22 março 2008

Se eu fosse...

A sem-se-ver, que me crava a torto e a direito, mas é uma querida, levou-me a aceitar este desafio. Não passo a ninguém, porque dá uma trabalheira! Se alguém o quiser fazer, não deixa de ser um exercício giro. A maior parte dos «porque» que aqui apresento são desnecessários, pois Freud explicaria muito melhor que eu.

Se eu fosse um mês, seria… Maio. Por puro narcisismo, provavelmente, porque é o mês em que nasci.

Se eu fosse um dia da semana, seria... quarta-feira, porque gosto do equilíbrio que o meio da semana me traz.

Se eu fosse um número, seria… dois, aliás, vinte e dois. Parece pateta, eu sei, mas gosto dos dois patinhos... ah, claro, e por puro narcisismo, pois claro. Junte-se a Maio.

Se eu fosse uma flor, seria… um jarro. Porque é bonito, forte, cresce vertical e é resistente.

Se eu fosse uma direcção, seria… sempre em frente. Não há que enganar. What you see is what you get. Sempre em frente, não tem nada que enganar.

Se eu fosse um móvel, seria… um psiché. Porque me faz lembrar alma (psychê, em grego). Porque me lembro de ver a minha mãe reflectida no espelho enquanto me penteava em frente ao psiché do seu quarto.

Se eu fosse um líquido, seria… vinho tinto. Encorpado. Aveludado. Macio. Bom para acompanhar queijos fortes.

Se eu fosse um pecado, seria… a gula. Para mal dos meus pecados.

Se eu fosse uma pedra, seria… bruta, pronta para ser trabalhada.

Se eu fosse um metal, seria… titânio. Porque sim. Porque não percebo nada destas coisas e nos filmes é sempre um metal muito importante e potencialmente perigoso. E porque resiste à corrosão (entre as gentes, seria uma espécie de resistência à corrupção), mas não deixa de ser dúctil e fácil de trabalhar (uma espécie de bom feitio e conciliador).

Se eu fosse uma árvore, seria… um cedro (admitam que achavam que ia dizer nogueira)
. Porque é a árvore da minha infância. Um braço grosso aguentou o baloiço durante gerações. Um braço fino serviu de barra para a ginástica, o troco grosso (só abraçado por 3 pessoas) foi o coito no jogo das escondidas, foi o refúgio da apanhada. Hoje está velho, muito velho. Mas, como é árvore, morrerá de pé.

Se eu fosse uma fruta, seria… maçã. Porque vem desde o início dos tempos, porque comê-la traz conhecimento (é bíblico!), porque há muitas variedades (algumas até se chamam pêros), porque entra em histórias (como a Branca de Neve), mitos (o da Discórdia, no casamento de Tétis e Peleu), enfim, porque cheira bem e é bonita.

Se eu fosse um clima, seria… frio. Porque gosto de neve, porque é romântico (lareira, etc, etc), porque nos obriga a aconchegar a roupa. Ah, claro, e porque vivo no Algarve.

Se eu fosse um instrumento musical, seria... um
violoncelo. Porque devo isso à minha paciente professora, que teima em querer continuar a ensinar-me.

Se eu fosse um elemento, seria… ar.
Porque não se vê, mas sente-se, e não se aguenta mais que uns minutos sem ele.

Se eu fosse uma cor, seria… verde. Porque gosto muito. Porque me sinto bem vestida de verde. Porque faz ton sur ton com os olhos.

Se eu fosse um animal, seria... gato. Porque foi o primeiro animal de estimação que tive (e já tinha 30 anos feitos), porque são inteligentes, elegantes, ágeis, independentes e fofos, fofos, fofos.

Se eu fosse um som, seria… uma gargalhada.

Se eu fosse uma canção, seria… Quand on a que l'amour
, na voz do Brel, que tanto me emociona. Porque tem um verso que sigo como lema: «forcer le destin a chaque carrefour».

Se eu fosse um perfume, seria… Dior. Ou sabão amarelo. Estou na dúvida.

Se eu fosse um sentimento, seria… ternura.


Se eu fosse um livro, seria... uma biblioteca, porque não consigo escolher.

Se eu fosse uma comida, seria… queijo chèvre ligeiramente derretido, em cima de folhas de rúcula e decorado com fios de mel, nozes e tomates cereja.

Se eu fosse um cheiro, seria… café moído. Não gosto de café, mas adoro o cheirinho dos grãos acabados de moer.

Se eu fosse uma palavra, seria... livro.

Se eu fosse um verbo, seria… aprender, porque é o que mais gosto de fazer.

Se eu fosse um objecto, seria... um sofá muito confortável.

Se eu fosse uma peça de roupa, seria… um lenço de pescoço. Ou um cachecol. Tenho a garganta muito sensível. Numa noite do verão passado estive a conversar sem o lenço ao pescoço. Resultado: fiquei afónica durante uma semana.

Se eu fosse uma parte do corpo, seria… olhos. Porquê? Ora, porque é o que dizem que tenho de mais bonito (aliás, é o que dizem às pessoas que não têm mais nada que se possa elogiar, ou pensam que não sei? Eheheh)

Se eu fosse uma expressão, seria… «tenho uma teoria...»

Se eu fosse um desenho (animado ou por animar), seria… uma personagem de qualquer livro de José Carlos Fernandes, para poder dizer aquelas coisas que ele sabe e poder filosofar à vontade.

Se eu fosse um filme, seria… Tous les matins Du Monde, de Alain Corneau, porque foi decisivo na minha decisão estudar violoncelo (eu sei que no filme é viola da gamba, mas faz-se o que se pode).

Se eu fosse uma forma, seria… um círculo.

Se eu fosse uma estação, seria… de comboios. Porque gosto de viajar, de partir e de chegar. E porque gosto de comboios (ainda hesitei e pensei dizer «Primavera» ou «Inverno», mas os comboios levam-me para mais sítios).

Se eu fosse uma frase, seria…«quando é que isto acaba?»

7 comentários:

Joaquim disse...

Que lindos olhos verdes como os da minha filhota Sónia!
O resto está conforme,como não poderia deixar de ser!...
Não são os olhos o espelho da Alma?
(onde será que já ouvi isto?)
Gostei muito, Senhora Sócrates!(que não tem nada a ver com o nosso primeiro, penso eu de que...)

Xantipa disse...

Caro Joaquim,

O meu legítimo e já falecido era o outro, o verdadeiro, o velho filósofo...
;)

Joaquim Baptista disse...

Boa Páscoa, desde a fria Egitânia

Abraço

Joaquim

Maria, Simplesmente disse...

Xantipa!!!!!!!!!!!!!!!...........
À quanto tempo não nos liamos... menos eu!
Adorei a sua visita!.
Boa continuação dest domingo, e BOA PRIMAVERA
Um beijo da "agora" Maria

Gi disse...

I like you just the way you are :-)

Xantipa disse...

Obrigada, Joaquim, pelos votos pascais.

Beijinhos, Maria!

Gratias tibi ago, Gi.

redonda disse...

Gostei muito das respostas todas, embora não concorde com a observação acerca dos olhos, são muito bonitos e especiais, mas também é bonito e especial o teu rosto e o teu sorriso.
Não era no livro da Marguerite Duras, Tranças Pretas que depois de cortar o cabelo lhe passavam a elogiar os olhos? E a julgar pela descrição no livro, não era só o cabelo, nem só os olhos que eram bonitos ...:)