19 junho 2016

Em Cnossos, com Sophia

Fui a Creta pela primeira vez no passado mês de maio.
Fui à Grécia 6 vezes, vivi em Atenas 4 meses, no já longínquo ano de 1998, para poder acompanhar os seminários de Jeffrey Rusten, professor em Cornell (EUA), na American School of Classical Studies at Athens (ASCSA), mas nunca tinha ido a Creta (como, aliás, não fui a muitos outros sítios naquele maravilhoso país).
Da primeira vez, em 1985, levei o Ulisses, de James Joyce, que só me serviu para pesar na mochila, pois que foi e veio fechadinho (levá-lo foi um romantismo de adolescente).
Desta vez, fui mais sensata e levei a poesia de Sophia, que li por onde passei.
:)

«Ressurgiremos»
Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos
E em Delphos centro do mundo 
Ressurgiremos ainda na dura luz de Creta
Ressurgiremos ali onde as palavras
São o nome das coisas
E onde são claros e vivos os contornos
Na aguda luz de Creta
Ressurgiremos ali onde pedra estrela e tempo
São o reino do homem
Ressurgiremos para olhar para a terra de frente
Na luz limpa de Creta
Pois convém tornar claro o coração do homem
E erguer a negra exactidão da cruz
Na luz branca de Creta.






















11 junho 2016


Às vezes, vejo semelhanças entre objectos da antiguidade e realidades nossas conhecidas (mesmo que sejam de ficção).
Quando deparei com esta cabeça de menina romana, penteada segundo a moda da época, só me lembrava daqueles seres estranhos da ficção científica.
Ao procurar uma imagem desse género, encontrei esta do Alan Rickman, ficando assim também uma homenagem a este actor, recentemente falecido (a 14 de janeiro deste ano).
:)


Foto de Adriana Freire Nogueira.
Cabeça de menina romana (Museu de Heráclion, Creta)
Foto de Adriana Freire Nogueira.
Alan Rickman (em Galaxy Quest)

19 março 2016

Vai chamar pai a outro!

  Porque hoje é o dia do pai, relembro um passo do diálogo de Platão, Eutidemo (traduzido por mim e publicado na INCM, em 1999), em que os sofistas Eutidemo e Dionisodoro «provam» que Sócrates não teve pai...

e    «-Respondo então que Iolau era sobrinho de Héracles e, pelo que me parece, não era nada a mim, pois o meu irmão Pátrocles não era pai dele, mas sim Íficles, um nome parecido, que era o irmão de Héracles.»  
          «-E Pátrocles é teu irmão?»    
         «-Claro.» - disse eu - «Nascido da mesma mãe, mas não do mesmo pai.»     
         «-Então é teu irmão e não é teu irmão.»     
     «-Não nasceu do mesmo pai, meu caro,» - esclareci - «pois o dele era Queredemo e o meu Sofronisco.»    
        «-E Sofronisco era pai e Queredemo também?» - perguntou.      
        «-Sem dúvida» - respondi. - «Um era meu, outro era dele.»
298a  «-Portanto, Queredemo era diferente de pai?» - continuou.      
         «-Do meu, sim.»      
        «-Mas então sendo pai era diferente de pai? Ou tu és o mesmo que esta pedra?»    
        «- Eu? Receio que aos teus olhos pareça o mesmo, mas no entanto não é essa a minha opinião.»
        «-És então diferente desta pedra?»     
       «- Naturalmente que sou.»     
       «- Por conseguinte, sendo diferente de uma pedra, não és pedra? E sendo diferente de ouro não és ouro?»     
      «-É isso mesmo.»    
      «-Então também Queredemo sendo diferente de pai, não é pai.»     
      «-Parece não ser pai» - disse eu.
b   «- Pois, sem dúvida,» - disse Eutidemo, tomando a palavra - «se Queredemo é pai, Sofronisco, pelo contrário, sendo diferente de pai, não é pai. De modo que tu, Sócrates, não tiveste pai.»

                                          
(Foto da senhora Sócrates com o seu digníssimo marido, o tal filho de Sofronisco, no British Museum)

27 fevereiro 2016

Qual é o caminho mais rápido para o Hades?

Diógenes Laércio, biógrafo de filósofos ilustres - muitos deles remontando a mais de 700 anos antes da sua época, já que viveu no séc. III d.C. -, é a fonte de muitas das anedotas (no sentido de historietas curiosas) que sobre aqueles se contam.
Como ando a traduzi-lo, vou deixando aqui algumas dessas pérolas.


