02 novembro 2008

Os mortos vão devagar
É-lhes árdua a subida.
Não há pressas p’ra chegar
Foi difícil a partida

Sobem paulatinamente
Descem muito devagar
Fazem tudo lentamente
É dormente o seu andar.

O tempo não acabou
Não há passos de corrida
Em círculos sempre se andou:
A vida não tem saída.

O adeus é um momento
Que temos de partilhar:
Para nós, o sofrimento,
Aos mortos resta o vagar.

Foi difícil a partida
É dormente o seu andar.
A vida não tem saída.
Aos mortos resta o vagar.

14 comentários:

Rui Luis Lima disse...

Olá!
O "Paixões e Desejos" atribuiu Ao blogue "A Senhora Sócrates" o prémio "Brilhante Weblog". Continuação de boas escritas são os nossos votos.
Beijinhos
Paula e Rui Lima

Once disse...

e a nós que vamos ficando a dor, por vezes a dor, sempre a dor ..
Sereno este seu escrito .. Obrigada por isso*

carneiro disse...

Abraço grande,Adriana.

Gi disse...

Não te sabia poeta... Muito engraçado, este poema.

Xantipa disse...

Queridos Paula e Rui,

Como já vos agradeci no blogue, muito obrigada!
Beijinhos

Querida Once,
Obrigada por ter visto a serenidade.
Beijinhos

Querido Helder,
Obrigada. Tu sabes.
Beijinhos

Querida Gi,
Não sabias, porque não sou. São apenas versos.
Beijinhos

S.M. disse...

Miúda, os teus "apenas versoas" são doces, melodiosos e verdadeiros. Como tu. Beijinhos e abraços cheios de amizade.

Nuno Firmino disse...

Os versos de um poema só ganham importância em mim quando se denota, em cada um deles, uma profunda reflexão.

É evidente que estes versos foram o resultado dessa reflexão íntima, pessoal... Por isso, já estão entre os meus preferidos ( não é conversa fiada).

:)

Nuno

Rui Luis Lima disse...

Olá Xantipa!
A poesia oferece-nos muitas vezes esse momento de reflexão sobre a passagem do ser pela vida. E este poema belo solicita-nos a tal pausa para olharmos a paisagem com outros olhos e meditar sobre a existência do ser.
Beijinhos
Paula e Rui Lima

Rui disse...

Muito bonito o poema. Mesmo a sua tristeza é serena e apaziguadora.
Perturbador o verso "A vida não tem saída." Depois do sobressalto, decidi tomá-lo literalmente: a vida é sempre vida.
A estrofe final lança um olhar para trás e encerra na perfeição um poema já de si perfeito.
Gostei muito.

redonda disse...

Fiquei confundida com as cores porque imaginei que o poema seria de alguém com muita idade, pela reflexão e pelo "a vida não tem saída". Pareceu-me bonito e triste. Um destes dias gostava de ler um outro poema teu com mais esperança (claro que isto pode ser culpa minha porque hoje me sinto meio cinzenta como o dia)
um beijinho
Gábi

José Ricardo Costa disse...

Belo poema! E olhe que sou bastante esquisito na poesia.

JR

Méon, disse...

Lembro-me de um título de António Rebordão Navarro: "Um infinito silêncio".
Sempre me fascinou.

Leio estas quadras e apetece-me mergulhar nesse silêncio, infinito como a morte.

Acredita: há muito que não lia nada tão singelamente profundo. Chega a ser arrepiante.

Há dias por lá andei, no cemitério onde há pedras a cobrirem muitos amigos e conhecidos. E os meus pais...
Agora, ao ler estas quadras magníficas, é como se caminhasse de novo por ali. Nunca tive medo de cemitérios e gosto de os visitar de vez em quando. Isso ajuda-me a situar-me melhor perante a vida!

Um imenso obrigado pela tua imensa sensibilidade, minha Amiga!

Anónimo disse...

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Funes, o memorioso disse...

Muito bom