Como ando a traduzi-lo, vou deixando aqui algumas dessas pérolas.
27 fevereiro 2016
Qual é o caminho mais rápido para o Hades?
Como ando a traduzi-lo, vou deixando aqui algumas dessas pérolas.
05 janeiro 2016
Pilatos? Quem é? Ah, sim, o do anel no dedo mindinho!
Os alunos estão mais aplicados e já não escrevem tantas barbaridades (pode ser que o receio de fazer parte da etiqueta os tenha refreado), mas tive, recentemente, uma engraçada:
Justifique o nome da imagem: «Pilatos»
Resposta recebida:
«A imagem tem o nome de Pilatos pois vemos as mãos sobre a pia e o anel no dedo mindinho».
Na aula tinha mostrado (entre outras imagens, claro, mais sérias) esta vinheta:
Eu acho giro isto de reconhecer imagens das culturas antigas.
Felizmente, a maioria dos alunos teve excelentes resultados nesta parte.
Estou contente.
11 setembro 2015
Senhora Sócrates versus Facebook
Dei-me conta de que já passaram 9 anos e que já há muito que nada aqui escrevia.
Vou ter de me decidir: ou o fecho ou retomo a sua escrita.
Veremos.
O Facebook alimenta a inércia das frases curtas, dos assuntos frívolos, e vai desmotivando as reflexões que um blogue permite.
Mesmo que ninguém leia.
Num blogue não se procura se a publicação teve muitos «gostos», se foram usados emoticons ou se Fulano e Beltrano comentaram. E os amigos não o são logo «do peito». Conquistam-se mais devagar, porque o tempo aqui é diferente.
Gosto.
Imagem: a 11 de setembro, nos alvores do séc. II d.C. (entre 97 e 103), Cláudia Severa convida a sua amiga Sulpicia Lepidina para o seu aniversário. Foto tirada por mim no Museu Britânico.
27 dezembro 2013
Não sei o que se terá passado, mas hoje, que até estive a ler um livrinho de Proust sobre a leitura (uma edição da FNAC), Séneca vem mesmo a calhar:
A leitura alimenta a inteligência e retempera-a das fadigas do estudo, sem, contudo, pôr de lado o estudo. Não devemos limitar-nos nem só à escrita, nem só à leitura: uma diminui-nos as forças, esgota-nos (estou-me referindo ao trabalho da escrita), a outra amolece-nos e embota-nos a energia. Devemos alternar ambas as actividades, equilibrá-las, para que a pena venha a dar forma às ideias coligidas das leituras.
Séneca, Cartas a Lucílio, 84, 2.
21 setembro 2013
Viver para comer ou comer para viver
Ando a namorar com o Diógenes Laércio e decidi ver o que diz ele de Xantipa, a mulher de Sócrates:
Uma vez em que Sócrates convidou umas pessoas ricas para jantar e Xantipa ficou envergonhada, ele disse-lhe: «Nada receies, pois se forem tolerantes, serão indulgentes, se não prestarem, não nos preocupemos com elas». E dizia que os outros homens viviam para comer, enquanto ele comia para viver.
(II, 5, 18.)
13 setembro 2013
Aulinhas de Grego
11 setembro 2013
O regresso
Faz hoje 7 anos que iniciei este blogue.
Por diversas razões, não consegui ter disponibilidade (mais mental que real) para escrever no blogue.
Como hoje termina o meu mandato como diretora do Departamento de Artes e Humanidades e a data coincide com a fundação do blogue, achei que seria também uma boa altura para o retorno.
Quem me acompanhou nestes dois anos (no Facebook, por exemplo), sabe que uma das atividades exercidas paralela e graciosamente ao meu trabalho como professora na Universidade do Algarve tem sido a escrita mensal de um texto para o jornal Postal do Algarve, mais precisamente para o suplemento Cultura.Sul.