A um indivíduo que estava zangado porque iria morrer no estrangeiro, [Anaxágoras] respondeu: «De onde quer que se esteja, a descida para o Hades é a mesma. 
(D.L. 2, 11)


(imagem do mundo inferior - tirada  daqui)

05 janeiro 2016

Pilatos? Quem é? Ah, sim, o do anel no dedo mindinho!

Intitulei «Dores d' Alma» uma etiqueta em que reunia algumas respostas «fascinantes» que recebia em Matrizes Culturais Europeias.
Os alunos estão mais aplicados e já não escrevem tantas barbaridades (pode ser que o receio de fazer parte da etiqueta os tenha refreado), mas tive, recentemente, uma engraçada:

Justifique o nome da imagem: «Pilatos»


(«Pilate washing hands», de Shane Lucas Onchan)

Resposta recebida: 
«A imagem tem o nome de Pilatos pois vemos as mãos sobre a pia e o anel no dedo mindinho».

Na aula tinha mostrado (entre outras imagens, claro, mais sérias) esta vinheta:


Eu acho giro isto de reconhecer imagens das culturas antigas.
Felizmente, a maioria dos alunos teve excelentes resultados nesta parte.
Estou contente.



11 setembro 2015

Senhora Sócrates versus Facebook

Foi a 11 de Setembro de 2006 que escrevi o primeiro post neste blogue.
Dei-me conta de que já passaram 9 anos e que já há muito que nada aqui escrevia.
Vou ter de me decidir: ou o fecho ou retomo a sua escrita.
Veremos.
O Facebook alimenta a inércia das frases curtas, dos assuntos frívolos, e vai desmotivando as reflexões que um blogue permite.
Mesmo que ninguém leia.
Num blogue não se procura se a publicação teve muitos «gostos», se foram usados emoticons ou se Fulano e Beltrano comentaram. E os amigos não o são logo «do peito». Conquistam-se mais devagar, porque o tempo aqui é diferente.
Gosto.

Imagem: a 11 de setembro, nos alvores do séc. II d.C. (entre 97 e 103), Cláudia Severa convida a sua amiga Sulpicia Lepidina para o seu aniversário. Foto tirada por mim no Museu Britânico.



27 dezembro 2013

Hoje, estando de férias (sim, estou legalmente de férias), andei a dar uma voltinha pelas «postagens» e vi que tinha esta em rascunho desde Agosto de 2010...
Não sei o que se terá passado, mas hoje, que até estive a ler um livrinho de Proust sobre a leitura (uma edição da FNAC), Séneca vem mesmo a calhar:

A leitura alimenta a inteligência e retempera-a das fadigas do estudo, sem, contudo, pôr de lado o estudo. Não devemos limitar-nos nem só à escrita, nem só à leitura: uma diminui-nos as forças, esgota-nos (estou-me referindo ao trabalho da escrita), a outra amolece-nos e embota-nos a energia. Devemos alternar ambas as actividades, equilibrá-las, para que a pena venha a dar forma às ideias coligidas das leituras.

Séneca, Cartas a Lucílio, 84, 2.

21 setembro 2013

Viver para comer ou comer para viver



(Museu de Nápoles: réplica do séc. I d.C. de um original grego do séc. IV a.C.)

Ando a namorar com o Diógenes Laércio e decidi ver o que diz ele de Xantipa, a mulher de Sócrates:

Uma vez em que Sócrates convidou umas pessoas ricas para jantar e Xantipa ficou envergonhada, ele disse-lhe: «Nada receies, pois se forem tolerantes, serão indulgentes, se não prestarem, não nos preocupemos com elas». E dizia que os outros homens viviam para comer, enquanto ele comia para viver.
(II, 5, 18.)
[Foto e tradução minhas]

13 setembro 2013

Aulinhas de Grego


Na segunda-feira começam as aulas de Grego.

Estou muito contente e entusiasmada, pois é apenas a segunda vez que tenho a possibilidade de ensinar a minha língua do coração na Universidade do Algarve.
E tudo me está a dar uma alegria quase infantil: a escolha dos textos, a metodologia a adotar, as estratégias de motivação...
Além de que me dá um prazer quase pigmaliónico dar aulas de iniciação: é lindo ver o saber e o prazer da descoberta a crescer nos alunos.

Vai ser bom, tenho a certeza!




11 setembro 2013

O regresso

Regressei.
Faz hoje 7 anos que iniciei este blogue.
Por diversas razões, não consegui ter disponibilidade (mais mental que real) para escrever no blogue.
Como hoje termina o meu mandato como diretora do Departamento de Artes e Humanidades e a data coincide com a fundação do blogue, achei que seria também uma boa altura para o retorno.

