31 agosto 2008

ausência forçada...

... da blogosfera nos últimos dias.
Infelizmente, parece que, além de ter má transmissão de dados, estarei com problemas com a placa ou o modem. É o que me dizem da TMN e até já tenho «consulta» marcada numa loja (há lojas assim, só com marcação antecipada). Entretanto, nada de conseguir aceder através do meu computador. Como isso perturba o meu trabalho!
Enfim, quanto a ver resolvido o problema do valor cobrado indevidamente, parece que ainda terei de esperar. Darei notícias aqui de como ficou resolvida a questão.
Até lá, vou tentando ler e escrever de computadores alheios.

26 agosto 2008

De férias aqui...

... longe de casa... longe de livros e computadores... (bem... mais ou menos... eheheh)... longe de gatos... longe de cães...
Às vezes sabe bem afastarmo-nos do que amamos.

24 agosto 2008

certeza

... não é o que gostas, mas ainda assim espero por ti sem hesitar.

(Anacreonte, Fragmentos elegíacos 1. Tradução minha).

23 agosto 2008

Da natureza dos homens (bons)

Os Gregos (e os Romanos também - veja-se César, descendente de Vénus) gostavam de apresentar um deus na origem da sua família. Heródoto conta-nos esta lição dada pelos sacerdotes egípcios, sobre a natureza humana dos... homens:

«trezentas gerações correspondem a dez mil anos, pois três gerações equivalem a um século, e além das trezentas gerações as quarenta e uma restantes correspondem a mil trezentos e quarenta anos.

Então, durante esse período de onze mil e trezentos e quarenta anos, dizem os sacerdotes, não houve rei algum que fosse um deus sob forma humana, nem aconteceu isso antes ou depois desse período entre os restantes reis dos egípcios.

O historiador Hecateu esteve antes de mim em Tebas, onde traçou para si mesmo uma genealogia que vinculava sua linhagem a um deus na décima sexta geração de seus antepassados.

Mas os sacerdotes de Zeus fizeram para ele o mesmo que fizeram para mim, que não lhes havia apresentado a minha genealogia. Eles me levaram ao grande pátio interno do templo e lá me mostraram estátuas colossais de madeira, contando-as até o número que já me haviam dado, pois cada sumo-sacerdote deixa lá enquanto vivo um estátua sua; contando-as e apontando para elas, os sacerdotes mostraram que cada um deles herdou a função sacerdotal de seu pai, e começando pela estátua do último sacerdote morto eles me fizeram passar diante de todas as estátuas.

Então, quando Hecateu traçou sua genealogia e reivindicou para seu décimo sexto antepassado a condição de deus, os sacerdotes também traçaram uma genealogia de acordo com o seu método de computação, pois não se deixariam convencer da possibilidade de um homem descender de um deus; eles traçam a genealogia ao longo da fileira completa de trezentos e quarenta e cinco estátuas colossais, chamando-as Píromis, filho de Píromis, mas sem associá-las com qualquer antepassado, deus ou herói (píromis em língua helênica significa apenas um homem bom).

Assim eles mostraram que todas aquelas pessoas cujas estátuas se alinhavam lá haviam sido homens bons, mas estavam muito longe de ser deuses»

(texto de Herótodo daqui)

22 agosto 2008

Por hoje Nelson Évora ter feito ouvir o hino em Pequim

(imagem daqui)

Há alturas em que para os homens a maior necessidade
são os ventos; outras vezes, são as águas do céu,
chuvosas filhas das nuvens.
Mas se com esforço alguém chega a vencer,
os hinos de som de mel

constituem o início de posteriores discursos
e o fiel garante para êxitos enormes.

Sem inveja alguma este louvor é devido
aos vencedores olímpicos.


Píndaro, Ode Olímpica XI, in Poesia Grega, Cotovia, 2006, em tradução de Frederico Lourenço.

