19 março 2007

Clair de Lune Théâtre

O meu amigo Paulo faz teatro de sombras chinesas.
Vive na Bélgica há muitos, muitos anos.
Andámos na escola juntos. Na altura ele era «Cenoura». Agora não tem cabelo. Mas continua com aquelas sardas que lhe dão um ar irreverente (o que conjuga bem com as suas gargalhadas características, mas contrasta com a tranquilidade que emanam)...
Uma memória muito forte de uma experiência que passei com ele é a que tenho do dia em que soubemos da morte de Sá Carneiro. Fomos os dois comprar muitos jornais para lermos as notícias de diferentes maneiras! Nem queríamos acreditar!

Lá em casa recebia-se gratuitamente (porque, desde o meu avô, que morreu em 1931, que a «família» era correspondente d') o Diário de Lisboa, que o sr. Feliz, o ardina, sempre vestido de azul e sacola a tiracolo ou ao ombro, punha debaixo da porta.

«Olh'ó Diário de Lisboa e Notícias! Rapazes, olh'ó dinheiro!»

As pessoas da minha idade (e mais velhas, claro!), lá do Bombarral, devem lembrar-se bem deste pregão...

Ora, dizia eu, naquele dia fui, pela primeira vez, comprar jornais. Fui com o Paulo e devorámos o que havia. Estávamos impressionados...
O Paulo tem agora este teatro de sombras. É muito bonito o que ele faz. Vão até ao Clair de Lune e espreitem...

1 comentário:

marta disse...

Espectacular!
O Paulo não tem cabelo, mas tem barba e bigode