Quem me acompanhou nestes dois anos (no Facebook, por exemplo), sabe que uma das atividades exercidas paralela e graciosamente ao meu trabalho como professora na Universidade do Algarve tem sido a escrita mensal de um texto para o jornal  Postal do Algarve, mais precisamente para o suplemento Cultura.Sul.
Os artigos não são académicos nem de crítica literária, mas sim de promoção de leitura: falo de livros de que gosto, quando me apetece. Não têm de ser novidade nem apenas de autores algarvios (se bem que, sempre que posso, faça por divulgar o bom que se publica nesta região que adoptei e me adoptou). Por isso a rubrica se chama «Da minha biblioteca».

E porque de retorno falamos, deixo aqui o texto que escrevi, há uns meses, sobre o excelente livro de Dulce Maria Cardoso:


O Retorno
 (imagem daqui)


Dulce Maria Cardoso (2011). O Retorno. Lisboa: Tinta da China.

Dulce Maria Cardoso andou muito tempo esquecida das nossas livrarias, jornais e revistas literárias, mas não dos seus leitores, que cativou desde o primeiro romance. Em contrapartida, o seu quarto e último livro, O Retorno, mereceu atenção de todos e foi, ainda em 2011 (apesar de ter sido lançado já em outubro) considerado o melhor romance, e por isso recebeu o Prémio Especial da Crítica dos Prémios de Edição LER/Booktailors.
Uma das grandes qualidades que encontro neste livro é a de poder ser compreendido mesmo por uma pessoa que não passou pela situação de retornada nem tem memória desse tempo, como é o meu caso. Apesar de acreditar que quem tenha vivido a situação o entenderá com outra emoção e entendimento, acredito também que a Literatura (usei maiúsculas propositadamente) se faz desta capacidade de ser universal e de quebrar barreiras. Por exemplo, a vontade de integração e de aceitação dentro de um grupo onde somos recém-chegados já foi sentida por muitos dos leitores (um emprego novo, uma terra nova, uma nova escola, etc.) e é essa reminiscência que nos faz compreender tão bem a jovem Milucha: «A minha irmã tem vergonha de ser retornada, finge que é de cá e esconde o cartão que tem o carimbo vermelho, aluna retornada, o cartão que dá direito a um lanche na cantina. A minha irmã cheia de fome mas sem coragem de ir à cantina para que os de cá não vejam o cartão, aluna retornada. A minha irmã a achar que pode não ser retornada apesar das roupas grandes, da pele ainda queimada pelo sol de lá, de se rir sem medo que os lábios sangrem, um sorriso bonito, a minha irmã a fingir que não é retornada, a dizer pequeno-almoço, frigorífico, autocarro, furos, em vez de matabicho, geleira, machimbombo, borlas» (p.150)

