13 fevereiro 2007

Minister

Ouvia agora* na Antena 1 alguém dizer que não percebia a abstenção em Portugal, dado que é o terceiro referendo que se faz em que não se consegue menos de 50% de abstenções, nem percebia a falta de empenhamento político.
Eu acho que percebo a falta de empenhamento político.
Vejo-o no nos meus alunos, que são cidadãos votantes, vejo-o nos miúdos das escolas secundárias, à beira de o ser.
Quando vou fazer as palestras «A Magia das Palavras», «Lógica da Batata» ou «Tragédia Grega», tenho oportunidade de conversar com eles. E uma palavra que meto no discurso, quer venha a propósito (vem sempre n' «A Magia das Palavras»), quer não venha, é «ministro».
-O que é um ministro?
- Aldrabão! Mentiroso! - respondem invariavelmente.
Nessa altura preparo o discurso e digo que não. Que a prática que alguns ministros têm não pode ser generalizada para todos, que ser ministro, deputado, presidente da república, de câmara, de junta, etc., são cargos que todos nós poderemos um dia vir a ocupar. E que, para que eles, jovens, possam dizer que este ou aquele é mentiroso e aldrabão tem de estar informados, tem de conhecer a política do país, dos partidos, enfim, tem de aproveitar estes momentos únicos de aprendizagem que a escola lhes dá, de saberes que lhes vão ser úteis para toda a vida, desde a matemática ao português (os «monstros»), passando pela filosofia e a história, entre tantos outros, saberes que o vão tornar um melhor cidadão (e a ser menos «enganado»!)

E claro, explico que «ministro» vem do latim minister que significa «escravo, servo», palavra que, por sua vez, vem de minus, que significa «menos, muito pouco». O ministerium era o serviço atribuído a esses escravos.
Pois.

* Este postal foi escrito ontem, às 8.57, e não publicado por distracção!

2 comentários:

Parca disse...

Acho que o facto de haver um elevado número de pessoas que estão mortas e não foram riscadas dos cadernos eleitorais também deve ajudar a abstenção.

Anónimo disse...

na antena 1 ta o refugo de um Pais! pobre Pais!