com naturalidade o que outros a civilização fez chamar diferente, estranho, estrangeiro.
Por isso o mundo visto pelos olhos - ou pela máquina fotográfica - do pequeno Tukie, ou do pai do pequeno Tukie, é um mundo em que o fantástico não existe como tal.
Por isso chamei a este livro um livro de felicidade.
Não uma felicidade que transborda ou ofusca o que está à volta, mas felicidade porque nos faz sentir que pertencemos, que não estamos sozinhos na nossa coexistência, pessoas e animais.
Felicidade, porque mesmo aquilo que pode ser mais triste ou violento (como a morte de uma garça num arame farpado) é vivido com simplicidade, sem drama.
Felicidade, porque ali não há sentimentos que ferem e magoam.
E apesar de conseguir muito bem construir o suspense, as histórias que ele nos conta acabam serenamente, com ternura e humor.
E quem me observou a ler o livro terá visto claramente os meus sorrisos nada enigmáticos.

19 junho 2010

Regras de Etiqueta para Gatos Inexperientes


Enviaram-me estas regras por e-mail e não resisti a publicar aqui (não sei quem é o autor).
As fotografias que ilustam o post não foram tiradas de propósito, pois já as tinha em casa, visto que os meus bichos são muito educadinhos e cumprem estas regras todas!


1) Se tiver que vomitar, salte rapidamente para o sofá. Se o sofá estiver longe demais, procure um bom tapete.

(eles fazem-no: sofá, tapete, secretária, mesa, papéis... mas nunca tirei fotografias do acto...)

2) Determine logo qual é a visita que detesta gatos e sente-se ao colo dela durante toda a noite. Ela não terá coragem de empurrá-lo para o chão e pode ser até que venha a dizer "Gatinho bonito!" Se você estiver com hálito a comida de gato, melhor ainda.


3) Prefira sentar-se no colo ou esfregar-se nas pernas das pessoas que trazem calças. Escolha, de preferência, aquelas com cores diferentes das suas.

4) Acompanhe sempre as visitas que vão à casa de banho. Não é necessário fazer nada. Basta sentar-se e ficar a olhar.

5) Trate das visitas que digam "Adoro gatos!" com total desprezo e esteja pronto a passar as unhas pelas suas meias ou, eventualmente, a morder os seus calcanhares.

6) Não permita portas fechadas. Para abrir uma porta, apoie-se nas patas traseiras e bata nela com toda força que tiver nas dianteiras. Quando a porta for finalmente aberta, não é necessário usá-la; você pode mudar de ideia tranquilamente. Para ordenar a abertura de uma porta que dê para fora, pare exactamente no meio do caminho, entre a porta e a rua, e aproveita para pensar sobre diversas coisas. Isso é particularmente importante em noites muito frias e em épocas de mosquitos.

7) Se uma pessoa estiver ocupada e outra sem fazer nada, escolha a ocupada. Se alguém estiver a ler, chegue-se muito perto e coloque o seu focinho entre o livro e a cara da pessoa. No caso de leitores que abrem livros ou jornais em cima da mesa, basta deitar-se em cima do que estiver a ser lido.


8) Se algum dia encontrar uma senhora tricotando, suba no colo dela e deite-se.
De repente, estique a pata e, como quem não quer nada, dê uma boa patada nas agulhas. Observe os acontecimentos: isso se chama perder o fio da meada. A senhora tentará atrair sua atenção para outras partes da casa. Ignore-a.

(infelizmente, nesta casa não se faz malha...)

9) Quando encontrar alguém a fazer o trabalho de casa, sente-se na folha de papel que estiver a ser estudada. Depois de ter sido removido de lá pela terceira vez, vá para outro canto da mesa e empurre tudo que se mexa: lápis, cola, tesoura e o que mais houver.


10) Durma bem durante o dia para estar bem fresco e pronto para brincadeiras entre 2 e 4 horas da manhã. Se seu humano trabalhar durante a noite, modifique seus hábitos de sono para poder estar com a corda toda entre as 10h e o meio-dia.


Gatos nestas fotos: Tamino, Mimi e Diotima.
Participação especial da cadela Natacha.
Ah, sim, de alguns humanos, sem os quais a vida não teria tanta graça.