Um dos aspetos de que mais gostei foi o do ponto de vista escolhido: o de Rui, um jovem de 15 anos, que acompanhamos durante dois anos, através de quem vemos o mundo, mas que não nos deixa ver tudo quanto se passa à volta ou dentro de si. Uma sabedoria na construção da narrativa leva o leitor a surpreender-se, pois, apesar de não perder o fio à meada, a narração não segue uma linha cronológica, levando-nos a deduzir o que se passa ou passou, ou que o narrador/personagem sabe ou não, mas que não nos quer contar. A idade, longe de infantilizar, devolve pureza à história. A pontuação escolhida, onde pontifica a ausência de marcação de discurso direto, provocando uma interseção constante entre o que é visto, o que é dito e o que é pensado, contribui para, por um lado, nos envolvermos na confusão de sentimentos por que passa Rui, e, por outro, para irmos acompanhando a interceção entre acontecimentos, através das lembranças (ou construções da imaginação) do narrador. Há um exemplo muito claro, que se estende ao longo de 5 páginas (59-63). A família, sem o pai, que tinha sido levado preso perante o filho, aguarda em Luanda transporte para a metrópole. Cada um dos 18 parágrafos que constituem aquele capítulo onde se conta a situação vivida no aeroporto termina com uma frase da situação presenciada por Rui, contada no capítulo anterior, como se um parágrafo tivesse sido desfeito em frases a estalarem na cabeça do adolescente, com a atenção ao pormenor que sempre acontece em momentos de grande tensão, memória em forma de imagens soltas e de sons, sem seguir necessariamente a ordem dos acontecimentos: «O jipe desaparece depois da casa da Editinha». «As mãos do pai amarradas atrás das costas». «Vamo matáti cum tuá arma e tuá bala». «A poeira demora a assentar». «A balalaica branca do pai ensopada de sangue». «O isqueiro Ronson Varaflame caído ao pé do canteiro». «A mãe de braços caídos no fim da rua». «O sangue do pai no asfalto». «Os vasos da escada tombados». «O pai metido à força no jipe». «As mãos do preto no braço do pai». «A minha irmã sem conseguir descer as escadas». «A Pirata a ganir com o pontapé do preto». «Os olhos aflitos do pai». «Os pretos a rirem quando o jipe arranca». «A arma do pai nas mãos do preto». «A arma do pai apontada à cabeça». «A mãe a correr por dentro da poeira que não assenta».
As personagens secundárias representam muitos tipos: os que eram contra o regime, os que eram a favor, os que se alegraram com a colonização, os que culparam os descolonizadores, mas não procura encontrar culpados, mas mostrar quadros e vidas desenraizadas.
Ainda em Angola, a mãe costumava dizer: «Esta terra não nos pertence enquanto não lhe conhecermos o coração, enquanto não lhe conhecermos o coração esta terra não guardará as nossas marcas nem reconhecerá os nossos passos» (p.151). E o que Rui vê, depois de quase dois anos a viver num quarto de hotel, é que «a metrópole é velha e já não tem um pedaço de terra selvagem onde a mãe possa inventar um coração» (p.195).
No entanto, este livro fala de esperança. Uma esperança assente da força do pai, um pai que, fisicamente, também é forte, que acredita conseguir reconstruir a sua vida. Fala de libertação. A libertação dos medos que tolhem a vida. Fala de crescimento. Não apenas de Rui, mas de todos, inclusive do pai. Fala de ternura. Entre o casal, entre pais e filhos, entre irmãos, entre filhos e pais. Mas uma ternura não lamecha. Porque a mãe tinha «crises» e «demónios», os filhos poupavam-na e não se queixavam das privações e provocações que lhes aconteciam na escola: desprezo, frio, fome. As professoras escreviam (pp.149-50) «recados, a aluna tem muito frio, a aluna está sempre a tremer nas aulas, a aluna tem de vir mais agasalhada. Nunca mostrámos à mãe os recados […]. Era o que faltava mostrar os recados das professoras à mãe».
Apetece partilhar.

27 março 2011

Esta semana, no Porto




PROGRAMA:

31 DE MARÇO DE 2011

9:00H Abertura
...
9:30H I Sessão – presidente: Graça Pinto
Jorge Deserto (U. Porto), «Mythos e epos em Hesíodo».
Maria do Céu Fialho (U. Coimbra), «Estratégias narrativas na epopeia de Apolónio de Rodes».
Marta Várzeas (U. Porto), «A narrativa nos hinos de Calímaco».

10:45H II Sessão – presidente: Maria do Céu Fialho
Cláudia Teixeira (U. Évora), «Retórica na Eneida de Virgílio: discurso, narrativa e emoção».
Zulmira Santos (U. Porto), «Retórica e ideologia em Os Lusíadas».
Isabel Almeida (U. Lisboa), «Retórica e Poesia: ligações benignas. Os Lusíadas à luz de alguns comentadores».

12.45H Almoço

14.30H III Sessão – presidente: Pedro Tavares
Carmen Soares (U. Coimbra), «A narrativa ao serviço do discurso moralizante, político e científico na historiografia herodotiana».
Adriana Nogueira (U. Algarve), «Demagogia e influência em Tucídides».
Manuel Ramos (U. Porto), «Arte oratória na narrativa de Salústio».
Cristina Pimentel (U. Lisboa), «Temor e compaixão: um olhar sobre a morte nos Annales de Tácito».

16:30H IV Sessão – presidente: Zulmira Santos
Carla Castelli (U. Milano), «Persuaders and narrators. Aspects of diegesis in the Second Sophistic».
Maria de Fátima Silva (U. Coimbra), «O agon judicial no romance de Cáriton».
Delfim Leão (U. Coimbra), «O topos do voyeurismo no Satyricon de Petrónio e no Burro de Ouro de Apuleio».

1 DE ABRIL DE 2011

9:30H V Sessão – presidente: Cláudia Teixeira
Ana Ferreira (U. Porto), «Da narrativa de Plutarco aos Panegyrici latini».
Belmiro Fernandes Pereira (U. Porto), «De Tito Lívio a Tácito: a historiografia clássica na retórica humanista».
Victoria Pineda (U. Extremadura), «Retórica y narración histórica: amplificatio, evidentia y ‘celerità’ en la Guerra de Cataluña de don Francisco Manuel de Melo».