Os artigos não são académicos nem de crítica literária, mas sim de promoção de leitura: falo de livros de que gosto, quando me apetece. Não têm de ser novidade nem apenas de autores algarvios (se bem que, sempre que posso, faça por divulgar o bom que se publica nesta região que adoptei e me adoptou). Por isso a rubrica se chama «Da minha biblioteca».
E porque de retorno falamos, deixo aqui o texto que escrevi, há uns meses, sobre o excelente livro de Dulce Maria Cardoso:
(imagem daqui)
27 março 2011
Esta semana, no Porto
12 março 2011
Para quê ler os clássicos?
Obrigada, digo eu!
(e ao Luís Salema pelo link!)
08 março 2011
Mulheres sem nome
06 março 2011
Não é triste... é tristão!
22 dezembro 2010
26 novembro 2010
lançamento espacial
Um livro 5 estrelas
Apareça, vá lá. O que é que eu tenho de fazer? Hã?
25 novembro 2010
Da utilidade da música
a música é útil em muitas ocasiões, apresentou Aquiles digerindo sua ira contra Agamémnon através da música que aprendeu do sapientíssimo Quíron:
e encontraram-no deleitando seu espírito com a
[melodiosa fórminge,
bela obra de arte; em torno, argênteo jugo havia:
escolheu-a dentre os espólios depois de destruir a
[cidade de Eétion.
Com ela alegrava seu coração e cantava glórias de homens [Ilíada, IX, 186-189]
eles, o dia todo, apaziguavam o deus com um canto,
esses versos, nobre mestre, uso como conclusão do meu discurso sobre a música. (...)
23 novembro 2010
Profissão perdida

Ao ver tantos especialistas em cinema juntos e quando tanto se fala da falta de rigor nas reconstituições históricas nesta arte, já me tinha interrogado se os realizadores não chamariam classicistas para lhes darem conselhos sobre o décor, por exemplo.
Bem, eles lá chamar, chamam.
O simpático e conversador Lloyd Llewellyn-Jones , classicista, especialista em história antiga (Pérsia) e vestuário na antiguidade, foi consultor («consultant for set and costumes») de Oliver Stone no filme Alexandre.
E depois?
Depois, aquilo que era realidade não interessava cinematograficamente ou os actores não gostavam daquela cor ou daquele corte de vestido...
E pronto. Quando Lloyd Llewellyn-Jones perguntou a Oliver Stone o porquê de não terem seguido as suas indicações, a resposta foi: «I'm sorry».
Se ser consultor de realizadores não pegou na América, já vejo que, por aí, não vou ter futuro no cinema em Portugal.
12 outubro 2010
Acabou há quase um mês...
Loulé, Alcaidaria do Castelo, 6 a 17 de Setembro de 2010
«Estudos sobre o Mediterrâneo», integrado no projecto charme Loulé, foi o mote para reunir diversos professores da Universidade do Algarve (mais concretamente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais) e seus convidados perante um grupo de pessoas interessadas em aprender e experimentar novos saberes, num contexto não académico, mas com toda seriedade e empenho que caracteriza o ensino superior.
Não era preciso ter nenhum saber prévio e os participantes, oriundos de formações muito distintas, deram o seu parecer positivo (muito positivo) a esta iniciativa.
Ter uma sala cheia, durante duas semanas, ao fim do dia, quando o sol ainda convidava para uma ida à praia, foi uma alegria!
Agora, em jeito de balanço, sinto-me feliz pelo modo como tudo decorreu. Foi um desafio que aceitei e que se revelou muito compensador pela qualidade de todas as pessoas que conheci. Aquelas que, da parte da Câmara Municipal de Loulé, apoiaram a Universidade do Algarve neste projecto foram de uma discrição e eficiência de louvar.
Obrigada!
11 setembro 2010
O auriga da Lusitânia
Do jornal Económico de 7 de Setembro:
Desportista mais rico da história era Lusitano Rui Barroso
07/09/10 13:00
Os milhões de Cristiano Ronaldo e até do golfista Tiger Woods, o desportista mais rico da actualidade, não se comparam aos prémios conseguidos por um condutor de quadrigas lusitano no tempo do Império Romano.
