31 março 2010

Malvado do Aristóteles!

Coitado do Aristóteles.
Diz-se cada coisa sobre ele.

Num exame, comentando este excerto (Poética, 1453b26):

É possível que uma acção seja praticada a modo como a poetaram os antigos, isto é, por personagens que sabem e conhecem o que fazem, como a Medeia de Eurípides, quando mata os próprios filhos, Mas também pode dar-se que algum obre sem conhecimento do que há de malvadez nos seus actos, e só depois se revele o laço de parentesco, como no Édipo de Sófocles.

escreveu-me um aluno:

«Neste texto é bem visível que tanto no princípio como no fim, o grau de malvadez deve estar presente, não fosse um texto de Aristóteles.»

5 comentários:

Gi disse...

LOL Que outros textos de Aristóteles terá este aluno lido/ sido obrigado a ler?

redonda disse...

:) Ainda bem que tanto quanto eu sei, ninguém terá guardado as respostas que dei em testes.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Análise complexa e profunda do texto, que demonstra que o aluno é muito sensível à malvadez.
Boa Páscoa

Ana Cristina Leonardo disse...

A primeira vez que li Aristóteles, há uns bons anos, sentada na cantina da cidade universitária de lisboa à frente de uma braçada de fotocópias da Metafísica, lembro-me de no final não ter propriamente dúvidas mas sim uma enorme dor de cabeça e uma interrogação apenas: "de que raio é que este gajo está a falar?"

AOliveira disse...

Aristóteles! O grande génio dos génios. Lembro-me de um colega comentar que o cérebro de Aristóteles deveria estar conservado para deleite da humanidade. Que agudeza de espírito e que obra magnífica, a Poética! Deleitei-me com a Metafísica à procura do ser enquanto ser e sempre lamentei as interpretações abusivas que os aristotélicos faziam à sua obra. O verdadeiro pensamento filosófico e eclético é o do génio Aristóteles!