25 julho 2009

Transmissão directa do Reboliço

(Obrigada, Ana!)

Do céu dos gatos (transmissão directa para a Xantipa)

- Olá. És a Carolina?
- Sou, sim. E tu és quem?
- Sou a Tamino. Cheguei há uns dias e não conheço ninguém. Lá em baixo disseram-me que talvez te encontrasse aqui. Posso ficar contigo?
- Acho que podes. Nunca tenho grande companhia.
- O que é que fazes para passar o tempo? Há ratos para perseguir?
- Não...
- Então este céu não é só para gatos?
- Não, Tamino: aqui é tudo igual a lá em baixo. Gente e bichos tudo misturado. E já assim às vezes é um tédio - imagina se não houvesse alguns seres diferentes de nós!
- Hum... então e o sol para nos estendermos a ele?
- Nada. Nem sol nem lua. É o infinito absoluto. Lembras-te quando lá em baixo ouvias as pessoas dizerem para não se pensar em nada?
- Lembro-me; fazia-me uma confusão...
- Olha, o nada é isto.
- Mas, e as latinhas de comida, quem é que as traz? E as bogas cozidas com as espinhas todas?
- Nada, Tamino. Daqui a algum tempo já nem te lembrarás disso. Agora ouço-te a dizer essas palavras e tenho uma ideia muito vaga de que já houve algum lugar onde faziam sentido.
- É muito estranho. E não dá medo?
- Estás a sentir medo?
- Não. Estou descansada. E desapareceram-me as dores.
- Ora bem; deixa-te estar. Podes ficar aqui ao meu lado. E, se quiseres, depois iremos saltar nuvens. Isso é que é!...

6 comentários:

Nuno Firmino disse...

Bonita mensagem de reconforto, Xantipa, portanto, quando olhar o céu aguarde para ver a Tamino a saltitar de nuvem em nuvem e... sorria :)

Beijinhos com coragem!

S.M. disse...

:)
Beijinhos

Anónimo disse...

Um gato...Independência e afecto envoltos em pelo...
Um gato ou gata, não aceita falsidades, e só admite quem lhe respeite a individualidade.
Gosta de quem com ele partilha o espaço, pelo amor que lhe é próprio, que é dele, e que o dá...se quiser! Começa por não pedir amor, mas depois, quando cedemos, passa a exigir...
E quando já não está connosco, quando já não temos a honra de ter a sua presença, vemos que afinal de contas, andamos enganados, pois não somos donos deles...apenas parceiros nesta viagem.

Nada de lágrimas Xantipa!

Oppuganatore

Méon, disse...

Já há dias que aqui não vinha, Adriana! E fiquei triste, por ti. Também já sofri luto de gato. E de cão! E então percebi o luto dos outros que, antes disso, me parecia desajustado.
Não é! Não é mesmo!!!!

Até que o tempo, em seu rodar infinito, nos habitua à falta deles. Como nos habituara à sua presença.

Vida efémera, a nossa. "Tão curta, para o tamanho dos nossos sonhos!"

Beijinho solidário! E que o Amor não te falte!

Xantipa disse...

Obrigada, Nuno, pelas palavras. O problema é que este céu algarvio é límpido...
Um beijinho

Obrigada, Sarita!
Beijinhos

Obrigada, Oppugnatore.
Sei que também gostas de gatos!
Beijinhos

Obrigada, Méon.
A Tamino tem o seu lugar em mim!
E quanto ao Amor, está sempre comigo!
Beijinhos!

Carolina Braga disse...

Muito lindo!