11:15H VI Sessão – presidente: Jorge Osório
Violeta Pérez Custódio (U. Cádiz), «Entre filología y retórica: el concepto de relato milesio en el s. XVI».
António Andrade (U. Aveiro), «De Antuérpia a Ferrara: memórias de viagens de cristãos-novos portugueses».
Rui Carvalho Homem (U. Porto), «“Holy fire”, “mighty line”: Retórica, prosódia e desejo em Hero and Leander, de Christopher Marlowe».

12.45H Almoço

15:00H VII Sessão – presidente: Carlos Azevedo
Ofélia Paiva Monteiro (U. Coimbra), «Da arte narrativa de Garrett e da projecção que obteve em alguma ficção posterior do nosso Romantismo».
Maria do Rosário Cunha (U. Aberta), «Retórica e narrativa em Eça de Queirós».
Gualter Cunha (U. Porto), «Mapas do tempo: retórica do lugar em Ulysses, de James Joyce».
Gonçalo Vilas-Boas (U. Porto), «Minotauro plural: Cortázar, Borges e Dürrenmatt».

17:00H VIII Sessão – presidente: Maria de Fátima Sousa e Silva
Fátima Marinho (U. Porto), «De Agustina a Saramago ou a arte de transgredir os clássicos».

17:30H
Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto…
…encontro com o escritor Mário de Carvalho


12 março 2011

Para quê ler os clássicos?

Um homem da técnica, prémio Pessoa em 2006, que percebeu o que andamos cá a fazer.
Por que será que não o entendem?
Qualquer dia escrevo aqui sobre o criador do Facebook, que sabe grego e latim, e acha que esse saber lhe foi útil.

Se nós olharmos para as melhores empresas do mundo e virmos onde é que essas pessoas estudaram , elas estudaram em universidades e em escolas onde estudaram os clássicos gregos em profundidade.
É um factor decisivo.
Eles aprenderam a pensar.
(...)
É aí que, curiosamente, reside a maior diferença entre os países que se desenvolvem e os que não se desenvolvem.
É preciso os fablabs, mas é preciso as bases e as bases são os clássicos gregos.
E estas duas componentes, a cultura clássica e a ligação à tecnologia, e o objectivo de criar rodutos para o mundo e saber fazer, penso que poderá ter um enorme impacto nesta bomba social que nós temos em Portugal.
E é só, obrigado.

Obrigada, digo eu!
(e ao Luís Salema pelo link!)


08 março 2011

Mulheres sem nome

No livro de Plutarco, A Coragem das Mulheres, há algumas corajosas mulheres sem nome, como já anteriormente referi.
Esta é uma delas, «a esposa de Pites», que bem podia ser uma heroína das histórias que nos contavam em criança, para que delas tirássemos uma moral. 
(imagem daqui)
Diz-se também que a esposa de Pites, contemporâneo de Xerxes, foi sábia e honrada.
O próprio Pites, segundo parece, encontrou por acaso umas minas de ouro e amou a riqueza que delas provinha, não com moderação, mas de modo insaciável e desmedido. Ele passava o seu tempo à volta das minas e forçava os cidadãos a descer até lá, obrigando-os, a todos por igual, a cavar, a transportar ou a purificar o ouro, sem produzir mais nada e sem levar a cabo qualquer outra actividade.
Como muitos morriam e todos estavam completamente exaustos, as mulheres dirigiram-se, como suplicantes, à porta da esposa de Pites.
Esta ordenou-lhes que partissem e que tivessem coragem.
Ela mesma mandou chamar os artífices do ouro em quem mais confiava e, mantendo-os  encerrados, ordenou-lhes que fabricassem em ouro pães, bem como todo o tipo de bolos e frutos e quantas guloseimas e alimentos sabia que o marido mais apreciava. 
Quando tudo estava preparado, Pites chegou do estrangeiro, pois acontecia que estava ausente da pátria. E quando pediu o jantar, a sua esposa apresentou-lhe uma mesa de ouro, com todos os artefactos em outro, mas sem nada comestível.
Num primeiro momento, Pites ficou contente com as imitações, mas, depois de saciada a vista, pediu comida. No entanto, a mulher apresentava-lhe em ouro tudo o que ele solicitava. Irritado, Pites gritou que tinha fome, ao que ela respondeu: «Mas foste tu que nos proporcionaste abundância destas coisas e de mais nenhuma outra. É que desapareceram todas as actividades profissionais e ninguém cultiva a terra. Deixámos para trás as sementeiras, as plantações e o sustento que vem da terra, e procuramos e escavamos coisas inúteis, e assim nos esgotamos a nós mesmos e ao nosso povo». 
(Não sei por quê, mas esta última parte fez-me lembrar Portugal...)

