29 abril 2009

Que delícia!

Saboreiem estas receitas, elaboradas por alunos do 9º ano, da Escola Secundária Emídio Navarro, em Almada:

Receituário à portuguesa

Como nascem as línguas? Há umas que sejam mais difíceis que outras, línguas mais caras e línguas mais em conta? Quanto tempo demora a saborear o português ou o castelhano ou o finlandês ou... Há línguas para todos os sabores ou há línguas com sabores especiais? A nossa, certamente, que os tem, pelo menos para nós, esses especiais gostos com que nos identificamos desde o nascimento. Mas voltemos à questão inicial, há ou não receitas para as línguas faladas? Há, há, respondem-nos os alunos do 9.ºA e do 9.ºC. E para o provar aqui ficam dois exemplos de trabalhos efectuados na aula de Língua Portuguesa.

Língua à Portuguesa

Dificuldade: alguma
Tempo: muito
Custo: baixo

Ingredientes:

1 concha de substracto Celta
20 kg de língua de latim vulgar
1 kg de língua de latim literário congelado
1 chávena de superstracto Germânico
1 chávena de superstracto Árabe
1 colher de sopa de palavras provenientes da expansão
1 pitada (q.b.) de estrangeirismos acabados de colher

Modo de preparação:

Revista harmoniosamente o fundo da panela com a porção de substrato Celta e coloque-a no fogão em lume brando. Algumas centenas de anos depois, sobreponha repentinamente o latim vulgar e aumente o lume. Ao longo dos próximos 8 séculos, vá mexendo e trabalhando a língua e após esse intervalo de tempo recheie-a levemente com superstrato Germânico. Passados mais 300 anos acrescente o recheio árabe. Verta, então, o conteúdo da panela para outro recipiente e leve-o a forno médio. O recipiente deverá ser bastante fundo e largo, pois passados 700 anos a língua vai expandir-se. Devido a essa expansão você ver-se-á obrigado a adicionar palavras de outras origens ao seu cozinhado. Retire o recipiente do forno e deixe-o arrefecer um pouco. Descongele então o latim literário e unte a preparação com este ingrediente. A partir desta altura, condimente gradualmente o prato, com uma pitada de estrangeirismos. Coloque novamente o recipiente no fogão em lume médio. No entanto prepare-se, pois esta será a parte mais delicada da preparação. Ao longo desta cozedura você reparará que se formarão na superfície da língua pequenas manchas escuras e já sem gosto, denominados Arcaísmos. Retire-os do cozinhado, pois não fazem falta alguma. Para compensar esta perda, formar-se-ão deliciosos temperos que completarão a sua deliciosa língua (Neologismos). Não obstante, esta receita encontrar-se-á sempre incompleta. Nunca irá desfrutar desta eternamente.

9.ºC

Cataplana de Língua à Portuguesa

Ingredientes: (170 milhões de pessoas).
-800000 postas de substrato Celta, demolhado;
-18 toneladas de latim vulgar;
-70000 ramos de superstrato Germânico;
-17 toneladas de Galaico-Português;
-40000 neologismos a murro;
-Fios de estrangeirismo;
-Superstrato Árabe.

Modo de preparação:

Esfregue o superstrato Germânico com o superstrato Árabe.
Junte o substrato Celta com o Latim vulgar, previamente misturado com o Latim literário.
Regue com as medidas e acrescente com as toneladas de Galaico-Português.
Coloca-se em banho Maria-Manuel, para manter o preparado quente.
Leve ao forno durante 3 séculos, numa temperatura de 150º.
Acompanhe com neologismos a murro.
Se quiser, sirva com fios de estrangeirismo.
E puf !!! Fez-se o Português.....

Tempo de preparação: ???????

Nota: Esta receita está em constante confecção.

9.ºA

7 comentários:

Gi disse...

Muito engraçadas, sobretudo a primeira receita. 9º ano, dizes tu? Não parece.

Xantipa disse...

Pois é essa a informação que lá está!
:)
Beijinhos

S.M. disse...

Gosto particularmente dos "neologismos a murro"...LOL
Muito engraçado. Não me espanta serem de 9º anos, já é uma idade jeitosa, se bem orientados.
Beijinh@s

Lucubrina disse...

Não sei se é do 9º ano mas se assim for que esperança se me abriu neste País tão derretido e estorricado.

Fabuloso.

Anónimo disse...

Bonito,lindo, gostei - assinado: Ninguém

tiomanuel disse...

Boa tarde

Estas e outras "estórias" fazem-me suspirar de alívio.
Só falta uma "caldeirada".
Para além de tudo mais sou Almadense e embora não tenha sido aluno da Emídio Navarro (eu fui para o Passo Manuel)é com orgulho que vejo trabalho de qualidade numa escola da "minha cidade" para além de tudo mais misturando rigor com (bom) humor.
Imagino algumas boas gargalhadas quando leram os trabalhos
Abraço e continuação de bom trabalho.

Fernando Frazão

ecila disse...

Conheco bem a escola em questao e considero-a uma das melhores de Almada (esforcam-se na originalidade e em desenvolver espirito critico nos alunos). Aparte isso, as receitas estao demais! Que ideia gira :)