29 maio 2008

Desalento: o preço da paz de espírito

A paz de espírito normalmente sai cara e, quando não temos dinheiro para a pagar, preocupamo-nos a resolver problemas que outros poderiam resolver por nós. Se lhes pagássemos, claro.
Amanhã, a minha paz de espírito vai-me custar 250 euros. A favor da Divani e Divani.
Eu conto o mais sucintamente que puder:
- Quando vim para o Algarve, comprei uma casa e pus lá dois sofás da Divani. Os gatos arranharam aquilo tudo.
- No dia em que vendi essa casa, a Divani foi buscar os sofás. Porquê? Porque lhes pedi um orçamento, escolhi o tecido e só faltavam os ditos para que o trabalho se fizesse.
- Dois anos depois, a casa nova continuava atrasada. Ligo para a Divani e dizem-me, muito simpaticamente, que não havia problema nenhum. Quando eu quisesse, era só dizer que me trariam os sofás.
- Finalmente a casa está a acabar. Passaram-se 5 anos. Estava preparada para pagar mais do que os 80 contos (400 euros) iniciais (ainda comprei os sofás em escudos, em 1998, por 250 contos). A inflação, pois claro.
- Contacto a Divani. Que iam ver como estavam as coisas.
- Telefonema: que o tecido que escolhi tinha descontinuado; que forrar aqueles sofás ia custar mais que comprar uns novos; que, se queria os sofás como estavam, tinha de pagar 250 euros pelo transportes e armazenamento.
Fiquei parva.
1º Não fizeram o trabalho contratado (o terem ido buscar os sofás foi sinal de aceitação do serviço);
2º Não me devolvem os meus sofás, se não lhes pagar o transporte (que anunciam sempre gratuito);
3º Entregam-me os sofás apenas se lhes pagar por um armazenamento que não contratei;
4º Dizem que os 250 euros são quase todos para o transporte, mas depois disseram-me que os trazem amanhã, porque é quando têm um carro que vem para o Algarve. Portanto, não é por minha causa que vêm até cá.

E pronto. A DECO diz que posso reclamar. Tentei que na Divani me dessem uma morada e o nome da dona (parece que é uma dona). Mas remetem-me sempre para o mesmo indivíduo da loja onde os comprei, que diz que a dona da Divani não cede. Chegou mesmo a cancelar a entrega.
Ou pago ou não me devolvem os meus sofás.
Estou adoentada. Estou triste. Estou cansada.
Os meus amigos advogados que me perdoem. Eu sei que as Divani deste mundo jogam com este cansaço que nos provocam.
Numa situação normal, eu iria até ao fim.
Hoje não.
São 250 euros por alguma paz de espírito.

5 comentários:

QJ disse...

eu cá, reclamava como manda a lei.
1º pedia o livro de reclamações, se eles não quiserem dar (o que também era bonito) chamava as autoridades policiais.

não têm livro, não são obrigados, tudo bem, um fax com a reclamação e cópia para a ASAE

e ainda, basta ir a este sitio:
http://www.consumidor.pt/portal/page?_pageid=34,440034&_dad=portal&_schema=PORTAL

clicar em pedidos de informação e depois enviar um mal para o contacto que ali está.

o resto eles tratam :-)

a custo ZERO

Xantipa disse...

Meu caro QJ,
Já percebi que devia ter colocado este postal aqui há mais tempo!
Acabei de mandar um mail para onde disseste. Mas penso que vai tarde, pois amanhã, ao pagar, fico sem os 250 e duvido que os volte a ver.
Quanto ao livro, a Divani em causa é a do Colombo e eu moro em Faro.
:(
Mas obrigada pela indicação!
Um abraço

QJ disse...

os tipos do instituto do consumidor vão dar noticias, demoram um pouco mas dão resultados

Tony disse...

Eu também não me calava!
O contrato é para ser cumprido.
Penso que o Instituto do Consumidor lhe dirá algo.
Em último caso, avance para Tribunal!
Nem é tanto o dinheiro, é a atitude. E a Adriana está cheia de razão!

redonda disse...

Muito mal feito! Depois de ler isto, nem pensar em comprar seja o que for na Divani!