A mulher de Pites era sensata e inteligente, e, depois do marido abandonar o poder, dirigiu muito bem o governo e propiciou aos cidadãos um alívio dos seus males.

Uma mulher assim dava-nos jeito.

06 março 2011

Não é triste... é tristão!

Não, não é o de Isolda. Até porque este está em minúscula.
Foi uma resposta obtida em exame:
Este é Posídon com o seu tristão.













         (Imagem daqui.)

22 dezembro 2010

Faço minhas as suas palavras

26 novembro 2010

lançamento espacial

Roubado do José Bandeira:

Um livro 5 estrelas



 É já no próximo Sábado, dia 27, impaciente leitor, que vai ter lugar o lançamento de O Fio à Meada, uma colectânea de textos sobre o programa espacial russo (Russki Spasski Progriama), ou talvez de diálogos com personagens famosos, agora assim de repente não me lembro bem. Só sei que os cosmonautas, ou os autores, são dez; e que eu também vou lá dentro, provavelmente para ser sujeito a experiências sobre a capacidade de resistência dos corpos no espaço.

Cada membro da Assistência (reparou na inicial maiúscula?) terá direito a um lançamento contra os contistas presentes, entre os quais se inclui este seu criado. Os volumes que acertarem no alvo serão, naturalmente, assinados. Eu estarei disfarçado de Adriana Nogueira, professora de Estudos Clássicos na Universidade de Faro. A Adriana irá mascarada de marmanjo de barba grisalha e ar de quem não entende muito bem qual o seu lugar no Universo. Poderá desmascarar-me forçando-me a falar: não sei camuflar a minha voz de barítono. O Miguel Neto, editor, servirá guardanapos de papel para os croquetes que poderá adquirir no bar a um preço escandaloso.

Quase me esquecia de dizer que o lançamento do Sputn… perdão, do livro será às 17 horas, na FNAC do Vasco da Gama, em Lisboa. A organização deste evento obrigou ao término da Expo 98. Após as 18:30, o local passará a chamar-se “Parque das Nações” (achámos que era um nome com pintarola).

Apareça, vá lá. O que é que eu tenho de fazer? Hã?



25 novembro 2010

Da utilidade da música

Ao ler a minha amiga Marta García Morcillo no Facebook , sobre a música que se ouvia em Roma, lembrei-me de ir buscar à estante o CD de Christodoulos Halaris
do qual deixo um trecho, que descobri no youtube.

Recentemente, saiu em Portugal a tradução do tratado de Plutarco Sobre a Música (pode ser descarregado gratuitamente aqui, no sítio da excelente Classica Digitalia).
Aqui vai um pedacinho: 

40. E o nobre Homero ensinou que o uso da música é conveniente para o homem. Pois para demonstrar que
a música é útil em muitas ocasiões, apresentou Aquiles digerindo sua ira contra Agamémnon através da  música que aprendeu do sapientíssimo Quíron:

e encontraram-no deleitando seu espírito com a
[melodiosa fórminge,
bela obra de arte; em torno, argênteo jugo havia:
escolheu-a dentre os espólios depois de destruir a
[cidade de Eétion.
Com ela alegrava seu coração e cantava glórias de homens
[Ilíada, IX, 186-189]

“Aprende”, Homero está dizendo, “como se deve usar a música: pois era adequada a Aquiles, filho de Peleu, o justíssimo, cantar as glórias dos homens e os feitos dos semideuses.” Mais ainda, Homero, ensinando a ocasião mais apropriada do seu uso a quem está em ócio, mostrou que ela é um exercício útil e prazeroso. Pois Aquiles, apesar de ser guerreiro e homem de acção, por causa da sua ira que surgiu contra Agamémnon, não participava dos perigos da guerra. Homero, então, julgou ser apropriado o herói afiar sua alma com as mais belas melodias, para que ele estivesse preparado para sair para a batalha que ele, em breve, iria enfrentar. E ele fazia isso evidentemente lembrando-se dos antigos feitos. Tal era a música antiga e para isso era útil.
(...) Homero conta que os helenos acabaram com a peste que os assolava através da música, pois ele disse:

eles, o dia todo, apaziguavam o deus com um canto,
entoando um belo peã, os jovens aqueus,
lembrando o arqueiro longicerteiro: e ele, ouvindo, alegrava
seu coração.

esses versos, nobre mestre, uso como conclusão do meu discurso sobre a música. (...)  
43. Sotérico então foi admirado pelas palavras que foram ditas: e, de fato, ele mostrava no rosto e na voz o seu amor pela música. (...)
[Diz Onesícrates, o anfitrião do banquete onde se deu esta conversa]
Se ela é útil em algum lugar, é também acompanhando a bebida, como demonstrou o nobre Homero quando diz:
canto e dança: eis os adornos de um festim.

