17 setembro 2008

Complexo de Electra

É daqui que vem o complexo de Electra, se bem que sempre tenha considerado o mito um bocadinho esticado, até porque nem é ela que mata a mãe (contrariamente a Édipo, que mata o pai). Na verdade, foi um complexo que não vingou.

ORESTES
(depois de se revelar à irmã, que desejava encontrá-lo, depois da mãe, Clitemnestra, ter matado o pai, Agamémnon)
Mas domina-te, não deixes que a alegria perturbe o teu espírito. Sei bem que os que mais nos deviam amar são precisamente os que nos odeiam.

ELECTRA
(...) Ó doce visão, que quadruplicaste o meu amor, a necessidade me impele a saudar-te como a um pai e em ti se concentra o amor que devia dedicar a minha mãe - com toda a justiça por mim odiada! - e a minha irmã, imolada sem piedade. Tu és o irmão fiel, que me restitui o respeito de todos. Que a Força e a Justiça, associadas ao soberano Zeus, me prestem o seu auxílio!

Ésquilo, Coéforas, vv. 232-245. Tradução de Manuel de Oliveira Pulquério, incluído na Oresteia publicado por Edições 70.

4 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

Onde é que entra no meio disto tudo o Dare Devil? ;)

Beijoca!

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Xantipa,
para além da dose de forçado, não terá a falta de reacção ficado a dever-se a ser uma situação com cujo conceito se convive melhor?
Beijinho

Xantipa disse...

Caro Rafeiro,
Ele há-de ter a Força e a Justiça do seu lado, pois então!
:)

Querido Paulo,
Não penso que tenha a ver com a situação de Édipo, até porque o complexo é usado, freudianamente, nas duas situações. Talvez seja porque as meninas ultrapassam bem mais depressa esse complexo, que nem mereceu nome próprio. E, quando lho deram, não resultou, porque Electra convenceu o irmão a vingar-se por ela (eheheh).
A verdade é que vemos muitos meninos crescidos com o seu complexo mal resolvido (eheheh, outra vez).
Não me canso de dizer que gosto de o (re)ver na blogosfera.
Um beijinho

Tony disse...

Olá, Adriana.
Quer então dizer que o complexo de Electra é um complexado??? :-)
Um abraço.
Tony.