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24 fevereiro 2009

Emo... séc. XIX

O acaso levou-me um destes dias a contactar com o conceito de emo. Na verdade, não sei bem o que é um emo... e, por estas várias definições (e alguns dos comentários), fiquei com a impressão que nem os próprios sabem bem.
Ao reler o Coração, Cabeça e Estômago, do Camilo, lembrei-me disto tudo com Silvestre da Silva:

entendi que a desordem dos cabelos devia ser a imagem da minha alma. Comecei, pois, por dar à cabeça um ar fatal, que chamasse a atenção e aguçasse a curiosidade dum mundo já gasto em admirar cabeças tão vulgares. A anarquia dos meus cabelos custava-me dinheiro e muito trabalho. Ia, todos os os dias, ao cabeleireiro calamistrar os longos anéis, que me ondeavam nas espáduas; depois desfazia as espirais, riçava-as em caprichosas ondulação, dava à fronte o máximo espaço e sacudia a cabeça para desmanchar a torcida deletriadas da madeixa. Como quer, porém, que a testa fosse menos escampada que o preciso para significar «desordem e génio», comecei a barbear a testa, fazendo recuar o domínio do cabelo, a pouco e pouco, até que me criei uma fronte dilatada, e umas bossas frontais, como a natureza não dera a Shakespeare nem a Goethe.