E que ninguém venha me dizer, por causa dessas palavras, que Homero pensava que a música é útil somente para o prazer, pois há um sentido mais profundo escondido nos seus versos. Para um benefício e uma ajuda as mais importantes em tais ocasiões ele escolheu a música. Refiro-me aos banquetes e às reuniões dos antigos. De facto, a música foi introduzida porque é capaz de repelir e acalmar o poder inflamatório do vinho, como o vosso Aristóxeno também diz em algum lugar. Ele disse que a música foi introduzida porque o vinho, por um lado, tem a natureza de derrubar os corpos e as mentes daqueles que o beberam em excesso, mas a música, por outro lado, com a sua medida, conduz à condição contrária e acalma. Nessa ocasião, portanto, Homero diz que os antigos usavam a música como uma ajuda.
44. Mas também o mais importante para vós, ó companheiros, e que mais ainda resta demonstrar é que a música é nobilíssima. Pois o engendramento dos seres e o movimento dos astros Pitágoras, Arquitas, Platão e outros filósofos antigos afirmavam nem surgir nem constituir-se sem música.

23 novembro 2010

Profissão perdida

Isto de ser classicista é muito bom, muito interessante, mas às vezes apetece fazer coisas diferentes e poder mostrar que ainda há muito a aprender com o mundo antigo.

Um tema que me tem interessado nos últimos anos e ao qual me tenho dedicado um pouco mais tem sido a recepção da antiguidade no mundo contemporâneo, principalmente nas expressões artísticas. Foi por isso que estive em Bristol num congresso chamado Imagines, muito bem organizado por Silke Knippschild, Marta García e Alberto Martí, onde pude assistir a excelentes comunicações sobre a recepção das clássicas principalmente na pintura e no cinema e pude conviver com alguma «bibliografia» que tinha em casa, como foi o caso de Martin Winkler.
Ao ver tantos especialistas em cinema juntos e quando tanto se fala da falta de rigor nas reconstituições históricas nesta arte, já me tinha interrogado se os realizadores não chamariam classicistas para lhes darem conselhos sobre o décor, por exemplo.
Bem, eles lá chamar, chamam.
O simpático e conversador Lloyd Llewellyn-Jones , classicista, especialista em história antiga (Pérsia) e vestuário na antiguidade, foi consultor («consultant for set and costumes») de Oliver Stone no filme Alexandre.
E depois?
Depois, aquilo que era realidade não interessava cinematograficamente ou os actores não gostavam daquela cor ou daquele corte de vestido...
E pronto. Quando Lloyd Llewellyn-Jones perguntou a Oliver Stone o porquê de não terem seguido as suas indicações, a resposta foi: «I'm sorry».
Se ser consultor de realizadores não pegou na América, já vejo que, por aí, não vou ter futuro no cinema em Portugal.

12 outubro 2010

Acabou há quase um mês...

(foto da Ilda, tirada daqui, onde há mais)

Loulé, Alcaidaria do Castelo, 6 a 17 de Setembro de 2010

«Estudos sobre o Mediterrâneo», integrado no projecto charme Loulé, foi o mote para reunir diversos professores da Universidade do Algarve (mais concretamente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais) e seus convidados perante um grupo de pessoas interessadas em aprender e experimentar novos saberes, num contexto não académico, mas com toda seriedade e empenho que caracteriza o ensino superior.

Não era preciso ter nenhum saber prévio e os participantes, oriundos de formações muito distintas, deram o seu parecer positivo (muito positivo) a esta iniciativa.

Ter uma sala cheia, durante duas semanas, ao fim do dia, quando o sol ainda convidava para uma ida à praia, foi uma alegria!

Agora, em jeito de balanço, sinto-me feliz pelo modo como tudo decorreu. Foi um desafio que aceitei e que se revelou muito compensador pela qualidade de todas as pessoas que conheci. Aquelas que, da parte da Câmara Municipal de Loulé, apoiaram a Universidade do Algarve neste projecto foram de uma discrição e eficiência de louvar.

E espero voltar a ver aqueles com quem privei diariamente durante duas semanas, se não antes, pelo menos numa nova edição desta aventura, já para o ano.

Obrigada!

11 setembro 2010

O auriga da Lusitânia

[C(aius) Appu]leius Diocles agitator factionis russatae / [nati]one Hispanus Lusitanus ...


Os participantes da Universidade de Verão que estiveram na sessão de 6ª-feira, entusiasticamente presentada pela minha colega Alexandra Mariano, sobre a língua latina, já quase que sabem traduzir isto:

O lusitano Caio Apuleio Diocles, de nação hispana *, auriga da equipa vermelha ...