20 agosto 2008

As Bacas

Esta peça de Eurípides que a Charlotte seleccionou como leitura para as férias fez-me lembrar a questão da tradução dos títulos. Fala-se muito dos títulos de filmes e livros modernos e contemporâneos mas poucas vezes dos clássicos. Claro que isto tem razão de ser: séculos de tradição de tradução; poucas edições portuguesas de alguns títulos potencialmente mais polémicos; títulos simples atribuídos a posteriori (nomes de pessoas ou lugares, por exemplo).
Há uns meses conversava com um colega da U. Coimbra sobre a tradução que ele iria fazer do nome de uma comédia de Plauto intitulada Poenulus. Em inglês aparece como The Little Carthaginian, The Young Carthaginian, The Puny Punic. Das várias hipóteses por ele levantadas, a que mais me agradou (e divertiu pela sonoridade conseguida) é O Punicozinho.
Não sei se será esta a eleita aquando da publicação...
Voltando à tragédia de Eurípides, o nome pelo qual é conhecida é As Bacantes. Já foi várias vezes representada (vi-a há 13 anos - confirmei agora - na Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre, pela Escola de Mulheres) e traduzida em muitas línguas. O nome que lhe damos vem, como quase todos, através do latim, e do radical bacchant- chegamos a bacante.
Ora como o nome grego é, de facto, Βακχαι (Bacchai), o tradutor brasileiro, Jaa Torrano, optou pela forma transliterada e chamou-lhe Bacas.
Sei que não devia, mas não consigo deixar de me rir.

19 agosto 2008

As coisas são como são

A minha amiga Teresa Perdigão, antropóloga, criou, finalmente um blogue. Depois de lhe ter xingado a cabeça (como diria a minha avó brasileira) para que o fizesse, decidiu-se a apresentar-nos o As coisas são como são.
Passem por lá e leiam-na!

18 agosto 2008

Pátio de Letras

Fui, finalmente, à nova livraria de Faro, a Pátio de Letras.
É uma loja bonita, com um pátio confortável que separa o espaço onde se vendem os livros de um espaço - uma casa antiga - onde de podem ver exposições (neste momento está um de Sonia Cabañas e uma, que me pareceu particular, de livros de espionagem e policiais). Enquanto o bar não abre, está disponível uma máquina de bebidas e comidas.
Associado a este projecto está a editora Mundo em Gavetas, que já ali lançou um livro de um dos sócios da livraria, José António Barreiros. Não comprei e não li, mas ao folhear fiquei com pena que o aspecto gráfico estivesse descuidado (mancha gráfica pouco agradável, parágrafos desformatados e desiguais na abertura, margens reduzidas, por exemplo), tratamento que as ilustrações de Abel Baptista e, certamente, o texto não mereciam.
A livraria ainda está a crescer e cada vez tem mais editoras representadas. Ah, e tem um horário maravilhoso: está aberta TODOS os dias, das 10h até às 20h (segundas e terças), 21h (quartas, quintas e domingos) ou 23h (sextas e sábados).
Vamos ver se entre idas e vindas de casa para a Faculdade irei passar por lá mais vezes.

17 agosto 2008

má rede

A minha rede (TMN) tem estado péssima. Aliás, estou só à espera que o ano de fidelização chegue ao fim para cancelar de vez a ligação a esta empresa. Cobraram-me mais de 200 euros (tinha débito directo - que entretanto cancelei) referentes ao mês de Maio, dizendo que ultrapassei os gigas contratados. Logo eu que tenho sempre uma péssima ligação, que não faço downloads, que quase sempre os débitos de recepção estão a 0,00Kbps e os de transferência idem (como agora, o que me impede de vir aqui num instantinho e postar: ou tenho tudo escrito antes ou não tenho hipótese).
Os que me atendem dizem que outros me irão contactar por causa da minha reclamação, que se baseia no facto de não ter sido avisada que tinha atingido 90% do tecto gratuito e de própria TMN ter confirmado isso mesmo. Se não avisaram é porque não atingi. Ou atingi e tinham de ter avisado (aquilo são alertas automáticos, imagino. Não há-de ser uma pessoa que tem um grande mapa com os milhares de utilizadores da TMN e que diz «Olha! A Adriana atingiu 90%! Vou ter de a avisar!» e que depois se esquece).
Enfim, venho aqui sempre a correr para ver o correio e ler alguns blogues no pouco tempo que tenho até ficar sem rede. Sempre que puder, colocarei qualquer coisinha. Vamos ver quantas horas este postal vai demorar a ser publicado!