Segundo uma investigação da Universidade da Pensilvânia, citada pelo Expansión, o desportista mais rico de toda a história foi Gaius Appuleius Diocles, um condutor de quadrigas nascido na Lusitânia no ano de 104.
Segundo os investigadores, Diocles angariou qualquer coisa como 35,863 milhões de sestércios, a que corresponderiam actualmente 11,6 mil milhões de euros. A maquia amealhada pelo desportista luso era o suficiente para abastecer de cereais a capital do Império Romano durante um ano.
Diocles participou em mais de quatro mil corridas da "Fórmula 1" dos romanos, tendo vencido quase 1.500 dos desafios. Por 815 vezes liderou as corridas desde o início, em 67 vezes conseguiu a liderança nas últimas voltas e em 36 ocasiões sagrou-se vencedor mesmo na recta final.
O corredor lusitano tornou-se profissional aos 18 anos e morreu aos 42. Está sepultado em Roma. Na lápide estão inscritas as estatísticas da sua carreira.
Para quem quiser ler ficção sobre Diocles, pode ler este El Auriga de Hispania, de Jesús Maeso de la Torre.
07 setembro 2010
A bela infanta está viva!
É uma actividade da Universidade do Algarve, através da FCHS, com o município de Loulé, no âmbito de uma candidatura ao QREN (o esboço do que estamos a fazer está aqui, na página 30).
Isto, porque os romances ainda electrizam!
Deixo aqui três exemplos, partindo do romance «A bela infanta».
O primeiro, do romanceiro de Almeida Garrett:
Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Como o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.
– «Diz-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava?»
– «Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Diz-me tu, ó senhora,
As senhas que ele levava.»
– «Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.»
– «Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morreu morte de valente:
Eu sua morte vingava.»
– «Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!...»
– «Que dirias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «Dera-lhe oiro e prata fina,
Quanta riqueza há por i.»
– «Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três moinhos que tenho,
Todos três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela1 0
Outro mói do gerzeli:1 1
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei pra si»
– «Os teus moinhos não quero
Não nos quero para mi;
Que diria mais senhora,
A quem to trouxera aqui?»
– «As telhas do meu telhado
Que são oiro e marfim.»
– «As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três filhas que eu tenho,
Todas três te daria a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir,
A mais formosa de todas
Para contigo dormir.»
– «As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mi:
Dá-me outra coisa senhora,
Se queres que o traga aqui.
– «Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.»
– «Tudo, não, senhora minha,
Que inda te não deste a ti.»
– «Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si
Por meus vilões arrastado
O farei andar aí
Ao rabo do meu cavalo
À volta do meu jardim
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!»
– «Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!»
– «Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui.

E o terceiro, uma verdadeira gracinha encontrei neste mundo fantástico que é a Internet.
Escrita em 2008 por João Luís, um aluno do 6º ano do Agrupamento de escola Afonso de Paiva, esta versão contemporânea (já sei que me vão corrigir e dizer que a isto não se chama uma versão, mas, enfim, perdoem-me) é muito engraçada... mas não a consigo colar aqui. Tentei, tentei, mas não consegui.
Sigam o link da escola e divirtam-se!
05 setembro 2010
Sobre o casamento
Por exemplo, o sábio Tales, quando foi pressionado pelos rogos da mãe para que casasse, evitou muito bem as suas instâncias e esquivou-se dizendo-lhe no início “ainda não é o momento, mãe”, e mais tarde “já não é o momento, mãe”.
14 julho 2010
interesses filológicos...
Às vezes identifico-me com insuspeitas personagens de romances policiais.
"I came across a particulary fascinating text (...). It seems to be - "
"Sit down, Walter, and be quiet", said Emerson amiable. "No one wants to hear about your obscure philological interests."