(*temos aqui um bom exemplo do ablativo de relação, nesta tradução literal: «hispano no que respeita à nação»)

Pois é. Há muito que se sabia que Diocles tinha sido riquíssimo, mas só agora nos vêm dizer que foi o desportista mais rico de sempre!
Por aqui se vê que, quando o povo precisa de distracção e lhe querem dar apenas panem et circenses, os que contribuem para esse objectivo são muito, muito bem pagos.

Do jornal Económico de 7 de Setembro:

Desportista mais rico da história era Lusitano

Rui Barroso
07/09/10 13:00

Se o salário de Cristiano Ronaldo parece elevado, é porque ainda não conhece o condutor de quadrigas Gaius Appuleius Diocles.

Os milhões de Cristiano Ronaldo e até do golfista Tiger Woods, o desportista mais rico da actualidade, não se comparam aos prémios conseguidos por um condutor de quadrigas lusitano no tempo do Império Romano.

Segundo uma investigação da Universidade da Pensilvânia, citada pelo Expansión, o desportista mais rico de toda a história foi Gaius Appuleius Diocles, um condutor de quadrigas nascido na Lusitânia no ano de 104.

Segundo os investigadores, Diocles angariou qualquer coisa como 35,863 milhões de sestércios, a que corresponderiam actualmente 11,6 mil milhões de euros. A maquia amealhada pelo desportista luso era o suficiente para abastecer de cereais a capital do Império Romano durante um ano.

Diocles participou em mais de quatro mil corridas da "Fórmula 1" dos romanos, tendo vencido quase 1.500 dos desafios. Por 815 vezes liderou as corridas desde o início, em 67 vezes conseguiu a liderança nas últimas voltas e em 36 ocasiões sagrou-se vencedor mesmo na recta final.

O corredor lusitano tornou-se profissional aos 18 anos e morreu aos 42. Está sepultado em Roma. Na lápide estão inscritas as estatísticas da sua carreira.

Para quem quiser ler ficção sobre Diocles, pode ler este El Auriga de Hispania, de Jesús Maeso de la Torre.


07 setembro 2010

A bela infanta está viva!

Ontem abriu a Universidade de Verão que estou a coordenar.
É uma actividade da Universidade do Algarve, através da FCHS, com o município de Loulé, no âmbito de uma candidatura ao QREN (o esboço do que estamos a fazer está aqui, na página 30).

A primeira sessão foi sobre o romanceiro e tivemos o privilégio de ter como orador o Prof. Pedro Ferré, que, se fosse um concerto de rock, eu diria que tinha electrizado a assistência, pela excelência da sua comunicação.

Isto, porque os romances ainda electrizam!

Deixo aqui três exemplos, partindo do romance «A bela infanta».
O primeiro, do romanceiro de Almeida Garrett:

BELA INFANTA

Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Como o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.
– «Diz-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava?»
– «Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Diz-me tu, ó senhora,
As senhas que ele levava.»
– «Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.»
– «Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morreu morte de valente:
Eu sua morte vingava.»
– «Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!...»
– «Que dirias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «Dera-lhe oiro e prata fina,
Quanta riqueza há por i.»
– «Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três moinhos que tenho,
Todos três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela1 0
Outro mói do gerzeli:1 1
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei pra si»
– «Os teus moinhos não quero
Não nos quero para mi;
Que diria mais senhora,
A quem to trouxera aqui?»
– «As telhas do meu telhado
Que são oiro e marfim.»
– «As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três filhas que eu tenho,
Todas três te daria a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir,
A mais formosa de todas
Para contigo dormir.»
– «As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mi:
Dá-me outra coisa senhora,
Se queres que o traga aqui.
– «Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.»
– «Tudo, não, senhora minha,
Que inda te não deste a ti.»
– «Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si
Por meus vilões arrastado
O farei andar aí
Ao rabo do meu cavalo
À volta do meu jardim
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!»
– «Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!»
– «Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui.

O segundo, de uma banda-rock brasileira (que se supõe electrizante, claro), que adoptou esse nome:




E o terceiro, uma verdadeira gracinha encontrei neste mundo fantástico que é a Internet.

Escrita em 2008 por João Luís, um aluno do 6º ano do Agrupamento de escola Afonso de Paiva, esta versão contemporânea (já sei que me vão corrigir e dizer que a isto não se chama uma versão, mas, enfim, perdoem-me) é muito engraçada... mas não a consigo colar aqui. Tentei, tentei, mas não consegui.
Sigam o link da escola e divirtam-se!