12 agosto 2008

outra carta de amor (das muito, muito antigas)


Caio Plínio saúda a sua Calpúrnia


É incrível o desejo que tenho de estar contigo.
Primeiro, porque te amo, depois, porque não estamos acostumados a estar separados. Daí que passe acordado grande parte das noites a pensar em ti; daí que, durante o dia, naquelas horas em que costumava visitar-te, os meus pés - como se costuma, na verdade, dizer - me conduzam para o teu quarto. Por fim, doente e triste, semelhante a um abandonado, afasto-me do quarto vazio.
O único tempo em que estou livre destes tormentos é quando sou absorvido pelos processos e pelos amigos no fórum.
Avalia como é a minha vida, na qual o descanso está no trabalho e a distracção está na infelicidade e nas preocupações.
Adeus

10 agosto 2008

amor e prazer no casamento (há uns 2000 anos)


Caio Plínio saúda a sua mulher (Calpúrnia)


Escreves que sofres muito com a minha ausência e que tens uma única consolação, que é segurar nos meus livros em vez de mim e que, muitas vezes, os colocas no meu lugar.
Gosto que sintas a nossa falta, gosto que encontres essas consolações; eu também leio muitas vezes as tuas cartas e agarro-as nas mãos continuamente como se fossem novas. Mas com isto ainda sou mais inflamado de desejo por ti, pois quanto mais doçura as tuas cartas têm, mais o prazer que tenho nas tuas palavras em presença.
De qualquer maneira, escreve tanto quanto possas, embora isso me dê prazer do mesmo modo que me tortura.
Adeus

08 agosto 2008

Ontem, em Faro

Ontem estive na Feira do Livro de Faro e foi uma tristeza.
Afinal o encontro de autores não foi no pavilhão da Sulscrito, mas no da Câmara Municipal. Os escritores (sete) estavam sentados dentro do pavilhão e os espectadores do lado de fora, em pé. Como seria de esperar, poucos ficaram parados uma hora. Iam circulando pelos pavilhões da feira, foram ao café, e os que paravam (como eu) ficavam com a sensação de estarem a olhar para uma exposição ou para um quadro, juntamente com meia dúzia de pessoas como eles. Nem uma cadeirinha para os interessados em ouvir o que aqueles homens (nenhuma mulher a sul?) tinham para contar. Ainda por cima, três deles eram espanhóis, o que obrigava a maior concentração.
Enfim, salvou-se a noite com a presença de António Manuel Venda, que foi quem me levou lá, e de Pedro Afonso, um antigo aluno meu que estava no grupo como jovem poeta (acabou de sair o seu primeiro livro), que animou bastante quando chegou a sua vez de falar. Levantou-se, explicou que estávamos todos na mesma margem e desenvolveu a velha metáfora do rio como o espaço da escrita de uma forma fresca, como me pareceu ser também a sua poesia.
De António Manuel Venda obtive os autógrafos para os meus/seus livros e dois dedos de conversa, daqueles rápidos de quem tecla, que havia mais quem o quisesse, mas ainda teve tempo para me dizer que deve sair um novo livro em Setembro.
Soube, entretanto, que abriu uma nova livraria em Faro, Pátio de Letras, com bar, horário alargado e happy hour de livros. Hei-de ir lá em breve.

06 agosto 2008

As Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira

Dou-te uma aldeia irreal onde tudo é possível: que as árvores falem com as plantas e os animais chorem mostrando aos homens que não é vergonha chorar.
Tudo o resto, deixo-te a liberdade de inventar.
Desejo que vivas sempre nesta aldeia.
(Maio 1982)

(dedicatória que me escreveram no livro)

04 agosto 2008

Novo João!

Sou tia-avó!
Este meu sobrinho foi pai ontem!
Tivesse eu como, oferecia este berço.
Parabéns ao João e à Mafalda!

455

Este blogue, que tem uma média de 100 visitas diárias, teve 455 no dia 1, na sua maioria vindas pelo Corta-fitas. Já antes Pedro Correia me tinha destacado. Desta vez foi Luís Naves que me colocou como blogue semana. Muito obrigada pelas simpáticas palavras com que descreveu este blogue.
Espero que alguns dos que aqui passaram por curiosidade se venham a tornar visitas da casa. São todos bem-vindos.

03 agosto 2008

Queria dar gritos de raiva e só consigo murmurar.
Queria morder e, em lugar disso, a minha boca apenas aflora.
Queria esfacelar e, na realidade, acaricio.
Em contrapartida, gostava muito de andar devagar e sou permanentemente obrigado a correr.

Sempé, Alguns Filósofos, Publicações Dom Quixote (na velhinha colecção «Humor com humor se paga»), 1985.

01 agosto 2008

se a tanto me ajudar o engenho e a... dor


(...) és transportado pelas velas do engenho ao mesmo tempo que pela dor; e cada um destes foi a ajuda um do outro. Pois o engenho acrescenta dignidade e magnificência à dor e a dor acrescentou força e amargura ao engenho.


(Carta 20 de Plínio a seu amigo Nóvio Máximo, a propósito de um livro que este escrevera . Tradução minha. Ler outras cartas aqui e aqui.)